terça-feira, 23 de agosto de 2011

Os animais e as plantas estão a fugir para longe do calor



18.08.2011
PÚBLICO

Os animais e as plantas estão a fugir para latitudes frias e para altitudes maiores nas últimas quatro décadas devido às alterações climáticas, mostra um estudo publicado nesta quinta-feira na edição online da revista Science.
“Estas alterações são o equivalente aos animais e às plantas a distanciarem-se do Equador 20 centímetros por cada hora, todas as horas do dia, todos os dias do ano”, explicou em comunicado Chris Thomas, biólogo e professor da Universidade de York, e líder do projecto que originou o artigo.
A equipa analisou informação de duas mil espécies de animais e plantas. Segundo o resumo do artigo “a distribuição das espécies alterou-se recentemente para altitudes superiores a uma média de 11 metros por década, e para latitudes maiores a uma média de 16,9 quilómetros por década”. Estes resultados são em média duas a três vezes superiores aos estudos que já se tinham feito.
A informação recolhida foi de espécies de aves, animais, répteis, insectos, aranhas e plantas, na Europa, América do Norte, Chile, Malásia e na ilha de Marion, no sul de África . “Mostrámos pela primeira vez que as mudanças de distribuição das espécies estão relacionadas com o grau das alterações climáticas numa dada região”, explicou, citada pela AFP, I-Ching Chen, a primeira autora do artigo, que fez o doutoramento na Universidade de York.
Mas estas mudanças não são lineares. Há espécies que viajam muito para norte, outras menos, há outras que se mantêm com a mesma distribuição, mas tornam-se mais frequentes nas áreas dessa região que são mais frias e diminuem de frequência nas zonas mais quentes. Há casos em que outras condicionantes, como a redução do habitat, travam migrações que pareceriam óbvias sob a óptica das alterações climáticas.
Na Grã-Bretanha, a borboleta Fabriciana adippe “esperar-se-ia que viajasse para norte se as alterações climáticas fossem a única coisa a afectá-la, mas na verdade tem vindo a diminuir por causa da perda de habitat”, disse em comunicado David Roy, co-autor do artigo. O especialista refere-se ainda à Polygonia c-album, uma borboleta comum na Grã-Bretanha, que, "em duas décadas, se moveu 220 quilómetros do centro da Inglaterra para Edimburgo”.
Apesar de este estudo não prever as consequências destes efeitos, que se espera que continuem a sentir-se ao longo deste século, Chris Thomas defende que as histórias não vão ser todas iguais: “A rapidez com que as espécies estão a mover-se devido às alterações climáticas indica que muitas estão realmente a ir em direcção à extinção, devido à deterioração das condições climáticas. Por outro lado, outras espécies estão a mover-se para novas áreas onde o clima se tornou apropriado, por isso vão haver alguns ganhadores, assim como perdedores.”
Fonte: público

Mais de uma centena de espécies de mamíferos fotografada no seu habita



Estudo revela que animais de pequeno porte e insectívoros são os primeiros a desaparecer
2011-08-19
Um puma na Costa Rica
O primeiro estudo fotográfico realizado a nível mundial documentou 105 espécies em 52 mil imagens captadas em sete áreas protegidas da América, África e Ásia. As fotografias revelam uma grande variedade de animais nos seus diferentes momentos do quotidiano. Foram registados ratos, elefantes, gorilas, pumas, papa-formigas e mesmo turistas e caçadores.
A análise dos dados fornecidos pelas fotografias ajudou os cientistas a confirmar a hipótese de que a perda de habitat e a diminuição das reservas têm um impacto directo na deterioração da diversidade e da sobrevivência das populações de mamíferos. Os resultados do estudo, liderado por Jorge Ahumada, da Tropical Ecology Assessment and Monitoring (TEAM) Network at Conservation International, foram publicados no «Journal Philosophical Transactions of the Royal Society»
Os animais de pequeno porte e os insectívoros são os primeiros a desaparecer em habitats fragilizados, conclui o estudo. Esta informação é crucial para se compreender as ameaças às florestas de mamíferos e até antecipar extinções e tentar evitá-las.
Para a realização deste trabalho foram utilizadas 420 câmaras e 60 armadilhas fotográficas em locais com uma densidade de uma em cada dois quilómetros quadrados. As fotografias foram tiradas entre 2008 e 2010. Depois, os cientistas catalogaram os animais por espécie, porte e dieta.
Os investigadores chegaram à conclusão que as maiores áreas protegidas e florestas contínuas têm três atributos principais: maior diversidade de espécies, maior variedade de animais de diferentes portes, incluindo populações de grandes mamíferos, e uma maior variedade de dietas alimentares entre esses animais (insectívoros, herbívoros, carnívoros e omnívoros). Jorge Ahumada considera este estudo importante pois sublinha a importância do crescimento das áreas protegidas.
Tapir sul-americano na Reserva Nacional do Suriname
Foi a Reserva Natural do Suriname Central, designado em 2000, pela Unesco, Património da Humanidade, que apresentou maior diversidade de espécies de mamíferos (28). A Área Nacional Protegida de Kading, no Laos, que apresenta um habitat muito fragmentado, revelou uma menor diversidade de espécies (13).
Com 25 por cento dos mamíferos sobre ameaça a nível mundial e pouca informação disponível, este estudo vem preencher uma lacuna. Vai agora ajudar os cientistas a saber como os mamíferos são afectados pelo local que habitam e a compreender melhor as ameaças regionais como a sobrecaça, a transformação da terra para a agricultura e as alterações climáticas.
Os parceiros do estudo foram o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazónia, Conservation International Suriname, Organization for Tropical Studies, Museo Tridentino di Scienze Naturali e o Institute of Tropical Forest Conservation.
 Fonte: Ciência Hoje

Pobre diversidade genética do lince-ibérico é característica com milhares de anos


Cientistas descobrem que exemplares com 50 mil anos têm a mesma diversidade que os actuais
2011-08-22
Existem poucos mais de 200 exemplares de lince-ibérico (Lynx pardinus)
A baixa diversidade genética de uma espécie juntamente com o diminuto número de indivíduos e isolamento das populações, o que promove a consanguinidade, são as causas principais para uma rápida extinção. O lince-ibérico, (Lynx pardinus) o felino mais ameaçado do mundo – em estado de ‘perigo crítico’ – cumpre todos esses requisitos. No entanto, um grupo internacional de investigadores descobriu que a diminuta diversidade genética desta espécie não é recente, tem já, pelo menos, 50 mil anos.
Os cientistas analisaram o material genético de restos de linces ibéricos e descobriram que pelo menos nos últimos 50 mil anos a sua variabilidade genética foi sempre muito baixa. Assim, a actual ameaça não vem desse aspecto. O estudo está publicado na revista «Molecular Ecology».
Existem apenas duas populações de linces-ibéricos isoladas uma da outra, uma na Serra Morena (172 exemplares) e outra em Doñana (73), segundos os censos de 2010. No passado, até há aproximadamente 100 anos, este felino estava amplamente distribuída no território ibérico. A decadência populacional acentuou-se em meados do século XX.
A fragmentação dos habitats, um território cada vez mais urbanizado, a escassez de uma das suas presas favoritas, o coelho, e a caça foram factores determinantes para esta espécie se encontrar ameaçada.
O problema da variabilidade genética foi considerado tão sério que foi necessário levar um exemplar da Sierra Morena para Doñana, numa tentativa de promover uma maior riqueza genética.
Os investigadores explicam que centraram a sua análise genética na mitocôndria, mais propriamente numa zona altamente variável do seu genoma. Trabalharam com 51 restos, entre ossos e dentes, encontrados em diferentes sítios de Espanha. Os resultados mostram uma variabilidade igual à das populações actuais.
Os resultados foram uma surpresa para os cientistas, visto que sendo normal a baixa diversidade em animais em perigo de extinção, não é normal essa falta em exemplares mais antigos. Este resultado sugere que as populações de linces terão sido sempre pequenas.
Assim, uma espécie com uma pobre diversidade genética não está, forçosamente, condenada à extinção, pelo que esta característica não deve ser um obstáculo aos programas de preservação da espécie.
Fonte: CH

Excesso de CO2 provoca falta de lateralização em peixes


Não conseguiam distinguir a direita da esquerda
2011-08-23
CO2 afectou comportamento auditivo e níveis de actividade.
A lista de consequências já é grande, mas caso as emissões de dióxido de carbono (CO2) continuem a aumentar, o comportamento dos peixes poderá ficar gravemente perturbado, segundo avança um estudo publicado na «Biology Letters», por investigadores da James Cook University(Austrália).

Peixes crescidos em laboratório, numa água enriquecida com CO2 em proporções semelhantes às quantidades previstas para dentro de umas décadas, perderam todas as faculdades de lateralização, ou seja, verificou-se que não conseguiam distinguir a direita da esquerda.
Em condições normais, estes animais são geralmente ‘inteligentes’ e capazes de se dirigirem para o mesmo lado para fugir de um predador ou ara se deslocarem. A equipa de Philip Munday, líder do estudo, mostrou que o CO2 afecta o comportamento auditivo e os níveis de actividade de peixes de recife larvais, aumentando o seu risco de serem apanhados por predadores.

Contudo, os mecanismos que estão na base dessas modificações ainda são desconhecidos. A lateralização comportamental é uma expressão de assimetrias cerebrais funcionais e assim leva à hipótese que CO2 afecta a função cerebral.

Os investigadores realizaram testes num labirinto que mostraram que os peixes que habitam águas cheias de dióxido de carbono se deslocam de forma aleatória, sem ter orientação. Os investigadores querem tentar saber se os sentidos dos seres humanos também. No entanto, vão continuar a debruçar-se sobre os peixes para descobrir que outros sintomas podem apresentar.
Fonte: CH

sábado, 20 de agosto de 2011

Fungos introduzidos em árvores podem acelerar reflorestação

Estudo está a ser realizado na Escola Superior de Biotecnologia (Universidade Católica, Porto)
2011-08-16
A introdução de fungos tem sido feita em pinheiros-bravos
A introdução de fungos tem sido feita em pinheiros-bravos
A introdução de fungos nas árvores a plantar depois de um incêndio pode ser uma das soluções para acelerar a reflorestação. Esta é uma das conclusões prévias do estudo que está a ser desenvolvido por investigadores na área da Biotecnologia Ambiental da Escola Superior de Biotecnologia, da Universidade Católica (Porto).
Tendo como objectivo perceber de que modo é possível acelerar a reflorestação em solos queimados, o estudo, liderado por Paula Castro, envolve a aplicação de determinados fungos seleccionados (fungos ectomicorrízicos) como facilitadores deste processo.
Os últimos dados da Autoridade Florestal Nacional (AFN) dão conta que a área ardida no primeiro semestre deste ano em Portugal quase triplicou em relação a 2010, atingindo um total superior a nove mil hectares. Encontrar uma solução para promover a eficácia da reflorestação é, assim, uma prioridade para os investigadores.
Estudos previamente realizados em áreas ardidas demonstraram que a introdução de fungos no sistema radicular (nas raízes) pode promover até duas vezes o crescimento da planta após transplante. Isto porque os fungos proporcionam à planta uma maior absorção de água e de nutrientes do solo, podendo deste modo aumentar a sua taxa de crescimento e resistência.
O estudo tem sido realizado com pinheiro-bravo. Esta espécie é importante a nível nacional devido à sua larga distribuição geográfica e também pela sua importância económica. Esta aplicação – que vem acelerar e optimizar o processo de reflorestação no período pós-fogo – assume-se como uma forma de aliar as soluções da biotecnologia aos problemas da floresta.
Fonte: Ciência Hoje

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Concentração de ozono já se encontra "regularizada" em Vila Real


Actualizar: 13-08-2011
Porto, 13 ago (Lusa) - A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) informou hoje que a concentração de ozono registada na s...
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Concentração de ozono já se encontra "regularizada" em Vila Real
Porto, 13 ago (Lusa) - A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) informou hoje que a concentração de ozono registada na sexta-feira em Vila Real já se encontra "regularizada", descendo para níveis que não implicam riscos para a população.
Em comunicado, a CCDR-N avisa que o valor do limiar de informação da população foi ultrapassado na sexta-feira, em Vila Real, tendo sido registado na estação de Lamas D'Olo, em especial entre as 17:00 e as 21:00.
Durante o período de ultrapassagem do limiar de informação à população, refere a CCDR-N, "as pessoas mais sensíveis (crianças, idosos, asmáticos e pessoas com problemas respiratórios) devem evitar inalar uma grande quantidade de ar poluído, especialmente durante o período mais quente (tarde)".
Acrescenta que, por esse motivo, "a atividade física intensa ao ar livre deve ser reduzida ao mínimo" e que devem também ser evitados "outros fatores de risco, tais como o fumo do tabaco e a utilização de produtos irritantes contendo solventes na sua composição, uma vez que estes podem agravar os efeitos da exposição a concentrações elevadas de ozono".
Em causa está o ozono troposférico, um poluente secundário que, ao contrário dos outros poluentes monitorizados, não é emitido diretamente por nenhuma fonte, resultando da reação de outros poluentes entre si na atmosfera em presença da radiação solar.
JAP.
Lusa/Fim