sábado, 26 de outubro de 2013

Janela inteligente armazena luz solar e gera energia

Sábado, 26 de Outubro de 2013
Janela inteligente armazena luz solar e gera energia
Um grupo de cientistas da Academia Chinesa de Ciências está a desenvolver uma janela inteligente capaz de, simultaneamente, armazenar e gerar energia a partir da luz solar que, no futuro, poderá contribuir para ajudar os edifícios a reduzir gastos com a eletricidade.
 
O desenvolvimento desta solução inovadora foi dado a conhecer através de um estudo publicado, esta semana, na revista científica Nature Scientific Reports e vem dar resposta a um desafio com o qual muitos cientistas se têm debatido: tentar incorporar células fotovoltaicas geradoras de energia nas janelas sem afetar a transparência.
 
Atualmente, as janelas deixam que o calor "escape" dos prédios no Inverno e que os raios solares indesejáveis entrem durante o Verão e foi esta realidade que inspirou a procura por estruturas capazes de se adaptar às condições climatéricas do exterior.
 
"A principal inovação deste trabalho é que assenta no desenvolvimento de um dispositivo conceptual de janela inteligente para geração e poupança simultânea de energia", explica Yangfeng Gao, coordenadora do estudo, citada pela AFP, realçando que as janelas que existem hoje em dia apenas regulam a luz e o calor do sol, deixando fugir a maior parte da sua energia potencial.
 
Gao e os colegas descobriram que um material específico, o óxido de vanádio (VO2), que altera as suas propriedades com base na temperatura, pode ser utilizado como 'cobertura transparente' das janelas para regular a radiação infravermelha do sol.
 
Abaixo de um determinado nível, este material é isolante e permite a penetração da luz infravermelha mas, se a temperatura for diferente, pode também tornar-se reflexivo, o que lhe dá grande versatilidade.
 
Segundo Gao, uma janela que seja coberta com VO2 torna-se capaz de regular a quantidade de energia solar que entra num prédio mas, ao mesmo tempo, consegue dissipar a luz para células solares que estejam dispostas em redor dos painéis de vidro, abrindo portas à sua utilização para, por exemplo, acender lâmpadas no interior do edifício.
 
"Esta janela combina geração e poupança de energia num dispositivo único e tem potencial para regular e usar a radiação solar de uma forma eficiente", escreveram os cientistas envolvidos no projeto.
 
Clique AQUI para aceder ao resumo do estudo (em inglês).
Fonte: boas noticias.pt

domingo, 13 de outubro de 2013

Um fungo contra o escaravelho vermelho

Assassino encurralado
Os casulos
Um coleóptero anda a dizimar as palmeiras do Sul da Europa, incluindo milhares de exemplares portugueses, principalmente nas regiões de Lisboa e do Algarve. Biólogos espanhóis afirmam ter descoberto um fungo que devora o famigerado inseto.
Desde 1995, as palmeiras estão a sofrer o ataque do chamado “escaravelho vermelho”, que tem provocado a morte de muitos milhares de exemplares. Com efeito, quando o pequeno cleóptero, cujo nome científico é Rhynchophorus ferrugineus, as coloniza, a esperança de vida das palmeiras não ultrapassa os seis meses. Em Portugal, os estragos começaram no Algarve, onde centenas de plantas foram dizimadas, e o rasto de destruição prosseguiu em direcão a norte (em Lisboa já atacou, por exemplo, o Jardim Tropical de Belém e o Jardim Botânico). Em Espanha, a grande preocupação centra-se em Elche, cujo esplêndido palmeiral foi plantado pelos muçulmanos há mais de mil anos. Teme-se, agora, que o inseto consiga destruir esse símbolo da cidade da Comunidade Valenciana: 500 hectares de palmeiras declaradas Património Mundial da Humanidade.
Contudo, a erradicação poderá estar eminente: talvez se produza em apenas dois anos. Com efeito, especialistas da Glen Biotech (http://www.glenbiotech.es), uma companhia surgida na universidade espanhola de Alicante, pensam ter encontrado uma solução definitiva. “Apercebemo-nos de que um fungo, o Beauveria bassiana, matava o escaravelho das palmeiras de forma natural”, explica Berenice Güerri, que dedicou a sua tese de doutoramento ao destrutivo coleóptero e descobriu, agora, o antídoto.
“Durante um ano, cutivámos o Beauveria bassiana em laboratório, procedendo a múltiplos ensaios ‘isolados’”, explica a especialista. Os “isolados” são espécimes que apresentam determinadas características. “Foi como selecionar pessoas para um posto de trabalho: havia muitos candidatos e tivemos de passá-los pelo crivo.” Finalmente, concluiram que o “isolado 203” era o que funcionava melhor sem necessidade de água. “Conseguimos repetir um processo natural, mas em grande escala”, resume a investigadora.  
Com esta técnica, deixa de ser necessário fumigar a palmeira (com a consequente poupança de líquido), pois o produto é aplicado através de um substrato vegetal seco, sem toxinas e sem impacto no meio ambiente. Os testes efetuados em fevereiro, abril e maio (meses com diferentes valores de temperatura) não deixaram margem para dúvidas: o fungo aniquilou todas as larvas em quatro dias e os adultos em pouco mais de duas semanas.
500 Bocas para alimentar
Como consegue o fungo acabar com um bicho protegido por uma dura couraça? A resposta é simples: transformando-se num alien dentro do corpo do inseto. Protegido por uma armadura estriada, o escaravelho vermelho das palmeiras caracteriza-se pelo bico que se projeta do corpo. Aproveita qualquer orificío para se introduzir na palmeira, onde escava galerias com o pontiagudo apêndice, e a fêmea pode por mais de 500 ovos de uma só vez. Depois as larvas alimentam-se vorazmente do tecido vagetal. Deter a infestação é muito complicado: “ A fêmea toena-se fértil uma semana após ter saído do casulo. Para agravar as coisas, um escaravelho consegue voar cinco a dez quilómetros”, explicou Carlos Gabirro, sócio-gerente da empresa portuguesa Biostasia, ao jornal Público. Com um período de atividade na palmeira que pode ir de três meses a quase um ano, os seus esporos instalam-se na carapaça do invasor e começam a penetrar no organismo do escaravelho como sementes em busca de alimento. Ao fim de pouco tempo, já perfurou o corpo do gorgulho para germinar e alimentar-se dos seus nutrientes. Dito de forma mais gráfica: come-o por dentro até o deixar seco. O mesmo destino espera as larvas. Além disso, o próprio escaravelho vermelho dissemina o fungo, ao transferir-se de uma palmeira para outra.
O mais difícil é conseguir detetar a presença dos colonizadores. Por isso, têm sido organizadas desde jornadas técnicas e encontros internacionais a iniciativas de sensibilização dos proprietários de árvores ou dos responsáveis pela gestão de palmeiras no meio urbano, os quais também se debatem com falta de recursos para combater uma praga que tem avançado a uma velocidade assustadora. Primeiro, as folhas da coroa da palmeira perdem vigor; depois, nota-se um odor a tecidos em fermentação e, quando se encosta o ouvido ao tronco, escutam-se os ruídos produzidos pelas larvas a alimentar-se.
Quem estiver desprevenido apenas se aperceberá quando for demasiado tarde, pouco antes da palmeira morrer ou mesmo tombar no chão. Já existem experiências com cães treinados para distinguir o cheiro, um sistema testado em Israel e na Andaluzia. Por sua vez a universidade de Elche está a desenvolver um programa informático para detetar através de sondas o ruído produzido pelos escaravelhos. O incoveniente é que a palmeira produz múltiplos sons. Além disso, a sua composição impede que as ondas se propaguem sem entraves.
O remédio da Glen Biotech (agora em fase de ser  registado e obter a patente) poderia ser a solução definitiva para um problema que afeta muitos países. Original do Sueste asiático, onde ataca os coqueiros, o Rhynchophorus ferrugineus estendeu-se pelo Médio Oriente, o Magrebe, o Sul da Europa e os Estados Unidos.
Em Portugal, a praga foi detetada pela primeira vez em 2007, ano em que a União Europeia estabeleceu medidas de emergência para a combater, já que vários países mediterrânicos se debatiam há vários anos com o escaravelho. Em Espanha, por exemplo, chegou há 17 anos através da Andaluzia, proveniente do Egito. A região do Algarve foi das mais afetadas, mas, atualmente, segundo Carlos Gabirro, Lisboa está “completamente contaminada” e a praga já foi identificada em Sines, Santiago do Cacém, Grândola, Alcácer do Sal, Setúbal, Cascais, Montijo, Coruche, Coimbra, Espinho e Gaia. Razão suficiente para esperar que os dias do escaravelho vermelho estejam mesmo contados, como promete a companhia espanhola.

Super interessante nº172 – Agosto de 2012

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

UAveiro quer melhorar solos agrícolas com biochar

Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013
UAveiro quer melhorar solos agrícolas com biochar
© UA - O biochar é um carvão produzido de forma controlada, a partir de biomassa específica e através da pirólise, para melhorar os solos agrícolas
É uma espécie de carvão ‘milagroso’: ajuda a terra a reter água e nutrientes, reduz a emissão de CO2, ajuda a reciclar resíduos orgânicos e limpa os solos contaminados. A Universidade de Aveiro está a estudar um tipo de carvão chamado ‘biochar’ - obtido sem combustão - que ao ser adicionado aos solos, poderá vir a melhorar as técnicas de produção agrícolas.

por Patrícia Maia

Foi nas chamadas “terras pretas da Amazónia” que surgiu a inspiração para desenvolver este tipo de carvão especial para solos. Há centenas de anos que os indígenas ‘alimentam’ a terra com resíduos carbonizados dando origem a solos mais férteis do que os das terras vizinhas.

“Logicamente que os indígenas não controlavam as propriedades físico-químicas do carvão que lá colocavam mas nós temos a obrigação, o conhecimento e a tecnologia para fazer esse controlo, de modo a maximisar efeitos positivos e minimizar efeitos negativos nos solos”, explica ao Boas Notícias Ana Catarina Bastos, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA.

O carvão surge espontaneamente na natureza, através da pirólise, um processo que também pode ser simulado industrialmente, recorrendo a altas temperaturas para transformar a biomassa em carvão ou biocombustível, sem a presença de oxigénio, ou seja, sem combustão. Quando é produzido desta forma controlada para adicionar aos solos, o carvão passa a ser chamado de ‘biochar’.

A fim de garantir a maximização dos efeitos positivos e a minimização dos efeitos negativos do biochar, a UA está a analizar o impacto de um biochar produzido, por parceiros europeus, “a partir de biomassa selecionada” e recorrendo a um método de pirólise “muito controlado no que diz respeito a temperatura, humidade, entre outras características”, explica a investigadora.

Frank e AnaFrank Verheijen e Ana Catarina Bastos (do CESAM) são os dois investigadores principais desta investigação multidisciplinar da UA

O projeto conta com o apoio da Estação Vitivinícola da Bairrada e da Direção Regional da Agricultura e Pescas do Centro, assim como de dois projetos de investigação financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pelo programa FEDER-COMPETE.    

Solos mais férteis e amigos do ambiente
As equipas formadas por elementos do Departamento de Biologia (DBio) e do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA querem “assegurar a obtenção de um produto com características físico-químicas” de excelência que “resultem num melhoramento das funções dos solos e sem impactos nefastos para o ambiente”, explica Frank Verheijen, também do CESAM, que juntamente com Ana Catarina Bastos lidera esta investigação.

É verdade que qualquer biomassa pode ser usada para produzir biochar, no entanto, o tipo de material orgânico utilizado determina, diretamente, a qualidade e as competências do biochar produzido.

Os tipos de biocharque a equipa de Aveiro está a estudar excluem, por isso, “uma série de materiais essencialmente orgânicos como pneus e outros derivados de petróleo”, apostando, em vez disso, em madeiras, resíduos agrícolas, erva, cascas de sementes ou cereais, caroços de frutos e biosólidos como estrumes de animais”.

Agora, os investigadores estão a monitorizar, a nível interdisciplinar, o efeito deste carvão nas vinhas da Estação Vitivinícola da Bairrada. “Esta monitorização a longo termo é essencial porque os efeitos - quer positivos, quer negativos - que o biochar possa ter no solo, nas vinhas e nos organismos terrestres, não são necessariamente imediatos e podem levar algum tempo a manifestarem-se”, explica Ana Catarina, salientando que a equipa está, neste momento, a tentar garantir o financiamento e a continuidade do projeto.

Frank Verheijen explica ainda que o biochar pode ser muito benéfico, por exemplo, para os solos “onde a produção agrícola é limitada pelo pH ácido do solo ou por ter poucos nutrientes e água” já que o biochar “aumenta o pH e melhora a capacidade do solo de reter água e nutrientes”.

Menos emissões poluentes

O facto de ser um material muito resistente à degradação faz com que o biochar retenha nas suas propriedades o carbono da biomassa original, e assim, ao contrário do que acontece quando se adicionam à terra resíduos agrícolas frescos, não há emissão de  CO2 para a atmosfera. Há ainda estudos que “sugerem que solos agrícolas contendo biochar também emitem menos N2O, outro gás importante para o efeito de estufa”, acrescenta Ana Catarina Bastos. 

Ainda no contexto do combate à poluição, há provas de que o biochar ajuda a ‘limpar’ solos contaminados por metais, pesticidas, derivados de petróleo e outros químicos, porque quando adicionado a esses solos, o biochar aumenta a capacidade do solo de imobilizar e suprimir determinados contaminantes - como chumbo, níquel ou alumínio - impedindo que sejam assimilados por plantas, animais e pessoas.

Se o estudo da UA se concluir com sucesso, este carvão produzido a partir de biomassa cuidadosamente selecionada poderá ser ‘fabricado’ em larga escala e transformar a produção agrícola nacional e, até, internacional, numa atividade mais amiga do ambiente, mais saudável e mais rentável.
fonte: boas noticias.pt

domingo, 25 de agosto de 2013

A desflorestação da floresta do Bornéu e a distribuição dos orangotangos

Em cima, a evolução da desflorestação do Bornéu desde 1950, com projeção para 2020.
Em baixo, a distribuição do orangotango desde 1930 até os nossos dias

Uma casa a mirrar
A maior fatia de desflorestação que se tem verificado no Bornéu, e que se prevê para a próxima década, coincide em larga medida com a área de distribuição do orangotango, não deixando margem para os animais se alimentarem convenientemente ou se deslocarem livremente nos seus territórios sem, além disso, serem alvo de caçadores, agricultores e madeireiros.
O aumento dramático do número de orfãos recolhidos nos santuários e centros de recuperação de vida selvagem locais tem conduzido à sua sobrelotação. Apesar da proclamação do presidente indonésio, em 2007, de concordância com os objetivos do Indonesia Orangutan Conservation Action Plan 2007- 2017 (nomeadamente, a libertação na Natureza de todos os orangotangos existentes nos centros de reabilitação, até 2015), o certo é que estes animais apenas devem ser libertados após anos de cuidados humanos e de adaptação vigiada à sua nova vida em meio selvagem, e nunca antes dos cinco anos de idade. Têm sido realizadas iniciativas de reintrodução de orangotangos em áreas protegidas, mas, apesar dos esforços das agências de conservação e do interesse político destas iniciativas, a realidade é que o destino dos animais é mais do que incerto, tendo em conta que os seus fatores de ameaça não estão a ser contrariados de forma minimamente encorajadora.

Super interessante nº169 – Maio de 2012

sábado, 24 de agosto de 2013

Orangotangos do Bornéu

A última escolha
São os maiores mamíferos arbóreos do planeta. Conhecidos como “homens da floresta” (do indonésio e malaio orang, “pessoa”, e hutan, “floresta”), os orangotangos foram incluídos na mesma família taxonómica da espécie humana (Hominidae) e são os últimos grandes símios hominóides presentes na Ásia. Têm também uma “profissão”: são agricultores. Os frutos constituem mais de 60 por cento da sua diversificada dieta, formada por mais 500 espécies de plantas diferentes (das quais consomem também flores, folhas, rebentos e casca) e ainda alguns insectos. Nas suas deslocações diárias, a uma altura de 6 a 10 metros na copa das árvores, estes primatas de pelagem ruiva, ar bonacheirão e reconhecida inteligência dispersam o pólen e as sementes destas plantas pelos seus territórios individuais, que cobrem centenas a milhares de hectares de floresta, contribuinso assim para o equilibrio da flora e da fauna do seu ecossistema, um dos mais ricos em biodiversidade do mundo. (!)
No entanto, a gigantesca conversão das suas florestas nativas em plantações, especialmente o óleo de palma (Elaeis guineensis), que se verificou nas recentes décadas, resultou no desaparecimento e fragmentação de grande parte do seu habitat. Trouxe ainda outras formas de pressão humana, como a caça para consumo da sua carne, a venda das crias no comércio de animais de estimação (ilegal, mas intenso e continuado) e o abate generalizado por serem considerados uma ameaça às culturas agrícolas.
De acordo com as estimativas mais recentes, 2004, a população de orangotango de Samatra (Pongo abelii) ainda existente conta apenas com perto de 7300 indivíduos presentes numa área total de floresta de 20552 quilómetros quadrados, da qual menos de metade se situa abaixo dos mil metros de altitude e consegue albergar populações permanentes. O orangotango do Bornéu (Pongo pygmaeus), por sua vez, tem a população total estimada em 45 a 69 mil indivíduos, ou seja, o equivalente ao número de habitantes das cidades de Évora e Aveiro, numa área total de habitat adequado, mas altamente fragmentado, próxima de Portugal continental.
Além de serem o único território nativo dos orangotangos, a Indonésia e a Malásia são também os maiores produtores de óleo de palma do mundo. Não é por acaso que investem na gordura vegetal desta palmeira africana, também conhecida como dendezeiro ou dendém. Cerca de metade dos produtos embalados que encontramos hoje nos supermercados, desde géneros alimentares á cosmética, comtém óleo de palma. Considerado também um percursor interessante para o biodiesel (embora menos “verde” do que parece), a sua importância não se esgota no nível macroeconómico: as famílias e os pequenos produtores locais reconhecem no óleo de palma a possibilidade da melhoria da sua qualidade de vida e a opção de escolaridade para os seus filhos, criando uma enorme pressão sobre as florestas naturais.
Foi precisamente para defender a produção sustentável de óleo de palma e os valiosos ecossistemas  que têm desaparecido a um ritmo assustador, na região, que a World Wildlife Found (WWF) ajudou a criar, em 2004, a Round-table on Sustainable Palm Oil (RSPO). Esta organização de visão mundial e empenho local junta produtores, processadores, vendedores, retalhistas, investidores e entidades bancárias, ONGs ambientais e de desenvolvimento, entidades governamentais e consumidores de bens manufaturados, com o objectivo de promover boas práticas de produção de óleo de palma e sua certificação.
Em 2008, a RSPO apenas podia contar com 17 fábricas certificadas em dois países, a Malásia e a Papuásia-Nova Guiné, mas reúne agora 29 empresas produtoras e 135 fábricas de seis nacionalidades: Brasil, Colômbia, Ilhas Salomão, Indonésia, Malásia e a Papuásia-Nova Guiné. A entrada destes novos parceiros traduziu-se num aumento de volume certificado de vendas de óleo de palma de 350 mil toneladas, em 2009, para 2,5 milhões de toneladas, em 2011. A MacDonald´s aderiu também a esta organização, em 2011, tal como já haviam feito outras grandes empresas como a Walmart e a Citigroup. Boas notícias, tendo em conta o volume deste óleo que é consumido anualmente na fritura de batatas e McNuggets nas múltiplas sucursais MacDonald´s das regiões da Ásia-Pacífico, do Médio Oriente, de África e da América Latina.
Para outras organizações de conservação, como a Greenpeace, estas notícias não são, no entanto, ainda dignas de júbilo. É óbvio que a adesão bem intencionada à RSPO não será suficiente para mudar a tendência atual, e nem sequer garante o cumprimento das boas práticas. Se as taxas de desflorestação na região se mantiverem inalteradas (ou aumentarem), os orangotangos estarão extintos dentro de duas a três décadas e, com eles, um elevado número de outras espécies biológicas, muitas delas ainda nem conhecidas pela ciência. A preocupação dos céticos não é sequer somente paisagística ou moral: a substituição das florestas tropicais húmidas por plantações, que se tem verificado em todo o mundo, nas últimas décadas, poderá fazer pesar a balança das alterações climáticas para um nível indesejável e irreversível. Por outrtas palavras, teremos de aprender a sobreviver num mundo de fenómenos climatéricos intensos e imprevisíveis dos quais já ouvimos falar, mas que ainda não acreditamos que possa materializar-se.
Para muitos analistas, a escolha principal sobre a tendência futura da região e dos seus recursos naturais é decididamente dos consumidores. O óleo de palma é mundialmente consumido de forma quotidiana e descontraída, para o que tem contribuido o facto de estar frequentemente dissimulado nas listas de ingredientes sob a designação de “óleo vegetal” ou “gordura vegetal”. No final de 2011, a União Europeia adotou regulamentação que obriga à identificação exata dos óleos de origem vegetal nos produtos alimentares, com a intenção de promover mudanças significativas na indústria do óleo de palma, bem como a proteção dos consumidores, de modo a poderem fazer escolhas informadas.
Infelizmente, o homem da floresta não pode escolher. O leitor pode. Qual é a sua escolha?

Super interessante nº169 – Maio de 2012

terça-feira, 20 de agosto de 2013

No trilho dos naturalistas em São Tomé

19/08/2013 - 16:15
O botânico Jorge Paiva e uma equipa de filmagem da produtora Terratreme estiveram em São Tomé e Príncipe a seguir os trilhos de dois naturalistas da Universidade de Coimbra que lá estiveram em 1885 e 1903. O documentário agora está a ser montado - esta é apenas uma amostra - no âmbito de um projecto sobre antigas expedições botânicas portuguesas em África.
http://www.publico.pt/multimedia/video/naturalistas-20130816-165941
Realização: Luisa Homem | Tiago Hespanha Direcção Fotografia: Pedro Pinho Som: Tiago HespanhaMontagem: Francisco Moreira Direcção Produção: Marta Lança Assistente de Produção: Rui DuarteProdução: Terratreme Coordenação de Produção: Susana Nobre Coordenação Científica: António GouveiaParticipação Especial: Jorge Paiva Voz-Off: David Pereira Bastos

Fonte: ecosfera - público.pt