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Considerado um exemplo raro daquilo que pode
ser o desenvolvimento sustentável num espaço moderno, o Jardim Botânico da
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro tem o condão de aliar a natureza
no seu estado mais puro com a comunidade académica que por lá se passeia.
Variedades de fruteiras, domésticas e
silvestres, plantas aromáticas e medicinais, plantas de cobertura e vinhas
fazem parte das coleções temáticas que habitam este espaço. As ericáceas, as
fagáceas, as mediterrânicas calcícolas e silicícolas, as plantas arcaicas e
resinosas adensam a beleza deste lugar ornamentado.
O reconhecimento internacional chegou por
altura do 1.º Simpósio da Associação Ibero-Macaronésica de Jardins Botânicos,
em 27 de Maio de 1988. António Crespí é professor da academia transmontana e,
atualmente, membro da comissão científica que dirige o jardim. A
possibilidade de usar este espaço como laboratório ao ar livre acaba por ser
uma dádiva. “Existe uma ligação íntima entre o Jardim Botânico e a docência.
Todo este espaço é uma enorme sala de aulas em constante movimento e
evolução”, refere.
Coleção em expansão
No
Jardim Botânico, há agora cerca de 800 espécies vivas e catalogadas,
oriundas, na sua maioria, da bacia mediterrânica e da metade oeste da
península Ibérica. O número tende a aumentar, pois sempre que há expedições a
outras regiões ou países são trazidos novos frutos, sementes e estacas para
enriquecer o espólio. Partilhando deste espírito, houve até um aluno que,
numa visita ao campo de concentração nazi de Auschwitz, recolheu sementes deQuercus petrae, que com
pouco mais de um ano de vida foram cedidas à UTAD.
Para além desta herança botânica viva,
existem ainda as espécies protegidas e catalogadas no herbário. “No banco de
germoplasma, estão já cerca de 25 mil espécies secas, mas com o seu ADN
completamente preservado. Estas espécies provêm do mundo inteiro, dos dois
hemisférios e de todos os continentes”, esclarece o professor.
Neste
santuário de biodiversidade cuidado em permanência por seis jardineiros,
vivem também algumas espécies protegidas. Segundo Crespí, serão cerca de uma
dúzia aquelas que recebem dos técnicos do jardim botânico uma especial
atenção. Entre elas, contam-se a Digitalis purpurea subsp. amandiana,
a Ononis viscosa subsp. pedroi e a Paradisea
lusitanica. Esta última é considerada um “endemismo muito
localizado na península Ibérica, uma preciosidade extremamente invulgar”. A
espécie protegida mais visível é o azevinho, um arbusto que se vê em
abundância na época do Natal, mas que se encontra seriamente ameaçado em
Portugal.
Graças às excelentes condições de habitat que o jardim oferece,
ao nível da busca de alimento, podem também ser ali observados alguns animais
que, à partida, seriam pouco expectáveis. Já foram identificados sinais da
presença de animais de maior porte, como javalis ou raposas, mas o mais
habitual é que toupeiras, aves de todo o tipo e alguns esquilos surpreendam,
por vezes, um professor, um aluno ou um visitante mais atento.
D.F.
SUPER
163 - Novembro 2011
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terça-feira, 6 de novembro de 2012
Santuário atrás dos montes
O Ano do Morcego
Os senhores da noite
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Injustamente mal-amados
o biólogo Jorge Nunes penetra no mundo destes animais noturnos e mostra como é infundada a antipatia que nutrimos por eles.
Ao
cair da noite, as aves começaram a abandonar os céus. No seu lugar, surgiram
esquivas sombras fantasmagóricas, que andavam atrás dos insetos, atraídos
pela intensa luminosidade dos lampiões. Os transeuntes, que se passeavam
vagarosamente pelas ruas aproveitando a brisa fresca do crepúsculo, nem davam
pela sua presença. Porém, num dos recantos do Jardim da Cordoaria, aos pés da
Torre dos Clérigos, encontrava-se um invulgar ajuntamento de pessoas com os
olhos postos no céu. Enquanto os turistas empanturravam os cartões de memória
das máquinas fotográficas com a beleza do monumento (ex-libris da cidade invicta), que
sobressaía do casario banhado pela luz dourada e mágica do entardecer, os
jovens e adultos daquele estranho grupo prestavam mais atenção às criaturas
voadoras.
Do
amontoado de pessoas, destacava-se uma enérgica figura feminina, com estatura
mediana, cabelo grisalho e olhos sorridentes que brilhavam como faróis.
Falava com entusiasmo sobre os extraordinários quirópteros (grupo taxonómico
no qual se incluem os morcegos, do grego kheir, “mão”, e pteron,
“asa”) que as sobrevoavam. Enlevada pela atenção que todos pareciam dar ao
tema, ia desfiando curiosidades, umas atrás das outras: desde o modo peculiar
como localizam as presas até à forma como hibernam, dão à luz e amamentam as
crias, nuas e cegas, em abrigos subterrâneos. Os mitos e medos infundados não
foram esquecidos, bem como a enorme importância ecológica e os perigos e
ameaças a que têm estado sujeitos. Os olhos curiosos da assistência bailavam
entre o discurso e a linguagem corporal contagiante da oradora e os voos
rasantes dos morcegos que iam desaparecendo levados pelo breu da noite.
Luzia Sousa, do Museu de História Natural da
Faculdade de Ciências do Porto, sabia bem do que falava. Afinal, há muito que
se tornou embaixadora dos morcegos. Através de incontáveis ações de
esclarecimento e educação ambiental, não se tem poupado a esforços para os
dar a conhecer aos cidadãos e, em particular, ao público escolar. Está
plenamente convicta de que a sua conservação terá de passar pela
consciencialização das pessoas: “Como conseguiremos defender aquilo que não
conhecemos?”, interroga-se. “De modo algum nos poderemos dar ao luxo de
proteger apenas as espécies ‘queridas’, apenas as que nos cativam com o seu
aspeto ‘fofinho’ ”, conclui. Pela forma entusiasmada como todos reagiram
àquelas palavras, percebeu-se que tinha atingido os seus objetivos; acabava
de cativar mais umas quantas almas para a sua causa nobre: divulgar e
proteger os morcegos.
O
exemplo de Luzia Sousa, felizmente, não é caso único em Portugal. Se
tivéssemos percorrido os cerca de seiscentos quilómetros que separam o Douro
Litoral do Algarve, teríamos vivido, alguns dias mais tarde, uma experiência
muito similar junto às muralhas de Lagos. António Valadares, coordenador do
Centro Ciência Viva local, conta como foram entusiasmantes as noites dos
morcegos por terras algarvias. Mesmo quando não foi possível observá-los, um
conversor de ultrassons em sons audíveis permitiu ouvi-los e até distinguir
as espécies. O mais interessante, salienta, “é mostrar às pessoas [aproximadamente
35 em cada sessão] que
os morcegos são bichos muito úteis e que coexistem connosco, mesmo no
interior das grandes cidades”.
Ao
passar os olhos pela edição 2011 do projeto Ciência Viva no Verão (http://www.cienciaviva.pt), descobrimos que se realizaram muitas
outras iniciativas (32 em todo o país) relacionadas com a observação, a
audição e a divulgação dos quirópteros portugueses. Em Lisboa, estiveram a
cargo da Liga para a Proteção da Natureza e do CIBIO – Centro de Investigação
em Biodiversidade e Recursos Genéticos; em Santarém, decorreram no Parque
Natural da Serra de Aire e Candeeiros; em Tomar, foram promovidas pela
Quercus; no Porto, tiveram o acolhimento do FAPAS – Fundo para a Proteção dos
Animais Selvagens; em Bragança, foram dinamizadas pelo Centro Ciência Viva.
Contudo, mesmo fora das atividades de verão promovidas pela Agência Nacional
para a Cultura Científica e Tecnológica, muitas outras ações poderiam aqui
ser referenciadas. Falar de morcegos parece estar na moda.
O
Ano do Morcego
O crescente interesse pelos morcegos a que
temos vindo a assistir nos últimos anos poderá encontrar justificação,
segundo o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), no
facto de estes animais terem sido, “até recentemente, quase completamente
ignorados pelas instituições de todo o Mundo”, sobretudo, devido aos poucos
conhecimentos disponíveis sobre a sua biologia e ecologia, a que se juntou
uma má imagem pública. No entanto “a óbvia regressão das populações de muitas
espécies e a consciencialização de que muitas delas estão entre os animais
mais ameaçados” levaram a que, nos últimos anos, “os morcegos começassem a
ocupar lugares de destaque nas prioridades de intervenção de muitas
instituições de conservação”.
Depois
de 2001 ter sido estabelecido como o Ano Internacional dos Morcegos, com o
objetivo de contribuir para o reconhecimento da importância destes animais
por parte da população mundial, de forma a contrariar a sua tendência de
extinção, dez anos volvidos, comemora-se, em 2011/2012, o Ano do Morcego (http://www.wix.com/anodomorcego/icnb). Trata-se de uma campanha
lançada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pelo Acordo
para a Conservação das Populações Europeias de Morcegos (Eurobats) e visa,
mais uma vez, divulgar a importância dos morcegos e da sua conservação.
O Eurobats chegou a Portugal em 1995,
através de um decreto-lei realizado à luz da Convenção sobre a Conservação
das Espécies Migradoras Pertencentes à Fauna Selvagem (Convenção de Bona). As
principais linhas de ação, que têm vindo a ser tomadas pelo ICNB, em
colaboração com a Faculdade de Ciências de Lisboa, passam pela proibição da
captura deliberada, do aprisionamento e da morte de morcegos, pela
identificação dos locais importantes para o estatuto de conservação destes
animais, pela conservação dos seus principais habitats, pelo desenvolvimento
de programas de investigação e pela tomada de medidas para promover a
proteção das espécies e consciencializar o público.
Definitivamente,
os morcegos não nasceram para se deslocar em terra, onde são bastante
desajeitados e lentos. Entre o grupo dos mamíferos, apenas eles conseguiram
adaptar-se com êxito ao meio aéreo. Uma proeza que, segundo os restos
fossilizados mais antigos do mundo descobertos até agora, terá começado no
Eoceno Superior, há cerca de 52 milhões de anos. Os cientistas que os
estudaram concluíram que as asas bem desenvolvidas dessa espécie primitiva (Onychonycteris finneyi)
são uma forte evidência da sua apetência para o voo.
A origem filogenética e geográfica dos
morcegos permanece, no entanto, desconhecida. Não faltam hipóteses, mas são
poucas as certezas. Embora se diga muitas vezes que os morcegos são “ratos
com asas”, as evidências fósseis parecem afastar a hipótese de que tenham
evoluído a partir dos roedores. Os estudos mais recentes apontam para que o
seu ancestral evolutivo tenha sido um mamífero insetívoro, de pequeno porte e
hábitos noturnos, parecido com os musaranhos e as toupeiras atuais.
Qualquer que tenha sido a verdadeira origem
destes bichos, uma coisa é certa: nasceram para voar. Os seus membros
anteriores (que correspondem a mãos e braços modificados), transformados em
asas, são a caraterística mais visível da locomoção no ar. Os especialistas
alertam, contudo, que essas asas são muito diferentes das dos insetos (que
terão começado a voar há 300 milhões de anos), dos extintos répteis voadores
(os pterossauros que dominaram os céus há 200 M.a.) ou até mesmo das aves
(que só se tornaram voadoras há 150 M.a.). Constata-se, assim, que o voo de
todos estes distintos animais terá surgido por evolução convergente, isto é,
através de estruturas anatómicas diferentes que acabaram por possibilitar a
mesma função. Curiosamente, embora tenham funções diferentes, as asas dos
morcegos e os braços humanos são estruturas homólogas, isto porque têm a
mesma origem embriológica e ambas possuem os mesmos ossos (úmero, rádio,
cúbito, carpo, metacarpo e falanges), denotando assim uma ancestralidade
comum.
As asas dos morcegos, que lhes dão
sustentação no ar, são rígidas, leves e impermeáveis, e correspondem a uma
expansão cutânea, conhecida como “membrana alar” ou “patágio” (camada dupla
de pele, desprovida de pelagem protetora, na qual existem fibras elásticas e
musculares e vasos sanguíneos). Esta é suportada pelos quatro dedos longos da
mão (o primeiro dedo corresponde a um polegar curto que se distingue dos
restantes por possuir uma garra), que funcionam como as varetas de um
guarda-chuva, estendendo-se até às patas traseiras e à coluna vertebral.
Localizada entre os membros posteriores (prendendo geralmente a cauda), e
funcionando como leme durante o voo, existe ainda a membrana caudal ou
uropatágio. Outras caraterísticas que os tornam ligeiros e aerodinâmicos são
o esterno com quilha, à semelhança das aves, os músculos peitorais fortes
inseridos no esterno e nos braços e os ossos compactos e leves.
Ainda
que tenham facilidade em se locomover no ar, a maioria dos morcegos faz
apenas curtas deslocações noturnas para procurar alimento (todas as espécies
europeias são insetívoras). Há noites, no entanto, em que chegam a percorrer
áreas com pelo menos 15 quilómetros de raio, desde os abrigos até aos
territórios de caça. Porém, as grandes viagens acontecem normalmente durante
as migrações, quando se mudam dos abrigos de criação para os de hibernação e
vice-versa. Através de anilhagem, foi possível descobrir que algumas espécies
são viajantes de longo curso: o morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii)
pode percorrer cerca de 400 quilómetros e o morcego-arborícola-grande (Nyctalus noctula) chega
a atingir os 960 km, sendo o morcego-anão (Pipistrellus
pipistrellus) o recordista absoluto: um exemplar anilhado na
Rússia apareceu são e salvo na Bulgária, depois de percorrer 1150 km.
Ver
com os ouvidos
A aptidão única de locomoção no ar ofereceu
aos morcegos um admirável mundo novo, onde a competição com os outros
mamíferos (todos terrestres ou aquáticos) era inexistente. Os seus hábitos
noturnos, porém, levantaram problemas de orientação. Embora tenham olhos e
possuam uma visão bem desenvolvida (com uma retina repleta de bastonetes,
células sensíveis à baixa intensidade luminosa, que torna descabida a
expressão popular “cego como um morcego”), isso de pouco lhes vale na
escuridão da noite e dos abrigos subterrâneos onde muitas vezes se escondem.
O fenómeno batizado com o nome de
“ecolocação” foi a solução encontrada por estes mamíferos, milhões de anos
antes de o homem ter imaginado o sonar e o radar, para superar as limitações
visuais no ambiente noturno. Através de adaptações morfológicas e sensoriais,
que foram sendo positivamente valorizadas pela seleção natural, os morcegos
desenvolveram um apurado sistema de ecolocalização (utilizado também por
outros organismos, como os cetáceos e algumas aves). Este consiste na emissão
de sons de alta frequência – na gama dos ultrassons (com frequência superior
a 20 kHz), portanto não audíveis pelo ser humano – e na análise dos ecos
recebidos do meio pelos seus ouvidos altamente sensíveis. A receção dos
ultrassons faz-se através de pequenos pêlos no interior dos ouvidos, cujo
desempenho é determinado por uma proteína, a prestina, codificada por um gene
com o mesmo nome. Curiosamente, segundo estudos publicados há pouco, a
evolução da capacidade de ecolocação nos golfinhos e morcegos parece ter
seguido caminhos evolutivos paralelos, através das mesmas mutações sobre o
gene da prestina.
Quando se propagam no espaço, os sons são
intercetados e refletidos (na forma de eco) por todos os obstáculos
(vegetação, rochedos e construções) da área envolvente e pelas potenciais
presas (insetos), sendo por isso recebidos de volta com caraterísticas um
pouco diferentes do ultrassom emitido. É com base nestas pequenas diferenças
que os morcegos conseguem perceber – através de especializações nos centros
auditivos do cérebro, que lhes permitem uma correta interpretação dos dados
provenientes do biossonar – a forma e a distância a que estão dos objetos e
se estes estão parados ou em movimento. Deste modo, orientam-se e detetam as
presas na escuridão mediante a receção e análise do eco dos ultrassons que
eles próprios emitem. Esta capacidade de criar “imagens auditivas” é uma
espécie de “sexto sentido”. Pode dizer-se que os morcegos veem com os
ouvidos!
As vocalizações dos quirópteros (que em
determinadas circunstâncias podem ser audíveis aos ouvidos humanos), contudo,
não servem apenas para orientação espacial e captura de presas: também são
usadas para a comunicação e a socialização intraespecífica (que inclui sinais
acústicos, olfativos e táteis). Além disso, como as propriedades físicas
(frequência, duração e intervalo, etc.) dos ultrassons emitidos variam
conforme as espécies, é possível usá-los para identificá-las. Esta é, aliás,
a técnica mais utilizada para identificar e estudar estes discretos animais,
que raramente são vistos, mas podem ser escutados com alguma facilidade,
desde que se possua equipamento adequado.
O voo dos morcegos é uma atividade
exclusivamente noturna ou crepuscular. Quando surge a luz, regressam a casa,
para se ocultarem dos inúmeros predadores diurnos que facilmente os
capturariam. Como não constroem os seus próprios ninhos ou refúgios,
recorrem a abrigos naturais ou edificados pelo homem: fendas estreitas em
rochedos, muros e pontes, telhados de igrejas e casas, habitações devolutas,
cavidades nos troncos de árvores e, principalmente, grutas ou minas
abandonadas (metade dos morcegos portugueses são espécies cavernícolas).
Quando pousam, fixam-se às superfícies
através das garras que possuem nos membros posteriores, mantendo uma posição
bastante incomum, de cabeça para baixo. Curiosamente, a adoção da suspensão e
da posição invertida não implica qualquer esforço muscular, graças a um
mecanismo automático de encurvamento das garras.
Os investigadores aventam duas explicações
para tão estranha forma de repouso: por um lado, ficam fora do alcance de
possíveis predadores, que dificilmente se conseguirão deslocar em superfícies
suspensas; por outro, sobretudo no caso dos morcegos que habitam em cavernas,
economizam uma enorme quantidade de espaço, podendo reunir grande número de
indivíduos em sítios exíguos.
Quando o frio aperta e os insetos
escasseiam, o que costuma acontecer a partir do final do outono, os morcegos
são obrigados a hibernar. Entram assim numa letargia forçada, permanecendo
imóveis (com as asas a cobrir o corpo como casacos naturais), reduzindo ao
mínimo o seu metabolismo e os gastos energéticos e consumindo lentamente as
reservas de gordura acumuladas durante os meses quentes. Se a hibernação for
frequentemente interrompida (por exemplo, pelas atividades humanas), as
reservas energéticas serão mais rapidamente consumidas, podendo não ser
suficientes para assegurar a sobrevivência até à primavera seguinte. Quando
isto acontece, os animais morrem.
Fecundação
retardada
Além dos abrigos de hibernação (geralmente,
grutas e minas), que são por norma usados por um elevado número de indivíduos
em letargia, os morcegos possuem ainda abrigos de criação, que são ocupados
sobretudo por colónias de fêmeas reprodutoras ativas, durante a fase final de
gravidez, o nascimento e o desenvolvimento dos jovens, e abrigos intermédios
de primavera e outono, correspondentes aos refúgios procurados entre as
épocas de criação e de hibernação. Regra geral, verificam-se migrações
sazonais (muito comuns nas espécies cavernícolas portuguesas) entre os
diversos abrigos, que podem distar apenas algumas centenas de metros ou
dezenas de quilómetros.
Durante a época de reprodução, algumas
grutas chegam a acolher colónias com milhares de indivíduos de diferentes
espécies. Ainda que cada uma delas possua distintas estratégias reprodutivas,
todas partilham um fenómeno surpreendente (exclusivo dos morcegos
insetívoros), denominado “fecundação retardada”. Explica-se da seguinte
forma: no acasalamento, que ocorre predominantemente no outono, as fêmeas
recolhem o esperma; no entanto, não o utilizam de imediato, mas armazenam-no
no útero durante todo o período letárgico; apenas na primavera seguinte,
quando o clima aquece e volta a existir abundância de alimento, é que o
utilizarão para fertilizar os seus óvulos. Este mecanismo fisiológico de
armazenamento de espermatozóides tem despertado enorme interesse na
comunidade científica, especialmente nos investigadores relacionados com a
reprodução medicamente assistida e com o transplante de órgãos.
Cerca
de 40 a 60 dias após a fecundação (geralmente, em fins de maio ou princípios
de junho), ocorre o parto. A fêmea prende-se ao teto da gruta, com as garras
dos seus quatro membros, e recolhe a cria com o uropatágio. Esta vem ao mundo
nua e cega, e somente após alguns dias começará a crescer-lhe uma pelagem
macia e acinzentada e os olhos se abrirão. Como acontece com todos os
mamíferos, será zelosamente amamentada durante os primeiros tempos de vida,
acabando por adquirir o aspeto adulto em poucos meses. A maturidade sexual,
porém, apenas será atingida ao fim de dois anos (quatro anos em algumas
espécies, como o morcego-de-ferradura-grande, Rhinolophus
ferrumequinum). Este facto é muito importante, porque contribui
para uma baixa capacidade de regeneração das populações, uma vez que muitos
indivíduos acabam por morrer sem terem sequer começado a reproduzir-se. Além
disso, como ao longo da sua evolução a maioria das espécies foi submetida a
uma reduzidíssima pressão predatória, possuem também uma baixa taxa de
reprodução (uma única cria por ano).
A maturação sexual tardia e a taxa de
reprodução baixa parecem, todavia, ser compensadas com uma grande
longevidade. Algumas espécies, como o morcego-de-ferradura-grande, podem
alcançar os trinta anos de idade, embora a esperança média de vida ronde os
vinte anos (mesmo assim, muito superior aos doze meses dos roedores de igual
tamanho). Logo, em proporção ao seu tamanho (comprimento corporal entre 3,5 e
10 cm), os morcegos são, sem sombra de dúvida, os mamíferos com maior
longevidade.
Poucos animais têm sido encarados com tanto
ódio (exceção feita talvez ao lobo, aos répteis e às aranhas) como os
morcegos. No entanto, esta animosidade secular parece ter causas muito
variadas, assentes, principalmente, na sua aparência e nos seus hábitos de
vida. Desde logo, o seu aspeto: são “feios”, segundo as noções estéticas da
maioria dos humanos. Além disso, são “estranhos”: gostam da noite, dormem de
pernas para o ar e habitam em locais escuros e recônditos; são “perigosos”,
pois agarram-se aos cabelos e transmitem doenças; são “criaturas do demónio”,
porquanto existe um pacto entre estes animais e Satanás (amiúde,
representa-se o diabo com asas de morcego, enquanto os anjos ostentam asas de
aves), sendo por isso mesmo prenúncios de morte e azar; são “vampiros
sanguinários” que chupam o sangue às pessoas enquanto dormem (relembra-se que
toda as espécies europeias são insetívoras!); têm “poderes mágicos”, pelo que
foram historicamente usados na confeção de poções de amor, de bebidas que
possibilitavam a obtenção de várias aptidões ditas “paranormais” ou até mesmo
para a cura de tumores, artrites e doenças de visão, entre outras. Enfim, um
rol de inverdades, mitos e crenças infundadas (ampliadas pela literatura e
pelo cinema de ficção: quem não se lembra do Drácula?), que em muito
contribuiu para denegrir a sua imagem junto do público e para o seu desprezo,
durante décadas, em termos de conservação.
Ainda há quem acrescente que, além de serem
“feios, porcos e maus”, os morcegos “não servem para nada”. Porém, de modo
algum poderemos subestimar a sua importância ecológica e o inestimável
serviço que nos prestam. Além de inofensivos, eles são na verdade inseticidas
naturais muito eficazes, pois contribuem para o controlo dos insetos
responsáveis por pragas agrícolas ou pela transmissão de doenças e para o
equilíbrio dos ecossistemas. Cada morcego consome, por noite, mais de metade
do seu peso em insetos. Feitas as contas, se considerarmos todas as espécies,
estamos a falar de uma significativa importância económica, devido às dezenas
de toneladas de insetos prejudiciais exterminados diariamente.
Os morcegos são também essenciais para a
subsistência dos ecossistemas cavernícolas, onde se encontram comunidades de
invertebrados singulares que apenas habitam nas grutas naturais. Estes
organismos, ainda insuficientemente conhecidos, parecem estar totalmente
dependentes da matéria orgânica (excrementos depositados no chão das
cavernas) transportada pelos seus vizinhos alados.
No entanto, e para que conste, nem todas as
civilizações abominam os morcegos. Na China e no Japão, por exemplo, eles são
vistos com outros olhos, e por isso considerados como símbolos de sorte e de
longa vida, surgindo frequentemente a ornamentar objetos. Mais perto de nós,
na cidade espanhola de Valência, o morcego também serve de mascote, surgindo
a sobrevoar a coroa real do brasão de armas. Contudo, estas são situações
excecionais que parecem apenas ajudar a confirmar a regra: os morcegos têm sido,
desde tempos imemoriais, animais excomungados.
Preciosidades
a presevrar
Conhecem-se
cerca de 1200 espécies de morcegos em todo o mundo. Destas, vivem 40 na
Europa, das quais 27 ocorrem em território português, constituindo quase 40
por cento da fauna de mamíferos terrestres do país. Enquanto determinadas
espécies se conseguiram adaptar bem à progressiva humanização da paisagem,
outras (infelizmente, a maioria) têm vindo a regredir, estando mesmo à beira
da extinção. No território continental, as mais ameaçadas são o
morcego-rato-pequeno (Myotis
blythii), o morcego-de-ferradura-mourisco (Rhinolophus mehelyi) e o
morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus
euryale).
Segundo
o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal,
apenas seis espécies são consideradas com estatuto de “pouco preocupante”;
das restantes, muitas têm estatuto de “criticamente em perigo” ou “em
perigo”, ou são consideradas “vulneráveis”. Registe-se que para nove espécies
a informação disponível ainda é insuficiente para se poder avaliar as suas
tendências populacionais. No entanto, independentemente do seu estatuto de
ameaça, todas as espécies estão protegidas por legislação nacional (desde
1967, por um decreto que reconhece a necessidade de proteger os morcegos) e
internacional (Diretiva Habitats, Convenção de Berna e Convenção de Bona, de
que resultou o Eurobats).
Mais de metade dos morcegos portugueses são
cavernícolas, sendo também, curiosamente, os mais ameaçados. De acordo com o
ICNB, esta situação resulta da reduzida capacidade de recuperação (conferida
pela tardia maturidade sexual e pela baixa taxa de reprodução) e do seu
caráter colonial, sobretudo durante as épocas de criação e hibernação, quando
as colónias chegam a atingir milhares de indivíduos concentrados numa única
gruta. Assim, não é de estranhar que a destruição e perturbação dos abrigos,
afetando de uma só vez inúmeros indivíduos, sejam as principais ameaças para
estas espécies que escolheram viver em cavernas.
A lista de fatores que afetam os morcegos é,
porém, muito mais vasta: inclui igualmente a destruição e fragmentação das
áreas de alimentação, sobretudo das florestas de folhosas autóctones, das
galerias ripícolas e da vegetação nos habitats ribeirinhos, com consequente
diminuição do alimento disponível; a poluição, nomeadamente por pesticidas e
fertilizantes utilizados na agricultura, que afeta a qualidade do solo e da
água (diminuindo a ocorrência dos insetos aquáticos, por exemplo) e envenena
juvenis e adultos devido à bioacumulação; os incêndios e a desflorestação,
que afetam principalmente as espécies arborícolas; e a pressão antropogénica,
resultante de atividades turísticas, como a espeleologia, da exploração
eólica (segundo vários estudos, esta pode acarretar uma considerável
perturbação ou destruição dos abrigos, perturbação ou perda de áreas de
alimentação ou de corredores de migração e alguma mortalidade, por colisão
dos morcegos com os aerogeradores) e dos atropelamentos (dado que muitas
espécies voam muito próximo do solo), entre outros.
Alguns autores têm vindo a salientar que os
quirópteros são excelentes indicadores da qualidade da natureza, devido à sua
longevidade, pequeno tamanho, mobilidade e exigências ambientais.
Apesar do aumento do conhecimento sobre os
morcegos e do muito que já se fez em Portugal, ainda há um longo caminho a
percorrer até que se consigam criar planos efetivos para a conservação de
todas as espécies ameaçadas. Uma das prioridades continuará a ser a mudança
da sua imagem pública: pelas suas singularidades biológicas e pelo inestimável
serviço prestado ao equilíbrio dos ecossistemas e à humanidade, os senhores
da noite merecem todo o nosso respeito.
J.N.
Morcegos
em casa
Sabia
que os morcegos podem entrar-nos pela casa adentro? Se tal acontecer, o guia Tenho
Morcegos em Casa, o que Devo Fazer?, disponibilizado pelo ICNB,
deixa algumas informações e conselhos.
Os morcegos não são agressivos e não atacam,
mas, sendo animais selvagens, podem assustar-se e reagir se tentarmos
capturá-los (deve evitar-se pegar-lhes, devido ao perigo de se ser mordido;
se for mesmo necessário tocar-lhes, use sempre luvas).
Na maioria das vezes, os morcegos entram nas
casas por engano, pelo que devemos facilitar a sua saída: se for de noite,
deve isolar-se a divisão, abrir as janelas e desligar a luz, deixando-o sair
sozinho; se for de dia, deve ser capturado com uma caixa de cartão e
libertado durante a noite (desde que não esteja a chover ou faça muito frio
ou vento), num sítio calmo e sem luz.
Se o animal estiver ferido ou não voar, deve
contactar-se a área protegida mais próxima, para que seja recolhido pelos
técnicos.
Todavia, algumas espécies podem visitar-nos
de forma mais prolongada, hospedando-se nas nossas casas, geralmente em
pequenas fendas (basta um espaço de 2 por 1,5 centímetros para um
morcego-anão, e de 5 por 2,5 cm para as outras espécies), caixas de estore,
aberturas debaixo das varandas, sótãos e caves. A confirmação da presença de
morcegos num edifício pode ser feita por observação direta (difícil durante o
dia, sobretudo no caso de espécies que se abrigam em fendas), pela escuta dos
seus guinchos (particularmente audíveis nos meses quentes e no caso de
colónias numerosas) ou pela presença de guano (os excrementos dos morcegos
distinguem-se dos de outros animais por ficarem reduzidos a pó se forem
esmagados, uma vez que são constituídos quase exclusivamente pela quitina dos
insetos). O guano que venha a ser recolhido pode ser utilizado como
fertilizante, e é considerado um excelente adubo.
De acordo com os especialistas, não há
problemas em coabitar com morcegos, desde que se tenham dois cuidados: não
tocar no guano e na urina (não sendo comum a propagação de doenças através de
excrementos, os contatos acidentais com a boca podem causar infeções
gastrointestinais) e não mexer nos animais. Segundo o ICNB, “apesar de
algumas espécies de morcegos poderem transmitir raiva por mordedura,
arranhadela ou contacto com olhos, nariz ou boca, são muito raros os casos de
transmissão dessa doença aos seres humanos”. Porém, no caso de alguém ser
mordido ou arranhado por um morcego, a ferida deve ser imediatamente lavada
com água e sabão e deve-se contactar um médico; se possível, o animal deve
ser capturado vivo e mantido numa caixa de cartão, para ser analisado.
Quando as colónias são numerosas e provocam
estragos elevados ou constituem perigo para a saúde pública, poderá ser
necessário afastá-las dos edifícios. “Tendo em conta que todas as espécies de
morcegos estão protegidas por lei, quaisquer ações de exclusão têm de ser autorizadas”,
adverte o ICNB, que é a entidade a quem cabe autorizar tais operações de
despejo (talvez não seja demais recordar que o abate ou a captura ilegal de
morcegos são práticas proibidas). Quaisquer trabalhos de exclusão,
devidamente autorizados, só devem ser feitos fora das épocas de criação e de
hibernação, podendo ocorrer de 15 de março a 30 de abril, ou entre 20 de
agosto e 30 de novembro.
Algumas pessoas, mais sensibilizadas para a
importância ecológica dos morcegos, gostam de tê-los por perto. Uma
estratégia para os atrair (ou para aumentar a probabilidade de determinados
edifícios não serem de novo invadidos), passa pela colocação de abrigos
artificiais nas paredes exteriores, nos rebordos dos telhados ou nas
imediações das casas. O ICNB informa que “este tipo de abrigo já foi colocado
nalgumas zonas do país, tendo algumas caixas atraído com sucesso centenas de
indivíduos (foram já contabilizados 238 morcegos numa caixa-abrigo colocada
no Algarve)”.
A sã convivência entre humanos e morcegos
não só é possível como desejável. Um notável exemplo é o facto de centenas de
morcegos vigiarem, desde que há memória, duas das mais antigas bibliotecas de
Portugal: a Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra e a do Palácio de
Mafra. Voando livremente nesses espaços bibliotecários, capturam os insetos e
asseguram, com a sua inestimável presença, a preservação de documentos
centenários e livros valiosos, que permanecem em ótimo estado de conservação.
Em contrapartida, as mesas de leitura têm de ser cobertas durante a noite,
para evitar que o guano se deposite sobre elas; pela manhã, recolhem-se as
coberturas e varre-se o solo.
Se tiver a sorte de a sua casa ou o seu
jardim serem escolhidos pelos morcegos, agradeça a honra e (chiu!) faça pouco
barulho no inverno, para não os acordar. Verá como lhe retribuirão a boa
vizinhança durante o verão, quando cada um deles devorar mais de 500 insetos
por dia. Nenhum outro inseticida será tão eficaz e saudável como os seus
amigos voadores.
SUPER
163 - Novembro 2011
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domingo, 28 de outubro de 2012
O poder das ondas
Cinco factos
1.
Fonte de energia: O parque de ondas de Aguçadoura, ao
largo da Póvoa de Varzim, foi pioneiro a nível mundial.
Espera-se que volte a funcionar no início de 2011.
2. Altura recorde: A 9 de Julho de 1958, foi registada uma onda com mais de 500
metros de altura na baía de Lituya, no Alasca (EUA). É a vaga mais alta de que
há registo.
3. Origem do tsunami:
A palavra vem do
Japão, onde o fenómeno é frequente. As ondas gigantes podem ser provocadas por
um tremor de terra submarino, uma erupção vulcânica ou um tufão.
4. Velocidade: A velocidade de um tsunami
depende da profundidade das águas. Pode ultrapassar os 800km/h no oceano
profundo mas abranda para 30 a 50Km/h perto da costa.
5.
Inundação assassina: O tsunami de Dezembro de 2004, no Índico,
chegou a muitos locais não sob a forma de ondas gigantes, mas como uma
inundação ou um rio extremamente poderosos.
Um tsunami pode atravessar o oceano Pacífico em menos de 24
horas.
Fonte: quero
saber Outubro 2010
sábado, 27 de outubro de 2012
A formação das ondas
Nascidas
da transferência de energia do vento para a água, as ondas são um fenómeno
natural poderoso… e também muito perigoso.
As ondas são formadas principalmente á
superfície do mar, pelos ventos que transferem energia para as partículas de
água.
A transferência de energia faz com que
as partículas de água adquiram um movimento circular repetitivo, fundindo-se
depois para formar a ondulação. Quando a ondulação passa sobre a inclinação
acentuada do terreno costeiro, as ondas são obrigadas a subir e a distância
entre as cristas diminui. As ondas tornam-se instáveis, deixam de conseguir
suportar o seu próprio peso e “rebentam”.
A formação das ondas é afectada pela profundidade da água e pelas
velocidades da corrente e do vento. As ondas são também afectadas pela
deslocação vertical da água, da qual o tsunami
é o exemplo mais devastador. Esta enorme deslocação de água, criada por
maremotos ou deslizamento de terras subaquáticos, transfere energia de forma
diferente, resultando não num movimento circular mas antes num movimento
consistente para a frente. Normalmente, as ondas de um tsunami não arrebentam quando atingem as zonas costeiras, dando
origem a vagas de extensão monumental, contendo níveis de energia capazes de
graus de destruição elevados.
Uma onda individual caracteriza-se por duas partes: a cava, o ponto mais
baixo; e a crista, a altura máxima. Á distância entre duas cristas – ou duas
cavas – sucessivas dá-se o nome de comprimento de onda. O intervalo de tempo
entre cristas sucessivas é o período de onda. As ondas dividem-se em duas
categorias, definidas pela relação entre o comprimento de onda e a profundidade
da água. Se esta relação for pequena, temos uma onda de água profundas. Caso
contrário, temos uma onda de águas baixas.
Fonte: quero
saber Outubro 2010
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Alentejo vai descodificar código genético do sobreiro
Quinta-feira, 25 de Outubro de 2012

Um centro de investigação do Alentejo vai descodificar o código genético do sobreiro, a espécie florestal de maior importância a nível socioeconómico em Portugal. O projeto "GenoSuber - Sequenciação do Genoma do Sobreiro" vai ter início em 2013 e custará 1,1 milhões de euros.
Em declarações à Lusa, Sónia Gonçalves, do Centro de Biotecnologia Agrícola e Agroalimentar do Baixo Alentejo e Litoral (CEBAL), o promotor do projeto, adiantou que este já foi aprovado para financiamento comunitário pelo programa operacional INAlentejo e deverá arrancar já em Janeiro do próximo ano.
Segundo a responsável, a investigação vai durar dois anos e meio e destina-se a descodificar e conhecer o património genético do sobreiro, "a espécie florestal com maior interesse ecológico e socioeconómico".
De acordo com a investigadora, o montado de sobro, a base da indústria corticeira, "assume uma importância ecológica e socioeconómica" em Portugal que "justifica a realização do projeto no país" e, com o GenoSuber, o nosso país irá colocar-se "na vanguarda da investigação em sobreiro".
No entender de Sónia Gonçalves, face à importância desta árvore em Portugal - responsável por cerca de 1/3 da produção mundial de cortiça - "faz todo o sentido ser o país a liderar a descodificação do genoma", isto é, do código genético, e a "deter o conhecimento máximo a nível genómico", defende.
A descodificação do genoma do sobreiro vai ser efetuada com "tecnologia de última geração" e possibilitar "um avanço no conhecimento e melhoramento genético da espécie, em questões relacionadas, por exemplo, com o desenvolvimento da árvore, a formação da cortiça e as respostas a 'stress', com especial enfoque na resistência a doenças".
A investigação vai permitir "identificar a sequência dos genes presentes numa espécie", o que já foi feito em relação ao genoma humano e de outras espécies vegetais mas, no caso do sobreiro, será inédito e poderá "ajudar depois a realizar estudos mais direcionados e será uma mais-valia para o conhecimento" da árvore.
Um impulso para o sector da cortiça
O GenoSuber vai ainda "trazer uma nova dimensão" à fileira florestal portuguesa, ao abrir a possibilidade de delinear estratégias de melhoramento da espécie, "com importantes repercussões a médio e longo prazo no sector da cortiça", acredita Sónia Gonçalves.
O projeto, orçado em 1,132 milhões de euros, vai ser financiado em 80% por fundos comunitários por meio do INAlentejo, sendo o resto do montante garantido por entidades privadas.
Além do CEBAL, o GenoSuber contará com o envolvimento do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa, do Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, da Biocant - Associação de Transferência de Tecnologia, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária e do Instituto Gulbenkian de Ciência.
Além do CEBAL, o GenoSuber contará com o envolvimento do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa, do Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, da Biocant - Associação de Transferência de Tecnologia, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária e do Instituto Gulbenkian de Ciência.
Ao todo vão ser 28 os investigadores a trabalhar na sequenciação do genoma, tendo como consultores o professor belga Yves Van de Peer, da Ghent University (Bélgica), e o professor norte-americano Gerald Tuskan, do Oak Ridge National Laboratory (Estados Unidos da América).
Fonte: Boas noticias.pt
Ação inédita vai devolver família de gorilas à Natureza
Sexta-feira, 26 de Outubro de 2012

Foto © Reprodução/BBC
A Aspinall Foundation, uma organização britânica de proteção dos animais, prepara-se para levar a cabo uma ação inédita, libertando uma família inteira de gorilas que se encontra atualmente a viver num parque no condado de Kent, no Reino Unido. No total vão ser 11 os animais devolvidos à Natureza no início do próximo ano.
Os primatas, gorilas ocidentais das terras baixas, vão ser recolocados numa reserva natural no Gabão, em África, numa área onde tinham desaparecido devido à caça, a par de outros animais, nomeadamente gibões, macacos da espécie "Javan langur" e dois elefantes.
No entanto, a libertação dos gorilas será o momento mais significativo, uma vez que, de acordo com responsáveis da fundação, será a introdução mais ambiciosa e ampla de sempre de uma espécie ameaçada.
Segundo Damian Aspinall, responsável daquela entidade, toda a equipa acredita que "os dias em que se podia considerar aceitável manter animais em cativeiro apenas para exibição ou educação acabaram", pelo que "a verdadeira conservação é fundamental no século XXI".
O "chefe" da família de gorilas é Djala, um macho de 30 anos salvo de caçadores e levado para Kent nos anos 90. Da família fazem ainda parte as suas cinco "mulheres" e cinco crias, com idades entre os seis anos e os oito meses, todas criadas em cativeiro.
Desde 1996 que a Aspinall Foundation gere dois projetos de proteção e reabilitação de gorilas no Gabão e no Congo e, até ao momento, já reintroduziu com sucesso na vida selvagem mais de 50 animais da espécie.
Fonte: Boas noticias.pt
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