sábado, 18 de agosto de 2012

Tubarões ameaçados


Os principais perigos para os tubarões a nível mundial
Cem milhões de tubarões são mortos todos os anos pelo Homem para fins alimentares. Como se reproduzem lentamente e demoram a atingir a idade adulta, a maioria dos stocks pesqueiros estão em rápido declínio: estudos revelam reduções populacionais de 70 a 90% entre as espécies comercializáveis, nos últimos 30 anos.
A par da carne, os tubarões são pescados pelas suas barbatanas, usadas na Ásia para a confecção de sopa. Estas costumam ser removidas com uma faca quente e o tubarão é depois libertado, mas, incapaz de se mover, acaba por morrer. A cartilagem é também utilizada na preparação de mezinhas, pela crença nos seus poderes de cura/prevenção do cancro – por provar cientificamente.
Entre outras ameaças contam-se a poluição marinha, o desenvolvimento costeiro e a pesca excessiva das presas do próprio tubarão, para além da pesca desportiva. Mas o impacto destas é muito inferior ao da pesca comercial. Só três espécies – tubarão-elefante, baleia e branco – estão sujeitas a restrições de comércio internacionais. Um terço das espécies de tubarões europeias está actualmente ameaçado.
Fonte: quero saber Outubro 2010

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O que comem os tubarões?


                           
Na prática, todos os tubarões são carnívoros, mas as diferentes espécies adaptaram-se em função de quase todos os nichos marinhos. O tubarão-anjo aguarda camuflado no fundo do mar e suga pequenos peixes repentinamente. O tubarão-martelo usa os seus receptores eléctricos para apanhar solhas e crustáceos escondidos sob a areia. O tubarão-de-Port-Jackson [foto] possui dentes semelhantes a molares para esmagar e abrir moluscos. Alguns tubarões alimentam-se sobretudo de plâncton e pequenos peixes. Para coar os vastos volumes de água necessários para obter alimento suficiente, podem engolir grandes goles e sugar a água, como faz o tubarão baleia, ou nadar através de grandes quantidades de plâncton com as bocas abertas, como faz o tubarão-elefante. A água é expelida pelas guelras laterais, mas a comida fica presa em guelras fibrosas, sendo depois engolida. O tubarão-tigre é um caçador indiscriminado e já foram encontrados espécimes como focas, aves, golfinhos, tartarugas, pneus e placas de matrícula no seu estômago. A maioria das espécies caça, porém, apenas um determinado tipo de presa. O cação, por exemplo, possui dentes que apontam para fora da boca e usa-os para trespassar pequenas lulas, antes de as engolir inteiras. O tubarão-raposo usa a sua longa cauda para chicotear cardumes, juntando-os em grupos menores, até conseguir abocanhá-los todos. O estereótipo do tubarão como um predador solitário do mar alto só se verifica num reduzido número de espécies, incluindo o tubarão-touro, o tubarão-tigre e o tubarão-branco. Sendo estes também os mais passíveis de atacar humanos, são os que atraem mais atenção. Estas espécies são altamente territoriais e costumam rondar a superfície. Desta forma as presas ficam por baixo dos tubarões, tendo dificuldade em detectar as suas barrigas brancas contra o céu. O tubarão-touro tem rins adaptados que lhe permitem lidar com a água doce, podendo assim nadar até grandes rios em busca de alimento.  
Fonte: quero saber Outubro 2010

Como se reproduzem os tubarões


Ovos de tubarão
Os tubarões protegem bem as crias, tal como muitos carnívoros de topo
Em vez de produzirem enormes quantidades de ovos, cada qual com pouquíssimas possibilidades de sobrevivência, os tubarões produzem entre 2 a 100 crias de cada vez. Este número é muito inferior ao da maioria dos peixes. A fertilização é interna, com o macho a usar um par de clásperes, de forma semelhante a um pénis.
Algumas espécies mais pequenas põem ovos protegidos por um revestimento semelhante a couro e frequentemente depositados em fendas. A maioria dos tubarões, porém, retém os ovos no interior da fêmea; são portanto, ovovíparos, ou seja, todos os nutrientes de que o embrião necessita provêm da gema do ovo. Apenas em algumas espécies, incluindo o tubarão martelo e o tubarão tigre, os embriões são alimentados através de uma placenta ligada á mãe.
Em muitas espécies, o primeiro tubarão a eclodir come os restantes ovos no oviduto; o cação mangona recém-nascido come até outros embriões em desenvolvimento. Os tubarões têm grandes períodos gestacionais – até 24 meses, em algumas espécies.
Fonte: quero saber Outubro 2010

Anatomia do tubarão


Podem assemelhar-se a outros peixes, mas são deveras diferentes
Focinho: o focinho é composto por cartilagem mais esponjosa que o resto do corpo, para amortecer qualquer impacto.
Boca: a boca dos tubarões pré-históricos era frontal, mas agora situa-se atrás do equipamento sensorial.
Intestinos: os tubarões têm intestinos muito curtos, mas a comida passa por uma válvula em espiral para dar tempo á digestão.
Barbatanas: as peitorais agem como hidroaviões, gerando sustentação na água.
Espinha: a coluna vertebral estende-se até á barbatana caudal, cujo formato quebra a turbulência.
Músculos: sem um esqueleto rígido, os músculos natatórios estão presos às fibras de colagénio das camadas de pele inferiores.
Os dentes: os dentes dos tubarões não estão presos á mandibula, mas sim às gengivas.
Afiados: dentes estreitos e afiados como estes são usados para agarrar peixes escorregadios. Dentes serrilhados são para dilacerar mamíferos.
Reforços: blocos de cálcio cristalinos hexagonais reforçam a cartilagem da mandíbula.
Factos: fígado enorme: o fígado de um tubarão pode constituir até 30% da sua massa corporal e é responsável por inúmeras tarefas, incluindo mantê-lo a flutuar.
Sem marcha atrás: os tubarões não podem usar as barbatanas para remar, como fazem a maioria dos peixes. Isso significa que são incapazes de nadar directamente para trás.
Olhos familiares: Os tubarões têm pálpebras apesar de não pestanejarem; mas contraem e dilatam as pupilas, como os humanos, algo que nenhum peixe com ossos faz.
Sesta revigorante: o espinhoso cação usa a sua medula espinal, e não o cérebro, para coordenar o movimento natatório, o que lhe permite nadar enquanto dorme.
Barómetro: é possível que os tubarões consigam usar a sua linha lateral para detectar sistemas de pressão frontais e nadem a maior profundidade para evitar furacões.
Fonte: quero saber Outubro 2010

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Características dos tubarões:


Os tubarões pertencem ao grupo de peixes elasmobrânquios: o seu esqueleto é formado por cartilagem, em vez de osso. Os primeiros tubarões terão surgido há mais de 400 milhões de anos, mas os exemplares modernos remontam há apenas 100 milhões de anos. O esqueleto de cartilagem não é, contudo, um traço primitivo, já que os tubarões evoluíram a partir de peixes que tinham ossos.

É possível que o esqueleto cartilagíneo, mais leve e flexível, tenha evoluído para tornar os tubarões mais rápidos e ágeis; mas pode também ter sido uma forma de preservar a quantidade de fósforo necessária ao seu metabolismo. Estes elasmobrânquios precisam de fósforo para os dentes, e dado que estão continuamente a perdê-los e substitui-los, podem gastar mais de 30.000 ao longo da vida. A disponibilidade de fósforo mineral é, aliás, uma das condicionantes principais da dispersão das diferentes espécies de tubarões a nível mundial. No século XIX, os tubarões eram considerados amistosos. Os relatos de ataques a marinheiros naufragados, existentes desde 1580, eram considerados exageros ou equívocos. Em 1891, o milionário Hermann Oelrichs ofereceu uma recompensa de $ 500 (aprox. € 400) a quem apresenta-se um caso- autenticado – de ataque a um humano, ao largo da costa este americana. O prémio nunca foi reclamado. Em 1916, uma vaga de ataques amplamente divulgados marcou o início de um revés na imagem do tubarão. Quase um século de má reputação depois, só agora os tubarões começam a ser entendidos.
Os tubarões podem medir desde 30cm até 12 metros de comprimento e pesar até 20 toneladas. O seu esqueleto não possui costelas: sem a água para o suportar, os órgãos internos seriam esmagados pelo peso do próprio corpo. Também não têm bexiga-natatória, pelo que a sua flutuabilidade é gerada usando óleo escaleno armazenado no fígado. Como não são capazes de alterar rapidamente a quantidade deste óleo no corpo, não conseguem flutuar em repouso. Em vez disso, ajustam a sua flutuabilidade de modo a ficarem ligeiramente mais densos que a água que os rodeia. Muitas espécies tiram proveito disto para viver nas profundezas e as espécies pelágicas (que não dependem do fundo marinho) compensam a falta de flutuabilidade com um impulso dinâmico, gerado pelo fluxo de água que passa por cima das suas barbatanas enquanto nadam. A maioria dos tubarões habita águas com menos de 2 mil metros de profundidade. Apesar de não terem ossos, as zonas do corpo sujeitas a maior pressão mecânica são reforçadas com uma grelha hexagonal de cristais de cálcio. Os tubarões grandes, como o tubarão branco, podem ter várias camadas deste reforço. A pele do tubarão é muito mais dura que a dos outros peixes. As camadas de base são uma malha helicoidal de fibras de colagénio coberta por uma camada de escamas minúsculas, os dentículos dérmicos: cada denticulo é feito de dentina, um tecido impregnado de cálcio. A dentina é uma componente importante dos dentes e é provável que os dentes dos vertebrados tenham evoluído a partir destes dentículos. Para além de oferecerem protecção, os dentículos têm uma função semelhante á das covinhas numa bola de golfe: reduzem o atrito e permitem uma natação mais eficiente. A visão dos tubarões é mediana, mas a sua audição e olfacto são extremamente aguçados. Tal como os peixes ósseos, também têm uma faixa de células sensíveis a vibrações ao longo do corpo, chamada linha lateral, usada para detectar o movimento das presas – como um peixe ferido.
Para encontrar presas escondidas no substrato, os elasmobrânquios possuem as “Ampolas de Lorenzini”. Estes órgãos especiais localizados na cabeça permitem a detecção do campo eléctrico gerado pelo movimento gerado pelo movimento muscular, como o coração de uma presa em apuros a bater. E além de localizar as presas durante a noite, o tubarão consegue usar o campo eléctrico gerado pelas correntes oceânicas em movimento no campo magnético da Terra como uma verdadeira bússola interna.
Fonte: quero saber - Outubro 2010