quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Fauna perigosa portuguesa:


Para aliviar a dor da picada dos peixes-aranha pode recorrer-se ao calor, colocando o membro afectado em água quente, é ainda recomendável o uso de analgésicos e antissépticos. Já os ouriços-do-mar requerem longas horas para retirar os picos cravados na pele, a aplicação local de vinagre ajuda a dissolver os espinhos. Essencialmente ao entardecer em zonas secas e pedregosas os escorpiões ou lacraus deixam os seus abrigos subterrâneos e tornam-se mais activos, a picada é dolorosa e pode desencadear alergia. As alforrecas são tão perigosas vivas como mortas porque os nematocistos (que injectam veneno), continuam activos muito tempo após a sua morte, os sintomas são a dor aguda imediata e um prurido persistente, o tratamento consiste na remoção imediata dos pedaços de tentáculos, seguida por aplicação de creme gordo, analgésicos e anti-inflamatórios sistémicos. As carraças ou carrapatos, fixam-se á pele e podem deixar infecções, não se devem arrancar, o procedimento inclui algodão embebido em éter para que elas se soltem, o tratamento faz-se através de pomadas. Já a víbora-cornuda e a víbora-da-Seoane distinguem-se das outras serpentes pela sua cabeça triangular, pupila vertical e tamanho inferior a 70 centímetros, as zonas rochosas e montanhosas são o seu habitat, o tratamento á mordedura inclui o repouso da vítima, a lavagem com água e aplicação de gelo para acalmar a dor, após estes deve-se providenciar o tratamento hospitalar o mais rápido possível.
O número do centro de informação antivenenos é o 808 250 143.
 E do instituto nacional de emergência médica o 112.
Fonte: Super interessante

O regresso dos corais:


Em 1998, o aquecimento invulgar das águas devido ao furacão El Niño destruiu abundantes populações de corais nos recifes das Maldivas, no Oceano Índico. No entanto, um projecto de recuperação lançado pela empresa local Seamarc devolveu a esperança a uma boa parte destes organismos. A companhia que tem as suas bases de operações em diversos hotéis do arquipélago, criou um sistema pioneiro que consiste em implantar culturas artificiais numas estruturas metálicas que são instaladas nos recifes. Das 420 armações com 37.332 fragmentos coralinos colocados desde 2006 em torno do resort Four Seasons de Landaa Giraavaru, sobreviveram 80%. O mesmo sucedeu no Four Seasons de Kuda Huraa. Uma equipa de biólogos marinhos faz o seguimento das colónias regeneradas, que não só se revelaram resistentes aos predadores como também atraíram muitas formas de vida submarina. E são também um íman para os hóspedes dos hotéis que podem praticar mergulho, enquanto fazem turismo sustentável e contribuem economicamente para patrocinar o projecto. Algumas colónias de cnidários implantadas nestas armações chegam a crescer 30 centímetros por ano.
Fonte: Super interessante

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ainda a habitação low-cost:


Aço leve substitui tijolo e betão para construir casas (e casas modulares).
Fonte: Super interessante

Água quente na ribeira:


Prever os efeitos do aquecimento global (que pode atingir 6 a 7°C nos próximos 100 anos), nas componentes físico-químicas e biológica dos pequenos cursos de água é o objectivo de uma experiência pioneira e única na Europa que está a ser desenvolvida na Ribeira do Candal, na Serra da Lousã. Nesse curso de água vai ser efectuada a manipulação da temperatura, tendo o percurso sido dividido longitudinalmente. Assim vai ser testado o aumento, num troço de 22 metros, de 5°C acima da temperatura ambiente da água observada na outra metade, com recurso a um termo acumulador gigante propositadamente construído para o efeito. Com o caudal de 3 litros por segundo, a ser controlado por um pequeno muro com duas válvulas que descarregam individualmente para cada uma das metades. Em ambos os lados ao longo de 2 anos serão avaliados diversos parâmetros estruturais (diversidade das comunidades de algas, fungos e macroinvertebrados) e funcionais, como o metabolismo do ribeiro e as taxas de decomposição da folhada, fonte de energia das cadeias alimentares nestes ribeiros. Por comparação entre ao 2 lados e o antes e depois do aquecimento, será possível inferir alterações que ocorrem no ecossistema devidas ao aumento da temperatura. “ Por exemplo, podemos saber se há alterações na biodiversidade e nos tipos de organismos antes e depois do aumento da temperatura; se as algas, fungos e invertebrados que resistem a esse aumento de temperatura apresentam alterações nas suas taxas de crescimento ou sobrevivência, ou no seu comportamento (no caso dos invertebrados), e se desempenham a sua função no ecossistema de forma igualmente eficiente antes e após do aquecimento” explica a investigadora Cristina Canhoto. Na 1ª fase, em conclusão, foi feito um meticuloso trabalho de avaliação da diversidade biológica actual da ribeira: que fungos aquáticos, invertebrados e algas existem na ribeira e em que quantidades? Como são as histórias de vida e os comportamentos de alguns tipos de invertebrados? Os investigadores precisavam saber como funciona o ecossistema, particularmente as taxas de reciclagem de nutrientes. Para tanto estudaram a decomposição das folhas. Neste processo intervém grande parte dos organismos aquáticos, pelo que a degradação foliar constitui uma ferramenta útil para avaliar o estado ecológico dos cursos de água, uma excelente radiografia integradora do que se passa na Ribeira de Candal.
Acentuando que em termos ecológicos não haverá nenhum problema devido aos testes em curso. Os valores não ultrapassam os limites que eventualmente ocorrem em determinadas áreas do curso de água, por outro lado, o troço é muito pequeno (não só longitudinalmente como é apenas uma derivação da ribeira propriamente dita) para que possam ocorrer efeitos nefastos na ecologia do curso de água.
Fonte: Super interessante

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A flora do litoral arenoso:


As mantas arenosas e os ecossistemas dunares que lhe estão associados constituem sistemas de elevada fragilidade, e formam importantes reservatórios de areia que funcionam como barreiras defensivas de reconhecida eficácia contra os avanços do mar, principalmente em ocasião de temporal. Também evitam a contaminação de aquíferos continentais pela água salgada, a salinização dos solos (especialmente os reservados para agricultura), a destruição de infra-estruturas (casas, estradas, etc.) e a abrasão marítima das falésias, entre outras. A vegetação dita dunar, exclusiva do litoral arenoso, encontra-se adaptada a um meio agreste de substrato instável. Merece realce pelas suas peculiaridades biológicas e pelo inestimável papel que desempenha na estabilização de areias e na formação de sistemas dunares que, embora sejam constantemente modelados por brisas e tempestades, constituem a melhor protecção contra a erosão costeira. Desde as areias irrequietas da preia-mar até aos solos mais estabilizados do interior, podem distinguir-se várias comunidades de plantas que, conforme aumente a distância ao mar e se vão aquietando os ventos e as areias, se tornam cada vez mais complexas e com maior número de espécies. Por exemplo, no litoral norte de Portugal, na primeira linha vegetal, chamada duna embrionária, só algumas plantas anuais muito resistentes conseguem sobreviver, porque os riscos de submersão por água do mar e o enterramento por areias são constantes, a título de exemplo temos o feno-das-areias (Elimus farctus), o sapinho-da-praia (Honckenya peploides), a eruca-marítima (Cakile maritima), a barrilheira (Salsola kali), e a corriola-marinha (Polygonum maritimum).    
Mais além, na duna primária ou duna branca, surgem comunidades herbáceas vivazes dominadas pelo estorno (Ammophila arenaria), acompanhado por outras espécies, como a luzerna-das-praias (Medicago marina), os cordeirinhos-das-praias (Otanthus maritimus), o cardo-marítimo (Eryngium maritimum), a morganheira-das-praias (Euphorbia paralias), e o lírio-das-praias (Pancratium maritimum), entre outras. Os tapetes de estorno são verdadeiros protectores das dunas, com uma média de crescimento de 1 metro quadrado por ano e uma extensa rede de raízes sobre os montículos de areia sustêm as dunas e criam condições para que outras plantas dunares possam aí sobreviver. Nas áreas estabilizadas da duna secundária ou duna cinzenta, onde domina a madorneira (Artemisia campestris), aparecem também a granza-da-praia (Crucianella maritima), a luzerna-das-praias, o lírio-das-praias, o estorno e o goivo-da-praia (Malcomia littorea). Mais para o interior surgem ainda o saganho-mouro (Cistus salvifolius), e alguns endemismos como a Jasione lusitanica (que apenas ocorre nas costas do noroeste peninsular), a camarinha (Corema album) e a Centaurea spharaerocephala, que são ambas endemismos ibéricos. Finalmente sobre as areias consolidadas ocorrem povoamentos antigos de pinheiro-bravo (Pinus pinaster) sob os quais se desenvolvem tojais (plantas com espinhos), dominados sobretudo pelo tojo-arnal (Ulex europaeus). Embora em muitos locais da beira-mar seja habitual a presença dos chorões (Carpobrotus edulis), convém não esquecer que esta planta não é espontânea de Portugal, trata-se na verdade de uma espécie exótica invasora oriunda da África do sul que foi trazida para decoração, acabando infelizmente por ser usada na fixação de dunas e taludes. O seu vigoroso crescimento leva á formação de extensos tapetes contínuos e impenetráveis que substituem rapidamente as espécies nativas, constituindo por isso uma ameaça para as restantes plantas dunares. Por isso deve evitar-se a sua propagação para outros locais, uma vez que basta um pedaço (uma vez que enraíza facilmente) para se formarem novos focos de invasão. Existe também fauna exclusiva dos sistemas dunares, nos insectos temos: borboletas, gafanhotos, aranhas, louva-a-deus, grilos-da-areia, bichas-cadelas-da-areia, e formigas-leões-da-areia. Anfíbios como: o sapo-de-unha-negra e o sapo-corredor que costumam aparecer em noites húmidas. Répteis como: o sardão, a lagartixa-de-Carbonell e a lagartixa-de-dedos-dentados. Mamíferos como: o ouriço-cacheiro, o coelho e a raposa, que deixam marcas na areia. E aves marinhas que ali vivem á procura de alimento, abrigo ou para se reproduzirem (borrelhos, pilritos, e gaivotas, entre outras). Este ambiente é bastante hostil para os seres vivos que ali vivem, a elevada salinidade do ar e da água, os ventos por vezes muito fortes, a baixa retenção de água e a falta de nutrientes do solo arenoso, a intensa mobilidade dos grãos de areia, o impacto de partículas sólidas sobre os organismos, o risco de enterramento nas areias e de submersão pelo mar, a forte insolação, o aquecimento do solo e as elevadas amplitudes térmicas diárias e anuais são apenas alguns exemplos.                                                                                                           
As principais adaptações da flora dunar localizam-se sobretudo ao nível das raízes e folhas, uma vez que as plantas das dunas precisam retirar água de um meio onde esta é escassa e também precisam reduzir as suas perdas por evaporação. As raízes são geralmente fundas e surgem assim como órgãos especializados em alcançar os parcos nutrientes dos areais, bem como assegurar a captação e retenção desse líquido essencial, a água. No caso do estorno, as raízes estão transformadas em rizomas que se apresentam longos e formam redes sob a areia. São eles que contribuem para a recolha e retenção do máximo de água possível, garantindo a esta planta um lugar insubstituível na estabilização e protecção das dunas. Outras espécies como o lírio-das-praias, apresentam raízes na forma de bolbos grandes e carnudos que funcionam como reservatório de água e nutrientes. As folhas, por seu lado, precisam resistir á insolação e á perda excessiva de água, enquanto continuam a fazer as trocas gasosas com o meio e a fotossíntese (processo que garante ás plantas o seu próprio alimento e a libertação de oxigénio). De modo a responderem a esses desafios em simultâneo, a evolução dotou-as de engenhosas soluções, que surgem aos olhos dos leigos como a face mais visível das adaptações á vida dunar. O cardo-marítimo, por exemplo, apresenta folhas largas e finas revestidas por uma camada cerosa que as impermeabiliza e lhes dá um aspecto brilhante e uma textura coriácea. Já os cordeirinhos-da-praia optaram pela microfilia (reduzir as dimensões da folha) e além disso, exibem um denso tomento branco, lanoso, que protege da insolação e mantém simultaneamente uma fina camada de ar húmido em torno das estruturas foliares. A luzerna-das-praias ostenta indumentos de pêlos compridos, de modo a reflectir a luz. A eruca-marinha e a barrilheira combatem a falta de água através de folhas e estruturas suculentas. A morganheira-das-praias resolve o problema da falta de água aumentando a tensão osmótica interna, através da produção de substâncias que conferem um aspecto leitoso á sua seiva (liquido nutritivo que circula nas plantas). O estorno, bem como outras gramíneas da praia, reagem ao tempo seco e ventoso enrolando as suas folhas ao longo da sua nervura central. Desse modo diminuem a superfície de evaporação e criam canais úteis para recolher o orvalho nocturno (procedimento essencial para sobreviverem aos rigores do estio – Verão). Já o feno-das-areias, dada a sua ocorrência em dunas embrionárias onde as condições são muito agrestes, leva ainda mais longe a adaptação das folhas: apresenta-as lineares, lisas e brilhantes na parte superior e enrugadas como um fole na parte inferior. Assim, enquanto a superfície brilhante está impermeabilizada por uma película cerosa que reflecte a luz solar e isola da acção directa da salsugem, a face inferior, enrugada, cria um ambiente abrigado onde ocorrem as trocas gasosas, minimizando desse modo as perdas de água.
A construção de esporões artificias de forma perpendicular á costa vieram alterar a deriva litoral, ou seja, o movimento de sedimentos ao longo das praias. Como consequência assiste-se a uma maior concentração de areia de um dos lados, (na zona de acreção que se costuma situar a norte) e uma intensa erosão do outro lado (que se costuma localizar a sul).
 Fonte: Super interessante

A planta salva-minas:


Diana Quaresma, Susana Sousa, Tânia Brandão e Melissa Jesus eram alunas da Escola Secundária de Arouca e precisavam de um projecto para desenvolver durante o ano lectivo 2008/9 e estudaram a população (plantas) que coloniza a escombreira da mina abandonada da Poça da Cadela da qual se extraía Volfrâmio (Tungsténio), que provocou um amontoado de material estéril, fonte de contaminação do solo e da água por metais tóxicos. E assim, ao fim de 8 meses descobriram que o chapéu-dos-telhados (Umbilicus rupestris), comum de norte a sul do país, é capaz de limpar aqueles solos. Este fenómeno designado por metatolerância, é consequência da adaptação evolutiva de vegetais face ao stress geoquímico, quer de origem natural quer de origem antropogénica. A capacidade de hiper-acumulação de metais é rara, sendo referidas 400 espécies, sendo apenas 2% nas angiospérmicas (plantas que dão flores e frutos). E apenas 2 acumulam crómio. Em Maio de 2009 vieram os resultados. Os ensaios para avaliar a tolerância ao crómio mostraram que a espécie tolera concentrações superiores a 1000 ppm (partes por milhão) sendo que o máximo tolerado pelo Homem é de 50 ppm.
Fonte: Super interessante