sábado, 9 de junho de 2012

A vida das borboletas – Documento:


Os bailados aéreos das borboletas são um dos espectáculos mais bonitos da Natureza. Por detrás da sua beleza e graciosidade, escondem-se muitas curiosidades que vale a pena descobrir. O biólogo Jorge Nunes convida-o para um inesquecível passeio á cata das sedutoras borboletas portuguesas.
As borboletas são criaturas fascinantes. As suas múltiplas curiosidades (biológicas, ecológicas, evolutivas e de interacção com o Homem) e os encantadores padrões coloridos das suas asas, que parecem saídos de uma paleta divina, não deixam ninguém indiferente. Com a chegada da Primavera, não param de nos maravilhar com as suas coreografias aéreas, que trazem mais vida e cor aos campos floridos.
Tanto as borboletas diurnas (ropalóceros) como as nocturnas (traças ou heteróceros) pertencem á ordem dos lepidópteros (denominação de origem grega que significa literalmente “escamas nas asas”), a segunda mais numerosa no grupo dos insectos. Esta alberga cerca de 165 mil espécies a nível mundial, das quais 2200 ocorrem em Portugal. De um modo geral, são invertebrados bastante cosmopolitas. Aparecem em todos os continentes e podem encontrar-se desde o Equador até às regiões polares. Contudo, visto que são animais ectotérmicos, bastante dependentes da temperatura ambiente, a sua observação em climas temperados e frios circunscreve-se aos meses mais quentes e solarengos, nomeadamente à Primavera e ao Verão. Durante o resto do ano, raramente são vistos, mantendo-se abrigados (em hibernação) em esconderijos naturais (grutas, minas e troncos de árvores) e construções humanas (celeiros, pontes, cavidades de muros e habitações). Não se sabe exactamente quando os lepidópteros apareceram na Terra, se bem que sejam considerados uma das ordens mais recentes da classe dos insectos. O registo fóssil mais antigo data de há 120 milhões de anos, tendo permitido constatar que as borboletas nocturnas são mais primitivas do que as diurnas e que as grandes linhas evolutivas deste grupo já estariam estabelecidas no Cretácico Médio.
As borboletas coexistiram com os dinossauros e assistiram à diversificação das plantas com flor, com as quais foram estabelecendo estreitas relações alimentares, por vezes tão específicas que muitas tornaram-se monófagas, ou seja, apenas se alimentam de uma única espécie de planta. Este fiel “casamento” de algumas espécies com uma única planta companheira, da qual se tornaram totalmente dependentes, poderá acarretar apreciáveis problemas ao nível da viabilidade e conservação das populações, sobretudo quando essas plantas sofrem decréscimos populacionais significativos ou estão em risco de extinção.
Metamorfoses completas
Todos nós já fomos surpreendidos por lagartas a destruir-nos as flores do jardim, a roer as hortaliças fresquinhas ou a perfurar incessantemente o interior de apetitosas cerejas, maçãs ou outros frutos silvestres. Estes são geralmente encontros fortuitos que acabam de forma trágica para os repugnantes visitantes que têm a má sorte de se cruzar connosco. Porém, o que poucas pessoas saberão é que essas pequenas larvas, feias e de aspecto desagradável, acabariam um dia por se transformar em lindas e vistosas borboletas, se pudessem cumprir o seu destino natural. No entanto, a estranha transformação da lagarta (o monstro) em borboleta (a bela) não se faz directamente, sendo, aliás, apenas um dos momentos mágicos do peculiar ciclo de vida destes insectos.
Contrariamente ao que acontece com os humanos e com a maioria dos vertebrados, em que os filhos nascem com aspecto similar ao dos seus progenitores, dos ovos das borboletas eclodem criaturas muito diferentes dos adultos que as originaram. Estes insectos têm “metamorfoses completas”, uma vez que ocorrem profundas alterações ao longo dos quatro estádios que constituem o seu ciclo biológico: ovo, lagarta (larva), crisálida (pupa) e insecto adulto (também chamado “imago”).Entre cada estádio, existem mudanças notórias no corpo dos animais, as quais são muito evidentes tanto ao nível morfológico como fisiológico e até ecológico (com distintos habitats e hábitos alimentares).
Na natureza, nada acontece por acaso, pelo que existe uma explicação evolutiva para estas metamorfoses. Segundo José Manuel Grosso-Silva, especialista em insectos do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, tal “pode ser visto como uma estratégia de redução de competição entre os adultos e as larvas da mesma espécie”. Ou seja, sendo os vários estádios tão diferentes, vivendo inclusivamente em habitats distintos e possuindo hábitos alimentares desiguais, isso trará notórios benefícios para todos eles e, em última análise, para a sobrevivência da própria espécie.
Do ovo ao adulto
Após o acasalamento, as fêmeas depositam os ovos (que podem ir de algumas dezenas a vários milhares) sobre diversos substratos. Porém, quando se trata de assegurar a sobrevivência da descendência e a perpetuação da espécie, as posturas não se fazem ao acaso, evitando-se uma longa exposição ao ataque dos predadores.
Os ovos estão fixos, não possuindo grandes defesas, para além da camuflagem oferecida pelas cores, que se confundem com o meio. Por isso, os momentos e os locais são cuidadosamente escolhidos tendo em consideração diversos critérios, que variam de acordo com a espécie. Aspectos como a disponibilidade de alimento (são geralmente escolhidas as folhas das plantas que servirão de alimento às lagartas), a exposição solar, a temperatura, a orientação do vento e a presença de ovos de outros insectos são tidos em consideração pelas zelosas fêmeas. Algumas acasalam no Verão, mas apenas põem os ovos na Primavera seguinte, quando existem maiores garantias de sobrevivência da prole.
A eclosão poderá ocorrer ao fim de alguns dias ou passados vários meses. As lagartas que emergem dos ovos cedo começam a demonstrar um apetite voraz, fazendo das cascas dos próprios ovos as suas primeiras refeições. De aspecto vermiforme, sem asas nem escamas, mas com peças bucais e mandíbulas especialmente destinadas à mastigação, têm como principal objectivo alimentar-se e acumular reservas nutritivas para os estádios seguintes.
Por terem corpo mole e reduzida mobilidade, as lagartas encontram-se bastante vulneráveis aos predadores, sobretudo aves, répteis e outros insectos. No entanto, não se deixam apanhar facilmente, pois possuem um vasto leque de estratégias defensivas. Algumas são mestres na arte do disfarce, designadamente, na camuflagem (ostentando cores e texturas que se confundem com o meio) e no mimetismo (apresentando formas e colorações que as fazem parecer outros seres vivos, geralmente mais perigosos ou venenosos). Outras, em vez de passarem despercebidas, gostam de dar nas vistas. Vestem-se de cores garridas de aviso que alertam os predadores para as toxinas e pêlos urticantes, que podem atingir dois milhões numa única lagarta!
Quando a lagarta já reuniu as reservas ener­gé­ticas suficientes, deixa de se alimentar, pro­cu­rando um refúgio adequado para se trans­for­mar em crisálida. Neste estádio de desen­vol­vimento, algumas lagartas produzem seda, com a qual se fixam às plantas, cons­troem es­truturas protectoras (vulgares na família Psy­chidae, borboletas nocturnas conhecidas pelo nome popular de “bichos palheiro”) ou pro­duzem casulos onde se encerram (de que o bicho-da-seda é o exemplo mais famoso).
Este período de repouso tem uma duração variável consoante as espécies, podendo ir de uma semana até vários anos. Caracteriza-se por uma morfologia extremamente simples, dado que as crisálidas permanecem geralmente imóveis. O aparelho bucal e o ânus estão bloqueados e o animal entra em letargia total, enquanto vai consumindo as reservas nutritivas que conseguiu armazenar na fase larvar. Nas palavras do investigador Ernestino Maravalhas, constitui, “a seguir à lagarta, o mais importante estádio de hibernação dos lepidópteros de Portugal”.
Após complexas alterações morfológicas e fisiológicas, o antigo monstro rastejante que desapareceu originando a crisálida acaba por dar lugar, como que por magia, a uma criatura voadora, a borboleta. No momento em que emerge, deixando atrás de si um casulo ou um invólucro quitinoso vazio, apresenta o corpo mole, as asas flácidas e enrugadas e uma pigmentação pálida. Só ao fim de algum tempo a coloração atinge todo o seu esplendor e as asas e o exoesqueleto totalmente endurecidos permitem o primeiro voo. Seguem-se horas ou dias de magníficas coreografias aéreas e da procura incessante de parceiro sexual, pois compete aos adultos dar continuidade à história da espécie.
A duração da fase adulta é bastante variável. Há espécies que vivem apenas algumas horas, o suficiente para se reproduzirem, e outras que sobrevivem vários meses, como é o caso da almirante-vermelho (Vanessa atalanta), que pode atingir os nove meses de vida.
Olfacto apurado
No adulto, o corpo (que pode ir de dois milímetros até mais de vinte centímetros de comprimento) é quitinoso e separado por anéis ou segmentos. Divide-se em cabeça, tórax e abdómen, e encontra-se usualmente recoberto por escamas e pêlos.
Na cabeça, localizam-se as estruturas sensoriais (olhos e antenas) e o aparelho bucal. Os olhos são compostos por milhares de facetas ou omatídeos, que podem chegar aos 12 mil em algumas espécies nocturnas. As antenas estão associadas ao olfacto (embora as borboletas possam detectar odores através de outras partes do corpo) e ao tacto. A sua forma e comprimento são muito variáveis, tanto entre diferentes famílias como entre machos e fêmeas numa mesma espécie. Estas são geralmente mais complexas nos machos, dado que é através delas que captam as feromonas libertadas pelas fêmeas, como acontece com a traça Actias selene, em que os machos conseguem identificar o odor das fêmeas a vários quilómetros de distância. Além disso, o aspecto das antenas também difere consideravelmente entre os lepidópteros diurnos, que as apresentam filiformes e terminadas em clava, e nocturnos, que as possuem geralmente plumosas (ramificadas).
Os adultos não possuem mandíbulas, uma vez que nesta fase do ciclo de vida não têm necessidade de mastigar as folhas das plantas, como acontecia com as lagartas. No seu lugar, existe um aparelho bucal sugador designado por “tromba” ou “probóscis”, uma estrutura tubular que geralmente se encontra enrolada e através da qual se alimentam apenas de líquidos (néctar das flores, sumos de frutas fermentadas, seiva de algumas plantas e soluções ricas em sais minerais). Em certas espécies, a tromba está completamente reduzida e a abertura oral fechada, pelo que nesses casos os adultos não se alimentam, retirando a energia de que precisam exclusivamente das reservas acumuladas durante a fase larvar.
O tórax, onde se localizam geralmente as asas, é bastante forte, sendo aí que se encontram alojados os poderosos músculos alares que possibilitam o voo. Esses são tão possantes que permitem vinte batimentos de asas por segundo (podendo chegar aos cem batimentos por segundo em certas espécies nocturnas), atingir uma velocidade média de 13 quilómetros por hora (60 km/h nos exemplares da família Sphingidae) e percorrer milhares de quilómetros, como acontece com diversas espécies migradoras. É nesta zona do corpo que se encontram ainda os três pares simétricos de patas e, em algumas espécies, o órgão auditivo.
O abdómen, que na maioria das espécies está recoberto por escamas pilosas, é uma estrutura mole, onde se localiza a maioria dos órgãos dos diversos sistemas, como o coração, o intestino, os ovários e os testículos, entre outros.
Rastos de cor
Embora se conheçam famílias com fêmeas ápteras ou com atrofia alar, a esmagadora maioria das borboletas apresenta dois pares simétricos de asas. Estas são constituídas por uma dupla membrana, atravessada por nervuras tubulares e finas, que tornam a estrutura mais resistente, permitindo-lhe suportar grandes pressões durante o voo. Mas elas não servem apenas para a locomoção aérea: constituem também verdadeiras pinturas da natureza com diversas funções, como a diferenciação das espécies e dos sexos, a camuflagem e o mimetismo e a dissuasão dos predadores, entre outras.
As borboletas exibem uma diversidade estonteante de cores e padrões nas suas asas. No entanto, apenas quando são observadas através de uma lupa ou de uma potente lente macro revelam toda a sua beleza e enigmática origem, que resulta da existência de escamas sobrepostas nas asas (o que deu o nome a estes notáveis insectos, chamados “lepidópteros”, do grego lepis, que significa “escama”,  e pteron, “asa”). Num único milímetro quadrado, podem contar-se entre 200 e 600 escamas, sendo que em cada uma existe apenas um único pigmento. A sua disposição e a junção de diferentes pigmentos originam a gigantesca gama de cores e padrões iridescentes, que são acentuados por fenómenos de refracção, em que as cores brilhantes e metalizadas variam conforme o ângulo de incidência da luz.
Como os machos mais vistosos agradam às fêmeas e transmitem os seus genes, os cientistas acreditam que a selecção sexual terá guiado a formação destas maravilhosas pinturas extravagantes e abstractas. Portanto, pode dizer-se que são verdadeiras jóias da evolução.
Falsos olhos
E as curiosidades não se ficam por aqui. Uma grande percentagem das borboletas, sobretudo as de grande tamanho, possui ocelos nas asas. Estes são manchas coloridas que parecem imitar olhos e surgem, usualmente, apenas numa das faces da asa. Apresentam cores brilhantes e chamativas, localizando-se afastados das principais nervuras alares e dos órgãos vitais.
Os falsos olhos, a que se juntam muitas vezes prolongamentos das asas, que as borboletas movem instintivamente de forma regular, servem para confundir os predadores. Estes, ao perpetrarem os seus ataques no lado posterior do corpo, apanharão apenas pedaços de asa, enquanto a borboleta terá oportunidade de se pôr em fuga, seguindo em sentido oposto. Esta estratégia é usada pela cauda-de-andorinha (Papilio machaon) e pela borboleta-zebra (Iphiclides podalirius), que podem observar-se por todo o território de Portugal Continental. No entanto, muitas outras espécies se defendem deste modo, a avaliar pelo número de borboletas que ostentam asas esfarrapadas em virtude dos inúmeros ataques que terão sofrido durante a sua curta existência aérea.
Em algumas espécies, os ocelos perdem a sua forma arredondada ou ovalada e, em vez de escamas para reflectir a luz, surgem como “janelas”, permitindo ver através deles o substrato no qual o insecto está pousado, contribuindo para esbater a sua silhueta.
Sejam redondos ou ovais, brilhantes ou opacos, concêntricos ou irregulares, ou em transparentes “janelas”, todos os ocelos parecem resultar de um esmerado mecanismo de selecção natural, que terá ditado a sobrevivência e perpetuação dos mais aptos. Cumprem assim essencialmente duas funções: “distrair a atenção dos predadores, levando-os a morder uma área do corpo pouco vital, a asa, e aterrorizar os predadores ao exibirem sinais que lembram animais terríveis e pondo o atacante em fuga”, nas palavras de Ernestino Maravalhas.
Encurraladas pelo homem
Embora as borboletas tenham surgido na Terra muito antes do homem, a coexistência entre ambos não tem sido pacífica. A nossa espécie é um dos seus principais perseguidores. Como lembra Maravalhas, “as actividades antropogénicas sobre os espaços naturais actuam de forma nefasta sobre as comunidades vegetais e animais, revelando-se particularmente negativas no que concerne às borboletas, uma vez que a maioria das espécies resiste mal à transformação dos ecossistemas”.
Além de uma escassa minoria de espécies que consegue adaptar-se facilmente às alterações dos ecossistemas, a generalidade das populações de lepidópteros tem vindo a diminuir, tanto em número de indivíduos como na extensão das suas áreas de distribuição geográfica. Entre as causas mais apontadas para esse declínio, encontram-se a destruição dos habitats, a poluição atmosférica, a utilização desregrada de pesticidas, as alterações climáticas, a expansão das áreas urbanas e as capturas excessivas para comercialização e coleccionismo.
Sobre a destruição dos habitats, importa referir os efeitos nefastos dos incêndios, a implantação de monoculturas florestais intensivas, como o eucalipto, e a introdução de plantas exóticas invasoras, de que as acácias são o exemplo maior. Maravalhas confidencia no seu livro que tem “constatado que nenhum ropalócero sobrevive nos acaciais”, acabando por concluir mais adiante que, se “a dispersão das acácias não for travada, existe um risco real de extinção local de populações de espécies de borboletas raras e ameaçadas, algumas das quais no interior de sítios da Rede Natura 2000”.
Perante tantas ameaças, que têm levado a um decréscimo mundial e nacional das populações de borboletas, é caso para perguntar: até quando continuaremos a ser maravilhados com os bailados caleidoscópicos destes admiráveis insectos?
J.N.
Bailado nacional
Das 165 mil espécies de borboletas conhecidas a nível mundial, voam por terras lusitanas mais de dois milhares. Destas, a grande maioria é nocturna (mais de duas mil espécies), sendo distinguíveis das suas congéneres diurnas, que se resumem a apenas 135 espécies, pela configuração das asas e do corpo, pelo modo como as nervuras alares se distribuem e pela forma das antenas (geralmente ramificadas, nas nocturnas). Como é natural, as pessoas conhecem melhor as espécies que voam de dia, sendo essas que ostentam as cores mais vistosas e nos deleitam com os seus magníficos bailados caleidoscópicos.
A borboleta-do-medronheiro (Charaxes jasius), com os seus cerca de oito centímetros de envergadura, é a maior espécie diurna que pode ser observada no nosso país. Fica, no entanto, muito aquém do record mundial, que pertence à Ornithoptera alexandrae, oriunda da Nova Guiné, cujas fêmeas podem atingir mais de 30 cm. Contudo, o maior lepidóptero existente em Portugal é na verdade uma borboleta nocturna, a grande-pavão-nocturno (Saturnia pyri), que pode chegar aos 15 cm de envergadura.
Para além das borboletas nativas, algumas outras chegam com a Primavera, vindo enriquecer o colorido dos nossos campos. Entre as espécies migradoras que nos visitam, as mais emblemáticas são a almirante-vermelho (Vanessa atalanta), a vanessa-dos-cardos (Vanessa cardui), a vanessa (Vanessa virginiensis), a antiopa (Nymphalis antiopa), a pratea­da (Issoria lathonia), a borboleta-da-couve (Pieris brassicae), a borboleta-pequena-da-couve (Pieris rapae), a branca e verde (Pontia daplidice) e a maravilha (Colias croceus).
Para que servem?
Especialmente os mais jovens têm muita tendência para perguntar o porquê das coisas. E, quando se trata de borboletas, há sempre algumas questões inevitáveis: as borboletas são importantes, as borboletas são perigosas, para que servem as borboletas?
Na perspectiva ecológica, podemos dar a resposta que se aplica de igual modo a todos os outros seres vivos que existem no planeta: são essenciais ao equilíbrio dos ecossistemas e, em última análise, à sobrevivência do homem, mesmo quando as interdependências com este não são facilmente perceptíveis! No caso concreto dos lepidópteros, o facto mais significativo é serem insectos polinizadores essenciais para a multiplicação das plantas com flor e estarem integrados em infindáveis cadeias alimentares, de que depende um sem número de outros organismos. Por essa razão, são consideradas importantes indicadores da qualidade ambiental, pelo que quanto maior for o seu número e variedade num dado local, melhor será a qualidade do ambiente.
Numa óptica mais antropocêntrica, uma das interacções mais famosas entre o homem e as borboletas é certamente a que está relacionada com a produção milenar de seda. Essa fibra natural, usada na mais requintada indústria têxtil, resulta do aproveitamento dos casulos produzidos pelo bicho-da-seda, uma espécie de borboleta nocturna oriunda do Norte da China, que tem vindo a ser criada em cativeiro nos mais diversos recantos do mundo.
Além disso, a captura, criação e venda de espécies exóticas para fins decorativos e de coleccionismo parece ser também um negócio rentável. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o comércio mundial de borboletas representa, na actualidade, várias dezenas de milhões de euros. Este inclui a transacção de espécimes mortos (dissecados e preparados para coleccionadores), mas também de vivos, destinados às chamadas butterfly houses, onde as belíssimas espécies exóticas são exibidas com todo o seu esplendor natural.
Mas é claro que a relação com as borboletas nem sempre é benéfica para o homem. Há algumas espécies de lepidópteros que podem tornar-se pragas, causando estragos e prejuízos em explorações agrícolas e florestais. Entre as mais conhecidas nos nossos quintais, podemos referir a borboleta-da-couve (Pieris brassicae) e a borboleta-pequena-da-couve (Pieris rapae), cujas lagartas se alimentam de nabos, couves e outros legumes, e ainda a borboleta-da-sardinheira (Cacyreus marshalii), que ataca gerânios e sardinheiras.
Existem larvas de lepidópteros que atacam as macieiras, nomeadamente as suas raízes (Synanthedon myopaeformis), os seus caules (Zeuzera pyrina) e os seus frutos, como as lagartas da traça-da-macieira (Cydia pomonella), que também é uma presença habitual no interior das pêras. Outras espécies escolhem as videiras (Deilephila elpenor) e o milho (Sesamia nonagrioides).
Os pinheiros servem de alimento a várias espécies. A processionária (Thaumetopoea pityocampa), assim designada pelo facto de as lagartas se juntarem em “procissão” formando longas filas, é sem dúvida uma das mais importantes, não apenas por se alimentar das suas agulhas, mas principalmente por ser considerada um problema de saúde pública, nomeadamente em zonas urbanas. Isto acontece porque as lagartas estão recobertas por pêlos urticantes que causam alergias na pele, nos olhos e no sistema respiratório. Em zonas “infectadas”, mesmo não havendo qualquer contacto das lagartas com o corpo, os pêlos podem ser arrastados pelo vento, acabando por ser inalados ou cravar-se na pele. Provocam, usualmente, comichões e edemas, que têm tendência para piorar e espalhar-se com o simples acto de coçar. Embora seja uma situação muito incomodativa, na maioria das pessoas passa ao fim de 24 horas, sobretudo se as zonas afectadas forem refrescadas e lavadas com água corrente e tratadas com pomada anti-histamínica. Em casos mais graves, nomeadamente em crianças e pessoas alérgicas, deve procurar-se imediatamente acompanhamento médico. Como medidas preventivas, desaconselha-se o acesso a zonas onde existam árvores atacadas, que se reconhecem pela existência de grandes ninhos sedosos pendurados nos ramos.

Estudar as borboletas
Durante muitos anos, o Catálogo Sistemático dos Macrolepidópteros de Portugal, da autoria de Maria Amélia da Silva Cruz e Timóteo Gonçalves, publicado em 1977, foi uma obra de referência para todos aqueles que se interessaram pelas borboletas portuguesas, uma vez que fazia a inventariação e a revisão de todos os trabalhos conhecidos à época.
O estudo das borboletas em Portugal, no entanto, começou muito antes. Os primeiros trabalhos datam dos finais do século XVIII.
Desde esse período, foram vários os naturalistas que se deixaram enamorar pela beleza e curiosidades das “bailarinas” portuguesas. Porém, nenhum parece ter suplantado a paixão demonstrada pelo padre Teodoro Monteiro, considerado por Ernestino Maravalhas como sendo o maior lepidopterologista português. A ele se fica a dever a descoberta de espécies novas, a publicação de inúmeros artigos sobre a temática e a organização da maior colecção de lepidópteros do país.
Mais recentemente, surgiram novos investigadores que têm vindo a fazer a monitorização dos lepidópteros portugueses, aprofundando os conhecimentos sobre a sua biologia, ecologia, distribuição geográfica e conservação. Como muitos dos estudos vão sendo publicados em revistas científicas ou em publicações da especialidade, ficam fora do alcance do público em geral. Portanto, os leitores interessados em iniciar-se no estudo destes maravilhosos insectos poderão saciar a sua curiosidade nas cerca de quinhentas páginas do livro As Borboletas de Portugal, editado em 2003, por Ernestino Maravalhas, com o inestimável contributo de inúmeros especialistas nacionais e estrangeiros.
É preciso cuidado: com um guia de campo nas mãos, ilustrado com as magníficas cores destes insectos, o leitor corre o risco de se converter num observador de borboletas. Diz quem viveu a experiência que é um passatempo deslumbrante para o qual não é necessário material específico, podendo fazer-se nos quintais e jardins urbanos de qualquer cidade ou vila portuguesa, no meio rural ou florestal, nas zonas húmidas, montanhosas ou litorais. Onde houver plantas floridas, não será difícil descobrir lepidópteros, especialmente nos dias mais soalheiros.

SUPER 159 - Julho 2011

quarta-feira, 6 de junho de 2012

UMinho lança serviço para cartografar áreas florestais ardidas

FIREMAP entra em funcionamento esta semana
2012-06-05


As imagens são tiradas por equipamentos de voo não tripulados
A GeoJustiça e Pangeo, duas spin-offs da Universidade do Minho (UMinho), acabam de lançar um serviço, cujo objectivo é cartografar as áreas florestais ardidas através da utilização de um helicóptero e um avião não tripulados. O projecto chama-se FIREMAP e permite a aquisição de imagens de elevada resolução, georreferenciada e estruturada com uma base de dados geográfica nacional no sentido de caracterizar as zonas ardidas e, possivelmente, ajudar na prevenção de futuros incêndios.

“A delimitação de terrenos percorridos por incêndios assume hoje uma especial importância, pois constitui a base do planeamento de acções de recuperação de áreas ardidas, de prevenção estrutural e de organização anual do sistema de vigilância e combate. A floresta é um recurso ambiental e económico que temos que preservar. O conhecimento rigoroso destas zonas é uma necessidade”, explica Carla Freitas, fundadora da GeoJustiça, spin-off especializada na recolha, no tratamento e na interpretação de informação geográfica de apoio à resolução de conflitos judiciais e extrajudiciais.

Para além da cartografia elaborada com base nas imagens retiradas por equipamentos de voo não tripulados, será também entregue um relatório com informação detalhada sobre o número de incêndios florestais, a área ardida, o perímetro de área florestal afectada e a caracterização da vegetação existente naquele local.

Esta é uma solução que vem responder às necessidas de diversas entidades, tais como os Gabinetes Técnicos Florestais, a GNR, a Autoridade Nacional de Protecção Civil, a Autoridade Florestal Nacional e o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, em mapear os terrenos percorridos por incêndios, através do levantamento e tratamento da informação geográfica.

“O que acontece é que estes organismos não dispõem de meios, nem de ‘know-how’ para o efeito”, reforça Paulo Pereira, doutorado em Ciências pela UMinho e responsável da Pangeo, cujo objectivo é disponibilizar serviços ligados à conservação da natureza, à educação ambiental e à informação geográfica.

O desenvolvimento do FIREMAP envolve ainda a colaboração das empresas GeoAtributo e PASSOS no AR, direccionadas para o planeamento e ordenamento do território e a produção de imagens aéreas, respectivamente. “São quatro projectos empresariais de áreas distintas mas complementares, garantido ao consórcio apoio técnico-científico e acesso ao mais moderno equipamento e a laboratórios de apoio”, conclui Carla Freitas.
Fonte: Ciência hoje

Economia Verde e os «Campeões da Terra»

Celebra-se hoje o quadragésimo Dia Mundial do Ambiente
2012-06-05



A utilização de níveis baixos de carbono, o uso eficiente dos recursos e a inclusão social são as três características da chamada Economia Verde, tema do Dia Mundial do Meio Ambiente (DMMA) de 2012 que hoje se assinala pelo quadragésimo ano consecutivo. O país-sede das comemorações do DMMA deste ano é o Brasil, a quinta nação mais populosa do mundo e que pelas suas características enfrenta alguns dos maiores desafios ambientais. Foram também já conhecidos os vencedores de 2012 dos prémios «Campeões da Terra».

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), responsável pela iniciativa, define o conceito de Economia Verde como sendo aquela que promove o bem-estar humano e a equidade social, ao mesmo tempo que reduz de forma significativa os riscos ambientais e a escassez ecológica.
Do ponto de vista prático, explica-se no sítio oficial do evento, a Economia Verde é aquela cujo crescimento de receitas e empregos “é conduzido por investimentos públicos e privados que reduzem as emissões de carbono e a poluição, que aumentam a eficiência dos recursos e da energia e evitam a perda da biodiversidade e dos serviços de ecossistemas”. Esses investimentos “devem ser apoiados por reformas de políticas, alterações nos regulamentos e legislações e direccionamento de despesas públicas”.
Aplicando estes conceitos, a PNUMA distinguiu seis personalidades internacionais com o prémio «Campeões da Terra», pelo seu trabalho em prol do meio ambiente. No âmbito da liderança política foi premiado Tsakhia Elbegdorj, presidente da Mongólia, por ter incluído as questões ambientais como prioritárias na sua política.
No tema Visão Empresarial foram distinguidos o brasileiro Fábio C. Barbosa e Ahmed Al Jaber, dos Emiratos Árabes Unidos, pelos seus esforços em promover as energias renováveis e as tecnologias limpas, respectivamente.
O balonista e médico suíço Bertrand Piccard ganhou a categoria Inspiração e Acção por promover a sensibilização para as possibilidades dos transportes movidos a energias renováveis.
Na categoria Ciência e Inovação o distinguido foi o arqueólogo e historiador Sander Van der Leeuw (Países Baixos), que nas suas investigações aborda a relação histórica do ser humano com a natureza para tentar compreender como actualmente as populações enfrentam as questões ambientais.
Por fim, Samson Parashina, do Quénia, um guerreiro Masai, foi premiado com o Especial Iniciativas Comunitárias por liderar a luta na defesa dos animais selvagens do seu país, nomeadamente no ecossistema Tsavo-Amboseli.
Fonte: Ciência hoje

domingo, 3 de junho de 2012

O Ambiente de A a Z

Breve glossário – ambiente


Abiótico - desprovido de vida. "Substâncias abióticas são compostos como água, oxigénio, cálcio, azoto, aminoácidos, etc. O ecossistema (...) inclui tanto os organismos (comunidade biótica) como um ambiente abiótico". (Odum, 1972)

Acidente grave - acontecimento repentino e imprevisto, com efeitos limitados no tempo e no espaço e susceptível de atingir pessoas, bens e ambiente.

Acidificação – aumento da acidez do meio resultante da volatilização de diversos compostos, nomeadamente óxidos de azoto e amónia que contaminam as chuvas, provocando alterações químicas. O desenvolvimento das espécies vegetais não adaptadas a estas condições fica comprometido, alterando-se o equilíbrio dos ecossistemas, fenómeno especialmente gravoso nas áreas naturais onde ocorre proliferação de infestantes. A acidificação pode ser também uma consequência indirecta do excesso de nutrientes (eutrofização), visto que estes também têm efeitos acidificantes.

Aerobiose - vida na presença de oxigénio livre.

Agradação - assoreamento generalizado de um leito fluvial.

Algeroz - cano, caleira que dá escoamento às águas do telhado; parte saliente do telhado para desviar as águas da parede; cano que conduz a água da nora ao tanque.

Alóctone - material/ser vivo que se encontra dora do seu meio natural; depósitos constituídos por materiais transportados de outras áreas.

Aluvião - sedimentos, geralmente de materiais finos, incluindo argila, areia, silte, cascalho e seixo, carregados e depositados pelos rios transitória ou permanentemente.

Ambiente – conjunto de sistemas físicos, químicos, biológicos e suas relações e dos factores económicos, sociais e culturais com efeito directo ou indirecto, mediato ou imediato, sobre os seres vivos e a qualidade de vida do Homem (n.º2 do artigo 5º do D.L. n.º 11/87, Lei de Bases de Ambiente).

Anaerobiose - vida na ausência do oxigénio livre.

Ano hidrológico - período contínuo de doze meses durante o qual ocorre um ciclo anual climático completo e que é escolhido por permitir uma comparação mais significativa dos dados meteorológicos. Em Portugal, o ano hirdrológico inicia-se a 1 de Outubro.

Antrópico - relativo à acção humana.

Antropogénico – resultante da actividade humana.

Aquacultura - cultura de organismos aquáticos, incluindo peixes, moluscos, crustáceos e plantas aquáticas.

Aquífero - o mesmo que reservatório de água subterrânea; Estrato ou formação geológica que permite a circulação da água através dos seus poros ou fracturas, de modo a que o Homem possa aproveitá-la em quantidades economicamente viáveis tendo em conta um determinado uso.

Aquífero confinado - aquífero limitado superior e inferiormente por formações impermeáveis ou praticamente impermeáveis, no entanto,nos aquíferos confinados, a água está submetida a uma pressão superior à pressão atmosférica e todos os poros ou outros espaços estão completamente saturados de água.

Aquífero livre - aquífero onde existe uma superfície livre de água que está em contacto directo com o ar, ou seja, à pressão atmosférica. Este tipo de aquíferos são superficiais ou subsuperficiais, o que facilita a sua exploração, recarga e contaminação.

Aquífero semi-confinado - aquífero adjacente a uma fina camada de material semi-permeável, através da qual pode ocorrer a recarga do aquífero.

Assoreamento - depósito de sedimentos (transportados a curtas ou a longas distâncias) resultantes de processos erosivos nos solos e rochas, por acção das águas, ventos, processos químicos, antropogéneos e físicos.

Astenosfera – nível imediatamente abaixo da litosfera, sendo o outro estrato da crosta terrestre (para além da litosfera); estende-se a uma profundidade de 700 km e apresenta um comportamento plástico (nível mais viscoso da crosta), encontrando-se em deriva a uma velocidade média de 2-10 cm/ano.


Aterro – instalação física projectada para deposição final dos resíduos e de forma a minimizar os impactes sobre a saúde pública e ambiente, incluindo a contaminação das águas subterrâneas e a criação de ratos ou insectos.

Auditoria de sistema de gestão ambiental (SGA) - processo de verificação, sistemático e documentado, executado para obter e avaliar, de forma objectiva, evidências que determinem se o SGA de uma organização está em conformidade com os critérios de auditoria do SGA estabelecidos pela organização, e para comunicação dos resultados deste processo à Direcção.


Autoclavagem – tratamento que mantém o material contaminado a uma temperatura elevada e em contacto com vapor de água, durante um período de tempo suficiente para destruir potenciais agentes patogénicos ou reduzi-los a um nível que não constitua risco (desinfecção com calor húmido). O processo de autoclavagem inclui ciclos de compressão e de descompressão de forma a facilitar o contacto entre o vapor e os resíduos.

Autóctone - ser nativo, originário do próprio lugar onde habita actualmente.

B

Bacia hidrográfica - área total drenada por um rio e seus afluentes (The World Bank, 1978).

Biocidas – substâncias activas e preparações que contêm uma ou mais substâncias activas, utilizados para destruir, impedir, neutralizar, prevenir a acção ou de qualquer outro modo exercer um efeito de controlo dos organismos indesejados ou nocivos (paragas) e empregues em sectores não agrícolas (por exemplo, para preservação da madeira, consumo doméstico, etc.)

Biocombustível – combustível líquido ou gasoso para transportes produzido a partir da biomassa.

Biodegradável - substância/composto/material que pode ser decomposto por processos biológicos naturais.

Biodiversidade/Diversidade Biológica - "variabilidade entre organismos vivos de todas as origens [...]; compreende a diversidade dentro de cada espécie, entre espécies e dos ecossistemas" (Convenção da Diversidade Biológica).

Biogás - mistura de gases, com preponderância de metano, resultante da digestão anaeróbia de resíduos orgânicos.

Biomassa - massa seca total de material biológico; fracção biodegradável de produtos e resíduos da actividade agrícola e florestal (cereais, forragens, produtos amiláceos, oleaginosas, produtos fibrosos e lenhosos, etc.), assim como de resíduos industriais e urbanos.

Biota - conjunto dos componentes vivos (bióticos) de um ecossistema.

Biótopo - área geográfica, cujas condições de habitat são uniformes, podendo abrigar uma ou mais comunidades; parte não viva do ecossistema.

Bueiro - abertura natural ou artificial por onde se escoam as águas; valeta.

C


Cadeia Alimentar - sequência hierárquica de organismos que se alimentam uns dos outros, a partir dos produtores (como as plantas verdes), fonte primária de energia, e continuando por consumidores primários, secundários, etc.

Calamidade - acontecimento ou série de acontecimentos, em regra previsíveis, com efeitos prolongados no tempo e no espaço, com elevados prejuízos materiais e humanos e afectando intensamente as condições de vida e o tecido sócio-económico em áreas extensas do território (ex.: a seca no continente africano origina situações de fome e morte por subnutrição).

Cama das Minhocas - material que providencia um ambiente húmido e arejado, propício ao desenvolvimento das minhocas; o material mais apropriado consiste numa mistura de papel cortado em tiras finas humedecidas em água.

Campos-masseira - também conhecidos como campos-gamela ou campos-tabuleiro, consistem em pequenas parcelas de cultivo escavadas nas areias da beira-mar. No chão da masseira privilegia-se a produção de hortícolas e batatas e nas paredes inclinadas que a delimitam (os "valos" ou "moios"), quase sempre encimados por caniçais e pinheiros, cultiva-se a vinha.

Capacidade de campo - parâmetro que mede a capacidade de um solo para reter a água; teor de humidade que permanece num determinado solo após um longo período de drenagem gravitacional, sem suprimento de água na superfície do terreno; o mesmo que retenção específica (razão enter o volume de água retida depois de evacuada a água gravítica pelo volume total).

Capacidade utilizável do solo - diferença entre a capacidade de campo e o coeficiente de emurchecimento desse solo.

Capitação – o que se paga ou recebe por cabeça ou pessoa.

Catástrofe - acontecimento súbito, quase sempre imprevisível, com vítimas e danos materiais avultados e afectando gravemente a segurança das pessoas, as condições de vida e o tecido sócio-económico (ex.: cheias, sismos, incêndios florestais).

Chá de composto - solução rica em nutrientes destinada à rega; obtém-se coando uma corção de composto e diluindo em água numa proporção de 1:10.

Chorumes - essencialmente constituídos por uma mistura de dejectos sólidos e líquidos com restos de rações e água variando a sua composição com a espécie pecuária, a ração, a quantidade de água usada nas lavagens, etc.

Coeficiente de emurchecimento - teor de humidade do solo para o qual as plantas murcham, mantendo-se nesse estado de forma permanente.

Cogeração – produção simultânea, num processo único, de energia térmica e eléctrica.

Comburente - elemento que, associando-se quimicamente ao combustível, é capaz de fazê-lo entrar em combustão (ex: oxigénio)

Combustão - reacção química que origina uma chama, na presença de combustível, comburente e temperatura de ignição

Combustível - tudo o que é susceptível de entrar em combustão (ex: madeira, papel, etc.)


Compostagem – processo biológico de valorização da matéria orgânica presente no RS, promovendo a sua decomposição, através da acção de microorganismos, podendo ser aplicada a RS vegetais e municipais e a misturas de RS e lamas de ETAR (estação de tratamento de águas residuais). O produto final é um material estável semelhante ao húmus, designado por composto.

Compostagem Doméstica - compostagem com características artesanais feita directamente pelos cidadãos para transformação na origem dos seus resíduos orgânicos.

Composto - produto estabilizado, de cor acastanhada, resultante do processo de compostagem; promove a melhoria das condições do solo, nomeadamente em termos de estrutura, fertilidade, arejamento e actividade microbiana.

Crivo - utensílio com orifício de 0,5 a 2,5 cm de diâmetro utilizado para peneirar materiais; classifica materiais por dimensão e quebra grânulos, uniformizando a sua granulometria.

Crucíferas – grupo de plantas caracterizado por ter as pétalas em cruz, como a colza e a soagem.

D

Decomposição - putrefacção ou degradação de matéria orgânica em elementos mais simples, por parte de decompositores.

Delta - depósito de sedimentos que surge na foz de certos rios, na forma de um leque, na direção do mar. Essa deposição exige certas condições como: ausência de correntes marinhas, fundo raso, abundância de detritos, etc.

Desenvolvimento Sustentável - desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades. De acordo com a Estratégia da União Europeia para o Desenvolvimento Sustentável (COM(2001)264 final, de 15 de Maio), o crescimento económico, a coesão social e a protecção ambiental devem andar de mãos dadas, a fim de se alcançar a sustentabilidade, ou seja, o desenvolvimento sustentável só é possível através de um compromisso entre os três pilares: economia, sociedade e ambiente.

Desertificação - perda de capacidade do solo para realizar as suas funções, deixando de ser capaz de manter ou sustentar a vegetação; este processo de degradação do solo pode ser natural ou provocado por factores tais como a remoção da cobertura vegetal, a sua impermeabilização ou contaminação.

Deslizamento – movimento de grande quantidade de terra ou material rochoso, ao longo do plano de inclinação de uma vertente. Este tipo de deslocamento ocorre normalmente a velocidades notórias, por acção da gravidade. Acontece frequentemente em consequência de um sismo ou de fortes chuvadas.

Detrito - matéria orgânica morta.

Digestão Anaeróbia - mineralização da matéria orgânica na ausência de oxigénio, tendo como principal objectivo a produção de energia, sob a forma de metano ou biogás, em alternativa aos combustíveis fósseis.

Dioxinas - compostos orgânicos altamente tóxicos, pouco solúveis em água, capazes de percorrer enormes distâncias e com elevada persistência no ambiente, acumulando-se nas gorduras e bioacumulando-se ao longo da cadeia alimentar; provenientes sobretudo de reacções químicas que envolvam a combustão de substâncias cloradas (incineração de resíduos perigosos, fundição de metais, branqueamento da pasta de papel, escapes de automóveis,...) e cujos principais efeitos incluem maior susceptibilidade a infecções, cancro, defeitos congénitos e atraso no crescimento de crianças. Não existe um nível de dioxinas que possa ser considerado seguro.

A produção de dioxinas poderia ser reduzida optando por materiais e processos industriais livres de cloro, como o branqueamento de papel sem recorrer a cloro, baseado em oxigénio, ozono ou peróxido.

Dragagem - escavação ou remoção de solo ou rochas do fundo de rios, lagos, canais ou até do mar, de forma a permitir o aprofundamento e alargamento dessas massas de água, assim como a construção de diques e a preparação de fundações para pontes e outras estruturas.

E

Ecocentro - parque vigiado com contentores de grandes dimensões para recolha e armazenamento selectivos de tipos de resíduos sólidos com viabilidade de valorização, recuperação e reciclagem, como os entulhos, restos de madeira e electrodomésticos.

Ecoponto - conjunto de contentores individuais para deposição selectiva de diferentes tipos de resíduos sólidos urbanos; cada contentor apresenta cor e sinalética específica, relativa ao tipo de material que pode ser nele depositado: contentor azul (papelão), para papel e cartão; contentor amarelo (embalão), para embalagens e metais; contentor verde (vidrão), para vidro; contentor vermelho, para pilhas.

Ecossistema - complexo que inclui a comunidade viva, o seu meio e as suas interacções, funcionando como uma unidade ecológica na natureza.

Ecótono - transição gradual, abrupta, em mosaico ou com estrutura própria entre duas ou mais comunidades diferentes. A comunidade do ecótono pode conter organismos de cada uma das comunidades adjacentes, além dos organismos característicos.

Ecotoxicologia ou Toxicologia Ambiental - estudo dos efeitos nocivos produzidos no ambiente e nos seres vivos pelos agentes químicos, tendo por finalidade o estabelecimento da relação entre a quantidade de tóxico libertada num determinado local e o efeito produzido nos receptores com que contacta na sequência da sua interrelação ambiental. Os receptores poderão assim corresponder apenas a uma determinada espécie, mas também a comunidades e ecossistemas, pois o ambiente não é constituído por compartimentos estanque mas antes que se interrelacionam entre si.

Edáfico – relativo ao solo, à sua natureza.

Efeito de estufa - processo natural que mantém a temperatura média global na troposfera relativamente estável no tempo, dada a presença de gases com efeito de estufa na atmosfera (se não existisse efeito de estufa, a temperatura à superfície da Terra seria em média cerca de 34ºC mais fria do que é hoje). Este processo permite o equilíbrio entre radiação solar incidente absorvida e radiação solar irradiada sob a forma de radiação infravermelha (calor). Ver gases com efeito de estufa

Electricidade produzida a partir de fontes de energia renováveis - electricidade produzida por centrais que utilizem exclusivamente fontes de energia renováveis, bem como a quota de electricidade produzida a partir de fontes de energia renováveis em centrais híbridas que utilizam igualmente fontes de energia convencionais, incluindo a electricidade renovável utilizada para encher os sistemas de armazenagem e excluindo a electricidade produzida como resultado de sistemas de armazenamento 

Endemismo - espécies exclusivas de um determinado lugar.

Endocarpo - geralmente, a parte mais endurecida do fruto que cobre a semente (caroço).

Epicentro – ponto à superfície da terra situado na vertical do foco, correspondendo à zona onde o sismo é sentido com maior intensidade.

Erosão - desgaste do solo resultante da remoção de partículas finas deste por agentes como o vento, água e seres vivos.

Espécie Exótica - espécie presente numa determinada área geográfica da qual não é originária.

Espécie Pioneira - espécie que coloniza inicialmente uma área nova não ocupada por outras espécies.

Espécies Não Visadas - espécies de seres vivos, como a abelha, a minhoca e a joaninha, que não se pretende eliminar aquando da aplicação de produtos fito-farmacêuticos.

Espécies Não Indígenas (ou exóticas) - espécies da flora ou da fauna não originárias de um determinado território e para as quais não exista qualquer registo que tenha ocorrido naturalmente nesse território. No caso das espécies aquáticas, considera-se que uma espécie é não indígena se não for originária de uma bacia hidrográfica.

Estuário - extensão de água costeira, semi-fechada, com uma comunicação livre com o alto mar, sendo fortemente afectada pela actividade das marés; usado como local de desova de peixes. Os estuários são como ecótonos entre os habitats de água doce e os habitats marinhos, havendo mistura das águas de ambos os habitats, embora muitos dos seus atributos físicos e biológicos não sejam de transição, mas sim únicos.


Eutrofização – processo que favorece o crescimento de determinadas espécies vegetais, incluindo algas e infestantes, pelo enriquecimento da água em nutrientes, especialmente azoto e fósforo, resultante da contaminação de origem industrial e agrícola, com efeitos negativos sobre o equilíbrio dos ecossistemas (diminuição dos níveis de oxigénio e do pH das águas; em situações extremas, pode haver perda da fauna, flora e da qualidade da água para consumo humano).

Exocarpo - parte mais externa do fruto (pele).

Extravase - faça transbordar.

F

Falha – fractura na crosta terrestre que corresponde a uma superfície de descontinuidade geológica entre material rochoso, ao longo da qual podem ocorrer movimentações relativas. São zonas de menor resistência, sendo as estruturas geológicas que mais facilmente dão origem a sismos. Quando ocorrem movimentações no plano de fractura, designam-se por falhas activas, podendo aí haver actividade sísmica associada.

Fauna Auxiliar - organismos vivos, como a joaninha, que auxiliam o agricultor no controlo de pragas e doenças, como alternativa ao uso de produtos fito-farmacêuticos.

Fermentação ou Digestão Anaeróbia - degradação dos resíduos orgânicos em condições de anaerobiose.

Foco – o mesmo que hipocentro; zona no interior da terra na qual se dá a libertação de energia que provoca o sismo.

Fontes de energia renováveis - fontes de energia não fósseis, tal como energia solar, eólica, geotérmica, das ondas, das marés, hidráulica, de biomassa, de gases de aterro, de gases das instalações de tratamento de resíduos e do biogás

 Fumigação - acto de fumigar ou de expôr um corpo à influência do fumo, de gases ou vapores.

G

Gases com efeito de estufa (GEE) - gases que criam uma espécie de estufa, permitindo a entrada de radiação solar mas absorvendo parte da radiação infravermelha (calor) irradiada pela superfície terrestre. Os GEE mais importantes são o CO2 (dióxido de carbono), CH4 (metano), N2O (óxido nitroso), HFCs (hidrofluorcarbonetos), PFCs (perfluorcarbonetos), SF6 (hexafluoreto de enxofre) e ozono (troposférico). A queima de combustíveis fósseis, como o carvão e o petróleo (responsáveis por cerca de 75% das emissões antropogénicas de CO2 para a atmosfera), fogos florestais, alterações no uso do solo, transportes e deposição em aterro são algumas das fontes antropogénicas de GEE.

Geófagos - organismos que se alimentam da terra.

Gregarismo – uma espécie diz-se gregária quando mostra uma fidelidade muito grande com o mesmo local, não efectuando grandes deslocações (migrações) para completar o seu ciclo de vida.

H


Habitat - local físico onde um organismo vive, obtém alimento, abrigo e condições de reprodução.

Hipocentro - o mesmo que foco.

Humidade - relação entre o peso de água de um objecto e o seu peso total.

Húmus - matéria orgânica do solo proveniente de decomposição de seres vivos; base de fertilidade do terreno.

I


Impacte Ambiental – conjunto de alterações favoráveis ou desfavoráveis produzidas em parâmetros ambientais e sociais, num determinado período de tempo e numa determinada área, resultante da concretização do projecto, comparadas com a situação que ocorreria, nesse período e nessa área, se esse projecto não tivesse lugar (D.L. n.º 69/2000).

Inorgânico - material sem ligações carbono-carbono, como a pedra ou o metal; não é sujeito a decomposição biológica.

Instalação de co-incineração – instalação fixa ou móvel cuja principal finalidade consiste na geração de energia ou na produção de materiais e que utiliza resíduos como combustível regular ou adicional. Se a co-incineração se der de forma a que o objectivo principal da instalação passe a ser o tratamento térmico dos resíduos, a instalação será considerada instalação de incineração.

Instalação de incineração – unidade e equipamento técnico fixo ou móvel dedicado ao tratamento térmico de resíduos, com ou sem recuperação da energia térmica gerada pela combustão.

Intervalo de Segurança- intervalo de tempo mínimo entre a última aplicação na cultura e a colheita do correspondente produto agrícola (ou entre a utilização do PF
e a venda ou consumo do género tratado, em certos casos de tratamentos pós colheita).


In situ – no próprio local.

Infiltração – processo de passagem da água pela superfície do solo.

Isossistas - curvas de igual valor de intensidade sísmica.

J

Jusante - direcção da corrente; o relevo de jusante está mais próximo da foz.

L

Laguna costeira - ecossistema formado em depressões, abaixo do nível do mar, contendo água salobra ou salgada, com comunicação efémera ou permanente com o mar e protegida através de barreiras.

Lameiro - terra alagadiça que produz muito pasto.

Lêntico - relativo à água parada, com movimento lento ou estagnado, com tempo de residência superior a 40 dias (ou ao do ambiente intermediário).

Liquefacção – processo pelo qual um solo de tipo arenoso, com elevado nível freático, adquire características de um líquido pelo aumento de pressão que a água exerce nos espaços existentes entre as partículas que o constituem. Este processo pode levar à a deformação de vias e assentamentos de edifícios.

Litosfera – um dos estratos da crosta terrestre, com cerca de 100 km de espessura nas áreas continentais e cerca de 50 km de espessura nas áreas oceânicas. Este estrato encontra-se dividido em 19 placas tectónicas: 12 placas maiores, não coincidentes com os limites dos continentes e 7 placas menores ou secundárias.

Lixeiras – ao contrário dos aterros, as lixeiras (a céu aberto ou controladas) não possuem sistema de impermeabilização nem controlo da emissão de lixiviados ou de gases de aterro. A lixeira tem ainda o problema adicional de o lixo aí depositado poder entrar em autocumbustão, contaminando toda a área circundante com gases e fumos tóxicos perigosos.

Lixiviado - líquido recolhido do aterro, resultante da percolação das águas da chuva ou de rega usadas no topo do aterro, assim como da água inicialmente contida nos resíduos depositados em aterro e da água subterrânea infiltrada; os lixiviados contêm uma grande variedade de substâncias dissolvidas e em suspensão, algumas podendo ser nocivas à saúde humana através do contacto da água com sólidos como a terra, resíduos ou composto. A composição química dos lixiviados varia muito com a composição química dos resíduos que estão a ser degradados, pelo que, em aterro, estes são sujeitos a tratamento para remoção de compostos tóxicos antes de poderem ser descarregados nas linhas de água.

Lodeiro - lugar em que há muito lodo.

Lótico - relativo a águas continentais moventes, com tempo de residência inferior a 2 dias (ou ao do ambiente intermediário).

M

Macronutrientes - geralmente absorvidos em maior quantidade pelas plantas e, caso estejam em conveniente equilíbrio com outros nutrientes e/ou formas de absorção, não são fitotóxicos; é o caso do azoto, potássio, fósforo, cálcio, magnésio e enxofre.

Malacologia - ciência que estuda os moluscos.

Maremoto– o mesmo que tsunami; onda gerada no oceano por um sismo cujo epicentro se localiza em fundo marinho ou próximo da costa. Apresenta um comprimento de onda muito elevado (a distância entre 2 cristas consecutivas pode atingir os 90 quilómetros), pode deslocar-se a grandes distâncias, com velocidades que podem ser superiores a 800 quilómetros por hora. Em águas profundas, a sua altura é inferior a um metro, mas à medida que se aproxima das zonas costeiras pouco profundas aumenta consideravelmente de tamanho, podendo atingir alturas de dezenas de metros, provocando grandes destruições em zonas costeiras. No interior de bacias hidrográficas, as ondas do maremoto adquirem a forma de maré rápida com uma amplitude que pode atingir alguns metros, provocando inundações em zonas pouco protegidas.

Masseira - ver campos-masseira

Mesocarpo - parte mais grossa do fruto, entre o exocarpo e o endocarpo.

Metais Pesados - elementos metálicos com elevado peso molecular, como o cádmio, o chumbo, cobre, mercúrio e zinco; normalmente tóxicos para plantas e animais, não existindo, nalguns casos, níveis mínimos de segurança de exposição a estes metais.

Metal - elemento químico cuja característica é o transporte de corrente eléctrica (ouro, prata, cobre).

Metano - composto químico gasoso (CH4) que contribui significativamente para o efeito de estufa e se forma por degradação da matéria orgânica em condições anaeróbias, dando origem a odores desagradáveis.

Micronutrientes - geralmente presentes nas plantas em quantidades reduzidas e podem, com frequência, acima de determinados limites, ser fitotóxicos; é o caso do ferro, manganês, zinco, cobre, boro e cloro.

Mineral - componente das rochas; cada mineral tem uma composição química e estrutura cristalina própria, como o quartzo.

Minério - mineral com grande quantidade de metais que podem ser explorados economicamente, por exemplo minério de ferro.

Mitigação – atenuação; redução.

Monocultura - prática agrícola de cultivo de uma única cultura sobre uma determinada exploração ou área.

Monómero - molécula que pode estabelecer ligações químicas com moléculas semelhantes e que se repete num polímero.


Monstros - resíduos sólidos de grandes dimensões, como os electrodomésticos e mobiliário.

Montante - direcção oposta à corrente; o relevo de montante está mais próximo das cabeceiras de um curso de água.

Mouchão - terreno arborizado nas lezírias ou ilhota arborizada que se forma no meio de um rio ou à beira-mar.

N

Nevoeiro - fenómeno meteorológico de escala espacial muito reduzida e, consequentemente altamente dependente das condições locais, tais como, a proximidade de uma linha de água ou a presença de pequenas depressões no terreno. O nevoeiro forma-se tipicamente quando existem grandes quantidades de vapor de água na atmosfera e temperaturas baixas. Ou seja, quando as condições hidrológicas se aproximam da saturação e a humidade relativa é próxima de 100%.

Nevoeiro fotoquímico - ver definição "smog"

Nidífugas – designação dada às espécies (crias) que saem do ninho após eclodirem. São exemplo, para além do sisão, a perdiz e os patos. As crias ao nascerem já sabem andar (e nadar, no caso dos patos), e andam junto dos progenitores em busca de alimento. Esta estratégia pode resultar do facto destas espécie nidificarem no chão, sendo assim o risco de predação maior, e assim podem procurar abrigo mais facilmente.

Nitreira – depósito que recebe os efluentes produzidos pelas explorações pecuárias.

Nível piezométrico - nível de água subterrânea de um aquífero cativo e semi-cativo em repouso hidrodinâmico, num determinado momento e local.

O

Ondas sísmicas - sinal da propagação da energia libertada pelo sismo, que compõe um registo ou sismograma. Existem vários tipos de onda registados pelo sismógrafo, de acordo com as suas características de propagação: ondas volúmicas, que atravessam os vários níveis do interior do planeta e ondas superficiais, que surgem a partir das anteriores, mas que se propagam apenas à superfície terrestre. A propagação das ondas sísmicas depende das características das rochas que atravessam e da distância percorrida até à estação de registo.

Orgânico - material biodegradável; com ligações carbono-carbono.

P

 Patogénico - com capacidade de causar doença.

Peneira - crivo de menores dimensões.

Percolação – processo de avanço da água no solo.

Perigo - características de toxicidade intrínsecas das substâncias activas.

Permeabilidade - capacidade de passagem de água através dos poros do solo.

Pesticidas - designação genérica que enbloba todas as substâncias ou produtos que destroem as pragas e patogéneos, aplicados quer no sector agrícola quer noutros sectores; os pesticidas podem ser agrupados consoante o agente a combater em: insecticidas (controlo de insectos), herbicidas (controlo de ervas) e fungicidas (controlo de fungos), entre outros.

Placas tectónicas – a litosfera encontra-se dividida em 19 placas tectónicas: 12 placas maiores, não coincidentes com os limites dos continentes e 7 placas menores ou secundárias. Estas placas não são estacionárias, pelo contrário, estão assentes sobre a astenosfera. Cada placa tectónica individualiza-se das restantes por meio de descontinuidades, ao longo das quais se concentra a maior parte da actividade sísmica e vulcânica mundial.

Polimerização - reacção química onde as moléculas de monómero (como o etileno – C2H2) são alteradas de forma a permitir o seu encadeamento umas nas outras, formando o polímero (como o polietileno), que consiste assim na repetição de um certo número de moléculas desse monómero.

Polímero - composto químico, resultante da polimerização. Os polímeros são macromoléculas formadas a partir de unidades estruturais mais pequenas (os monómeros), ligadas umas às outras em quantidades suficientes para fornecer um conjunto de propriedades que não variam acentuadamente com a adição ou a remoção de um ou mais monómeros.

Pragas - organismos que, pela sua natureza ou número, se tornam nocivos ou incómodos para a agricultura ou vida diária; é o caso das ervas daninhas, das moscas da fruta ou dos ratos.

 Princípio Poluidor-Pagador - todas as despesas de combate e redução da poluição devem ser suportadas pelo poluidor.

Princípio Precaução - devem ser tomadas medidas sempre que haja motivos razoáveis de preocupação quanto a riscos para a saúde pública e ecossistemas, mesmo que não haja provas concludentes de uma relação de causalidade entre as substâncias introduzidas e os efeitos causados.

Princípio da Subsidariedade - «distribuição de atribuições e competências [...] ao nível da administração mais próxima das populações, salvo quando os objectivos visados sejam melhor realizados a nível superior, materializando-se assim, conforme mais apropriado, nos subprincípios da descentralização, da desconcentração ou da centralização.» (in Estratégia Nacional da Conservação da Natureza e da Biodiversidade).

Produtos Fito-farmacêuticos (PF) - forma sobre a qual as substâncias activas e preparações que contêm uma ou mais substâncias activas são colocadas no mercado; os PF são utilizados para proteger plantas ou produtos vegetais de organismos nocivos (pragas) ou para prevenir a acção dos referidos organismos, podendo funcionar de várias maneiras: destruindo pragas (funcionando como pesticidas), criando uma barreira física, atraindo as pragas para longe das plantas, regulando o crescimento das plantas, etc. A maior parte dos PF é constituída por compostos químicos especificamente concebidos e com efeitos de pesticidas. Os PF podem também ser produtos químicos de base (ácidos gordos, aminoácidos, etc.), extractos de plantas ou animais, derivados de metabolitos vegetais ou outras substâncias.

R

Recarga de um aquífero - processo natural e artificial através do qual um aquífero recebe água proveniente do ciclo hidrológico de forma directa, o indirectamente através de outra formação, lago ou rio. A recarga natural depende fundamentalmente do regime pluviométrico e do equilíbrio que se estabelece entre a infiltração, o escoamento e a evaporação. Assim sendo, a natureza do solo e o coberto vegetal têm um papel fundamental na recarga dos aquíferos.

Reciclagem – quando se conseguem reaproveitar os materiais constituintes de um componente para sua utilização na constituição de novas componentes, reduzindo-se, na maior parte dos casos, o consumo de energia associado ao seu fabrico.

O símbolo da reciclagem consiste em três setas, como apresenta a figura, cada uma representando um grupo de pessoas que serão importantes para que ocorra a reciclagem. A primeira seta representa os produtores, empresas que fazem o produto, a segunda seta são os consumidores e a terceira representa as companhias de reciclagem.

Réplicas – sismos que se fazem sentir após o abalo principal e que geralmente diminuem em frequência e intensidade com o tempo.

Reservas petrolíferas - quantidades de petróleo que podem ser extraídas de forma economicamente viável e com os conhecimentos tecnológicos que caracterizam a comunidade num certo período.

Resíduos – materiais sólidos e semi-sólidos que o possuidor considera não terem valor suficiente para serem conservados, consistindo numa combinação de materiais semi-molhados combustíveis e não combustíveis, provenientes de diferentes origens, representando os resíduos residenciais e comerciais cerca de 50 a 75% dos resíduos originados numa comunidade.

Resíduos Agrícolas - resíduos provenientes de uma exploração agrícola, pecuária ou similar.

Resíduos Castanhos - resíduos em que a relação carbono-azoto é superior a 30:1; apresentam normalmente uma cor acastanhada e baixo teor de humidade (como os ramos secos).

Resíduo Hospitalar (RH) – compreende resíduos produzidos em unidades de cuidados de saúde, em seres humanos e animais e ainda em actividades de investigação relacionadas.

Resíduo Industrial (RI) – inclui resíduos gerados em actividades industriais, de produção e distribuição de electricidade, gás e água.

Resíduo Perigoso – resíduo ou combinação de resíduos que apresenta um risco substancial presente ou potencial para o homem ou para outros organismos vivos.

Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) - resíduos sólidos produzidos nas habitações, em estabelecimentos comerciais ou industriais e unidades prestadoras de cuidados de saúde, desde que, em qualquer dos casos, a produção diária não exceda os 1100 litros por produtor (Decreto-Lei n.º239/1997, de 9 de Setembro).

Resíduos Verdes - resíduos de composição vegetal em que o azoto está em excesso (relação C/N inferior a 30:1); apresentam, normalmente, uma coloração verde e humidade elevada.

Reutilização – sempre que seja possível aproveitar componentes em utilizações análogas e sem alterações.

Risco - probabilidade dos efeitos ocorrerem face a uma determinada situação de exposição (depende do perigo e da exposição a determinada substância/produto).

Rocha - agregado de minerais; pode ser composta por um só tipo de mineral ou vários

Rupícola ou rupestre - no sentido ecológico, aplica-se a organismos que vivem sobre paredes, muros, rochedos ou afloramentos rochosos.

S

Saprófagos - organismos que se alimentam de matéria orgânica não viva, como as minhocas.

Secagem Térmica - processo de redução de humidade do resíduo através de evaporação de água para a atmosfera com a aplicação de energia térmica, podendo-se obter teores de sólidos da ordem de 90 a 95%. O volume final do resíduo é reduzido significativamente.

Serviços de ecossistemas ou serviços ecossistémicos - benefícios directos ou indirectos que as pessoas obtêm dos ecossistemas, como a produção do alimento e a regulação do clima, respectivamente.

Sequestro - fixação de CO2, nomeadamente nas árvores e solo, com vista ao abaixamento do teor deste gás na atmosfera.

Sismo - o mesmo que terramoto; fenómeno físico resultante da libertação súbita de grande quantidade de energia, que se foi acumulando em determinada região da crosta terrestre, durante um certo intervalo de tempo e que provoca vibrações que se transmitem a uma extensa área circundante.

Sismógrafo - instrumento de grande sensibilidade aos movimentos da superfície terrestre. A partir de cálculos com base em registos de sismógrafos, localizados em diferentes pontos do planeta para um mesmo sismo, é possível determinar o epicentro.

Smog - o mesmo que nevoeiro fotoquímico; ocorre em zonas com maiores problemas de poluição, designadamente áreas urbanas e industriais. A reação de gases proveniente da combustão industrial, automóvel e doméstica (principalmente óxidos de azoto, compostos orgânicos voláteis não metânicos, monóxido de carbono e metano) com a luz solar produz o chamado nevoeiro fotoquímico, cuja característica principal é a presença de ozono na troposfera. Os valores mais elevados ocorrem usualmente nos dias de maior luminosidade e de grande estabilidade atmosférica junto à superfície, visto favorecerem a acumulação destes poluentes em certas zonas. A visibilidade reduz-se à medida que aumenta a quantidade de partículas poluentes, formando uma bruma (no caso de ar seco) ou actuando como núcleos de condensação para a formação de neblina ou nevoeiro (no caso de ar húmido).A palavra "smog" foi inventada para descrever a combinação de fumo (smoke) e nevoeiro (fog) que envolvia Londres durante os anos cinquenta e que vitimou milhares de pessoas.

Stress hídrico (no geral) - quando a procura de água excede a quantidade disponível durante um certo período ou quando a fraca qualidade de água restringe a sua utilização.

Stress hídrico (no caso específico das plantas) - ocorre quando a planta é incapaz de absorver água suficiente para substituir a perda de água por transpiração. Para períodos longos de stress hídrico, a planta pode parar de crescer e eventualmente morrer.

Substância activa - ingrediente que exerce a actividade biológica.

Surraipa - horizonte de acumulação endurecido que resulta da cimentação dos grãos de areia.

T

Taxon - singular de taxa; o mesmo que phyla ou grupo taxonómico. Taxa corresponde aos grupos de organismos, em qualquer uma das sub-divisões de espécies. Todos os seres vivos são classificados segundo uma hierarquia, a taxonomia de Lineu, que começa nos primeiros grandes grupos: os Reinos, divididos em Filos, por sua vez divididos em classes, estas em ordens, famílias, géneros e, finalmente, em espécies. Dentro de cada espécie existem vários taxa.

Temperatura de ignição - temperatura acima da qual um combustível pode queimar

 Tempo de Meia-Vida (DT50) - tempo entre a entrada de uma dose no organismo e a expulsão de metade dessa dose do organismo.

Textura - proporção existente no solo de partículas minerais de diferentes tamanhos, com dimensões inferiores a 2mm; terra fina: areia (entre 2 e 0.02mm), limo (entre 0.02 e 0.002mm) e argila (menor que 0.002mm).

Triagem - separação em materiais constituintes destinados à valorização ou outro tratamento posterior em fluxos separados.

 Troposfera – camada da atmosfera mais próxima do solo, desde os 0 aos 20 km de altitude.

Tsunami - o mesmo que maremoto

V

 Valorização Energética - libertação, por combustão (a temperaturas na ordem dos 1100ºC), da energia química contida nas fracções do RS a processar de forma utilizável (geralmente energia eléctrica).

Vermicompostagem - compostagem com minhocas.

Vermicomposto - composto originado na vermicompostagem e constituído pelos excrementos de minhocas.

Vermicompostor ou Vermicontentor - o mesmo que windrow ou caixa de minhocas; recipiente para minhocas.

Z

Zonas Húmidas - "áreas de pântano, charco, turfa ou água, natural ou artificial, permanente ou temporária, com água estagnada ou corrente, doce salobra ou salgada, incluindo áreas de água marítima com menos de seis metros de profundidade na maré baixa" (Convenção de Ramsar).

Os animais selvagens das cidades


“Foi no coração da metrópole mais populosa da União Europeia (Londres), com quase tantos habitantes como a nação portuguesa, que observei pela primeira vez, e sem necessidade de binóculos, corvos, gralhas, gansos selvagens, patos bravos de diferentes espécies, esquilos e chapins, que vinham comer às mãos dos transeuntes, e até veados e gamos que se passeavam livremente pelos relvados, bosques e jardins. Também me falaram das raposas que existiam (e ainda existem) aos milhares nos jardins londrinos, mas os seus hábitos nocturnos impediram-me de as lobrigar, tendo acabado por conhecê-las anos mais tarde através de um documentário da BBC.” … “A capital portuguesa não é excepção. Também ela acolhe animais selvagens que coabitam connosco sem que, muitas vezes, nos apercebamos da sua presença. É claro que não podemos encontrar os veados e gamos de Oxford, as raposas e esquilos de Londres, os texugos de Copenhaga, os javalis de Berlim, os lobos de Brasov (Roménia), os falcões peregrinos de Nova Iorque, os urubus-pretos de São Paulo, os macacos hanuman do Rajastão (Índia) ou os Ursos polares de Churchill (Canadá), mas Lisboa é igualmente uma urbe selvagem, bem como todas as outras cidades e vilas portuguesas.” … “O guia das aves publicado em 1997 pela autarquia alfacinha [.] Nas páginas desse livro de bolso, pode descobrir-se que, à época, já tinham sido observadas 133 espécies dentro dos limites da cidade (35 nidificantes, 65 migradoras e 33 de ocorrência esporádica.”… “É o exemplo da avifauna portuguesa, que pode ser descoberta em aves de Lisboa (lisboa.avesdeportugal.info).”
Fonte: Super interessante