sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Norte-americana FDA prestes a aprovar comercialização de salmão transgénico


Peixe produzido pela Aquabounty cresce duas vezes mais rápido do que o normal

2012-12-26
Salmão trangénico e não trangénico com a mesma idade (créditos: AquaBounty)
Salmão trangénico e não trangénico com a mesma idade (créditos: AquaBounty)
A agência Food and Drug Administration (FDA), que regula e supervisiona a segurança alimentar e os medicamentos, afirmou que os salmões transgénicos, estão a ser produzidos pela empresa Aquabounty, é seguro como alimento e não causará grande impacto ambiental, abrindo assim a porta à aprovação do primeiro animal geneticamente modificado para consumo humano.
O salmão transgénico cresce duas vezes mais rápido do que o normal e os seus críticos já o baptizaram como “frankenpeixe” (alusão ao monstro de Frankenstein). Estes temem que o peixe possa causar alergias ou até dizimar a população natural de salmões se a variedade transgénica procriar na natureza. A FDA fará ainda uma consulta pública sobre o tema, mas especialistas acreditam que estas declaração foram o último passo antes da aprovação.
A empresa Aquabounty gastou mais de 67 milhões de dólares (aproximadamente 50 milhões de euros) para desenvolver este peixe, tendo igualmente desenvolvido medidas de protecção contra problemas ambientais. Uma delas é a criação de apenas fêmeas estéreis, ainda que uma pequena percentagem possa reproduzir-se, admitem.
Este salmão transgénico recebeu um gene da hormona de crescimento do salmão do Pacífico, que se mantém funcional o ano inteiro devido a outro gene de um peixe similar à enguia. A combinação permite que o salmão chegue ao peso ideal para venda em 18 meses em vez de três anos.
Ainda não se sabe se o público aprovará o peixe, mesmo dando a FDA o seu aval. Se o salmão entrar no mercado, os consumidores podem nem chegar a saber que estão a comprar peixe transgénico, já que o produto não será acompanhado de qualquer aviso, caso seja decido que possui as mesmas propriedades do convencional.
Fonte: Ciência hoje

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Estrela-do-mar


Descubra a anatomia destes animais marinhos carnívoros, pertencentes ao grupo dos equinodermes.
Braços – A maioria tem pelo menos cinco, mas algumas podem chegar aos 40. Se um braço for ferido ou amputado, nasce um novo – a regeneração pode demorar pelo menos um ano.
Madrepórito – Um orifício na parte de trás do corpo permite a entrada de água.
Ânus – A maioria da comida não digerida é regurgitada, mas os eventuais restos são expelidos pelo ânus.
Canal anelar – A água do mar que entra no corpo, pelo madrepórito, é filtrada e espalha-se do canal anelar para o radial, antes de passar para os pés ambulacrários. 
Gónada – Aqui são produzidas as células sexuais (óvulos e espermatozóides). Os gâmetas são depois libertados na água para fertilização, através de um orifício na parte de trás da estrela-do-mar.
Ampola – A estrela-do-mar não tem sangue; o que flui pelos seus braços é água do mar filtrada. Quando a ampola se contrai, a água é encaminhada para os pés ambulacrários, dilatando-os. Quando a ampola se dilata, os pés retraem-se, permitindo que a estrela-do-mar se desloque e se fixe.
Pele – A estrela-do-mar não tem cabeça nem cérebro; em vez disso, usa células dérmicas sensitivas para detectar cheiros e químicos de alimentos, e manchas ocelares na ponta de cada braço para detectar luz. Estas células impressionantes enviam sinais através de um sistema nervoso.
Pés ambulacrários – Um sistema interno de minúsculos tubos flexíveis prolonga-se para o exterior do corpo. Na ponta de cada tubo há uma ventosa, conhecida como pé ambulacrário, que a estrela-do-mar usa para trepar rochas e se endireitar quando fica ao contrário. Por serem tantos, estes pés são muito poderosos e até ajudam o animal a abrir conchas.
Estômago – Algumas estrelas-do-mar têm ventosas nos braços, que lhes permitem abrir conchas de amêijoas e outros invertebrados. Depois, empurram as membranas flexíveis do seu estômago, através da boca, para dentro da concha. Enzimas digestivas são segregadas, permitindo a absorção do alimento. As que não possuem ventosas, engolem as presas inteiras e cospem o que não conseguem ingerir.
Ceco/ducto pilórico – Aqui são produzidos os sucos digestivos e armazenada a comida digerida.
Fonte: quero saber Novembro 2010

domingo, 16 de dezembro de 2012

Extremófilos- E o campeão é…


Os microscópicos tardígrados são os seres mais adaptáveis
O título de campeão da resistência devia ser atribuído aos tardígrados, una diminutos invertebrados muito abundantes no nosso planeta. Até agora, já foram encontradas cerca de mil espécies, as quais ocupam regiões tão díspares como os Himalaias, as zonas equatoriais e árcticas ou os oceanos, onde chegam a viver a 4000 metros de profundidade. O tamanho de um exemplar adulto varia entre 1,5mm, nas formas maiores, e 0,1mm, nas mais pequenas. Embora sejam transparentes, podem apresentar diferentes tonalidades em função da sua alimentação, que inclui rotíferos, bactérias, nematodes e algas, cujos fluidos celulares conseguem absorver.
Os tardígrados têm especial predilecção pelos ambientes aquosos. Todavia, quando as condições ambientais se alteram e se tornam desfavoráveis, entram num estado latente designado por “cripto biose”: suspendem todas as funções metabólicas, enrolam-se e esperam que as coisas melhorem. Algumas espécies podem permanecer em estado desidratado, como se fossem múmias, durante quase uma década; para isso, sintetizam um açúcar não redutor denominado “trealose”, que protege as membranas celulares. Além disso, detêm os seguintes recordes entre os animais:
Calor e frio – podem sobreviver alguns minutos a 150°C. Toleram igualmente uma breve congelação a temperaturas de até -272°C, próxima do zero absoluto.
Radiação – Suportam elevadas doses de raios X e raios gama, fatais para outras formas de vida. Sobrevivem também no vácuo do espaço, sob a radiação solar, durante 10 dias, como provam dois projectos científicos levados a cabo, em Setembro de 2007, na sonda Foton-M3 da ESA, que voou a uma altitude entre 250 e 290 quilómetros. Tinham agora ida e volta marcada para Marte, na sonda russa Phobos-Grunt, que afinal não conseguiu abandonar a órbita terrestre.
Pressão – suportam até 1200 vezes a pressão atmosférica á superfície do mar.
Super 164 – Dezembro 2011

Numa floresta do Panamá, há 25 mil espécies de artrópodes


Trabalho inédito avaliou a biodiversidade numa dada área de floresta tropical à procura de escaravelhos, abelhas, formigas e outros artrópodes.
O escaravelho Megasoma elephas vive no solo, por baixo da folhagem, na floresta de San Lorenzo CORTESIA DE THOMAS MARTIN, JEAN-PHILIPPE SOBCZAK E HENDRIK DIETZ
Ao contrário dos mamíferos, dos répteis ou das aves, o número de espécies de artrópodes que vivem nas florestas tropicais é uma grande incógnita. Os biólogos diziam que eram muito mais do que as que existem nas florestas temperadas e têm sido feitas várias estimativas. Mas nunca, até agora, se tinha realizado uma amostragem intensiva numa floresta tropical das espécies deste grupo animal.
Um consórcio de cientistas foi para uma floresta de Panamá, à procura de artrópodes de todos o tipo. Recolheu em dois anos 129.494 exemplares de 6144 espécies diferentes e estimou que, nos 6000 hectares dessa floresta, existiam 25 mil artrópodes, segundo relatou a equipa nesta sexta-feira na revista Science.
O trabalho de campo, em 2003 e 2004, foi na floresta de San Lorenzo. Os 102 cientistas envolvidos no estudo, liderados por Yves Basset, coordenador da Iniciativa Artrópode do Instituto Smithsonian de Investigação Tropical do Panamá, passaram os oito anos seguintes a analisar os exemplares recolhidos e a catalogar as suas espécies. Esta informação serviu ainda para analisar a biodiversidade da floresta.
“Desenvolvemos vários tipos de métodos para recolher diferentes subtipos de artrópodes que poderíamos encontrar na floresta”, explicou Basset em declarações num podcast da Science. “Aplicámos estes métodos desde o solo até à parte superior das copas florestais.”
Ao todo, usaram 14 métodos diferentes em cada sítio de amostragem no Panamá. Puseram técnicos a subir às árvores, foram à procura de nichos ecológicos, utilizaram balões de ar para alcançar os estratos mais altos da copa das árvores. Tentaram apanhar borboletas, moscas, escaravelhos, abelhas, formigas, insectos herbívoros, carnívoros, parasitas. Repetiram esta amostragem em mais 12 locais, em várias épocas do ano para ter a certeza de que apanhavam as várias fases de metamorfose das espécies.
A equipa utilizou depois modelos de biodiversidade para extrapolar o número de espécies que existem naquela floresta. Estimaram que há ali 25 mil espécies de artrópodes. O número de espécies novas para a ciência ainda não foi revelado, mas, segundo a estimativa da equipa, em grupos como os dos escaravelhos as espécies novas podem chegar aos 60 a 70%.
A equipa concluiu ainda que cerca de 60% desta biodiversidade pode ser encontrada em apenas um quilómetro quadrado de floresta, o que facilita este tipo de investigação noutros locais do mundo. Além disso, há uma relação estreita entre o número de artrópodes e de outros grupos de seres vivos: por cada espécie de planta vascular, ave ou mamífero existe respectivamente 20, 83 e 312 espécies de artrópodes.
Estas relações ecológicas podem ajudar a determinar o número de espécies noutras florestas tropicais. “As 25 mil espécies estimadas indicam que há um grande número de genes de artrópodes. A tragédia é que estas florestas tropicais estão a desparecer muito rapidamente, por isso podemos perder todos estes genes antes de sabermos o que fazer com eles e se podem ser úteis à humanidade”, defende Yves Basset numa entrevista aos jornalistas proporcionada pela Science.
Fonte: Público.pt

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Extremófilos – Testar os limites


Inúmeras criaturas terrestres, por se sentirem mais seguras ou sem competição, escolheram os ambientes mais extremos do planeta para viver, das águas em ebulição ao gelo glacial.
Os seres humanos sentem predilecção por determinados ambientes naturais. Gordon Orians, um conhecido ecologista da Universidade de Washington, descreveu deste modo o cenário onde a maior parte das pessoas gostaria de construir uma casa: num lugar elevado, próximo de um lago ou do mar, rodeado por um terreno semelhante a um parque. Grande parte do nosso planeta não é assim tão idílico; apesar disso múltiplos organismos conseguem povoar meios bastante adversos, muito distantes do nosso conceito de bem-estar.
Situadas nas cristas oceânicas, a mais de 2 quilómetros de profundidade e perto de zonas vulcânicas activas, as chaminés hidrotermais constituem um dos mais estranhos ambientes marinhos. Emanam compostos tóxicos, como ácido sulfúrico, a temperaturas que rondam os 400 °C. Nestes sinistros locais, onde reina a obscuridade e a pressão poderia esmagar um elefante, mora um dos animais mais resistentes ao calor, o verme poliqueta Alvinella pompejana. No interior dos túneis próximos das chaminés que habita, a extremidade da sua cauda suporta até 80 °C. Entretanto, a cabeça, que sobressai do tubo que a abriga, encontra-se a 22 °C. O segredo para a espantosa artimanha poderá residir na miríade de bactérias que revestem a parte dorsal do verme, com as quais mantém uma simbiótica e transcendente união. Esses microorganismos sintetizam, aparentemente, proteínas que funcionam como isolador térmico.
Formigas oportunistas. Arma térmica. As formigas Cataglyphis bicolor esperam que as altas temperaturas deixem as presas fora de combate e depois atacam-nas. [foto]
Alguns enclaves da superfície terrestre podem revelar-se igualmente insuportáveis. O meio-dia no deserto do Sahara parece a antecâmara do inferno. A fauna procura resguardar-se, mas, frequentemente, o calor torna-se letal para muitos insectos que não conseguiram encontrar abrigo. É precisamente a oportunidade aguardada pelas formigas do género Cataglyphis, que enchem a despensa com os cadáveres espalhados pela areia. Algumas espécies como a C. bicolor e a C. bombycina, podem resistir a temperaturas superiores a 50 °C. Esta proeza torna-se possível porque as formigas, antes de deixarem o ninho, produzem uma elevada concentração de um tipo de proteínas que protegem o insecto do choque térmico e evitam que outros prótidos e as membranas celulares sejam afectados. Através deste sistema interno de antecipação, as Cataglyphis sobrevivem ao calor extremo durante um breve lapso de tempo. Além disso, nos seus trajectos, procuram que apenas 4 das 6 patas entrem em contacto com o chão.
Frescos. Os vermes de pompeia, que chegam a atingir 13cm de comprimento habitam estruturas submarinas banhadas de gases nocivos e a temperaturas de 80°C. [foto]
Porém, o nosso mundo é um lugar maioritariamente frio; mais de 80% dos habitantes encontram-se a menos de 5 °C. Abaixo dessa temperatura, as enzimas, os catalisadores biológicos que tornam possível toda a química da vida começam a trabalhar muito devagar, o que torna mais lentos os processos metabólicos. A situação é pior quando a temperatura desce aos 0 °C ou menos, isto é, quando a água começa a transformar-se em gelo. Dado que os seres vivos contêm uma grande quantidade do líquido no corpo, qualquer organismo que não esteja protegido corre o risco de congelar e morrer quando as temperaturas descem abaixo desse limite, pois a formação de gelo no interior dos tecidos altera profundamente o seu funcionamento e pode mesmo causar danos nas estruturas celulares. Só para radicais. A milhares de metros de profundidade, as fontes hidrotermais sustentam um ecossistema formado por bactérias, vermes, anémonas e crustáceos, que partilham um ambiente tóxico, sem luz e que chega a atingir uma enorme pressão. 
Nem vestígio de água
Apesar de tudo, há animais que conseguem habitar lugares ultragélidos; de facto, durante o Inverno, alguns congelam de forma controlada para evitar que a perda de água nas células seja excessiva quando se forma gelo em seu redor. Para isso, sintetizam elevados níveis de substâncias crioprotetoras: açúcares ou glicóis que controlam a diminuição da água celular. Durante o processo, os órgãos vitais não podem gelar: encontram-se protegidos por entes proteicos que impedem, fundamentalmente, o aparecimento de micro agulhas de gelo. Recorrem a esse mecanismo crioprotetor alguns répteis e anfíbios, como a rã-dos-bosques (Rana sylvatica), a pequena rã-arbórea-cinzenta (Hyla versicolor) e a tartaruga-pintada (Chrisemis picta), que conseguem sobreviver a uma temperatura de 3°C negativos nos gélidos invernos da américa do Norte.
Os insectos também são difíceis de roer e alguns suportam bem o frio. Por exemplo, a barata-alpina da Nova Zelândia (Celatoblatta quinquemaculata) pode mesmo aguentar temperaturas de -10°C, quando 75% do seu corpo se torna practicamente um bloco de gelo. O lepidóptero Gynaephora groenlandica, da ilha de Ellesmere, no Canadá, constitui um exemplo extremo dessa aptidão, pois passa 90% da sua existência como se fosse um frango congelado, a -70°C. Possui apenas um período de actividade no mês de Junho, pausa que aproveita para se alimentar.
Não há dúvida que a água é um dos recursos mais valiosos. A nossa civilização não poderia subsistir sem o elemento líquido e constitui, de igual modo, um bem inegociável para os restantes seres vivos. As células necessitam de água como meio tanto para as reacções químicas fundamentais como para manter intactas as suas membranas. O que acontece, porém, quando se torna escassa?
Em épocas de seca, a robusta rã-touro africana (Pyxicephalus adspersus), que chega a pesar dois quilos, opta por escavar um buraco e esperar por tempos melhores. [foto]
Ali permanece, em estado letárgico, até chegarem as chuvas, envolta numa substância mucilaginosa que segrega e a protege da desidratação. Uma táctica semelhante é adoptada pelo peixe pulmonado africano Protopterus dolloi, que se afunda no lodo durante o estio. Sobrevive encapsulado num molde de mucosidade desidratada e com o metabolismo 60 vezes mais lento.
Uma amêijoa invejável
Os organismos podem adaptar-se às condições mais extremas, mas nenhum escapa ao destino final, a morte. Porém, numa tentativa para adiar o inevitável, alguns animais exibem uma surpreendente longevidade. O matusalém mais idoso que se conhece é um humilde molusco denominado amêijoa-da-islândia, Árctica islandica. Um exemplar encontrado em águas próximas da costa setentrional do país que lhe dá nome ultrapassava os 400 anos. Os investigadores da Faculdade de Ciências Oceânicas da Universidade de Bangor (Reino Unido) que descobriram a amêijoa calcularam a sua idade com base nas linhas de crescimento das valvas, mais ou menos como um especialista em dendrocronologia faria com os anéis de uma árvore. Alguns estudos indicam que a sua quase imperceptível senescência se deve a uma complexa combinação de antioxidantes químicos que o metabolismo do molusco segrega. Nesta competição com a morte biológica, as bactérias parecem ser os organismos mais afortunados. Espécimes extraídos do permafrost próximo do rio siberiano Khomus-yuryakh mantinham-se vivos passados 500 mil anos, devido a um metabolismo híper-lento e a uma capacidade excepcional para reparar o seu ADN. Parece difícil de ultrapassar, mas no entanto, essa aptidão pode ser comparada com a do hidrozoário Turritopsis nutricola. Na etapa adulta solitária e sexualmente madura, esta alforreca pode reverter a um estado de pólipo colonial e reiniciar o seu ciclo vital. Ao fim de algum tempo desenvolve-se outra alforreca. Em teoria, consegue reproduzir o processo indefinidamente, o que a transforma em imortal, desde que não se atravesse no caminho de um predador nem seja vítima de doença. No outro lado da balança, encontramos organismos que têm uma existência muito breve e são obrigados a deixar descendência antes da sua iminente partida. É o caso de alguns insectos efemerópteros, que perduram poucos dias na fase adulta. Com efeito, não costumam viver mais de 48 horas, e a maior parte não possui elementos funcionais na boca, pois nem sequer terá necessidade de se alimentar. Dois dias de sobrevivência como adulto parece uma forma extrema de existência, mas é muito tempo quando se compara com a brevidade existencial da fêmea da mosca-de-maio, Dolania americana. A fêmea vive menos de 5 minutos e, nesse curto suspiro, tem de escolher um parceiro masculino, acasalar e por ovos, a fim de assegurar a futura prole. A vida é um conquistador incansável perante as condições ambientais mais adversas. Quando se trata de sobreviver, recorre a múltiplas e insólitas estratégias. Em certas ocasiões, diferentes organismos desenvolvem entre si sofisticadas relações simbióticas. Noutros casos, as criaturas dispõem de uma panóplia bioquímica no seu metabolismo que a ajuda a ultrapassar situações que seriam fatais para os seres humanos. Algumas chegam desafiar a morte com a sua dinâmica vital. Muitos organismos exibem inventos naturais que lhe permitem refrigerar-se ou aquecer-se, suportar pressões extremas e, no caso de certos microrganismos, enfrentar as radiações e o vácuo do espaço exterior. Contribuem todos para atribuir um significado mais vasto ao que é geralmente entendido por “ser vivo”.
Super 164 – Dezembro 2011

Nova espécie de primata descoberta na ilha do Bornéu


N. kayan


A 'Nycticebus kayan' é totalmente nova para a ciência

2012-12-14

N. kayan
A equipa de cientistas que está a estudar oNycticebus (de primata da família Lorisidae) nas selvas de Bornéu encontrou uma espécie até agora desconhecida. A análise das suas marcas faciais e do pelo está já publicada no«American Journal of Primatology». Duas outras espécies, consideradas, antes, subespécies do Nycticebus, foram também reconhecidas como espécies distintas.
Os avanços tecnológicos têm melhorado o nosso conhecimento acerca da diversidade dos mamíferos nocturnos”, diz Rachel Munds, da Universidade de Missouri Columbia. Historicamente, muitas espécies não eram reconhecidas pois confundiam-se com outras, sendo catalogadas erroneamente.

Nos últimos 25 anos, o número de espécies de primatas duplicou; no entanto, as espécies nocturnas continuaram escondidas da ciência. O Nycticebus (também conhecido como lóris lento) é um género de primata próximo do lémur. Encontra-se no sudeste asiático e tem uma característica rara entre os primatas: a sua mordidela é tóxica. Na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais o seu estado é tido como 'vulnerável' ou 'em perigo'.

Os lóris lentos podem ser reconhecidos pela coloração única do pelo do corpo e do focinho. Os padrões do pelo são muitas vezes utilizados para fazer a distinção entre espécies. As espécies nocturnas têm uma coloração mais enigmática e menos diferenças externas óbvias.
A equipa de investigação focou-se nas cores distintivas do lóris lento, cujo focinho tem a aparência de uma máscara, com os olhos cobertos por manchas e a cabeça com várias formas de chapéu. As diferenças entre essas marcas resultaram no reconhecimento de quatro espécies: a já conhecida N. menagensis, a N. bancanus e a N. borneanus (antes consideradas sub-espécies da primeira) e N. kayan, nova para a ciência.
O estudo sugere que haverá ainda mais diversidade para descobrir nas selvas do Bornéu e nas ilhas próximas. No entanto, muito deste território está ameaçado pela actividade humana, o que levanta muitas questões acerca da preservação destas espécies.
Fonte: Ciência hoje