sábado, 24 de agosto de 2013

Orangotangos do Bornéu

A última escolha
São os maiores mamíferos arbóreos do planeta. Conhecidos como “homens da floresta” (do indonésio e malaio orang, “pessoa”, e hutan, “floresta”), os orangotangos foram incluídos na mesma família taxonómica da espécie humana (Hominidae) e são os últimos grandes símios hominóides presentes na Ásia. Têm também uma “profissão”: são agricultores. Os frutos constituem mais de 60 por cento da sua diversificada dieta, formada por mais 500 espécies de plantas diferentes (das quais consomem também flores, folhas, rebentos e casca) e ainda alguns insectos. Nas suas deslocações diárias, a uma altura de 6 a 10 metros na copa das árvores, estes primatas de pelagem ruiva, ar bonacheirão e reconhecida inteligência dispersam o pólen e as sementes destas plantas pelos seus territórios individuais, que cobrem centenas a milhares de hectares de floresta, contribuinso assim para o equilibrio da flora e da fauna do seu ecossistema, um dos mais ricos em biodiversidade do mundo. (!)
No entanto, a gigantesca conversão das suas florestas nativas em plantações, especialmente o óleo de palma (Elaeis guineensis), que se verificou nas recentes décadas, resultou no desaparecimento e fragmentação de grande parte do seu habitat. Trouxe ainda outras formas de pressão humana, como a caça para consumo da sua carne, a venda das crias no comércio de animais de estimação (ilegal, mas intenso e continuado) e o abate generalizado por serem considerados uma ameaça às culturas agrícolas.
De acordo com as estimativas mais recentes, 2004, a população de orangotango de Samatra (Pongo abelii) ainda existente conta apenas com perto de 7300 indivíduos presentes numa área total de floresta de 20552 quilómetros quadrados, da qual menos de metade se situa abaixo dos mil metros de altitude e consegue albergar populações permanentes. O orangotango do Bornéu (Pongo pygmaeus), por sua vez, tem a população total estimada em 45 a 69 mil indivíduos, ou seja, o equivalente ao número de habitantes das cidades de Évora e Aveiro, numa área total de habitat adequado, mas altamente fragmentado, próxima de Portugal continental.
Além de serem o único território nativo dos orangotangos, a Indonésia e a Malásia são também os maiores produtores de óleo de palma do mundo. Não é por acaso que investem na gordura vegetal desta palmeira africana, também conhecida como dendezeiro ou dendém. Cerca de metade dos produtos embalados que encontramos hoje nos supermercados, desde géneros alimentares á cosmética, comtém óleo de palma. Considerado também um percursor interessante para o biodiesel (embora menos “verde” do que parece), a sua importância não se esgota no nível macroeconómico: as famílias e os pequenos produtores locais reconhecem no óleo de palma a possibilidade da melhoria da sua qualidade de vida e a opção de escolaridade para os seus filhos, criando uma enorme pressão sobre as florestas naturais.
Foi precisamente para defender a produção sustentável de óleo de palma e os valiosos ecossistemas  que têm desaparecido a um ritmo assustador, na região, que a World Wildlife Found (WWF) ajudou a criar, em 2004, a Round-table on Sustainable Palm Oil (RSPO). Esta organização de visão mundial e empenho local junta produtores, processadores, vendedores, retalhistas, investidores e entidades bancárias, ONGs ambientais e de desenvolvimento, entidades governamentais e consumidores de bens manufaturados, com o objectivo de promover boas práticas de produção de óleo de palma e sua certificação.
Em 2008, a RSPO apenas podia contar com 17 fábricas certificadas em dois países, a Malásia e a Papuásia-Nova Guiné, mas reúne agora 29 empresas produtoras e 135 fábricas de seis nacionalidades: Brasil, Colômbia, Ilhas Salomão, Indonésia, Malásia e a Papuásia-Nova Guiné. A entrada destes novos parceiros traduziu-se num aumento de volume certificado de vendas de óleo de palma de 350 mil toneladas, em 2009, para 2,5 milhões de toneladas, em 2011. A MacDonald´s aderiu também a esta organização, em 2011, tal como já haviam feito outras grandes empresas como a Walmart e a Citigroup. Boas notícias, tendo em conta o volume deste óleo que é consumido anualmente na fritura de batatas e McNuggets nas múltiplas sucursais MacDonald´s das regiões da Ásia-Pacífico, do Médio Oriente, de África e da América Latina.
Para outras organizações de conservação, como a Greenpeace, estas notícias não são, no entanto, ainda dignas de júbilo. É óbvio que a adesão bem intencionada à RSPO não será suficiente para mudar a tendência atual, e nem sequer garante o cumprimento das boas práticas. Se as taxas de desflorestação na região se mantiverem inalteradas (ou aumentarem), os orangotangos estarão extintos dentro de duas a três décadas e, com eles, um elevado número de outras espécies biológicas, muitas delas ainda nem conhecidas pela ciência. A preocupação dos céticos não é sequer somente paisagística ou moral: a substituição das florestas tropicais húmidas por plantações, que se tem verificado em todo o mundo, nas últimas décadas, poderá fazer pesar a balança das alterações climáticas para um nível indesejável e irreversível. Por outrtas palavras, teremos de aprender a sobreviver num mundo de fenómenos climatéricos intensos e imprevisíveis dos quais já ouvimos falar, mas que ainda não acreditamos que possa materializar-se.
Para muitos analistas, a escolha principal sobre a tendência futura da região e dos seus recursos naturais é decididamente dos consumidores. O óleo de palma é mundialmente consumido de forma quotidiana e descontraída, para o que tem contribuido o facto de estar frequentemente dissimulado nas listas de ingredientes sob a designação de “óleo vegetal” ou “gordura vegetal”. No final de 2011, a União Europeia adotou regulamentação que obriga à identificação exata dos óleos de origem vegetal nos produtos alimentares, com a intenção de promover mudanças significativas na indústria do óleo de palma, bem como a proteção dos consumidores, de modo a poderem fazer escolhas informadas.
Infelizmente, o homem da floresta não pode escolher. O leitor pode. Qual é a sua escolha?

Super interessante nº169 – Maio de 2012

terça-feira, 20 de agosto de 2013

No trilho dos naturalistas em São Tomé

19/08/2013 - 16:15
O botânico Jorge Paiva e uma equipa de filmagem da produtora Terratreme estiveram em São Tomé e Príncipe a seguir os trilhos de dois naturalistas da Universidade de Coimbra que lá estiveram em 1885 e 1903. O documentário agora está a ser montado - esta é apenas uma amostra - no âmbito de um projecto sobre antigas expedições botânicas portuguesas em África.
http://www.publico.pt/multimedia/video/naturalistas-20130816-165941
Realização: Luisa Homem | Tiago Hespanha Direcção Fotografia: Pedro Pinho Som: Tiago HespanhaMontagem: Francisco Moreira Direcção Produção: Marta Lança Assistente de Produção: Rui DuarteProdução: Terratreme Coordenação de Produção: Susana Nobre Coordenação Científica: António GouveiaParticipação Especial: Jorge Paiva Voz-Off: David Pereira Bastos

Fonte: ecosfera - público.pt

domingo, 18 de agosto de 2013

Nova descoberta agrícola pode acabar com os fertilizantes

Por  em 1.08.2013 as 15:00
k-bigpic
A humanidade tem utilizado fertilizantes nitrogenados para sustentar o crescimento das plantações desde a época neolítica. Mas a produção de alimentos em quantidade suficiente para alimentar mais de sete bilhões de bocas exige aplicações pesadas de fertilizantes, e o seu uso excessivo está cobrando um preço muito caro da natureza: danos ambientais nos valores de 91 bilhões a 428 bilhões apenas no continente europeu.
Até agora, as emissões de amônia e óxido de nitrogênio por parte das indústrias de fertilizantes e os enormes impactos ambientais nas zonas marinhas próximas a fazendas causados pelo escoamento de nitrogênio eram considerados males necessários em nome da agricultura. Afinal, injetar fertilizantes no solo era a única maneira de fazer com que as plantas fixassem o nitrogênio necessário. Porém, um pesquisador da Universidade de Nottingham, Inglaterra, acabou de descobrir como forçar cada planta da Terra a retirar o nitrogênio diretamente da atmosfera, sem necessidade de fertilizantes.
O nitrogênio é essencial para plantas e animais. Mas, infelizmente, poucas plantas são capazes de absorvê-lo diretamente do ar. Elas precisam esperar que bactérias no solo o convertam em amônia ou amônio, em um processo conhecido como fixação de nitrogênio. Em seguida, as raízes da planta absorvem essas substâncias e as convertem em nitrato.
As poucas plantas que conseguem captar o nitrogênio atmosférico, especificamente legumes como ervilhas e feijões, o fazem com a ajuda de cianobactérias simbióticas que realizam a fixação do nitrogênio de dentro da própria planta. E é essa relação mutuamente benéfica que o professor Edward Cocking, diretor da Centro de Fixação do Nitrogênio da Universidade de Nottingham, desenvolveu todas as plantações do mundo.
A técnica, conhecida como “N-Fix”, não envolve a modificação do genoma da planta, e sim uma cepa específica de bactérias fixadoras de nitrogênio comumente encontradas na cana-de-açúcar. Essas bactérias podem também colonizar as células de outras espécies vegetais. A maioria das bactérias simbióticas evoluíram para viver apenas em plantas específicas, mas a cepa estudada por Cocking e sua equipe possui a capacidade de se estabelecer em praticamente qualquer lugar, incluindo todas as principais culturas alimentares da humanidade. O N-Fix é aplicado como um revestimento de sementes, quando então as bactérias penetram cada célula da planta em crescimento e lhes dão a capacidades de fixar o nitrogênio.
A universidade tem realizado testes e estudos de segurança sobre esse assunto durante mais de uma década. Recentemente, a empresa Azotic Technologies Ltd está utilizando a tecnologia em experimentos de campo para a aprovação regulatória no Reino Unido, Europa, EUA, Canadá e Brasil. Não há nenhuma palavra ainda sobre quanto tempo isso vai levar, mas, uma vez que este método vingue, vai transformar o nosso mundo. [Gizmondo]
Vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=HzHhDpCJhjU
Fonte: hypescience

Olinguito é o novo carnívoro agora descoberto

Nº 32
agosto 2013
16-08-2013 19:00
© Mark Gurney
Cientistas do Smithsonian Institute descobrem nova espécie de carnívoro e a primeira em 35 anos no Continente americano. Recebeu o nome de olinguito e o nome científico de Bassaricyon neblina.









Tem apenas 900 gramas, uma aparência que parece resultar do cruzamento entre um gato doméstico e um urso, é ativo principalmente à noite, come sobretudo fruta, raramente desce das árvores e têm apenas uma cria de cada vez.

O olinguito é nativo das florestas da Colômbia e do Equador, mas esconde uma história curiosa, já que apesar de só agora ter sido descrito e identificado pela ciência, com a publicação da descoberta na edição de 15 de Agosto da revista científica ZooKeys, sabe-se que este pequeno animal já foi observado na natureza, esteve em jardins zoológicos e museus e que a sua identidade foi confundida durante 100 anos com a dos olingos.

Olinguito recebe nome científico </i>Bassaricyon neblina</i>
Olinguito recebe nome científico Bassaricyon neblina
© I. Poglayen-Neuwall
Kristofer Helgen, investigador que liderou a equipa de cientistas que publicou agora a descoberta diz, citado em comunicado doSmithsonian Institute que, «a descoberta do olinguito mostra-nos que o mundo ainda não está completamente explorado e que os seus segredos mais básicos não foram ainda revelados».

O investigador adianta que «se novos carnívoros podem ser descobertos, que outras surpresas nos esperam? Muitas das espécies no mundo ainda não são conhecidas da ciência. Documentá-las é o primeiro passo para compreender a completa riqueza e diversidade da vida na Terra».

Para a descoberta desta nova espécie foram precisos dez anos, sendo que o resultado foi surpreendente, já que os cientistas estavam envolvidos num estudo sobre olingos com o objetivo de saber quantas espécies de olingos eram conhecidas e como é que estas estavam distribuídas.

Para isso levaram a cabo uma vasta investigação que envolveu a deslocação a museus em todo o mundo, testes de ADN e revisão de informação histórica. Foi então que os cientistas descobriram um esqueleto e dentes de um animal que eram mais pequenos e apresentavam formas diferentes das dos olingos.

Olinguito nativo das florestas da Colômbia e do Equador
Olinguito nativo das florestas da Colômbia e do Equador
© Mark Gurney
«Exames a peles em museus revelaram que esta nova espécie era também no geral mais pequena e que possuía uma longa e densa capa», indica a instituição em comunicado e adianta que «registos no campo mostraram que a espécie ocorria numa única área das Montanhas de Andes entre 1500 metros e os 2700 metros acima do nível do mar – altitudes muito mais elevadas do que as conhecidas para o olingo.

Para Kristofer Helgen esta descoberta «é o primeiro passo» que «prova que a espécie existe e dar-lhe um nome é onde tudo começa».

O cientista diz ainda que «este é um belo animal, mas sabemos tão pouco sobre ele. Em quantos países vive? O que mais podemos aprender sobre o seu comportamento? O que precisamos de fazer para assegurar a sua conservação?».
Fonte: tvciência

UA estuda técnica inédita contra a erosão depois dos incêndios florestais

Matérias-primas para triturar a pensar no ‘acolchoamento’ não faltam em Portugal

2013-07-31
O investigador Sérgio Alegre e o mulch
O investigador Sérgio Alegre e o mulch
Reduzir drasticamente o nível de erosão dos solos florestais depois da ocorrência de um incêndio é o grande objetivo do mulching, uma técnica que pela primeira vez está a ser estudada em Portugal pela mão de uma equipa de investigação da Universidade de Aveiro (UA). Tendo em conta que após um incêndio a erosão por ação da água das chuvas pode levar a perdas de cerca de 50 toneladas de solo, a técnica em estudo pela UA pode reduzir a escorrência de águas nos terrenos ardidos em mais 40 por cento e, com isso, diminuir a erosão do solo em 90 por cento. 
O método inovador que a UA quer introduzir em Portugal, e que em tradução livre se pode designar por ‘acolchoado’, consiste na distribuição pelos solos consumidos pelo fogo de uma camada de restos florestais triturados.

“Com a vegetação e a manta morta da superfície dos terrenos transformados em cinzas o solo fica extremamente vulnerável à ação da erosão”, aponta Sérgio Alegre. O investigador do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA, e responsável pelos primeiros estudos em Portugal da utilização do mulching, relata que há terrenos que chegam a perder várias dezenas de toneladas de solo por hectare durante o primeiro ano depois de um incêndio.


Com a vegetação e a manta morta da superfície dos terrenos transformados em cinzas o solo fica extremamente vulnerável à ação da erosão
Com a vegetação e a manta morta da superfície dos terrenos transformados em cinzas o solo fica extremamente vulnerável à ação da erosão
“As implicações negativas que este cenário acarreta vão desde a perda de fertilidade e productividade dos solos até à destruição dos ecosistemas e bens a juzante das áreas afectadas como é o caso de caminhos, pontes, praias fluviais ou propriedades”, diz o investigador.

O problema da erosão adensa-se, por exemplo, quando esta afeta o normal funcionamento de barragens e centrais hidroelétricas. “Com a acumulação das toneladas de sedimentos levados pela chuva até aos rios, e destes até às albufeiras das barragens, estas podem perder o volume útil para armazenar a água, o que leva à necessidade do seu desassoreamento e limpeza para poder acumular mais água”, explica Sérgio Alegre.

Ainda que em Portugal o desaparecimento do solo por erosão após incêndio não esteja muito bem estudado, Sérgio Alegre aponta para investigações realizadas em “países que têm uma longa tradição nesses estudos”, nomeadamente nos EUA, onde as perdas podem atingir até 65 toneladas por hectare ardido durante o primeiro ano após o incêndio. Aqui bem perto, na Galiza, já se quantificaram perdas de 10 a 35 toneladas por hectare durante um ano.

“No caso de Portugal, só agora começamos a ter algumas estimativas, mas são medições pontuais em pequenas parcelas de erosão, pelo que é precisso continuar a investigar para conhecer os efeitos dos incêndios a escalas maiores”, refere.

Máterias-primas à mão de semear

Depois de um incêndio é preciso avaliar as zonas onde há risco de erosão
Depois de um incêndio é preciso avaliar as zonas onde há risco de erosão
Níveis de pluviosidade, inclinação dos terrenos, características geológicas, clima, tipos de vegetação e ciclo de incêndios a que o terreno tem estado sujeito são alguns dos fatores ligados ao processo de erosão e que influenciam as perdas de solo.“Depois de um incêndio é preciso avaliar as zonas onde há risco de erosão. É claro que não podemos tratar toda a superfície ardida com o mulching porque seria inútil aplicá-lo nalgumas áreas que não precisam”, aponta Sérgio Alegre.

É o caso das áreas sem declive ou áreas ardidas com uma baixa intensidade do fogo onde as árvores ainda possuem folhas nas copas que, depois de caírem, fornecem de uma proteção natural ao solo. No caso dos pinhais, “a caruma funciona como um mulching natural tão efetivo como os restos florestais triturados”.

Matérias-primas para triturar a pensar no ‘acolchoamento’ não faltam em Portugal. “Pode-se aplicar as toneladas e toneladas de cascas de madeira que não são utilizadas pelas fábricas de pasta de papel. É um material muito bom pois tem fibras longas que se adaptam ao solo formando uma espécie de rede que retém água e sedimentos”, explica o investigador do CESAM.

O mulching pode igualmente fazer uso do que sobra das podas e de “restos derivados das limpezas dos matos, dos jardins ou das bermas das estradas que, na maioria dos casos, são enviados para lixeiras”.

Técnicas actuais ineficazes

Aplicado à mão ou com recurso a meios aéreos sobre os terrenos mais expostos a fenómenos de erosão, o mulching pretende substituir as “ineficazes” mas muito usadas barreiras de madeira cravadas nos solos ardidos para reterem águas e sedimentos. Sérgio Alegre aponta que “ em comparação com o mulch, essas barreiras, não cumprem a função de reter as águas e de mitigar a perca de sedimentos dos terrenos expostos à erosão”.

O mulching pode igualmente fazer uso de restos derivados das limpezas dos matos
O mulching pode igualmente fazer uso de restos derivados das limpezas dos matos
Pelo contrário, o investigador do CESAM, garante que o mulch, numa primeira fase, reduz as perdas de solo e, posteriormente, através da própria decomposição dos restos florestais, acaba por se incorporar no ecossistema florestal. “Como é um material que pode reter água por absorção ou por retenção nas micro-barreiras que as fibras formam, este método reduz a quantidade de água que flui para os rios até 40 ou 50 por cento”, explica Sérgio Alegre.

O processo, que “dá o mesmo trabalho que a colocação das barreiras”, pode evitar despesas maiores. O investigador não tem dúvidas: “Se com esta técnica se evitar que a perda do solo, um recurso não renovável à escala humana, leve à alteração dos ecossistemas aquáticos a jusante da área ardida, ou que, por exemplo, uma barragem fique cheia, então os gastos estão mais do que justificados”.
Fonte: Ciênciahoje.pt

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Manhas de polvo

São inteligentes e criativos
Terem três e sangue azul não é a sua característica mais extravagante. Estes moluscos fascinam a ciência pela sua grande inteligência, o comportamento complexo, os dotes que revelam no momento da conquista e o dom para se orientarem.
Sem arroz – A imagem mostra um polvo gigante, Enteroctopus dolfleini. Vive no Oceano Pacífico e alcança os nove metros de comprimento.
Bípedes quando precisam
Em 2008, 24 centros oceanográficos europeus iniciaram um estudo para descobrir se os polvos eram octodestros e se serviam dos oito tentáculos com a mesma destreza, ou se, pelo contrário, recorriam a um em particular. O que observaram foi que eles utilizam duas das extremidades para se deslocarem sobre o leito marinho e as outras seis para explorarem e investigarem os objectos ao seu alcance, incluindo peças de lego e cubos de Rubik que os biólogos lhes ofereciam nas suas experiências. Confirmou-se, assim, o que já tinha sido observado, em 2005, na Indonésia, por biólogos da Universidade da Califórnia: quando um polvo precisa de fugir, levanta seis braços e utiliza os outros dois para correr a toda a velocidade pelo fundo do mar.
Sexo com amor e abraços
Durante décadas, os cientistas viram os octopódes como seres solitários e nada românticos na sua vida sexual. Todavia, um estudo recente da Universidade da Califórnia revela que os machos não acasalam com a primeira fêmea que se atravessa no caminho. De facto, costumam rondar durante vários dias a candidata eleita, adornam-se com padrões vistosos na pele, mantêm os rivais á distância e abraçam mesmo, carinhosamente, algum braço da companheira depois de a terem conseguido conquistar.
Esperto que nem um alho
A fim de medir a inteligência dos polvos, os zoólogos recorrem a testes nos quais avaliam, sobretudo, dois parâmetros: a capacidade de aprendizagem e a memória. Deste modo, descobriram que eles se entendem a distinguir formas geométricas (quadrados, retângulos, circulos…), abrir boiões com tampas de enroscar ou atravessar complicados labirintos. Além disso, os cefalópodes aprendem ao observar os seus semelhantes, um comportamento que se considerava exclusivo do ser humano e de alguns mamíferos. Como demonstrou uma experiência o neurobiólogo Benny Hochner, possuem um circuito de memória a curto prazo e outro a longo prazo. Não é por acaso que os polvos possuem meio milhão de neurónios organizados numa complexa rede de lóbulos, semelhantes á estrutura do cérebro humano.
Um lado venenoso
Há três anos, a revista Jornal of Molecular Evolution fez eco de um estudo da Universidade de Melbourne (Austrália) que demonstrava que todas as espécies de polvo (e de chocos e de lulas) têm alguma substância tóxica no organismo para se defenderem dos predadores ou atacarem as presas. Ao analisar os genes que produzem as diferentes peçonhas que esgrimem, os biólogos concluíram que a origem do arsenal remonta a um antepassado venenoso comum aos polvos, aos chocos e às lulas.
Imitadores natos
Quando há um predador nas proximidades, o polvo-mímico (Thaumoctopus mimicos), da Indonésia, pode mascarar-se de raia venenosa, serpente marinha, peixe-leão cheio de espinhos ou mesmo alforreca. Todods os papéis de mau assentam bem a este octópode. Já no Atlântico, destaca-se como o ator o polvo Macrotriopus defilippi, de tentáculos compridos, que se oculta dos inimigos copiando a forma e os movimentos da solha, um peixe chato semelhante ao linguado.
Muita personalidade
A psicóloga Jennifer Mather e o biólogo Roland Anderson iniciaram, em 1993, um trabalho pioneiro com mais de 40 polvos vermelhos, para averiguar se os seus comportamentos podiam ser individualizados. Depois de os exporem a situações distintas em semanas diferentes, concluiram que se podia enquadrar, nitidamente, o seu comportamento em três tipos de personalidade, aplicados, até então, apenas a seres humanos: agressivos, tímidos e passivos. Os resultados foram publicados no Journal of Comparative Psychology.
Passar despercebidos
A epiderme dos polvos contem células com pigmentos, os cromatóforos, que lhe permitem mudar de cor e de padrão decorativo (pele lisa, com riscas, manchas…) com extrema facilidade. Assim, podem camuflar-se e passar despercebidos tanto entre recifes de corais vermelhos como sobre a areia cinzenta. As mudanças de tonalidade também lhes servem para exprimir a sua disposição.
Arsenal defensivo próprio
Em 2009, o polvo Amphioctopus marginatus, da Indonésia, juntou-se á lista de animais capazes de usar ferramentas. Tal como mostrou uma investigação publicada na revista Current Biology, os exemplares desta espécie recolhem as cascas de coco que caem no fundo do mar e armazenam-nas num local escondido, para serem usadas como escudo defensivo. Veja-os neste vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=QRfOGOntnbw
GPS incorporado
Embora estes animais passem horas a caçar e percorram centenas de metros nas suas explorações, costumam regressar todos os dias á toca para descansar e nunca se esquecem do caminho de regresso. O segredo para não se perderem no fundo do mar? Ao estudar o polvo vulgar (Octopus vulgaris), nas Bermudas, a psicóloga Jennifer Mather, da Universidade de Lethbridge (Canadá), chegou á conclusão de que eles não deixam um rasto químico á sua passagem, como as formigas, mas visualizam as rochas proeminentes, plantas, corais e outros aspetos que encontram ao longo da rota, para traçarem um mapa mental que conservam no cérebro durante semanas. A sua memória espacial é extraordinária.

Super interessante nº168 – Abril de 2012

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Embalagens de bioplástico feitas com cana-de-açúcar

Terça-feira, 09 de Julho de 2013   
Embalagens de bioplástico feitas com cana-de-açúcar
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A partir de 2014, as embalagens da Tetra Pak vão passar a ser produzidas, no Brasil, com recurso a fontes renováveis. A principal matéria-prima das novas embalagens será o polietileno de baixa densidade (LDPE) fabricado a partir da cana-de-açúcar.
 
Esta iniciativa inovadora e pioneira na indústria de embalagens de cartão, que na fase de testes vai decorrer apenas naquele país, será possível graças a um acordo que a empresa se prepara para assinar com a Braskem, o maior produtor de resinas termoplásticas da América Latina, que fornecerá o material.
 
O plano é que a Tetra Pak utilize este bioplástico como componente de todas as embalagens produzidas em território brasileiro, o que significa que 100% das embalagens, o equivalente a 13 mil milhões, terão cerca de 82% do seu material proveniente de fontes renováveis e, portanto, amigas do ambiente.
 
Ao longo do processo, a Braskem vai utilizar etanol derivado da cana-de-açúcar para produzir etileno, que será convertido em LDPE, material que tem as mesmas propriedades técnicas do material "convencional", mas com grandes benefícios ambientais.
 
"O novo LDPE de base biológica 'I'm Green TM' é inerte e tão resistente e reciclável como o polietileno produzido a partir de fontes fósseis, mas contribui para a redução das emissões de gases com efeito de estufa ao absorver o dióxido de carbono da atmosfera durante o processo de crescimento da cana-de-açúcar", explica, em comunicado, o presidente da Braskem, Carlos Fadigas.
 
Segundo o presidente e diretor executivo da Tetra Pak, Dennis Jönsson, este acordo é mais um passo em direção às soluções verdes. "O novo acordo demonstra o nosso compromisso em fazer chegar as inovações ambientais aos nossos clientes e é mais um passo na nossa jornada para desenvolver uma embalagem totalmente renovável", afirma.
 
Desde 2008 que a cadeia Tetra Pak no Brasil é certificada pelo Forest Stewardship Council™ (FSC™), o que significa que todo o cartão utilizado na produção das embalagens provém de florestas geridas segundo princípios de gestão florestal responsável.

Notícia sugerida por Elsa Fonseca e Vítor Fernandes
Fonte: boas notícias.pt

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O incrível pássaro que pesca usando isca

Por em 25.06.2013 as 15:28               


O vídeo é um tanto inacreditável, mas não é história de pescador: esse comportamento é raro, mas verdadeiro.
A ave que você acima é uma garça verde, encontrada no Japão e nos EUA. As imagens foram feitas no Japão, e mostram o pequeno animal se aproximando da água com um pedaço de pão, que ele usa como isca depositando-o na água e esperando peixes se aproximarem.
A garça repete o processo várias vezes até pegar um pequeno peixe. No entanto, ela devolve o pequeno espécime e repete mais vezes a ação até fisgar um peixe maior.
As cenas são surpreendentes, pois sugerem raciocínio lógico. A garça aparentemente considera que é melhor não se satisfazer imediatamente, mas sim esperar por uma recompensa maior. Além disso, poderia ter comido o pão, mas escolheu usá-lo para pescar algo mais saboroso. A própria ideia de usar o pão com isca parece uma ideia complexa para um pássaro, não?
Segundo ornitólogos, apesar de incomum, essa habilidade vem sendo documentada há décadas. Exemplares de pelo menos sete espécies de garças já foram vistos pescando com iscas, de gravetos a insetos ou flores.

Comportamento aprendido

A pescaria não é uma habilidade inata da garça. Segundo um estudo do pesquisador Hiroyoshi Higuchi da Universidade de Tóquio (Japão), este é um comportamento aprendido, observado apenas em exemplares de garças que vivem em locais bem distantes entre si.
Somente alguns animais mais inteligentes, como o do vídeo, que vivem próximos a alguns tipos de rios e lagos com rochas acima da linha da água (bons esconderijos) parecem ser capazes de usar iscas para pescar.
Higuchi sugere que encontros acidentais levaram o pássaro a aprender o comportamento. Por exemplo, vendo humanos jogarem migalhas na água ou observando o momento em que insetos caíam na água – assim, a garça percebeu que jogar objetos ou alimentos nos rios e lagos podia atrair peixes.
No entanto, o comportamento não é ensinado entre as aves, e como são poucos os animais que o exibem, é difícil para os cientistas estudarem melhor a habilidade.[Abril]
Fonte: Hypescience.com

Direcção-Geral de Saúde recomenda utilização de ervas aromáticas em vez do sal

ONTEM às 16:39
Direcção-Geral de Saúde recomenda utilização de ervas aromáticas em vez do sal       A Direção-Geral da Saúde (DGS) preconiza a redução do consumo de sal na alimentação dos portugueses reforçando a importância da utilização de ervas aromáticas em detrimento do sal. 
O consumo de sal recomendado é de 5 gramas por pessoa, por dia. Em Portugal, o consumo é sensivelmente o dobro. A DGS sustenta que o uso de ervas aromáticas poderá contribuir para a redução de sal na alimentação, devido à própria composição nutricional e funções que desempenham na saúde.
Alho, alecrim, coentros, erva-cidreira, funcho e louro são outras alternativas que constam do relatório "Estratégia Nacional para a Redução do Consumo de Sal na Alimentação em Portugal" e do documento informativo "Utilização de Ervas Aromáticas & Similares na Alimentação".

Estas publicações, editadas no âmbito do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, juntam-se a edições como o livro "Alimentação Inteligente" e a séries de animação e outros materiais destinados ao público juvenil.
Fonte: www.diáriodigital

CO2: Portugueses criam sistema para reduzir emissões

Quarta-feira, 26 de Junho de 2013   
CO2: Portugueses criam sistema para reduzir emissões
A empresa Cimpor, em parceria com o Instituto Superior Técnico, criou um sistema de produção de cimento que permite reduzir até 25 por cento as emissões de dióxido de carbono (CO2). Segundo a Lusa, este processo vai ter patente registada.

Citado pela Lusa, o diretor de Sustentabilidade, Investigação e Desenvolvimento da Cimpor, Paulo Rocha, explicou que "após um conjunto bem-sucedido de testes laboratoriais, foi possível desenvolver um conceito promissor relativo à produção de uma nova família de clínqueres" (cimento numa fase básica), que passa a ser protegido pelo registo de uma patente.

Paulo Rocha esclareceu que a redução da emissão de CO2 "depende do tipo de clínqueres a produzir e das matérias-primas utilizadas” mas que pretendem “gerar até cerca de 25% menos de dióxido de carbono”.

Segundo o relatório de sustentabilidade de 2011, divulgado pela empresa, entre os anos 2006 e 2011 a Cimpor mobilizou mais de 235 milhões de euros em projetos de sustentabilidade, com o objetivo de reduzir a pegada de CO2.

Notícia sugerida por Elsa Fonseca
Fonte: Boas noticias.pt

domingo, 12 de maio de 2013

Plantas exóticas em Portugal

Legislação:
O decreto-lei n.º 565/99 é muito claro: “É proibida a disseminação ou libertação na natureza de espécies não indígenas visando o estabelecimento de populações selvagens.” Isto porque as plantas alienígenas podem tornar-se infestantes (reproduzindo-se rapidamente e ocupando áreas extensas, sem a intervenção do homem) e, quando tal acontece, tornam-se uma ameaça para a biodiversidade e ecossistemas naturais, afetando igualmente a produção agrícola e florestal, a saúde pública e a economia. Além disso, são muito difíceis de eliminar e o seu controlo é muito dispendioso.
A criação e atualização da legislação é um primeiro passo fundamental para lidar com este problema. A maior crítica feita á lei vigente é que não inclui todas as espécies verdadeiramente perigosas, apresentando exceções que permitem a introdução de espécies estrangeiras para fins agrícolas e florestais. Mas existem outras medidas igualmente importantes, como a preparação de técnicos capazes de detetar e aplicar metodologias de controlo e erradicação de espécies invasoras ou a formação e informação dos comerciantes de plantas ornamentais. Através de um questionário realizado pelo PIP a empresas ligadas ao manuseio de plantas (viveiros, floristas, etc.) ficou a saber-se que 43% das que responderam tinha disponível antes da publicação daquele decreto-lei, algumas espécies consideradas como invasoras, e 59% referiram que os seus clientes continuavam a mostrar interesse por algumas espécies consideradas invasoras como a terrível mimosa (Acacia dealbata).

 
Cada cidadão pode também dar o seu contributo através de comportamentos informados e responsáveis. Eis algumas coisas que pode fazer:

Não transporte espécies para fora dos locais de onde elas são nativas.

Ao comprar plantas, prefira as espécies autóctones; se optar por exóticas, informe-se previamente do seu caráter invasor (é importante aprender a identificar as espécies infestantes e evitar a sua utilização).

Quando limpar o seu jardim ou terrenos de cultivo, não deite restos de vegetais exóticos na Natureza.

Participe em ações de controlo de espécies invasoras (quanto mais cedo for a sua deteção, mais fácil e barato se tornará a sua erradicação.

Super interessante nº168 – Abril de 2012
Telene útil - SOS ambiente: 808200520

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Comissão Europeia proíbe parcialmente três pesticidas que afectam as abelhas

Portugal foi um dos oito países que votou contra a proibição, aprovada com 15 votos a favor

2013-04-30
As abelhas são vitais para o equilíbrio dos ecossistemas
Três pesticidas comuns que estão relacionados com a morte massiva de abelhas em todo o mundo foram agora proibidos (parcialmente) pela Comissão Europeia. Segundo diversos estudos científicos, os insecticidas da família dos neonicotinóides – clotianidina, tiametoxam e imidacloprida – podem afectar o sistema nervoso dos insectos, provocando-lhes paralisia e morte. Não têm, no entanto, riscos para a saúde humana.
O desaparecimento de milhões de abelhas, vitais para o equilíbrio dos ecossistemas, é desde há vários anos uma grande preocupação. O chamado “distúrbio do colapso das colónias” já diminuiu em grande percentagem a população destes animais. A decisão baseia-se no princípio de precaução e foi tomada a partir das conclusões de um relatório da Agência Europeia da Segurança Alimentar (European Food Safety Authority - EFSA).

Na votação levada a cabo, a Comissão Europeia decidiu a favor da proibição, com 15 Estados a votarem a favor (Espanha, Alemanha, França, Bélgica, Bulgária, Dinamarca, Estónia, Chipre, Letónia, Luxemburgo, Eslovénia, Malta, Países Baixos, Polónia e Suécia) e oito contra (Reino Unido, Itália, Portugal, República Checa, Áustria, Hungria, Roménia e Eslováquia).
O comissário europeu da Saúde, Tonio Borg, recordou que as abelhas são “vitais para o ecossistema, pois desempenham um papel fundamental na polinização, sendo que a sua contribuição para a agricultura europeia estima-se, anualmente, em 22 mil milhões de euros”.
O relatório da EFSA, publicado em Janeiro, relaciona os insecticidas com neonicotinóides (substâncias derivadas da nicotina) com a alta mortalidade das colónias. A Comissão Europeia sugere a modificação das condições de aprovação da clotianidina, tiametoxam e imidacloprida, restringindo o seu uso aos cultivos que não atraiam as abelhas e aos cereais de Inverno, já que a exposição aos pesticidas durante o Outono não é considerada perigosa.
Planeia também proibir a venda e o uso de “sementes tratadas” com produtos que contenham essas três substâncias (excluindo igualmente as sementes das plantas que não atraiam esses insectos e as dos cereais de Inverno).
As excepções limitar-se-ão à possibilidade de tratar cultivos em estufas ou campos ao ar livre após a floração. As restrições começam a ser aplicadas a partir de 1 de Dezembro.
Fonte: ciência hoje.pt

Ser vivo único mais velho do planeta é um pinheiro da Suécia

Por em 25.04.2013 as 14:00                         

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Por muitos anos, um certo abeto foi considerado um recém-chegado na região montanhosa da Suécia. Agora, análises acabaram mostrando o contrário – que se tratava de uma das árvores mais antigas do local.
A árvore, ou melhor dizendo, o pinheiro, que recebeu o nome de Velho Tjikko, foi encontrado na montanha Fulufjället, em Dalarna, Suécia. Sob a coroa do pinheiro, foram encontradas quatro “gerações” da árvore, na forma de cones e madeira produzidos nas partes mais altas.
A análise com carbono-14 mostrou que os restos encontrados tinham 375, 5.660, 9.000 e 9.550 anos. Como os abetos podem se multiplicar através de raízes penetrantes, eles podem produzir cópias exatas, ou clones. A árvore que está crescendo naquele local e os pedaços de madeira com 9.550 anos tem o mesmo material genético.
Os recordistas anteriores de “árvore mais velha do mundo” eram alguns pinheiros nos Estados Unidos, com idade entre 4.000 e 5.000 anos. Nas montanhas suecas, foram encontrados abetos com mais de 8.000 anos. Apesar dos verões terem sido mais frios nos últimos 10.000 anos, estas árvores sobreviveram graças à sua capacidade de criar um novo tronco depois que o antigo morria.
O curioso é que estes abetos podem ter sido plantados pelo homem 10.000 anos atrás, no fim da última era do gelo. “O homem imigrava para perto do gelo que estava recuando. Encontramos também bolotas fossilizadas, e as pessoas podem ter carregado algumas enquanto viajavam”, aponta o professor Leif Kullman, da Universidade Umeå, Suécia.
Ironicamente, a planta pode ter sobrevivido por ter ficado longe do ser humano, já que a região é de clima frio e seco, com poucos incêndios florestais, e relativamente poucos humanos vivem na área.
Mais antiga que esta árvore única, só mesmo uma floresta inteira, chamada Pando, no estado de Utah (EUA). Essa floresta de clones de choupos trêmulos (Populus tremuloides) tem 80.000 anos e é considerada como um só organismo. Neste caso, ela é o ser vivo mais antigo na Terra, além do mais pesado, com 6.000 toneladas.[Wikipedia, Scientific American, Green Living, Telegraph, Universidade Umeå]
Fonte: hypescience.com

Por que o Brasil está sendo desmatado?

Por em 18.04.2013 as 11:34                 

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Soja e criação de gado continuam sendo os vilões principais da devastação na Amazônia. É o que revela um estudo do Centro de Pesquisas Ambientais e Climáticas Internacionais de Oslo (CICERO, na sigla em inglês), da Noruega. Os cientistas explicam, no entanto, que a culpa está longe de caber exclusivamente ao Brasil. Todos os países com elevados níveis de consumo e emissões de gases têm responsabilidade sobre o problema.
Grande parte da guinada que o Brasil teve em sua economia, na última década, se deve à soja e à carne. A ampla janela de exportações (em boa parcela para países também emergentes, como a Rússia e China) ocasionou um aumento brutal do número de latifúndios e pastos, o que deu margem a níveis alarmantes de desmatamento.
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Como se não bastasse a devastação da fauna, tais atividades econômicas impulsionam a emissão de CO2. Nos últimos dez anos, o Brasil emitiu 2,7 bilhões de toneladas de gás carbônico. Deste valor, 29% estão associadas ao plantio da soja e 71% à criação de gado.
Nem só de russos e chineses, no entanto, se faz o consumo acelerado destes produtos. O próprio mercado interno brasileiro absorve ampla porcentagem da produção. Estas discussões estiveram em alta durante a tramitação do Novo Código Florestal Brasileiro, aprovado no dia 25 de maio de 2012.
Ambientalistas de várias organizações criticaram a flexibilização das leis de proteção da floresta em prol do aumento de produtividade do agronegócio. No acordo, os parlamentares brasileiros preveem anistia a empresas que desmatarem, livrando-os da obrigação de recompor a mata. A proteção sobre as Áreas de Preservação Permanentes (APPs) fragilizou-se com a nova lei.
Os cientistas noruegueses afirmam que a Europa vê a proteção da floresta amazônica como um problema global, não mais limitado ao Brasil. Por essa razão, deve aumentar nos próximos anos a pressão da comunidade internacional para que as leis de proteção existentes, ainda que distantes do que os ambientalistas desejariam, sejam cumpridas. [Science Daily / Mongabay / Diário do Grande ABC]
Fonte: hypescience.com

Saúde: Três estudos confirmam benefícios das nozes

Quarta-feira, 01 de Maio de 2013   
Saúde: Três estudos confirmam benefícios das nozes
Peso mais saudável, menos açúcar no sangue e menos riscos cardiovasculares são apenas alguns dos benefícios do consumo de frutos secos de casca rija. A conclusão é de três estudos que foram apresentados no encontro Experimental Biology Meeting, em Abril, nos EUA.
 
Os estudos concentraram-se nos benefícios de frutos secos de casca rija oriundos de árvores (como nozes, amêndoas, cajus, avelãs, pinhões e pistáchios). Um dos estudos, da Universidade Loma Linda (EUA), analisou o consumo destas nozes entre um grupo de 800 adultos através de inquéritos. 
 
Os resultados indicaram que as pessoas que consumiam pelo menos uma dose de nozes por dia (28 gramas) tinham menos 7% de probabilidade de sofrer doenças cardiovasculares, diabetes e outros problemas metabólicos, independentemente da sua idade, estilo de vida ou dieta. 
 
Um segundo estudo, realizado pelo centro de Agricultura da Louisiana State University (EUA), analisou dados de mais de 14 mil adultos, registados entre 2005 e 2010, pelos serviços nacionais de saúde.

A análise dos dados revelou que os participantes que consumiram mais frutos secos registavam um peso mais saudável e menos gordura abdominal (aquela que representa mais riscos para a saúde). Além disso, tinham níveis mais elevados de colesterol bom (HDL) e uma pressão arterial mais equilibrada.

Por fim, o terceiro estudo, realizado pela Universidade de Toronto (Canadá), analisou os marcadores cardiovasculares associados ao consumo destes frutos, confirmando que o consumo diário de nozes aumenta o colesterol bom e controla os níveis de glucose (açúcar) no sangue.
 
"Estes três estudos, independentes entre si, reforçam as provas de que o consumo de nozes melhora a saúde," diz em comunicado Maureen Ternus, diretora do centro de pesquisa International Tree Nut Council Nutrition Research & Education Foundation, recomendando o consumo de "uma mão cheia" (cerca de 40 gramas) de frutos secos por dia. 

Clique AQUI para aceder ao comunicado que resume os três estudos.
Fonte: boas noticias.pt

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Alimentos para viver mais

 
 
Enquanto não descobrem o elixir da juventude, há alguns alimentos que os estudos e os especialistas sugerem ajudar a prolongar a vida, de uma forma mais saudável.

O nosso tipo de alimentação tem bastante influência tanto nos anos em que vivemos, como na qualidade de vida que possuímos. Uma má alimentação pode levar ao desenvolvimento de doenças que, dependendo da gravidade, podem levar a uma morte precoce. Deixamos aqui alguns alimentos que o/a podem ajudar a viver mais e melhor.
Aveia
Ajuda a diminuir o colesterol mau o LDL. Ganhou o selo de redutor do risco de doenças cardíacas da FDA, agência americana de controlo de alimentos e remédios.
Alho
Reduz a tensão arterial e protege o coração ao diminuir a taxa de colesterol ruim e aumentar os níveis de colesterol bom, o HDL. Pesquisas indicam que pode ajudar na prevenção de tumores malignos.
Azeite
Auxilia também na redução do LDL. A sua ingestão no lugar da margarina ou manteiga pode reduzir até 40 por cento o risco de doenças do coração.
Castanha-do-pará
Assim como a noz, os pistácios e a amêndoa, também auxilia na prevenção de problemas cardíacos. Também ganhou o selo de redutora de doenças cardiovasculares da FDA.
Chá verde
Auxilia na prevenção de tumores malignos. Estudos indicam ainda que pode diminuir as doenças do coração, prevenir pedras nos rins e ajudar no tratamento da obesidade.
Maçã
Ajuda a prevenir tumores malignos. O consumo regular de frutas variadas auxilia na redução de doenças cardíacas e da pressão sanguínea, para além de evitar doenças oculares como cataratas.
Peixes
Os peixes ricos em ómega 3, como a sardinha, o bacalhau e o salmão, são poderosos aliados na prevenção de enfartes e derrames. Estudos indicam também que reduzem as dores de artrite, melhoram a depressão eprotegem o cérebro de doenças como Alzheimer.
Soja
Ajuda a reduzir o risco de doenças cardiovasculares, segundo a FDA. O seu consumo regular pode diminuir os níveis de colesterol em mais de 10 poe cento. Há indicações de que também ajuda a amenizar os incómodos da menopausa e a prevenir o cancro da mama e do cólon.
Vinho tinto
A uva vermelha, presente no vinho ou no sumo, ajuda a aumentar o colesterol bom e evita a acumulação de gordura nas artérias, prevenindo doenças do coração.

Fonte: saúde em primeiro lugar.com 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Aluno da UC vence concurso

João Rito desenvolve um projecto
para utilização glicerol na dieta alimentar dos peixes

2013-04-08
Por Sara Pelicano
A ideia é reduzir em 5% (numa primeira fase) a dose de proteína na dieta alimentar de peixes de aquacultura, nomeadamente dourada, robalo e pregado. Com esta mudança alimentar, João Rito, o autor da ideia, acredita que haverá uma redução dos custos de produção e também melhorias ambientais.
O trabalho está a ser desenvolvido no âmbito do doutoramento na Universidade de Coimbra. “Vi o concurso da Sociedade Mundial de Aquacultura, que queria que alunos de mestrado e doutoramento submetessem um projecto que visasse tornar a aquacultura numa indústria mais sustentável”, explica João Rito.

João apresentou o seu projecto de substituição de 5% de proteínas da dieta alimentar por glicerol e venceu. “A aquacultura é um poluente porque os peixes libertam componentes tóxicos, como a amónia e fósforo. As dietas alimentares são ricas em proteínas, porque os peixes, na sua maioria, são carnívoros e as proteínas são essenciais. Nesta experiência tentamos reduzir 5% a percentagem de proteína. Parece pouco, mas em grande escala vamos reduzir muito. A proteína é um dos alimentos mais caros, reduzindo a proteína, vamos reduzir os custos de produção. Substituir a proteína por glicerol, que está muito disponível na indústria de biodiesel, onde é um subproduto, que ainda não tem destino traçado. À partida é mais barato, assim reduzem-se custos de produção”, explica o jovem investigador.

Este método de alimentação dos peixes carnívoros em aquacultura pode também trazer benefícios ambientais. João Rito explica que “o metabolismo das proteínas contamina o ambiente com a amónia e fósforo, ao reduzir a proteína nas dietas alimentares reduzimos a sua produção e libertação daqueles componentes para o ambiente”.

Além do prémio monetário de mil dólares, João vai, em Junho, estagiar por um mês no Centro de Investigação da NOVUS - Novus Aqua Research Center, na Cidade de Ho Chi Minh, Vietname.

“O objectivo é ter contacto com projectos já a decorrer no centro. O Vietname é o terceiro maior produtor de aquacultura a nível mundial, as características ambientais são muito propícias a isso e trabalhar numa das maiores empresas a nível mundial de aquacultura será uma experiência única, na qual vou ter acesso a meios que aqui não tenho e vou estar em contacto directo com cientistas desta área que têm muito mais experiência do que eu e vou tentar tirar a melhor experiência possível”, adianta João.

O concurso que João Rito venceu foi lançado, a nível mundial, pela Sociedade Mundial de Aquacultura (SMA), uma instituição criada em 1970. A SMA é uma sociedade internacional sem fins lucrativos, que tem como objectivo melhorar a comunicação e troca de informações sobre aquacultura, à escala global. Reúne cientistas, produtores e prestadores de serviços da indústria de aquacultura.
Fonte: Ciência hoje.pt

terça-feira, 9 de abril de 2013

Londres: Restos de gordura vão iluminar 40 mil casas

Terça-feira, 09 de Abril de 2013   
Londres: Restos de gordura vão iluminar 40 mil casas
Cerca de 40 mil casas em Londres, capital inglesa, vão passar a ser alimentadas com energia elétrica produzida a partir de restos de óleo e gordura de milhares de restaurantes e empresas da indústria alimentar daquela cidade, onde, brevemente, será construída a maior central de transformação de resíduos gordurosos em eletricidade.
 
O jornal britânico The Guardian avança que o projeto será implementado pela empresa Thames Water, em parceria com a companhia ecológica 2OC. Diariamente, 30 toneladas de resíduos de gorduras de cozinhas de unidades de restauração e fábricas vão ser recolhidas, o equivalente metade do combustível necessário para o funcionamento da central. O restante será proveniente de óleos vegetais e gordura animal.
 
Além de gerar energia limpa, o nascimento da nova central vai também permitir evitar o despejo de toneladas de gordura nos esgotos da cidade, que, anualmente, obrigam a milhares de desentupimentos, adianta a publicação inglesa.
 
A central vai ser construída na localidade de Beckton e corresponde a um investimento de cerca de 80 milhões de euros que será aplicado em 20 anos, devendo entrar em funcionamento já em 2015 e produzir 130 GWh/ano de eletricidade limpa, o suficiente para abastecer 40 mil residências.
 
De acordo com Piers Clark, diretor comercial da Thames Water, citado pelo The Guardian, "este projeto é benéfico para todos, [já que vai gerar] energia renovável, independente das flutuações dos preços de mercado das fontes não-renováveis de eletricidade, e ajudar a atacar o atual problema operacional dos depósitos de gordura nos esgotos".

Notícia sugerida por Diana Rodrigues
Fonte: Boas noticias
Muito bom!!!
 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Cobras & lagartos

  
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As criaturas mais odiadas
Perseguidos desde tempos imemoriais e vítimas de crenças infundadas, os répteis sobrevivem como podem à antipatia humana e aos inúmeros fatores que ameaçam diariamente a sua sobrevivência. O biólogo Jorge Nunes revela-nos a fauna herpetológica portuguesa e conta-nos toda a verdade sobre os escamosos rastejantes que têm sido alvo de tanto ódio.
Com exceção do lobo, dos morcegos e talvez das aranhas, poucos animais têm sido tão odiados como os répteis. Quando escutamos a expressão “cobras e lagartos”, percebe-se que não é coisa boa, pois dizer cobras e lagartos de alguém é dizer mal, amaldiçoar. Consta que esta expressão idiomática teve origem na literatura bíblica, na qual a serpente é amaldiçoada por ter levado Eva a provar o fruto proibido: “Serás maldita entre todos os animais… reinará a inimizade entre ti e a mulher… esta esmagar-te-á a cabeça.” E foi assim, enquanto o diabo esfregava um olho, que as serpentes passaram a ser vistas como criaturas demoníacas, que tinham de ser perseguidas e exterminadas. O pior é que esta secular e irreconciliável incompatibilidade com os pobres animais sem pernas acabou por se estender a outros que tinham o corpo coberto de escamas, mesmo que possuíssem patas. Ainda hoje, são inúmeras as pessoas que consideram os répteis feios, porcos e maus e que garantem que eles mordem e são peçonhentos! O que não é verdade, como se verá.
Desde épocas remotas que se imaginaram delirantes fantasias com estes animais. As mais hilariantes contam-nos como as cobras sobem ao regaço das mulheres adormentadas, durante a amamentação, para lhes beber o leite: “Enquanto colocam a ponta do rabo na boca dos bebés, a servir de chucha, para que não chorem”, escutámos reiteradamente em várias regiões do país. Ou, então, como chupam o leite das vacas, cabras e ovelhas, secando-as: “Depois de ter sido chupada, uma cabrinha minha ficou com a teta toda mirradinha e acabou por morrer! E já aconteceu o mesmo à minha vizinha!”, garantiram-nos a pés juntos numa aldeia da Beira Baixa.
Crendices populares
Na Sertã, uma vetusta vila situada bem no centro de Portugal, recordaram-nos a lenda de Nossa Senhora dos Remédios, que recontamos resumidamente. Segundo as gentes mais antigas, um jovem pastor encontrou uma cobrinha e começou a dar-lhe leite, durante vários anos; entretanto, o rapaz partiu para cumprir o serviço militar e, quando regressou, foi surpreendido por uma gigantesca serpente, que se atirou a ele para o matar. Protegido pela Virgem, acabou por conseguir abater o horrível monstro. Embora não seja exatamente esta a narrativa que encontramos na monografia Sertã e o seu Concelho, na qual consta um relato de 1874, parece que “ao lado do altar […] existe para memória, a queixada da serpente, que seguramente tem de comprimento um metro”.
Este é apenas um exemplo do vasto lendário português sobre serpentes (sobretudo, encantadas), como facilmente se confirma no Arquivo Português de Lendas (Centro de Estudos Ataíde Oliveira, http:// www.lendarium.org).
No qual se fica a saber que os lagartos também não foram esquecidos pelo povo, embora surjam num número menor de estórias, como a do lagarto de Lamas de Mouro (Melgaço) ou a dos lagartos de Dona Mirra (Peso da Régua).
Os ditos populares referem que as cobras também pilham os ovos e matam galinheiros inteiros. Ou ainda, roçando o rocambolesco, que podem roubar bebés indefesos e atacar transeuntes incautos: “Encantam-nos com o olhar, como fazem com os sapos”, asseveraram-nos várias pessoas, que também nos segredaram ao ouvido: “As cobras e os lagartos têm o hábito de subir pelas pernas das mulheres, em especial durante o período da menstruação. É muito perigosos andar na horta!”
Se atentarmos no nosso vocabulário, verificamos que é igualmente preconceituoso para estes animais, usando expressões como “más como as cobras”, “língua viperina” e “comportar-se como uma víbora”. Tal como os provérbios: “Se a víbora ouvisse e o licranço visse, não havia quem lhes resistisse”. Enfim, um rol de inverdades. Mitos, crenças e superstições infundadas, arreigadas na cultura popular, que colocaram estas pobres criaturas no lote dos mais odiados do reino animal.
Os grandes lagartos
Os vestígios dos répteis mais primitivos datam do Carbonífero (entre 359 e 245 milhões anos atrás, aproximadamente). O seu aparecimento constituiu um passo importante na evolução da vida na Terra, dado que foram os primeiros vertebrados totalmente terrestres. Tornaram-se completamente independentes do meio aquático, até mesmo para a sua reprodução (o que não acontece com os anfíbios). Apresentam fecundação interna e são amniotas: produzem ovos com casca (com substâncias de reserva e estruturas que mantêm um ambiente líquido em torno do embrião), o que lhes oferece proteção adequada contra os choques e a desidratação. Embora a maioria seja ovípara, algumas espécies, como o licranço, as cobras-de-pernas e as víboras, são ovovivíparas, dando à luz indivíduos juvenis semelhantes aos progenitores.
Com o passar do tempo, povoaram os ambientes terrestre (dinossauros), aquático (plesiossauros, ictiossauros e mosassauros) e aéreo (pterossauros). Os dinossauros (do grego sauro, lagarto, e deinós, terrível) acabaram mesmo por ser os “reis” do Mesozoico (há 250 a 65 milhões de anos), período de tempo geológico que ficou conhecido como “era dos dinossauros”. Segundo o registo fóssil, estes foram os maiores animais que alguma vez viveram no nosso planeta: Seismosaurus hallorum (mais de 50 metros de comprimento e cem toneladas de peso); Argentinosaurus huinculensis (45 metros de comprimento, 21 de altura e cerca de 150 toneladas); Sauroposeidon protelus (mais de 30 metros de comprimento, 27 de altura e cerca de 65 toneladas).
O mais famoso é, no entanto, o Tyrannosaurus rex, a quem o cinema (quem não se lembra de Parque Jurássico, de Steven Spielberg?), a banda desenhada e a literatura de ficção científica dedicaram especial atenção. Terá sido um dos maiores carnívoros terrestres, com catorze metros de comprimento, seis de altura e cerca de sete toneladas de peso. Inesperadamente, há aproximadamente 65 milhões de anos, um asteroide colidiu com o planeta e apagou-os da face da Terra. No entanto, alguns répteis de menores dimensões conseguiram sobreviver e chegaram até à atualidade. São sobretudo criaturas liliputianas, quando comparadas com os seus congéneres mesozoicos.
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Répteis modernos
Com o avanço do conhecimento científico, foi-se compreendendo o interesse e o valor deste grupo biológico, que passou a constituir uma disciplina à parte: a herpetologia (do grego herpeton, aquilo que rasteja). Atual­mente, encontram-se descritas cerca de 7140 espécies, distribuídas por quatro ordens: Chelonia (tartarugas), Squamata (escamosos), Crocodylia (crocodilos) e Rhynchocephalia (tuataras).
Os crocodilos (22 espécies, entre as quais se inclui o maior réptil vivo, o crocodilo-de-água-salgada, com sete metros de comprimento) e as tuataras (duas espécies endémicas da Nova Zelândia) não ocorrem na Europa. Os quelónios caracterizam-se pela presença de placas dérmicas ossificadas (carapaça) e pela ausência de dentes no estado adulto (possuem uma bainha córnea em forma de bico cortante). Os escamosos têm pele seca e coberta de escamas epidérmicas formadas por queratina e o corpo e a cauda alongados, e dividem-se em ofídios, sáurios e anfisbenídeos.
Os ofídios (cobras e víboras) possuem corpo alongado desprovido de membros e dentes relativamente afiados e compridos. Os sáurios (lagartos, osgas e camaleões) têm geralmente quatro patas mais ou menos desenvolvidas (nas cobras-de-pernas e nos licranços, observa-se uma redução ou perda total dos membros), cauda comprida e pescoço bem diferenciado. Os anfisbenídeos (cobra-cega) estão adaptados à vida subterrânea, pelo que possuem olhos atrofiados, extremidades arredondadas do corpo e um crânio bastante compacto e robusto que facilita a escavação de túneis.
Uma das curiosidades dos sáurios, que sempre fascinou os herpetólogos, é a sua capacidade de mutilação espontânea (autotomia), processo em que as vértebras caudais se podem fraturar voluntariamente, separando a cauda do resto do corpo. É uma estratégia de defesa altamente aperfeiçoada, dado que a cauda libertada continua a mexer-se, distraindo os predadores enquanto o animal se põe em fuga. A autotomia acontece devido à contração de músculos especializados que permitem romper as articulações vertebrais e selar diversos vasos sanguíneos, evitando a perda de fluidos corporais. Embora com dispêndio energético considerável, esses animais possuem a capacidade de reconstituir a extremidade perdida, um processo que implica o crescimento de uma estrutura cartilagínea em substituição das vértebras fraturadas e a regeneração da medula espinal.
Além da autotomia, os répteis apresentam outros curiosos mecanismos de defesa: comportamentos agressivos, como abrir a boca, emitir silvos, inchar o corpo e morder; camuflagem, como o camaleão, que tem a capacidade de alterar a sua coloração para se confundir com o meio; mimetismo, como acontece com a inofensiva cobra-de-água-viperina, que achata a cabeça e emite sons sibilados para se assemelhar a uma perigosa víbora; odores fétidos, que emanam de secreções libertadas pelas glândulas cloacais; ou ainda, tanatose, que é a capacidade de o animal se fingir morto para afastar predadores, como teatraliza muito bem a cobra-de-água-de-colar: permanece imóvel com o corpo flácido, ventre exposto e boca aberta.
Outra particularidade é que são todos animais de sangue frio (ectotérmicos), ou seja, não possuem um mecanismo interno que regule a temperatura. Assim, ao contrário do que acontece com as aves e os mamíferos, a temperatura corporal é muito variável e está dependente da temperatura ambiente. Embora à primeira vista isso possa parecer uma grande vantagem, uma vez que não precisam de consumir tanta energia na dieta alimentar, limita-lhes a atividade aos meses mais quentes do ano. Além disso, obriga-os a ser ativos essencialmente no período diurno e a tomarem banhos de sol regulares (por exposição direta aos raios solares ou aproveitamento do calor emanado pelo substrato, como as rochas). Este processo, conhecido por “termorregulação”, ocupa-lhes uma parte significativa da atividade diária.
Muitas espécies, sobretudo de sáurios, evidenciam dimorfismo sexual. Os machos adotam comportamentos territoriais na época de reprodução e vestem-se com cores mais vivas e chamativas. Além disso, apresentam cabeças proporcionalmente maiores do que as fêmeas e também um maior desenvolvimento dos poros femurais (localizados por baixo das patas traseiras), cujas secreções são importantes no reconhecimento e na atração sexual.
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Espécies domésticas
Em Portugal, há 28 espécies de répteis terrestres, das quais duas de quelónios, quinze de sáurios, uma de anfisbenídeos e dez de ofídios.
Os quelónios estão representados pelo cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis) e pelo cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa). Embora sejam espécies similares, distinguem-se porque o M. leprosa apresenta placas inguinais, possui uma mancha arredondada de cor amarela ou laranja em ambos os lados da cabeça e não possui manchas amarelas na carapaça dorsal. Ambas as espécies podem partilhar as mesmas zonas húmidas, sendo a península Ibérica a única região da Europa onde tal acontece.
Nos sáurios, há a considerar as osgas, o camaleão, os lacertídeos, as cobras-de-pernas e o licranço. Quanto às osgas, existem duas espécies similares: a osga-turca (Hemidactyllus turcicus) e a osga-comum (Tarentola mauritanica). A osga-comum é comparativamente mais robusta e atinge maiores dimensões, apresenta dedos dilatados na extremidade, somente uma fila de lamelas (usadas para se agarrar a paredes lisas e verticais) na parte inferior dos dedos e unhas bem desenvolvidas apenas no terceiro e no quarto dedos. Ambas as espécies têm hábitos crepusculares ou noturnos, são bastante ágeis e trepadoras excecionais (conseguem subir com facilidade muros e paredes verticais). Surgem amiúde em locais com iluminação artificial, onde caçam as suas presas prediletas: insetos e aracnídeos. Embora as duas habitem, preferencialmente, em regiões quentes e secas, a H. turcicus encontra-se circunscrita ao Algarve e à raia alentejana, enquanto a T. mauritanica é bastante mais vulgar (ocorre em quase todo o território nacional), surgindo fortemente associada às construções humanas. Nas ilhas Selvagens (Madeira), encontra-se ainda uma espécie endémica, conhecida por “osga-das-Selvagens” (Tarentola bischoffi), que vive preferencialmente em locais pedregosos e rochosos.
O corpo revestido por escamas granulares e as cristas ósseas existentes na cabeça dão ao camaleão-comum (Chamaeleo chamaeleon) o aspeto de monstro pré-histórico. É um animal essencialmente arborícola, que se passeia de forma lenta e hesitante pelos ramos das árvores, usando as patas em forma de tenaz, as unhas pontiagudas e a cauda preênsil para se agarrar. Consegue mover os olhos de modo independente, o que se revela de grande utilidade, uma vez que segue as presas com o olhar enquanto permanece completamente imóvel. O mais fascinante, porém, é a sua assombrosa capacidade para mudar de cor, o que lhe permite confundir-se com o meio onde se encontra, tornando-o quase impossível de localizar no meio da vegetação. Pensa-se que terá sido introduzido nos pinhais entre Monte Gordo e Vila Real de Santo António, por volta de 1920. Análises ao RNA mitocondrial indicaram que os primeiros indivíduos terão vindo da costa atlântica de Marrocos, provavelmente de Essaouira, dado que existe uma enorme proximidade genética entre ambas as populações.
Os lacertídeos, nos quais se incluem as la­gar­tixas e os lagartos, serão porventura os rép­teis mais conhecidos do público em geral. So­bre­tudo as sardaniscas (sob esta designação, existem três espécies similares que foram in­cluí­das no género Po­dar­cis), que são comuns ao longo de todo o ano, mesmo em zonas den­sa­mente povoadas, surgindo frequentemente em jardins, muros e construções abandonadas. A Podarcis bocagei e a P. carbonelli são en­demismos ibéricos, ocorrendo a primeira prin­cipal­men­te a norte do rio Douro e a segunda na faixa litoral a sul, desde Espinho até ao Al­gar­ve. Nessas zonas litorais (e na raia beirã), po­de­rá encontrar-se igualmente a lagartixa-da-areia (Acan­tho­dac­ty­lus erythrurus), que tem o hábito curioso de correr com a cauda le­van­tada acima do nível do corpo (comporta­men­to que poderá ajudar à sua identificação). Esta espécie partilha frequentemente o mesmo habitat das lagartixas-do-mato, alimentan­do-se amiú­de dos seus juvenis. A lagartixa-do-mato-comum (Psam­mo­dro­mus algirus) e a lagartixa-do-mato-ibérica (P. hispanicus) poderão ser confundidas por um olho menos treinado. No entanto, esta última alcança menor tamanho, não possui coloração alaranjada na base das patas posteriores e apresenta linhas longitudinais no dorso. Embora ambas as espécies emitam sons, a sua função ainda permanece desconhecida.
Outros lacertídeos que merecem destaque são o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) e o lagarto-ocelado (L. lepida), mais conhecido por “sardão”. Enquanto o primeiro é um endemismo ibérico, o segundo estende a sua distribuição até ao sueste de França e noroeste de Itália. Como o próprio nome indica, o lagarto-de-água ocorre em zonas relativamente húmidas, próximo de cursos de água com coberto vegetal denso. O sardão, pelo contrário, evita os lugares húmidos e sombrios, preferindo sítios solarengos (encontra-se presente em todo o território nacional). É o maior lacertídeo da nossa herpetofauna, podendo atingir cerca de um metro de comprimento.
A joia da coroa da família Lacertidae é, no entanto, a lagartixa-da-montanha (Iberolacerta monticola). Trata-se de um pequeno réptil, endémico da península Ibérica, cuja única população portuguesa se encontra confinada a uma área com apenas 57 quilómetros quadrados, no Planalto Central da Estrela. É considerada uma relíquia climática que teria ficado refugiada nos píncaros agrestes da serra mais alta de Portugal quando as suas populações ancestrais, com uma distribuição geográfica mais alargada, regrediram devido às alterações do clima ocorridas no Holocénico, há cerca de 9000 anos.
Há ainda a registar a lagartixa-da-Madeira (Lacerta dugesii), um endemismo insular. É relativamente comum em meios humanizados, sendo muito abundante em todas as ilhas e ilhotas do arquipélago madeirense.
Lagartos que imitam cobras
As cobras-de-pernas, que curiosamente de cobras só têm o nome e o aspeto serpentiforme, uma vez que são sáurios, encontram-se representadas pela cobra-de-pernas-de-cinco-dedos (Chalcides bedriagai) e pela cobra-de-pernas-de-três-dedos (C. stiatus). Estes animais também são conhecidos por “fura-pastos”, devido ao facto de perfurarem facilmente os lameiros e prados onde habitam. Embora à primeira vista sejam espécies bastante semelhantes, os seus nomes vulgares permitem inferir a principal característica distintiva: o número desigual de dedos. Ambas têm o corpo coberto por escamas lisas, que lhe conferem um aspeto brilhante com reflexos metálicos, e possuem membros de reduzido tamanho. Enquanto a C. stiatus existe na península Ibérica, no sul de França e no noroeste de Itália, a sua congénere C. bedriagai é mais um endemismo ibérico, que ocorre no nosso país em pequenos núcleos populacionais isolados.
O licranço (Anguis fragilis) é outro sáurio com corpo serpentiforme, mas neste caso completamente desprovido de membros (sabe-se que é um lagarto porque existem no esqueleto vestígios ósseos pertencentes à cintura pélvica e/ou escapular). É uma espécie muito tolerante ao frio, pelo que se encontra ativa desde março a novembro, sobretudo ao crepúsculo e durante a noite. Uma outra curiosidade é a sua grande longevidade (em cativeiro, já sobreviveu até aos 54 anos, quando a longevidade dos restantes sáurios é de apenas três a dez anos).
Os anfisbenídeos encontram-se representados pela cobra-cega (Blanus cinereus), endémica da península Ibérica. É um dos répteis mais estranhos, uma vez que tem olhos atrofiados cobertos por escamas (surgem apenas como dois pontos negros sob a pele); a falta de olhos e a coloração habitualmente rosa tornam-na inconfundível. Toda a sua morfologia está adaptada aos hábitos subterrâneos, possuindo um crânio bastante compacto e robusto e uma capacidade invulgar de escavar túneis. Além disso, tem ambas as extremidades do corpo arredondadas, podendo deslocar-se tanto para um lado como para o outro.
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Cobras verdadeiras
Os ofídios, com corpo alongado desprovido de membros e dentes relativamente afiados e compridos, estão representados por oito espécies na família Colubridea e duas na Viperidae. A principal distinção faz-se através da cabeça e da pupila: as cobras têm nove escamas grandes a cobrir a parte dorsal da cabeça e olhos com pupila circular, enquanto nas víboras a parte dorsal da cabeça tem numerosas escamas pequenas e menos de nove grandes e possuem olhos com pupila vertical.
Nos colubrídeos, a mais conhecida é sem dúvida a cobra-rateira (Malpolon monspessulanus), que pode ultrapassar os dois metros de comprimento, sendo por isso o maior ofídio da nossa herpetofauna. A sua predileção por roedores (donde lhe advém o nome) faz que surja amiúde nas proximidades do homem, principalmente nas explorações agrícolas, embora possa ser encontrada numa grande variedade de habitats, desde jardins até ­áreas pedregosas ou florestais. É bastante ágil e trepa às árvores com facilidade, tanto para se aquecer como para procurar alimento, como crias de aves.
A cobra-de-escada (Elaphe scalaris), também conhecida por “riscadinha”, é outra cobra relativamente grande, que pode atingir quase dois metros da cabeça à ponta da cauda. Distingue-se facilmente pelo desenho e padrão da coloração dorsal: duas linhas escuras longitudinais sobre fundo castanho-amarelado. Outro ofídio avantajado é a cobra-de-ferradura (Coluber hip­pocrepis), que pode chegar a 1,80 metros. Tal como as precedentes, é muito ágil e possui excelentes capacidades trepadoras.
As chamadas “cobras-lisas” estão representadas pela cobra-lisa-meridional (Coronella girondica) e pela cobra-lisa-europeia (C. austriaca). Distinguem-se, entre outras características, pela coloração do ventre, que é axadrezado na C. girondica. São ofídios de pequeno tamanho, que não ultrapassam 70 centímetros de comprimento. Apesar de poderem coexistir em alguns locais, têm preferências ecológicas distintas: a meridional prefere lugares semiáridos e rochosos, enquanto a europeia ocorre em sítios frescos e húmidos. Outra espécie de pequeno tamanho, que não vai além dos 60 cm, é a cobra-de-capuz (Macroprotodon cucullatus). O seu nome deriva do colar escuro que possui na parte posterior da cabeça. Encontra-se principalmente a sul do Tejo. Quando se sente ameaçada, tanto pode apresentar uma postura agressiva como enrolar-se sobre si própria, escondendo a cabeça (“a avestruz dos répteis”, dirão alguns).
Por último, temos as mais aquáticas de todos os colubrídeos: as cobras-de-água. A mais comum, amplamente distribuída por todo o país, é a cobra-de-água-viperina (Natrix maura), que se distingue da sua congénere, a cobra-de-água-de-colar (N. natrix), pelo dorso com manchas negras dispostas frequentemente em ziguezague e por possuir duas escamas antes e duas depois dos olhos (preciosismo que apenas os especialistas – com paciência! – poderão detetar). Como seria de esperar, alimentam-se sobretudo no meio aquático, pelo que os peixes são presença habitual na sua dieta alimentar.
Quanto aos viperídeos, podem encontrar-se em Portugal a víbora-cornuda (Vipera latastei), em núcleos populacionais fragmentados por todo o território, e a rara víbora-de-Seoane (V. seoanei), que é um endemismo do norte da península Ibérica e, no nosso país, se encontra sobretudo nos lameiros, prados e matos do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Apesar de serem espécies similares, que inclusivamente podem coexistir no mesmo habitat, distinguem-se porque a cornuda tem a extremidade do focinho mais proeminente (apêndice nasal típico da espécie e que lhe valeu o nome vulgar) e a cabeça mais triangular. Embora sejam relativamente pequenas, não indo muito além de meio metro de comprimento, são as únicas espécies potencialmente perigosas para o homem.
Luta pela sobrevivência
A pergunta que toda a gente quer fazer: “Afinal, para que servem esses bichos?” São responsáveis por exterminar um sem-número de insetos e de outros invertebrados prejudiciais, e ainda de pequenos mamíferos (como roedores e toupeiras), que poderiam facilmente tornar-se pragas agrícolas ou transmitir doen­ças. Além disso, servem de alimento a muitos outros animais, como aves e mamíferos, muitos deles raros ou em vias de extinção. Enfim, merecem o seu lugar na complexa teia da vida, uma vez que são indispensáveis ao equilíbrio dos ecossistemas, e prestam-nos impagáveis serviços de forma gratuita.
Alguns répteis vivem mesmo paredes-meias com os humanos, ocupando estábulos, celeiros, arrecadações, jardins, quintais e até mesmo habitações. Aproximam-se de nós à cata de comida, mas não para beberem o leite das mulheres: para caçarem os ratos que nos incomodam, como faz a cobra-rateira, ou os insetos nocivos, iguaria muito apreciada pelas osgas e sardaniscas.
Contudo, apesar dos inestimáveis serviços que nos prestam, a lista de fatores que põem diariamente em causa a sua sobrevivência é bastante vasta. Segundo o guia Anfíbios e Répteis de Portugal, “a alteração e a destruição dos habitats naturais é, sem dúvida, a principal ameaça para a herpetofauna portuguesa”. Aspetos como a crescente urbanização, os povoamentos florestais com espécies exóticas, as modificações no uso dos solos (através do abandono ou da introdução de explorações agrícolas e florestais intensivas), a alteração e destruição de zonas húmidas e da vegetação ribeirinha, a poluição e os incêndios sobressaem como as causas mais importantes da degradação, redução e fragmentação das populações herpetológicas. A estes, juntam-se ainda a mortalidade nas estradas (uma vez que os répteis as procuram regularmente para termorregulação), a perseguição humana (em resultado da crença infundada, mas generalizada, de que são demoníacos e perigosos) e as capturas (para animais de estimação, como cágados e camaleões, ou para ingredientes da medicina popular e amuletos da sorte, como acontece com as cabeças de víbora nas serras do Gerês e de Montemuro).
Para pôr cobro às ameaças que muitos répteis vivem na pele – literalmente –, impõe-se pôr em prática diversas medidas de conservação. O que poderá fazer o cidadão comum para ajudar na sua preservação? Nada! Se os ignorar e os deixar seguir a sua vida tranquilamente, já está a dar um contributo relevante. Além disso, poderá sempre colaborar para alterar a péssima imagem pública que os persegue. Como epílogo, poderíamos dizer “cobras e lagartos”, mas preferimos uma atitude mais pedagógica. Justificar-se-á, afinal, tanta animosidade?
J.N.

Mordeduras improváveis
As víboras e as cobras fazem tudo para evitar cruzar-se connosco, mas podem existir encontros inusitados, sobretudo durante a realização de atividades de ar livre. Embora o seu principal mecanismo de defesa seja a fuga, quando se sentem ameaçadas, podem tornar-se agressivas (emitem sons agudos, sopram e projetam a cabeça) e morder. Todavia, apenas quatro ofídios da fauna portuguesa possuem dentes inoculadores de veneno; os restantes consideram-se áglifos (sem dentes inoculadores de veneno), pelo que são totalmente inofensivos!
Entre os que têm capacidade de injetar veneno, encontram-se a cobra-rateira e a cobra-de-capuz. Embora sejam espécies venenosas, não podem considerar-se perigosas para o homem, dado que são opistóglifas, ou seja, os dentes venenosos situam-se na região posterior dos maxilares. Este facto (aliado ao reduzido tamanho da abertura bucal, especialmente na cobra-de-capuz) torna a inoculação de veneno pouco provável em caso de mordedura. Como espécies solenóglifas (com dentes inoculadores de veneno situados na região anterior dos maxilares superiores), eventualmente perigosas, restam a víbora-cornuda e a víbora-de-Seoane.
A perigosidade das mordeduras de víboras depende, no entanto, de vários fatores, como a quantidade de veneno injetado, o local da mordedura, a condição física da pessoa e a idade da vítima, entre outros. Os primeiros sintomas são geralmente uma dor súbita e intensa e a formação de edema. Entretanto, poderão surgir outros sinais e sintomas, como ansiedade, hipotensão, hipertermia, dores abdominais, náuseas, vómitos, diarreia e ocasionais alterações cardíacas. Os primeiros socorros devem ser a colocação da vítima em repouso, a imobilização da zona atingida, a lavagem imediata da ferida com água e a aplicação de gelo no local da mordedura, para acalmar a dor. Entretanto, deve contactar-se o centro de informação antivenenos (disponível 24 horas por dia, através do 112) e encaminhar a vítima para observação médica.
Como “mais vale prevenir do que remediar”, sobretudo em zonas rochosas e montanhosas, que constituem habitats favoritos das víboras, será aconselhável a utilização de calçado protetor e de calças grossas. Caso se cruze com alguma, afaste-se para uma distância segura e nunca tente capturá-la ou matá-la.

SUPER 167 - Março 2012