terça-feira, 8 de abril de 2014

Investigadores da UA propõem nova solução para inactivação de bactérias multirresistentes em esgotos

2014-03-24

Da esquerda para a direita: José Cavaleiro, Amparo Faustino, Augusto Tomé, Ângela Cunha, Graça Neves, Eliana Alves e Adelaide Almeida
Da esquerda para a direita: José Cavaleiro, Amparo Faustino, Augusto Tomé, Ângela Cunha, Graça Neves, Eliana Alves e Adelaide Almeida
Uma equipa multidisciplinar da Universidade de Aveiro, tem vindo a trabalhar em novas aplicações de métodos utilizados noutras áreas científicas no sentido de procurar uma solução para a resistência de estirpes bacterianas a vários antibióticos,

Um destes métodos, designado por terapia fotodinâmica, tem vindo a ser testado no tratamento de esgotos hospitalares onde são frequentemente encontradas essas bactérias multirresistentes e, segundo os estudos realizados até agora, mostra ser bem mais eficiente que outras abordagens convencionais.

As estirpes de bactérias em causa, onde se incluem, entre outras, o Staphylococus aureus e Enterococus sp., podem ser causadoras de infecções simples ou sistémicas,infecções respiratórias ou intoxicações de difícil tratamento devido à sua resistência a vários antibióticos conhecidos. Mais frequentes nos efluentes hospitalares, já foram também detectadas em estações de tratamento de águas residuais para onde
aqueles acabam por ser conduzidos sem um tratamento prévio adequado.

A terapia fotodinâmica (PDI, do inglês “photodynamic inactivation”), método já usado no tratamento de certos tipos de cancro, está agora a ser testada no tratamentodestes efluentes hospitalares. Consiste basicamente na utilização de “fotossensibilizadores”, como porfirinas, ftalocianinas, clorinas e alguns corantes que, que absorvem luz visível, transferindo energia para moléculas ao seu redor, originando espécies reativas de oxigénio (ROS – reactive oxygen species) que são altamente citotóxicas provocando alteração nas biomoléculas (proteínas, lípidos e ácidos nucleicos) destes microrganismos patogénicos, levando à sua inactivação.




Exemplos de bactérias multirresistentes estudadas nesta investigação
Nenhum dos estudos realizados até agora mostrou ser possível desenvolver resistência bacteriana a este tipo de tratamento, indicando que este método produz efeitos irreversíveis nestes microrganismos.

A equipa, coordenada por Adelaide Almeida, envolve investigadores do Departamento de Biologia que pertencem ao Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), laboratório associado da UA, e do Departamento de Química, mais concretamente à Unidade de Investigação Química Orgânica, Produtos Naturais e Agroalimentares (QOPNA).


Este estudo indica que há vantagens em realizar o tratamento por terapia fotodinâmica ainda no efluente hospitalar onde existem, habitualmente,resíduos de antibióticos, possibilitando uma acção sinérgica, levando a uma maior eficiência de inactivação das bactérias multirresistentes.
Fonte: ciência hoje.pt

terça-feira, 1 de abril de 2014

O que os anéis das árvores revelam

Com frações de milimetro de largura, são um arquivo biológica preciso da História recente e antiga.
A datação através dos anéis das árvores é um campo científico promissor. Os anéis provaram ser arquivos precisos de dados biológicos, fornecendo pistas preciosas sobre as condições climáticas ao longo dos milénios. A espessura e cor dos anéis varia consoante a quantidade de chuva, temperaturas sazonais médias, pragas e surtos de doenças, e eventos como vulcões, fogos e cheias. Um corte transversal de uma árvore é um retrato biológico de um dado local e momento na história da Terra.
Gíria dos anéis
Os círculos concêntricos representam (de dentro para fora) olento crescimento e a morte de celulas de xilema, que começam por ser alburno ativo e depois endurecem, formando o cerne. Todo o crescimento ocorre ao longo do câmbio, a fina camada sob a casca onde nascem as células de floema e xilema.

MedulaMassa esponjosa no centro de todos os caules (os troncos são caules), que se compata e solidifica á medida que o diâmetro da árvore aumenta.
CerneAo serem obstruídas ou secarem, as células antigas de xilema no alburno deixam de transportar seiva e tornam-se cerne.
AlburnoComposto por novas células de xilema, age como sistema vascular ativo da árvore, bombeando seiva cheia de nutrientes das raízes até aos ramos e folhas.
CâmbioEsta fina camada entre a entrecasca e o alburno é onde se dá o crescimento da árvore, com a produção de células de xilema no interior da camada e de floema no exterior.
FloemaTambém conhecido como entercasca. As células do floema formam-se no exterior do câmbio e ajudam a transportar açúcares da fotossíntese para os locais necessários
CascaA casca é um conjunto de células mortas, um material ceroso que protege as camadas externas da madeira. À medida que a árvore cresce, a casca racha permitindo o crescimento de casca nova.

Fonte: quero saber Novembro 2010 

Métodos de datação: Os anéis das árvores

Os anéis das árvores
O conceito da determinação da idade de uma árvore através da contagem dos seus anéis está apenas parcialmente correto – a maioria das árvores em regiões temperadas produz um único anel visível por ano. A madeira é composta de células mortas de xilema (seiva bruta rica em água e sais minerais) – longas, tubulares e verticais, transportam nutrientes das raízes ao resto da planta. No início da época de crescimento anual da árvore, as células de xilema possuem paredes mais finas, produzindo a seção mais clara dos anéis, chamada alburno. No final da época de crescimento, as células já se tornaram mais espessas  densas, formano a caraterística faixa escura (ou cerne) que separ os anéis  árvore. De acordo com os dendrocronologistas, que estudam e datam os anéis das árvores, o problema da contagem dos anéis é que os falsos anéis e os anéis em falta são comuns. Mais: a contagem dos aneis inviduais só nos dá a idade da árvore no momento do corte ou da morte. Como determinar a idade da árvore no contexto do tempo geológico?
A solução é a datação cruzada, que começa com uma árvore jovem de idade conhecida. Talvez se conheça a data precisa da plantação ou os seus anéis contenham evidências de uma seca ou vulcão bem documentados. Os cientistas extraem uma amostra transversal da árvore e medem a largura de cada anel. A sequência de medições pode depois ser comparada, a olho ou com a ajuda de software, com amostras de árvores ligeiramente mais velhas, da mesma zona geográfica. Recuando no tempo, é possível criar uma cronologia da região – um registo das espessuras dos anéis desde o presente até séculos ou milénios atrás.

Fonte: quero saber Novembro 2010 

domingo, 9 de março de 2014

Reciclagem

Dois vídeos para assinalar o 3º ano do blog, que aliás, se deu a dia 5 de Março. Reciclar é importante!

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Elefantes consolam-se mutuamente em maus momentos

Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014
Elefantes consolam-se mutuamente em maus momentos
Os gestos utilizados pelos elefantes como forma de consolo são o equivalente a um abraço ou um aperto de mão em humanos, dizem cientistas. © Elise Gilchrist/Think Elephants International
Pela primeira vez, um grupo de cientistas concluiu, através de um estudo feito na Tailândia, que, à semelhança dos humanos, os elefantes são animais empáticos, consolando-se mutuamente em situações de medo, ansiedade ou angústia com gestos que podem ser considerados o equivalente a um abraço ou um aperto de mão.
O estudo em causa, liderado por Joshua Plotnik, professor e investigador nas universidades de Cambridge, em Inglaterra, e Mahidol, na Tailândia, e fundador da organização não-governamental Think Elephants International, insere-se num conjunto de projetos dedicados ao estudo da inteligência dos elefantes, da cooperação ao auto-reconhecimento.
De acordo com os investigadores, até ao momento, os cientistas conseguiram identificar sinais de empatia e consolação apenas entre os primatas, os cães e algumas espécies de corvos. Agora, os elefantes vêm juntar-se a este grupo restrito, tornando-se um elemento particularmente interessante do mesmo devido "à sua inteligência e complexidade social".
"Normalmente, os cientistas estudam duas formas de resolução de problemas: a reconciliação (que se debruça sobre o modo como os agressores e as vítimas fazem as pazes depois de um confronto) e a consolação (que diz respeito ao modo como observadores não envolvidos diretamente numa situação confortam as vítimas", explica Plotnik em entrevista ao blogue da revista científica PeerJ, que publicou o estudo.
"Curiosamente, a reconciliação é relativamente mais comum no reino animal, ao passo que o hábito de consolar os pares da mesma espécie é significativamente raro", salienta Plotnik, que, em conjunto com os colegas, observou um total de 26 elefantes asiáticos em cativeiro na Tailândia.
Os especialistas estudaram de que forma "os elefantes interagiam uns com os outros em situações de ansiedade ou medo". Segundo o coordenador da investigação, concluiu-se que "os elefantes assimilavam o estado emocional dos companheiros, tocando-lhes com a tromba e emitindo sons que parecem ser idênticos aos comportamentos que se observam noutras espécies".

Elefantes podem estar a par dos primatas em empatia
"Quando vemos um amigo chorar, temos tendência a ir para perto dele e abraçá-lo. A nossa expressão facial muda e a tristeza é partilhada por nós. Os chimpanzés, por exemplo, abraçam as vítimas das lutas e tocam a face uns dos outros como forma de conforto", explica Plotnik.
"De acordo com o que sabemos, este é o primeiro estudo a analisar a presença desta empatia nos elefantes e sugere que o comportamento social destes animais, altamente complexo, pode mesmo estar a par do dos primatas", acrescenta.
O líder do estudo afirma esperar que as conclusões da investigação colaborem para aumentar a necessidade de preservar os elefantes, que correm sérios riscos de extinção devido aos números da caça ilegal.
"Os elefantes são uma daquelas espécies magistrais que todas as crianças admiram e todos os adultos recordam, mas estamos a perdê-los a um ritmo tão alarmante que é possível que as próximas gerações cresçam sem que estes animais existam em estado selvagem", lamenta.
Segundo Plotnik, "os humanos são uma espécie assinalável, com uma inteligência assinalável, mas definitivamente não estão sozinhos na capacidade de pensar e sentir". É, portanto, importante "ensinar os mais jovens acerca do comportamento dos elefantes para que possam olhar criticamente para os problemas que estes enfrentam mas para que se relacionem com eles enquanto seres inteligentes".
O próximo passo da investigação passará por alargar os estudos ao nível da cognição nos elefantes, tentando apurar de que forma estes "pensam" sobre os ambientes físicos e sociais em que vivem através de experiências controladas.

Clique AQUI para aceder ao estudo publicado na PeerJ (em inglês).

Notícia sugerida por Maria da Luz
Fonte: Boas noticias.pt
A caça ilegal é crime. E deve ser denunciada.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Mais de mil rinocerontes mortos na África do Sul em 2013

actualizado: Fri, 17 Jan 2014 16:21:33 GMT | de Lusa

Mais de mil rinocerontes foram mortos na África do Sul no ano passado, um aumento de 50 por cento em relação a 2012, incentivado pela procura de chifres no mercado negro, anunciou hoje o governo.

PAULO NOVAIS/Lusa
PAULO NOVAIS/Lusa
“O número total de rinocerontes caçados na África do Sul em 2013 aumentou para 1.004”, disse o ministro do Ambiente, numa declaração.
A procura de chifres de rinoceronte na Ásia – vista como um símbolo de estatuto e erradamente associada a propriedades medicinais – tem conduzido a uma perseguição inédita a estes animais.
A África do Sul tem cerca de 80 por cento da população total de rinocerontes no mundo, estimada em mais de 25 mil.
Em 2007, apenas 13 rinocerontes foram caçados ilegalmente naquele país, mas desde então os números têm aumentado exponencialmente todos os anos. Na primeira quinzena deste ano, 37 rinocerontes já foram mortos.
A maioria destes rinocerontes foi morta no parque nacional Kruger, vizinho de Moçambique, apesar do esforço das autoridades, que recorrem a técnicas paramilitares para impedir os caçadores.
Organizações criminosas transnacionais sofisticadas caçam ilegalmente os animais e retiram-lhes os chifres, que são traficados para fora do país para a Ásia.
As autoridades sul-africanas prenderam 343 pessoas ligadas ao tráfico de chifres de rinoceronte.
JH // JMR