quinta-feira, 19 de setembro de 2013

UAveiro quer melhorar solos agrícolas com biochar

Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013
UAveiro quer melhorar solos agrícolas com biochar
© UA - O biochar é um carvão produzido de forma controlada, a partir de biomassa específica e através da pirólise, para melhorar os solos agrícolas
É uma espécie de carvão ‘milagroso’: ajuda a terra a reter água e nutrientes, reduz a emissão de CO2, ajuda a reciclar resíduos orgânicos e limpa os solos contaminados. A Universidade de Aveiro está a estudar um tipo de carvão chamado ‘biochar’ - obtido sem combustão - que ao ser adicionado aos solos, poderá vir a melhorar as técnicas de produção agrícolas.

por Patrícia Maia

Foi nas chamadas “terras pretas da Amazónia” que surgiu a inspiração para desenvolver este tipo de carvão especial para solos. Há centenas de anos que os indígenas ‘alimentam’ a terra com resíduos carbonizados dando origem a solos mais férteis do que os das terras vizinhas.

“Logicamente que os indígenas não controlavam as propriedades físico-químicas do carvão que lá colocavam mas nós temos a obrigação, o conhecimento e a tecnologia para fazer esse controlo, de modo a maximisar efeitos positivos e minimizar efeitos negativos nos solos”, explica ao Boas Notícias Ana Catarina Bastos, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA.

O carvão surge espontaneamente na natureza, através da pirólise, um processo que também pode ser simulado industrialmente, recorrendo a altas temperaturas para transformar a biomassa em carvão ou biocombustível, sem a presença de oxigénio, ou seja, sem combustão. Quando é produzido desta forma controlada para adicionar aos solos, o carvão passa a ser chamado de ‘biochar’.

A fim de garantir a maximização dos efeitos positivos e a minimização dos efeitos negativos do biochar, a UA está a analizar o impacto de um biochar produzido, por parceiros europeus, “a partir de biomassa selecionada” e recorrendo a um método de pirólise “muito controlado no que diz respeito a temperatura, humidade, entre outras características”, explica a investigadora.

Frank e AnaFrank Verheijen e Ana Catarina Bastos (do CESAM) são os dois investigadores principais desta investigação multidisciplinar da UA

O projeto conta com o apoio da Estação Vitivinícola da Bairrada e da Direção Regional da Agricultura e Pescas do Centro, assim como de dois projetos de investigação financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pelo programa FEDER-COMPETE.    

Solos mais férteis e amigos do ambiente
As equipas formadas por elementos do Departamento de Biologia (DBio) e do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA querem “assegurar a obtenção de um produto com características físico-químicas” de excelência que “resultem num melhoramento das funções dos solos e sem impactos nefastos para o ambiente”, explica Frank Verheijen, também do CESAM, que juntamente com Ana Catarina Bastos lidera esta investigação.

É verdade que qualquer biomassa pode ser usada para produzir biochar, no entanto, o tipo de material orgânico utilizado determina, diretamente, a qualidade e as competências do biochar produzido.

Os tipos de biocharque a equipa de Aveiro está a estudar excluem, por isso, “uma série de materiais essencialmente orgânicos como pneus e outros derivados de petróleo”, apostando, em vez disso, em madeiras, resíduos agrícolas, erva, cascas de sementes ou cereais, caroços de frutos e biosólidos como estrumes de animais”.

Agora, os investigadores estão a monitorizar, a nível interdisciplinar, o efeito deste carvão nas vinhas da Estação Vitivinícola da Bairrada. “Esta monitorização a longo termo é essencial porque os efeitos - quer positivos, quer negativos - que o biochar possa ter no solo, nas vinhas e nos organismos terrestres, não são necessariamente imediatos e podem levar algum tempo a manifestarem-se”, explica Ana Catarina, salientando que a equipa está, neste momento, a tentar garantir o financiamento e a continuidade do projeto.

Frank Verheijen explica ainda que o biochar pode ser muito benéfico, por exemplo, para os solos “onde a produção agrícola é limitada pelo pH ácido do solo ou por ter poucos nutrientes e água” já que o biochar “aumenta o pH e melhora a capacidade do solo de reter água e nutrientes”.

Menos emissões poluentes

O facto de ser um material muito resistente à degradação faz com que o biochar retenha nas suas propriedades o carbono da biomassa original, e assim, ao contrário do que acontece quando se adicionam à terra resíduos agrícolas frescos, não há emissão de  CO2 para a atmosfera. Há ainda estudos que “sugerem que solos agrícolas contendo biochar também emitem menos N2O, outro gás importante para o efeito de estufa”, acrescenta Ana Catarina Bastos. 

Ainda no contexto do combate à poluição, há provas de que o biochar ajuda a ‘limpar’ solos contaminados por metais, pesticidas, derivados de petróleo e outros químicos, porque quando adicionado a esses solos, o biochar aumenta a capacidade do solo de imobilizar e suprimir determinados contaminantes - como chumbo, níquel ou alumínio - impedindo que sejam assimilados por plantas, animais e pessoas.

Se o estudo da UA se concluir com sucesso, este carvão produzido a partir de biomassa cuidadosamente selecionada poderá ser ‘fabricado’ em larga escala e transformar a produção agrícola nacional e, até, internacional, numa atividade mais amiga do ambiente, mais saudável e mais rentável.
fonte: boas noticias.pt

domingo, 25 de agosto de 2013

A desflorestação da floresta do Bornéu e a distribuição dos orangotangos

Em cima, a evolução da desflorestação do Bornéu desde 1950, com projeção para 2020.
Em baixo, a distribuição do orangotango desde 1930 até os nossos dias

Uma casa a mirrar
A maior fatia de desflorestação que se tem verificado no Bornéu, e que se prevê para a próxima década, coincide em larga medida com a área de distribuição do orangotango, não deixando margem para os animais se alimentarem convenientemente ou se deslocarem livremente nos seus territórios sem, além disso, serem alvo de caçadores, agricultores e madeireiros.
O aumento dramático do número de orfãos recolhidos nos santuários e centros de recuperação de vida selvagem locais tem conduzido à sua sobrelotação. Apesar da proclamação do presidente indonésio, em 2007, de concordância com os objetivos do Indonesia Orangutan Conservation Action Plan 2007- 2017 (nomeadamente, a libertação na Natureza de todos os orangotangos existentes nos centros de reabilitação, até 2015), o certo é que estes animais apenas devem ser libertados após anos de cuidados humanos e de adaptação vigiada à sua nova vida em meio selvagem, e nunca antes dos cinco anos de idade. Têm sido realizadas iniciativas de reintrodução de orangotangos em áreas protegidas, mas, apesar dos esforços das agências de conservação e do interesse político destas iniciativas, a realidade é que o destino dos animais é mais do que incerto, tendo em conta que os seus fatores de ameaça não estão a ser contrariados de forma minimamente encorajadora.

Super interessante nº169 – Maio de 2012

sábado, 24 de agosto de 2013

Orangotangos do Bornéu

A última escolha
São os maiores mamíferos arbóreos do planeta. Conhecidos como “homens da floresta” (do indonésio e malaio orang, “pessoa”, e hutan, “floresta”), os orangotangos foram incluídos na mesma família taxonómica da espécie humana (Hominidae) e são os últimos grandes símios hominóides presentes na Ásia. Têm também uma “profissão”: são agricultores. Os frutos constituem mais de 60 por cento da sua diversificada dieta, formada por mais 500 espécies de plantas diferentes (das quais consomem também flores, folhas, rebentos e casca) e ainda alguns insectos. Nas suas deslocações diárias, a uma altura de 6 a 10 metros na copa das árvores, estes primatas de pelagem ruiva, ar bonacheirão e reconhecida inteligência dispersam o pólen e as sementes destas plantas pelos seus territórios individuais, que cobrem centenas a milhares de hectares de floresta, contribuinso assim para o equilibrio da flora e da fauna do seu ecossistema, um dos mais ricos em biodiversidade do mundo. (!)
No entanto, a gigantesca conversão das suas florestas nativas em plantações, especialmente o óleo de palma (Elaeis guineensis), que se verificou nas recentes décadas, resultou no desaparecimento e fragmentação de grande parte do seu habitat. Trouxe ainda outras formas de pressão humana, como a caça para consumo da sua carne, a venda das crias no comércio de animais de estimação (ilegal, mas intenso e continuado) e o abate generalizado por serem considerados uma ameaça às culturas agrícolas.
De acordo com as estimativas mais recentes, 2004, a população de orangotango de Samatra (Pongo abelii) ainda existente conta apenas com perto de 7300 indivíduos presentes numa área total de floresta de 20552 quilómetros quadrados, da qual menos de metade se situa abaixo dos mil metros de altitude e consegue albergar populações permanentes. O orangotango do Bornéu (Pongo pygmaeus), por sua vez, tem a população total estimada em 45 a 69 mil indivíduos, ou seja, o equivalente ao número de habitantes das cidades de Évora e Aveiro, numa área total de habitat adequado, mas altamente fragmentado, próxima de Portugal continental.
Além de serem o único território nativo dos orangotangos, a Indonésia e a Malásia são também os maiores produtores de óleo de palma do mundo. Não é por acaso que investem na gordura vegetal desta palmeira africana, também conhecida como dendezeiro ou dendém. Cerca de metade dos produtos embalados que encontramos hoje nos supermercados, desde géneros alimentares á cosmética, comtém óleo de palma. Considerado também um percursor interessante para o biodiesel (embora menos “verde” do que parece), a sua importância não se esgota no nível macroeconómico: as famílias e os pequenos produtores locais reconhecem no óleo de palma a possibilidade da melhoria da sua qualidade de vida e a opção de escolaridade para os seus filhos, criando uma enorme pressão sobre as florestas naturais.
Foi precisamente para defender a produção sustentável de óleo de palma e os valiosos ecossistemas  que têm desaparecido a um ritmo assustador, na região, que a World Wildlife Found (WWF) ajudou a criar, em 2004, a Round-table on Sustainable Palm Oil (RSPO). Esta organização de visão mundial e empenho local junta produtores, processadores, vendedores, retalhistas, investidores e entidades bancárias, ONGs ambientais e de desenvolvimento, entidades governamentais e consumidores de bens manufaturados, com o objectivo de promover boas práticas de produção de óleo de palma e sua certificação.
Em 2008, a RSPO apenas podia contar com 17 fábricas certificadas em dois países, a Malásia e a Papuásia-Nova Guiné, mas reúne agora 29 empresas produtoras e 135 fábricas de seis nacionalidades: Brasil, Colômbia, Ilhas Salomão, Indonésia, Malásia e a Papuásia-Nova Guiné. A entrada destes novos parceiros traduziu-se num aumento de volume certificado de vendas de óleo de palma de 350 mil toneladas, em 2009, para 2,5 milhões de toneladas, em 2011. A MacDonald´s aderiu também a esta organização, em 2011, tal como já haviam feito outras grandes empresas como a Walmart e a Citigroup. Boas notícias, tendo em conta o volume deste óleo que é consumido anualmente na fritura de batatas e McNuggets nas múltiplas sucursais MacDonald´s das regiões da Ásia-Pacífico, do Médio Oriente, de África e da América Latina.
Para outras organizações de conservação, como a Greenpeace, estas notícias não são, no entanto, ainda dignas de júbilo. É óbvio que a adesão bem intencionada à RSPO não será suficiente para mudar a tendência atual, e nem sequer garante o cumprimento das boas práticas. Se as taxas de desflorestação na região se mantiverem inalteradas (ou aumentarem), os orangotangos estarão extintos dentro de duas a três décadas e, com eles, um elevado número de outras espécies biológicas, muitas delas ainda nem conhecidas pela ciência. A preocupação dos céticos não é sequer somente paisagística ou moral: a substituição das florestas tropicais húmidas por plantações, que se tem verificado em todo o mundo, nas últimas décadas, poderá fazer pesar a balança das alterações climáticas para um nível indesejável e irreversível. Por outrtas palavras, teremos de aprender a sobreviver num mundo de fenómenos climatéricos intensos e imprevisíveis dos quais já ouvimos falar, mas que ainda não acreditamos que possa materializar-se.
Para muitos analistas, a escolha principal sobre a tendência futura da região e dos seus recursos naturais é decididamente dos consumidores. O óleo de palma é mundialmente consumido de forma quotidiana e descontraída, para o que tem contribuido o facto de estar frequentemente dissimulado nas listas de ingredientes sob a designação de “óleo vegetal” ou “gordura vegetal”. No final de 2011, a União Europeia adotou regulamentação que obriga à identificação exata dos óleos de origem vegetal nos produtos alimentares, com a intenção de promover mudanças significativas na indústria do óleo de palma, bem como a proteção dos consumidores, de modo a poderem fazer escolhas informadas.
Infelizmente, o homem da floresta não pode escolher. O leitor pode. Qual é a sua escolha?

Super interessante nº169 – Maio de 2012

terça-feira, 20 de agosto de 2013

No trilho dos naturalistas em São Tomé

19/08/2013 - 16:15
O botânico Jorge Paiva e uma equipa de filmagem da produtora Terratreme estiveram em São Tomé e Príncipe a seguir os trilhos de dois naturalistas da Universidade de Coimbra que lá estiveram em 1885 e 1903. O documentário agora está a ser montado - esta é apenas uma amostra - no âmbito de um projecto sobre antigas expedições botânicas portuguesas em África.
http://www.publico.pt/multimedia/video/naturalistas-20130816-165941
Realização: Luisa Homem | Tiago Hespanha Direcção Fotografia: Pedro Pinho Som: Tiago HespanhaMontagem: Francisco Moreira Direcção Produção: Marta Lança Assistente de Produção: Rui DuarteProdução: Terratreme Coordenação de Produção: Susana Nobre Coordenação Científica: António GouveiaParticipação Especial: Jorge Paiva Voz-Off: David Pereira Bastos

Fonte: ecosfera - público.pt

domingo, 18 de agosto de 2013

Nova descoberta agrícola pode acabar com os fertilizantes

Por  em 1.08.2013 as 15:00
k-bigpic
A humanidade tem utilizado fertilizantes nitrogenados para sustentar o crescimento das plantações desde a época neolítica. Mas a produção de alimentos em quantidade suficiente para alimentar mais de sete bilhões de bocas exige aplicações pesadas de fertilizantes, e o seu uso excessivo está cobrando um preço muito caro da natureza: danos ambientais nos valores de 91 bilhões a 428 bilhões apenas no continente europeu.
Até agora, as emissões de amônia e óxido de nitrogênio por parte das indústrias de fertilizantes e os enormes impactos ambientais nas zonas marinhas próximas a fazendas causados pelo escoamento de nitrogênio eram considerados males necessários em nome da agricultura. Afinal, injetar fertilizantes no solo era a única maneira de fazer com que as plantas fixassem o nitrogênio necessário. Porém, um pesquisador da Universidade de Nottingham, Inglaterra, acabou de descobrir como forçar cada planta da Terra a retirar o nitrogênio diretamente da atmosfera, sem necessidade de fertilizantes.
O nitrogênio é essencial para plantas e animais. Mas, infelizmente, poucas plantas são capazes de absorvê-lo diretamente do ar. Elas precisam esperar que bactérias no solo o convertam em amônia ou amônio, em um processo conhecido como fixação de nitrogênio. Em seguida, as raízes da planta absorvem essas substâncias e as convertem em nitrato.
As poucas plantas que conseguem captar o nitrogênio atmosférico, especificamente legumes como ervilhas e feijões, o fazem com a ajuda de cianobactérias simbióticas que realizam a fixação do nitrogênio de dentro da própria planta. E é essa relação mutuamente benéfica que o professor Edward Cocking, diretor da Centro de Fixação do Nitrogênio da Universidade de Nottingham, desenvolveu todas as plantações do mundo.
A técnica, conhecida como “N-Fix”, não envolve a modificação do genoma da planta, e sim uma cepa específica de bactérias fixadoras de nitrogênio comumente encontradas na cana-de-açúcar. Essas bactérias podem também colonizar as células de outras espécies vegetais. A maioria das bactérias simbióticas evoluíram para viver apenas em plantas específicas, mas a cepa estudada por Cocking e sua equipe possui a capacidade de se estabelecer em praticamente qualquer lugar, incluindo todas as principais culturas alimentares da humanidade. O N-Fix é aplicado como um revestimento de sementes, quando então as bactérias penetram cada célula da planta em crescimento e lhes dão a capacidades de fixar o nitrogênio.
A universidade tem realizado testes e estudos de segurança sobre esse assunto durante mais de uma década. Recentemente, a empresa Azotic Technologies Ltd está utilizando a tecnologia em experimentos de campo para a aprovação regulatória no Reino Unido, Europa, EUA, Canadá e Brasil. Não há nenhuma palavra ainda sobre quanto tempo isso vai levar, mas, uma vez que este método vingue, vai transformar o nosso mundo. [Gizmondo]
Vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=HzHhDpCJhjU
Fonte: hypescience

Olinguito é o novo carnívoro agora descoberto

Nº 32
agosto 2013
16-08-2013 19:00
© Mark Gurney
Cientistas do Smithsonian Institute descobrem nova espécie de carnívoro e a primeira em 35 anos no Continente americano. Recebeu o nome de olinguito e o nome científico de Bassaricyon neblina.









Tem apenas 900 gramas, uma aparência que parece resultar do cruzamento entre um gato doméstico e um urso, é ativo principalmente à noite, come sobretudo fruta, raramente desce das árvores e têm apenas uma cria de cada vez.

O olinguito é nativo das florestas da Colômbia e do Equador, mas esconde uma história curiosa, já que apesar de só agora ter sido descrito e identificado pela ciência, com a publicação da descoberta na edição de 15 de Agosto da revista científica ZooKeys, sabe-se que este pequeno animal já foi observado na natureza, esteve em jardins zoológicos e museus e que a sua identidade foi confundida durante 100 anos com a dos olingos.

Olinguito recebe nome científico </i>Bassaricyon neblina</i>
Olinguito recebe nome científico Bassaricyon neblina
© I. Poglayen-Neuwall
Kristofer Helgen, investigador que liderou a equipa de cientistas que publicou agora a descoberta diz, citado em comunicado doSmithsonian Institute que, «a descoberta do olinguito mostra-nos que o mundo ainda não está completamente explorado e que os seus segredos mais básicos não foram ainda revelados».

O investigador adianta que «se novos carnívoros podem ser descobertos, que outras surpresas nos esperam? Muitas das espécies no mundo ainda não são conhecidas da ciência. Documentá-las é o primeiro passo para compreender a completa riqueza e diversidade da vida na Terra».

Para a descoberta desta nova espécie foram precisos dez anos, sendo que o resultado foi surpreendente, já que os cientistas estavam envolvidos num estudo sobre olingos com o objetivo de saber quantas espécies de olingos eram conhecidas e como é que estas estavam distribuídas.

Para isso levaram a cabo uma vasta investigação que envolveu a deslocação a museus em todo o mundo, testes de ADN e revisão de informação histórica. Foi então que os cientistas descobriram um esqueleto e dentes de um animal que eram mais pequenos e apresentavam formas diferentes das dos olingos.

Olinguito nativo das florestas da Colômbia e do Equador
Olinguito nativo das florestas da Colômbia e do Equador
© Mark Gurney
«Exames a peles em museus revelaram que esta nova espécie era também no geral mais pequena e que possuía uma longa e densa capa», indica a instituição em comunicado e adianta que «registos no campo mostraram que a espécie ocorria numa única área das Montanhas de Andes entre 1500 metros e os 2700 metros acima do nível do mar – altitudes muito mais elevadas do que as conhecidas para o olingo.

Para Kristofer Helgen esta descoberta «é o primeiro passo» que «prova que a espécie existe e dar-lhe um nome é onde tudo começa».

O cientista diz ainda que «este é um belo animal, mas sabemos tão pouco sobre ele. Em quantos países vive? O que mais podemos aprender sobre o seu comportamento? O que precisamos de fazer para assegurar a sua conservação?».
Fonte: tvciência