terça-feira, 27 de maio de 2014

Leiria: Quercus salva planta única no mundo da extinção

Segunda-feira, 26 de Maio de 2014
Leiria: Quercus salva planta única no mundo da extinção
A Leuzea longifolia é uma espécie da família das margaridas que só existe em Portugal. © Quercus
Uma microrreserva da Quercus criada há dois anos em Leiria para salvar da extinção a "Leuzea longifolia", uma planta da família das margaridas, única no mundo, que apenas existe em Portugal, contribuiu já, com sucesso, para a propagação da espécie.

A novidade foi avançada à Lusa por um dos dirigentes da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, Paulo Lucas. "Temos ideia de que ela se está a propagar, vemo-la em mais locais do que aqueles onde estava", congratula-se o responsável da associação ambientalista.

Segundo Paulo Lucas, estima-se que existam cerca de 150 exemplares desta espécie na microrreserva, um terreno de um hectare onde está confinada a planta e que se insere numa área mais ampla de 136 hectares classificada como Síto de Importância Comunitára da Rede Natura 2000 Azabucho, na localidade com o mesmo nome.

O dirigente da Quercus explica que a "Leuzea longifolia" é uma espécie "muito importante" e apenas existente em Portugal, podendo ser encontrada em dois outros núcleos além de Leiria: Loures e Ota. 
Fonte: boasnoticias.pt

O peixe mais perigoso do Mundo. O peixe-balão.

Apesar do tamanho reduzido e do aspeto tímido, as suas defesas podem revelar-se extremamente mortíferas.
Os fatos:
Peixe-balão
Tipo: peixe
Dieta – omnívoro: invertebrados, algas, moluscos e crustáceos
Esperança de vida: 4 – 8 anos
Poder: reator de água pressurizada
Peso: 150 gramas
Tamanho: 2.5 – 90 cm
Habitat: Tropical/subtropical, água salgada, salobre ou doce.
Os peixes-balão são um grupo de mais de cem espécies, assim chamados devido ao seu método de defesa único.
Quando encurralado, o peixe balão engole água, que bombeia para o estômago, expandindo-se e atingindo uma dimensão até três vezes superior ao tamanho normal. Dessa forma, não só dissuade potenciais predadores como ganha segundos cruciais para escapar, se for necessário.
Para conseguir fazê-lo de forma rápida e eficiente, assim que engole a água, as suas brânquias e uma poderosa válvula no interior da boca fecham-se. Mal a cavidade bucal é comprimida, a água é empurrada para o estômago. Apesar do resultante aspeto cómico, os tecidos e orgãos de muitos peixes-balão não são brincadeira, estando minados de tetrodotoxina – um potente veneno que, mesmo em doses ínfimas, é capaz de matar um homem adulto. Isto torna o peixe-balão dez vezes mais mortífero que a viúva-negra. O veneno é produzido como parte de uma relação simbiótica com bactérias comuns, numa troca de nutrientes por uma defesa implacável.
Algumas espécies como o peixe-balão-espinhoso, são mais estranhas que outras, cobertas de espinhos que oferecem proteção extra e que servem de aviso a potenciais atacantes.
Cada espinho está preso á pele por uma engenhosa base em forma de tripé. Quando a pele estica, uma das pernas é puxada para a frente e duas para trás, “abrindo” os espinhos – o suficiente para que os predadores percebam o aviso.
Tetrodotoxina
A cada átomo da molécula de TTX é atribuida uma cor: carbono (preto), hidrogénio (branco), oxigénio (vermelho) e azoto (azul). A TTX agarra-se aos canais de sódio, bloqueando a transmissão de impulsos nervosos e envenenando o sistema nervoso.

Depois da rã-dourada, o peixe-balão é considerado o vertebrado mais mortífero da Terra. O seu veneno, a tetrodotoxina (TTX), não é produzido por si, mas sim por dinoflagelados e bactérias marinhas relativamente comuns.
Em animais suscetíveis, a TTX liga-se aos canais de sódio das células nervosas, cortando o fluxo de sódio e interrompendo a função nervosa; isto provoca a paralização do diafragma, asfixia e a morte da vítima. Não se conhece qualquer cura.
Os humanos costumam ser expostos ao seu efeito mortal ao ingerirem fugu (uma iguaria japonesa) mal preparado. Os sintomas incluem dormência na boca, tonturas, vómitos e dificuldade em respirar. Sem tratamento imediato, falha respiratória e coma ou morte ocorrem nas 24 horas seguintes.

Fonte: quero saber Novembro 2010 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Pesticidas estão a destruir solos nacionais, alertam Investigadores

actualizado: Mon, 14 Apr 2014 16:18:53 GMT | de Lusa

Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) concluiu que as misturas de pesticidas utilizados na agricultura para combater pragas estão a provocar efeitos colaterais nos organismos que regeneram o ecossistema terrestre, colocando em causa a saúde dos solos.
MARIO CRUZ/LUSA
MARIO CRUZ/LUSA
"Já testámos vários tipos de pesticidas aplicados amplamente em todo o país e na Europa e verificámos que eles produzem efeitos muito mais nefastos do que seria à partida previsível", disse Susana Loureiro, investigadora no Departamento de Biologia e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da UA.
A coordenadora da equipa dá como exemplo o chamado "remédio dos caracóis" que, além do alvo principal, também acaba por matar outros organismos como bichos-de-conta, minhocas e outros invertebrados benéficos para o solo.
Sem estes organismos e sem o papel crucial que desempenham na decomposição da matéria orgânica e na redistribuição dos nutrientes, os solos agrícolas não conseguem manter-se saudáveis, refere a bióloga.
A equipa, que estuda há vários anos o efeito dos químicos usados na agricultura, tem igualmente verificado que há vários compostos químicos que induzem efeitos que se prolongam ao longo de várias gerações desses organismos, podendo dar origem ao colapso de populações.
Os investigadores apontam o dedo a uma legislação que apenas regula a utilização individual de cada químico ignorando a mistura de pesticidas, uma prática que dizem ser normal no setor agrícola e que potencia o efeito tóxico dos compostos utilizados.
"Nos solos agrícolas há décadas que se utilizam cocktails químicos perigosos e imprevisíveis sobre os quais a legislação em vigor em Portugal e na Europa nada diz", afirma Susana Loureiro.
A investigadora defende a criação urgente de um plano de monitorização ambiental para manter a qualidade dos solos e dos serviços que esses solos proporcionam quer na Europa quer em Portugal.
JYDN // MSP

terça-feira, 8 de abril de 2014

Investigadores da UA propõem nova solução para inactivação de bactérias multirresistentes em esgotos

2014-03-24

Da esquerda para a direita: José Cavaleiro, Amparo Faustino, Augusto Tomé, Ângela Cunha, Graça Neves, Eliana Alves e Adelaide Almeida
Da esquerda para a direita: José Cavaleiro, Amparo Faustino, Augusto Tomé, Ângela Cunha, Graça Neves, Eliana Alves e Adelaide Almeida
Uma equipa multidisciplinar da Universidade de Aveiro, tem vindo a trabalhar em novas aplicações de métodos utilizados noutras áreas científicas no sentido de procurar uma solução para a resistência de estirpes bacterianas a vários antibióticos,

Um destes métodos, designado por terapia fotodinâmica, tem vindo a ser testado no tratamento de esgotos hospitalares onde são frequentemente encontradas essas bactérias multirresistentes e, segundo os estudos realizados até agora, mostra ser bem mais eficiente que outras abordagens convencionais.

As estirpes de bactérias em causa, onde se incluem, entre outras, o Staphylococus aureus e Enterococus sp., podem ser causadoras de infecções simples ou sistémicas,infecções respiratórias ou intoxicações de difícil tratamento devido à sua resistência a vários antibióticos conhecidos. Mais frequentes nos efluentes hospitalares, já foram também detectadas em estações de tratamento de águas residuais para onde
aqueles acabam por ser conduzidos sem um tratamento prévio adequado.

A terapia fotodinâmica (PDI, do inglês “photodynamic inactivation”), método já usado no tratamento de certos tipos de cancro, está agora a ser testada no tratamentodestes efluentes hospitalares. Consiste basicamente na utilização de “fotossensibilizadores”, como porfirinas, ftalocianinas, clorinas e alguns corantes que, que absorvem luz visível, transferindo energia para moléculas ao seu redor, originando espécies reativas de oxigénio (ROS – reactive oxygen species) que são altamente citotóxicas provocando alteração nas biomoléculas (proteínas, lípidos e ácidos nucleicos) destes microrganismos patogénicos, levando à sua inactivação.




Exemplos de bactérias multirresistentes estudadas nesta investigação
Nenhum dos estudos realizados até agora mostrou ser possível desenvolver resistência bacteriana a este tipo de tratamento, indicando que este método produz efeitos irreversíveis nestes microrganismos.

A equipa, coordenada por Adelaide Almeida, envolve investigadores do Departamento de Biologia que pertencem ao Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), laboratório associado da UA, e do Departamento de Química, mais concretamente à Unidade de Investigação Química Orgânica, Produtos Naturais e Agroalimentares (QOPNA).


Este estudo indica que há vantagens em realizar o tratamento por terapia fotodinâmica ainda no efluente hospitalar onde existem, habitualmente,resíduos de antibióticos, possibilitando uma acção sinérgica, levando a uma maior eficiência de inactivação das bactérias multirresistentes.
Fonte: ciência hoje.pt

terça-feira, 1 de abril de 2014

O que os anéis das árvores revelam

Com frações de milimetro de largura, são um arquivo biológica preciso da História recente e antiga.
A datação através dos anéis das árvores é um campo científico promissor. Os anéis provaram ser arquivos precisos de dados biológicos, fornecendo pistas preciosas sobre as condições climáticas ao longo dos milénios. A espessura e cor dos anéis varia consoante a quantidade de chuva, temperaturas sazonais médias, pragas e surtos de doenças, e eventos como vulcões, fogos e cheias. Um corte transversal de uma árvore é um retrato biológico de um dado local e momento na história da Terra.
Gíria dos anéis
Os círculos concêntricos representam (de dentro para fora) olento crescimento e a morte de celulas de xilema, que começam por ser alburno ativo e depois endurecem, formando o cerne. Todo o crescimento ocorre ao longo do câmbio, a fina camada sob a casca onde nascem as células de floema e xilema.

MedulaMassa esponjosa no centro de todos os caules (os troncos são caules), que se compata e solidifica á medida que o diâmetro da árvore aumenta.
CerneAo serem obstruídas ou secarem, as células antigas de xilema no alburno deixam de transportar seiva e tornam-se cerne.
AlburnoComposto por novas células de xilema, age como sistema vascular ativo da árvore, bombeando seiva cheia de nutrientes das raízes até aos ramos e folhas.
CâmbioEsta fina camada entre a entrecasca e o alburno é onde se dá o crescimento da árvore, com a produção de células de xilema no interior da camada e de floema no exterior.
FloemaTambém conhecido como entercasca. As células do floema formam-se no exterior do câmbio e ajudam a transportar açúcares da fotossíntese para os locais necessários
CascaA casca é um conjunto de células mortas, um material ceroso que protege as camadas externas da madeira. À medida que a árvore cresce, a casca racha permitindo o crescimento de casca nova.

Fonte: quero saber Novembro 2010 

Métodos de datação: Os anéis das árvores

Os anéis das árvores
O conceito da determinação da idade de uma árvore através da contagem dos seus anéis está apenas parcialmente correto – a maioria das árvores em regiões temperadas produz um único anel visível por ano. A madeira é composta de células mortas de xilema (seiva bruta rica em água e sais minerais) – longas, tubulares e verticais, transportam nutrientes das raízes ao resto da planta. No início da época de crescimento anual da árvore, as células de xilema possuem paredes mais finas, produzindo a seção mais clara dos anéis, chamada alburno. No final da época de crescimento, as células já se tornaram mais espessas  densas, formano a caraterística faixa escura (ou cerne) que separ os anéis  árvore. De acordo com os dendrocronologistas, que estudam e datam os anéis das árvores, o problema da contagem dos anéis é que os falsos anéis e os anéis em falta são comuns. Mais: a contagem dos aneis inviduais só nos dá a idade da árvore no momento do corte ou da morte. Como determinar a idade da árvore no contexto do tempo geológico?
A solução é a datação cruzada, que começa com uma árvore jovem de idade conhecida. Talvez se conheça a data precisa da plantação ou os seus anéis contenham evidências de uma seca ou vulcão bem documentados. Os cientistas extraem uma amostra transversal da árvore e medem a largura de cada anel. A sequência de medições pode depois ser comparada, a olho ou com a ajuda de software, com amostras de árvores ligeiramente mais velhas, da mesma zona geográfica. Recuando no tempo, é possível criar uma cronologia da região – um registo das espessuras dos anéis desde o presente até séculos ou milénios atrás.

Fonte: quero saber Novembro 2010 

domingo, 9 de março de 2014

Reciclagem

Dois vídeos para assinalar o 3º ano do blog, que aliás, se deu a dia 5 de Março. Reciclar é importante!

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Elefantes consolam-se mutuamente em maus momentos

Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014
Elefantes consolam-se mutuamente em maus momentos
Os gestos utilizados pelos elefantes como forma de consolo são o equivalente a um abraço ou um aperto de mão em humanos, dizem cientistas. © Elise Gilchrist/Think Elephants International
Pela primeira vez, um grupo de cientistas concluiu, através de um estudo feito na Tailândia, que, à semelhança dos humanos, os elefantes são animais empáticos, consolando-se mutuamente em situações de medo, ansiedade ou angústia com gestos que podem ser considerados o equivalente a um abraço ou um aperto de mão.
O estudo em causa, liderado por Joshua Plotnik, professor e investigador nas universidades de Cambridge, em Inglaterra, e Mahidol, na Tailândia, e fundador da organização não-governamental Think Elephants International, insere-se num conjunto de projetos dedicados ao estudo da inteligência dos elefantes, da cooperação ao auto-reconhecimento.
De acordo com os investigadores, até ao momento, os cientistas conseguiram identificar sinais de empatia e consolação apenas entre os primatas, os cães e algumas espécies de corvos. Agora, os elefantes vêm juntar-se a este grupo restrito, tornando-se um elemento particularmente interessante do mesmo devido "à sua inteligência e complexidade social".
"Normalmente, os cientistas estudam duas formas de resolução de problemas: a reconciliação (que se debruça sobre o modo como os agressores e as vítimas fazem as pazes depois de um confronto) e a consolação (que diz respeito ao modo como observadores não envolvidos diretamente numa situação confortam as vítimas", explica Plotnik em entrevista ao blogue da revista científica PeerJ, que publicou o estudo.
"Curiosamente, a reconciliação é relativamente mais comum no reino animal, ao passo que o hábito de consolar os pares da mesma espécie é significativamente raro", salienta Plotnik, que, em conjunto com os colegas, observou um total de 26 elefantes asiáticos em cativeiro na Tailândia.
Os especialistas estudaram de que forma "os elefantes interagiam uns com os outros em situações de ansiedade ou medo". Segundo o coordenador da investigação, concluiu-se que "os elefantes assimilavam o estado emocional dos companheiros, tocando-lhes com a tromba e emitindo sons que parecem ser idênticos aos comportamentos que se observam noutras espécies".

Elefantes podem estar a par dos primatas em empatia
"Quando vemos um amigo chorar, temos tendência a ir para perto dele e abraçá-lo. A nossa expressão facial muda e a tristeza é partilhada por nós. Os chimpanzés, por exemplo, abraçam as vítimas das lutas e tocam a face uns dos outros como forma de conforto", explica Plotnik.
"De acordo com o que sabemos, este é o primeiro estudo a analisar a presença desta empatia nos elefantes e sugere que o comportamento social destes animais, altamente complexo, pode mesmo estar a par do dos primatas", acrescenta.
O líder do estudo afirma esperar que as conclusões da investigação colaborem para aumentar a necessidade de preservar os elefantes, que correm sérios riscos de extinção devido aos números da caça ilegal.
"Os elefantes são uma daquelas espécies magistrais que todas as crianças admiram e todos os adultos recordam, mas estamos a perdê-los a um ritmo tão alarmante que é possível que as próximas gerações cresçam sem que estes animais existam em estado selvagem", lamenta.
Segundo Plotnik, "os humanos são uma espécie assinalável, com uma inteligência assinalável, mas definitivamente não estão sozinhos na capacidade de pensar e sentir". É, portanto, importante "ensinar os mais jovens acerca do comportamento dos elefantes para que possam olhar criticamente para os problemas que estes enfrentam mas para que se relacionem com eles enquanto seres inteligentes".
O próximo passo da investigação passará por alargar os estudos ao nível da cognição nos elefantes, tentando apurar de que forma estes "pensam" sobre os ambientes físicos e sociais em que vivem através de experiências controladas.

Clique AQUI para aceder ao estudo publicado na PeerJ (em inglês).

Notícia sugerida por Maria da Luz
Fonte: Boas noticias.pt
A caça ilegal é crime. E deve ser denunciada.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Mais de mil rinocerontes mortos na África do Sul em 2013

actualizado: Fri, 17 Jan 2014 16:21:33 GMT | de Lusa

Mais de mil rinocerontes foram mortos na África do Sul no ano passado, um aumento de 50 por cento em relação a 2012, incentivado pela procura de chifres no mercado negro, anunciou hoje o governo.

PAULO NOVAIS/Lusa
PAULO NOVAIS/Lusa
“O número total de rinocerontes caçados na África do Sul em 2013 aumentou para 1.004”, disse o ministro do Ambiente, numa declaração.
A procura de chifres de rinoceronte na Ásia – vista como um símbolo de estatuto e erradamente associada a propriedades medicinais – tem conduzido a uma perseguição inédita a estes animais.
A África do Sul tem cerca de 80 por cento da população total de rinocerontes no mundo, estimada em mais de 25 mil.
Em 2007, apenas 13 rinocerontes foram caçados ilegalmente naquele país, mas desde então os números têm aumentado exponencialmente todos os anos. Na primeira quinzena deste ano, 37 rinocerontes já foram mortos.
A maioria destes rinocerontes foi morta no parque nacional Kruger, vizinho de Moçambique, apesar do esforço das autoridades, que recorrem a técnicas paramilitares para impedir os caçadores.
Organizações criminosas transnacionais sofisticadas caçam ilegalmente os animais e retiram-lhes os chifres, que são traficados para fora do país para a Ásia.
As autoridades sul-africanas prenderam 343 pessoas ligadas ao tráfico de chifres de rinoceronte.
JH // JMR

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Casa das Ciências lança Revista de Ciência Elementar


NOV20
CIÊNCIAEscrito por: Maria João Pratt

Casa das Ciências lança Revista de Ciência Elementar

Revista de Ciência Elementar é mais um passo no crescimento e sustentabilidade do projeto Casa das Ciências – Portal Gulbenkian para Professores, da Fundação Calouste Gulbenkian, com o objetivo de contribuir para a melhoria da qualidade do ensino das Ciências em Língua Portuguesa.
Dirigida a professores dos ensinos básico e secundário, a alunos destes níveis de ensino e superior e, em última instância ao público em geral, esta revista recupera, nas palavras do seu coordenador, Manuel Silva Pinto, «os contributos que os diferentes componentes do portal têm vindo a recolher ao longo dos últimos anos e publicar os melhores artigos que entretanto nos forem chegando». O responsável pela nova revista considera que os conteúdos «destinam-se, fundamentalmente, a clarificar, esclarecer e desenvolver conceitos de Ciência Elementar, sobretudo os que se encontram diretamente associados aos programas do Ensino Básico e Secundário».
Neste momento, já se encontra publicado o primeiro número da Revista de Ciência Elementar, onde poderá encontrar notícias, artigos de opinião, entradas de ciência elementar, sugestões de recursos educativos digitais para as aulas, imagens para utilizar nas apresentações ou publicações web, entre outros assuntos. 
Aceda à revista aqui.
 Fonte: queros saber.pt

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Empresa portuguesa desenvolve plástico biodegradável para agricultura

actualizado: Wed, 13 Nov 2013 12:21:11 GMT | de Lusa

Um consórcio liderado por uma empresa portuguesa desenvolveu um plástico biodegradável que substitui as películas de polietileno utilizadas para cobrir solos agrícolas, com benefício para as culturas e para o ambiente, informou hoje a Comissão Europeia (CE).
PAULO CUNHA/LUSA
PAULO CUNHA/LUSA
Em comunicado, a CE explica que o produto desenvolvido pela Agrobiofilm, com financiamento da União Europeia, promete revolucionar a agricultura, ao substituir os plásticos para cobertura de solos que, embora essenciais para o sucesso da agricultura, têm impactos ambientais significativos durante e após o ciclo da cultura, por serem derivados do petróleo.
Além disso, por terem de ser removidas e encaminhadas para centros de recolha autorizados, as películas de polietileno, as mais usadas para cobrir os solos agrícolas, obrigam os agricultores a custos acrescidos.
Desenvolvido ao longo dos últimos três anos por um consórcio liderado pela portuguesa Silvex, o plástico biodegradável agora apresentado pela CE apresentou benefícios, "não só em termos ambientais, como ao nível do rendimento das culturas que, em alguns casos, foi superior ao registado com o plástico de polietileno".
"Perante os bons resultados, a Silvex foi convidada a partilhar a sua experiência e conhecimento em Universidades e Escolas Técnicas Europeias na área da Engenharia Biotecnológica e também na Belgian Farmers’ Association", acrescenta a comissão.
Este plástico biodegradável é composto de amido de milho e óleos vegetais e foi testado nas culturas de morango (em Portugal e Espanha) e de melão e de pimento (ambos em Portugal), podendo ser utilizado em outras culturas com características semelhantes, pode ler-se no comunicado.
Foi também testado na vinha, tanto como alternativa ao polietileno, como ao solo nu e aos tubos de proteção e crescimento.
Os resultados mostram que a qualidade dos frutos não apresentou diferenças significativas, sendo o rendimento obtido nas culturas de melão, pimento e morango igual ou superior ao obtido com o plástico de polietileno, enquanto na vinha se registou um aumento significativo da expressão vegetativa das videiras, com mais raízes e de maior peso do que as plantadas em polietileno e em solo nu.
"A nível ambiental o Agrobiofilm cumpriu com os requisitos da norma NFU52-001 relativos à biodegradação no solo", acrescenta a CE.
O Agrobiofilm, que teve um investimento total de cerca de 1,5 milhões de euros, tendo recebido um milhão de euros da UE através do 7.º Programa-Quadro, já começou a ser comercializado em Portugal, Espanha e França e destina-se maioritariamente a agricultores profissionais, podendo também ser utilizado em pequenas hortas ou jardins.
A Silvex é uma das 225 pequenas e médias empresas portuguesas (PME) que beneficiaram do financiamento de investigação da UE desde 2007, num total de 305 milhões de euros. Até ao final de 2013 a União Europeia terá apoiado 15 mil PME que receberam apoios superiores a cinco mil milhões de euros.
Do consórcio Agrobiofilm fazem parte, além da Silvex, a norueguesa BIOBAG e a francesa ICSE. Outras três PME - Hortofrutícolas Campelos (Portugal), Olivier Mandeville (França) e Explotaciones Agrarias Garrido Mora (Espanha) - são os utilizadores finais, onde se realizaram os ensaios de campo.
O trabalho científico foi realizado no Instituto Superior de Agronomia (Portugal), Centro Tecnológico ADESVA (Espanha), Université Montpellier 2 (França) e Faculty of Agricultural Sciences, Aarhus University (Dinamarca).
FPA // JMR
Meus sinceros parabéns!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

3 – Métodos de datação

1 – Pelo gelo 
grande alcance
grande alcance

Cientistas perfuraram 3.000 metros de plataforma árctica para analizarem milhares de anos de dados sobre os gases com efeito de estufa. A margem de erro é de 2 anos.
2 – Tefrocronologia
referências
Grandes eventos vulcânicos espalham detritos chamados tefra pelos continentes, deixando um marcador claro (mas raro) no registo fóssil, apartir do qual é possível datar camadas sedimentares.
3 – Por carbono 14
Valor aproximado
Baseia-se na diminuição a um ritmo constante da quantidade de carbono 14 nos tecidos mortos com o passar do tempo. Isso dá pistas precisas dos anos passados desde a morte desse tecido.

Fonte: quero saber Novembro 2010 

Benefícios do chá

Dicas para uma boa chávena de chá
Isento de calorias e de aditivos (exceto nas versões aromatizadas), o chá é rico em vitaminas e elementos minerais, como potássio, magnésio e flúor. Além de ajudar na digestão e na redução de colesterol no sangue, hidrata, previne a cárie, reduz a fadiga, aumenta o estado de alerta e melhora a concentração.
A bebida tem qualidades antivirais e antibacterianas, protege o coração, ajuda a prevenir o cancro e é antioxidante, devido ao seu alto teor em flavonoides. Vários estudos recentes indicam que a ingestão regular de chá verde contribui para a redução de gordura corporal.
Há alguns exemplos para preparar uma boa chávena de chá, a começar pela água, que deve ser de excelente qualidade, preferencialmente engarrafada ou filtrada, por causa do cloro e calcário. Escaldar o bule antes da preparação da bebida ajuda a mantê-la quente. A temperatura da água também é essencial: não deve ser deitada a ferver sobre as folhas, porque destruirá as moléculas aromáticas. Para que não se percam as delicadas propriedades do chá, a água deve atingir apenas o início da fervura.

Super interessante nº175 – Novembro de 2012

sábado, 9 de novembro de 2013

A pele dos anfíbios

A pele é a principal barreira protetora do corpo contra as agressões externas. A dos anfíbios, apesar de muito fina, possui características cruciais para garantir a sua sobrevivência.
Salamandra
Os anfíbios podem inspirar e expirar através da pele – em terra ou debaixo de água – e absorvem água não através da boca mas de pele permeável, na parte debaixo do corpo. A maioria dos anfíbios adultos tem pulmões, mas também absorvem oxigénio através da pele. Algumas espécies de salamandras não possuem pulmões nem brânquias e respiram exclusivamente através da pele. O aspeto viscoso dos anfíbios deve-se ao facto da sua pele estar repleta de glândulas que produzem muco, que se espalha pela superfície da pele, humedecendo-a e tornando-a mais suave, e logo, mais absorvente. Apesar das suas parcas defesas contra predadores, os anfíbios possuem glândulas de veneno na pele, que segregam toxinas para repelir potenciais interessados. A maioria das espécies é pouco venenosa, mas algumas, como a rã dourada, são mortais ao toque.


A rã de ouro habita a chuvosa selva tropical Chocoana da Colômbia e parte da fronteira com o Panamá. São rãs diminutas e seu tamanho nunca supera os 5 cm. Sua cor é particularmente chamativa e vistosa apresentando três principais variações de cor dependendo de sua variação genética: amarelo-dourado, verde-prateado e laranja. 
Alimenta-se de formigas, como a Brachymyrmex e Paratrechina e de diminutos besouros da família Melridae de onde obtêm seu veneno.

A pele dos anfíbios tem de manter-se húmida para evitar que o corpo fique demasiado quente ou frio, bem como evitar a desidratação. Esta constante necessidade de humidade implica que os anfíbios, além de produzirem muco, vivam junto a fontes de água.

Fonte: quero saber Novembro 2010 – e net.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Surfistas transformam lixo marinho em obras de arte

Segunda-feira, 28 de Outubro de 2013
Surfistas transformam lixo marinho em obras de arte
© Skeleton Sea
Um grupo de surfistas decidiu revolucionar a arte e começou a criar esculturas com o lixo que encontravam e recolhiam das praias e do mar. Em ação desde 2005, os Skeleton Sea contam com a colaboração de um português e trabalham em prol da preservação dos oceanos.

Os artistas estiveram este sábado na praia de Carcavelos, em Cascais, para criar, ao vivo e a cores, uma "peça que é o rosto da poluição". João Parrinha e Xandi Kreuzeder foram acrescentando pedaços de plástico, cordas e redes de pesca a uma estrutura de metal, dando forma a um 'crânio de lixo marinho'.

Desde que começaram a passar muito tempo no mar, os artistas que formam o Skeleton Sea viram "crescer a poluição nas praias e nos oceanos". Por forma "a consciencializar as pessoas para este problema grave [poluição dos oceanos]", os Skeleton Sea começaram a recolher todo o livro que encontravam para fazer esculturas.

João Parrinha conta que, no âmbito do projeto, foram já apanhadas "várias toneladas" em diferentes iniciativas, como, por exemplo, numa praia do Brasil, onde três equipa do Skeleton Sea juntaram uma tonelada e meia de lixo em cinco horas.
Fonte: boas noticias.pt

domingo, 27 de outubro de 2013

Potencial gastronómico e comercial dos cogumelos cresce no Nordeste Transmontano

actualizado: Sat, 26 Oct 2013 16:49:30 GMT | de Lusa
O potencial dos cogumelos silvestres aumenta de ano para ano na região do Nordeste Transmontano, como consequência da identificação pelos especialistas de um maior número de espécies comestíveis e rentáveis do ponto de vista comercial.

  • FRANCISCO PINTO/LUSA
FRANCISCO PINTO/LUSA
"Podemos percorrer o mesmo sítio durante 20 anos e encontramos sempre espécies de cogumelos diferentes no mesmo espaço", disse hoje à Lusa o micólogo e investigador António Monteiro, no decurso do XV Encontro Micológico Transmontano, que decorre até domingo em Mogadouro.
O especialista disse ter conhecimento de que houve um apanhador que, num hectare de terreno, colheu cerca de 100 quilogramas de "boletus edulis", sendo esta uma espécie "altamente comercializável".
"Ao longo de uma década ou duas, um souto de castanheiros poderá ser mais rentável do ponto de vista micológico que propriamente na produção de castanha, ou madeira", exemplificou o também vice-presidente da associação micológica "A Pantorra", com sede em Mogadouro.
Face a esta situação, os especialistas que estudam os cogumelos alertam para "os perigos escondidos" associados a esta "comida de risco", devendo ter-se em conta que estes fungos só devem ser recolhidos por quem conhece e estuda as diversas espécies.
"Só se deve confecionar e comer o que se tem a certeza que é comestível. E para se ter certeza no mundo dos cogumelos há que ter sempre o apoio de literatura científica atualizada e não confiar nas tradições populares", acrescentou António Monteiro.
"Num ano rico em cogumelos como aquele que foi 2013, há o conhecimento de pelo menos seis mortes provocadas pela ingestão de cogumelos venenosos", frisou o também médico.
O Encontro Micológico de Mogadouro conta com participantes de diversas idades e vários pontos do país, além de uma associação micológica norueguesa, que está a assinalar 40 anos.
Para Joana Melo, uma jovem apreciadora de cogumelos, do Porto, o mundo da micologia "é fascinante" e proporciona um contacto direto com a natureza.
Por seu lado, Ana Ferreira disse que desde cedo lhe despertou o interesse pela micologia, sendo esta é a primeira vez que participa numa saída de campos para recolher e identificar as mais diversas espécie de cogumelos.
Sanchas, boletos, repolgas ou míscaros são, nesta altura do ano, dos fungos mais procurados pelos apreciadores na região do Interior Norte e Centro.
FYP // JLG

sábado, 26 de outubro de 2013

Janela inteligente armazena luz solar e gera energia

Sábado, 26 de Outubro de 2013
Janela inteligente armazena luz solar e gera energia
Um grupo de cientistas da Academia Chinesa de Ciências está a desenvolver uma janela inteligente capaz de, simultaneamente, armazenar e gerar energia a partir da luz solar que, no futuro, poderá contribuir para ajudar os edifícios a reduzir gastos com a eletricidade.
 
O desenvolvimento desta solução inovadora foi dado a conhecer através de um estudo publicado, esta semana, na revista científica Nature Scientific Reports e vem dar resposta a um desafio com o qual muitos cientistas se têm debatido: tentar incorporar células fotovoltaicas geradoras de energia nas janelas sem afetar a transparência.
 
Atualmente, as janelas deixam que o calor "escape" dos prédios no Inverno e que os raios solares indesejáveis entrem durante o Verão e foi esta realidade que inspirou a procura por estruturas capazes de se adaptar às condições climatéricas do exterior.
 
"A principal inovação deste trabalho é que assenta no desenvolvimento de um dispositivo conceptual de janela inteligente para geração e poupança simultânea de energia", explica Yangfeng Gao, coordenadora do estudo, citada pela AFP, realçando que as janelas que existem hoje em dia apenas regulam a luz e o calor do sol, deixando fugir a maior parte da sua energia potencial.
 
Gao e os colegas descobriram que um material específico, o óxido de vanádio (VO2), que altera as suas propriedades com base na temperatura, pode ser utilizado como 'cobertura transparente' das janelas para regular a radiação infravermelha do sol.
 
Abaixo de um determinado nível, este material é isolante e permite a penetração da luz infravermelha mas, se a temperatura for diferente, pode também tornar-se reflexivo, o que lhe dá grande versatilidade.
 
Segundo Gao, uma janela que seja coberta com VO2 torna-se capaz de regular a quantidade de energia solar que entra num prédio mas, ao mesmo tempo, consegue dissipar a luz para células solares que estejam dispostas em redor dos painéis de vidro, abrindo portas à sua utilização para, por exemplo, acender lâmpadas no interior do edifício.
 
"Esta janela combina geração e poupança de energia num dispositivo único e tem potencial para regular e usar a radiação solar de uma forma eficiente", escreveram os cientistas envolvidos no projeto.
 
Clique AQUI para aceder ao resumo do estudo (em inglês).
Fonte: boas noticias.pt

domingo, 13 de outubro de 2013

Um fungo contra o escaravelho vermelho

Assassino encurralado
Os casulos
Um coleóptero anda a dizimar as palmeiras do Sul da Europa, incluindo milhares de exemplares portugueses, principalmente nas regiões de Lisboa e do Algarve. Biólogos espanhóis afirmam ter descoberto um fungo que devora o famigerado inseto.
Desde 1995, as palmeiras estão a sofrer o ataque do chamado “escaravelho vermelho”, que tem provocado a morte de muitos milhares de exemplares. Com efeito, quando o pequeno cleóptero, cujo nome científico é Rhynchophorus ferrugineus, as coloniza, a esperança de vida das palmeiras não ultrapassa os seis meses. Em Portugal, os estragos começaram no Algarve, onde centenas de plantas foram dizimadas, e o rasto de destruição prosseguiu em direcão a norte (em Lisboa já atacou, por exemplo, o Jardim Tropical de Belém e o Jardim Botânico). Em Espanha, a grande preocupação centra-se em Elche, cujo esplêndido palmeiral foi plantado pelos muçulmanos há mais de mil anos. Teme-se, agora, que o inseto consiga destruir esse símbolo da cidade da Comunidade Valenciana: 500 hectares de palmeiras declaradas Património Mundial da Humanidade.
Contudo, a erradicação poderá estar eminente: talvez se produza em apenas dois anos. Com efeito, especialistas da Glen Biotech (http://www.glenbiotech.es), uma companhia surgida na universidade espanhola de Alicante, pensam ter encontrado uma solução definitiva. “Apercebemo-nos de que um fungo, o Beauveria bassiana, matava o escaravelho das palmeiras de forma natural”, explica Berenice Güerri, que dedicou a sua tese de doutoramento ao destrutivo coleóptero e descobriu, agora, o antídoto.
“Durante um ano, cutivámos o Beauveria bassiana em laboratório, procedendo a múltiplos ensaios ‘isolados’”, explica a especialista. Os “isolados” são espécimes que apresentam determinadas características. “Foi como selecionar pessoas para um posto de trabalho: havia muitos candidatos e tivemos de passá-los pelo crivo.” Finalmente, concluiram que o “isolado 203” era o que funcionava melhor sem necessidade de água. “Conseguimos repetir um processo natural, mas em grande escala”, resume a investigadora.  
Com esta técnica, deixa de ser necessário fumigar a palmeira (com a consequente poupança de líquido), pois o produto é aplicado através de um substrato vegetal seco, sem toxinas e sem impacto no meio ambiente. Os testes efetuados em fevereiro, abril e maio (meses com diferentes valores de temperatura) não deixaram margem para dúvidas: o fungo aniquilou todas as larvas em quatro dias e os adultos em pouco mais de duas semanas.
500 Bocas para alimentar
Como consegue o fungo acabar com um bicho protegido por uma dura couraça? A resposta é simples: transformando-se num alien dentro do corpo do inseto. Protegido por uma armadura estriada, o escaravelho vermelho das palmeiras caracteriza-se pelo bico que se projeta do corpo. Aproveita qualquer orificío para se introduzir na palmeira, onde escava galerias com o pontiagudo apêndice, e a fêmea pode por mais de 500 ovos de uma só vez. Depois as larvas alimentam-se vorazmente do tecido vagetal. Deter a infestação é muito complicado: “ A fêmea toena-se fértil uma semana após ter saído do casulo. Para agravar as coisas, um escaravelho consegue voar cinco a dez quilómetros”, explicou Carlos Gabirro, sócio-gerente da empresa portuguesa Biostasia, ao jornal Público. Com um período de atividade na palmeira que pode ir de três meses a quase um ano, os seus esporos instalam-se na carapaça do invasor e começam a penetrar no organismo do escaravelho como sementes em busca de alimento. Ao fim de pouco tempo, já perfurou o corpo do gorgulho para germinar e alimentar-se dos seus nutrientes. Dito de forma mais gráfica: come-o por dentro até o deixar seco. O mesmo destino espera as larvas. Além disso, o próprio escaravelho vermelho dissemina o fungo, ao transferir-se de uma palmeira para outra.
O mais difícil é conseguir detetar a presença dos colonizadores. Por isso, têm sido organizadas desde jornadas técnicas e encontros internacionais a iniciativas de sensibilização dos proprietários de árvores ou dos responsáveis pela gestão de palmeiras no meio urbano, os quais também se debatem com falta de recursos para combater uma praga que tem avançado a uma velocidade assustadora. Primeiro, as folhas da coroa da palmeira perdem vigor; depois, nota-se um odor a tecidos em fermentação e, quando se encosta o ouvido ao tronco, escutam-se os ruídos produzidos pelas larvas a alimentar-se.
Quem estiver desprevenido apenas se aperceberá quando for demasiado tarde, pouco antes da palmeira morrer ou mesmo tombar no chão. Já existem experiências com cães treinados para distinguir o cheiro, um sistema testado em Israel e na Andaluzia. Por sua vez a universidade de Elche está a desenvolver um programa informático para detetar através de sondas o ruído produzido pelos escaravelhos. O incoveniente é que a palmeira produz múltiplos sons. Além disso, a sua composição impede que as ondas se propaguem sem entraves.
O remédio da Glen Biotech (agora em fase de ser  registado e obter a patente) poderia ser a solução definitiva para um problema que afeta muitos países. Original do Sueste asiático, onde ataca os coqueiros, o Rhynchophorus ferrugineus estendeu-se pelo Médio Oriente, o Magrebe, o Sul da Europa e os Estados Unidos.
Em Portugal, a praga foi detetada pela primeira vez em 2007, ano em que a União Europeia estabeleceu medidas de emergência para a combater, já que vários países mediterrânicos se debatiam há vários anos com o escaravelho. Em Espanha, por exemplo, chegou há 17 anos através da Andaluzia, proveniente do Egito. A região do Algarve foi das mais afetadas, mas, atualmente, segundo Carlos Gabirro, Lisboa está “completamente contaminada” e a praga já foi identificada em Sines, Santiago do Cacém, Grândola, Alcácer do Sal, Setúbal, Cascais, Montijo, Coruche, Coimbra, Espinho e Gaia. Razão suficiente para esperar que os dias do escaravelho vermelho estejam mesmo contados, como promete a companhia espanhola.

Super interessante nº172 – Agosto de 2012

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

UAveiro quer melhorar solos agrícolas com biochar

Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013
UAveiro quer melhorar solos agrícolas com biochar
© UA - O biochar é um carvão produzido de forma controlada, a partir de biomassa específica e através da pirólise, para melhorar os solos agrícolas
É uma espécie de carvão ‘milagroso’: ajuda a terra a reter água e nutrientes, reduz a emissão de CO2, ajuda a reciclar resíduos orgânicos e limpa os solos contaminados. A Universidade de Aveiro está a estudar um tipo de carvão chamado ‘biochar’ - obtido sem combustão - que ao ser adicionado aos solos, poderá vir a melhorar as técnicas de produção agrícolas.

por Patrícia Maia

Foi nas chamadas “terras pretas da Amazónia” que surgiu a inspiração para desenvolver este tipo de carvão especial para solos. Há centenas de anos que os indígenas ‘alimentam’ a terra com resíduos carbonizados dando origem a solos mais férteis do que os das terras vizinhas.

“Logicamente que os indígenas não controlavam as propriedades físico-químicas do carvão que lá colocavam mas nós temos a obrigação, o conhecimento e a tecnologia para fazer esse controlo, de modo a maximisar efeitos positivos e minimizar efeitos negativos nos solos”, explica ao Boas Notícias Ana Catarina Bastos, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA.

O carvão surge espontaneamente na natureza, através da pirólise, um processo que também pode ser simulado industrialmente, recorrendo a altas temperaturas para transformar a biomassa em carvão ou biocombustível, sem a presença de oxigénio, ou seja, sem combustão. Quando é produzido desta forma controlada para adicionar aos solos, o carvão passa a ser chamado de ‘biochar’.

A fim de garantir a maximização dos efeitos positivos e a minimização dos efeitos negativos do biochar, a UA está a analizar o impacto de um biochar produzido, por parceiros europeus, “a partir de biomassa selecionada” e recorrendo a um método de pirólise “muito controlado no que diz respeito a temperatura, humidade, entre outras características”, explica a investigadora.

Frank e AnaFrank Verheijen e Ana Catarina Bastos (do CESAM) são os dois investigadores principais desta investigação multidisciplinar da UA

O projeto conta com o apoio da Estação Vitivinícola da Bairrada e da Direção Regional da Agricultura e Pescas do Centro, assim como de dois projetos de investigação financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pelo programa FEDER-COMPETE.    

Solos mais férteis e amigos do ambiente
As equipas formadas por elementos do Departamento de Biologia (DBio) e do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA querem “assegurar a obtenção de um produto com características físico-químicas” de excelência que “resultem num melhoramento das funções dos solos e sem impactos nefastos para o ambiente”, explica Frank Verheijen, também do CESAM, que juntamente com Ana Catarina Bastos lidera esta investigação.

É verdade que qualquer biomassa pode ser usada para produzir biochar, no entanto, o tipo de material orgânico utilizado determina, diretamente, a qualidade e as competências do biochar produzido.

Os tipos de biocharque a equipa de Aveiro está a estudar excluem, por isso, “uma série de materiais essencialmente orgânicos como pneus e outros derivados de petróleo”, apostando, em vez disso, em madeiras, resíduos agrícolas, erva, cascas de sementes ou cereais, caroços de frutos e biosólidos como estrumes de animais”.

Agora, os investigadores estão a monitorizar, a nível interdisciplinar, o efeito deste carvão nas vinhas da Estação Vitivinícola da Bairrada. “Esta monitorização a longo termo é essencial porque os efeitos - quer positivos, quer negativos - que o biochar possa ter no solo, nas vinhas e nos organismos terrestres, não são necessariamente imediatos e podem levar algum tempo a manifestarem-se”, explica Ana Catarina, salientando que a equipa está, neste momento, a tentar garantir o financiamento e a continuidade do projeto.

Frank Verheijen explica ainda que o biochar pode ser muito benéfico, por exemplo, para os solos “onde a produção agrícola é limitada pelo pH ácido do solo ou por ter poucos nutrientes e água” já que o biochar “aumenta o pH e melhora a capacidade do solo de reter água e nutrientes”.

Menos emissões poluentes

O facto de ser um material muito resistente à degradação faz com que o biochar retenha nas suas propriedades o carbono da biomassa original, e assim, ao contrário do que acontece quando se adicionam à terra resíduos agrícolas frescos, não há emissão de  CO2 para a atmosfera. Há ainda estudos que “sugerem que solos agrícolas contendo biochar também emitem menos N2O, outro gás importante para o efeito de estufa”, acrescenta Ana Catarina Bastos. 

Ainda no contexto do combate à poluição, há provas de que o biochar ajuda a ‘limpar’ solos contaminados por metais, pesticidas, derivados de petróleo e outros químicos, porque quando adicionado a esses solos, o biochar aumenta a capacidade do solo de imobilizar e suprimir determinados contaminantes - como chumbo, níquel ou alumínio - impedindo que sejam assimilados por plantas, animais e pessoas.

Se o estudo da UA se concluir com sucesso, este carvão produzido a partir de biomassa cuidadosamente selecionada poderá ser ‘fabricado’ em larga escala e transformar a produção agrícola nacional e, até, internacional, numa atividade mais amiga do ambiente, mais saudável e mais rentável.
fonte: boas noticias.pt

domingo, 25 de agosto de 2013

A desflorestação da floresta do Bornéu e a distribuição dos orangotangos

Em cima, a evolução da desflorestação do Bornéu desde 1950, com projeção para 2020.
Em baixo, a distribuição do orangotango desde 1930 até os nossos dias

Uma casa a mirrar
A maior fatia de desflorestação que se tem verificado no Bornéu, e que se prevê para a próxima década, coincide em larga medida com a área de distribuição do orangotango, não deixando margem para os animais se alimentarem convenientemente ou se deslocarem livremente nos seus territórios sem, além disso, serem alvo de caçadores, agricultores e madeireiros.
O aumento dramático do número de orfãos recolhidos nos santuários e centros de recuperação de vida selvagem locais tem conduzido à sua sobrelotação. Apesar da proclamação do presidente indonésio, em 2007, de concordância com os objetivos do Indonesia Orangutan Conservation Action Plan 2007- 2017 (nomeadamente, a libertação na Natureza de todos os orangotangos existentes nos centros de reabilitação, até 2015), o certo é que estes animais apenas devem ser libertados após anos de cuidados humanos e de adaptação vigiada à sua nova vida em meio selvagem, e nunca antes dos cinco anos de idade. Têm sido realizadas iniciativas de reintrodução de orangotangos em áreas protegidas, mas, apesar dos esforços das agências de conservação e do interesse político destas iniciativas, a realidade é que o destino dos animais é mais do que incerto, tendo em conta que os seus fatores de ameaça não estão a ser contrariados de forma minimamente encorajadora.

Super interessante nº169 – Maio de 2012