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domingo, 21 de outubro de 2012

África Oriental: maior catálogo de flora tropical do mundo é completo



Espécie de planta Acácia, cujos galhos são habitados por formigas que defendem a árvore contra qualquer perigo
Esse projeto épico começou em 1948. Na época, os envolvidos acreditavam que terminariam sua pesquisaem 15 anos. Grande engano.
64 anos, 135 botânicos de 21 países e 12.104 espécies de plantas selvagens de Uganda, Quênia e Tanzânia depois, finalmente o catálogo intitulado Flora of Tropical East Africa (FTEA), ou “Flora Tropical da África Oriental”, está completo.
Esse será o maior catálogo regional de flora tropical já concluído, abrangendo mais de 12.000 espécies, ou 3 a 4% da flora do mundo. 1.500 espécies de plantas novas para a ciência foram descritas durante o projeto, 114 dessas apenas nos últimos quatro anos.
O que começou como uma série de catálogo de pequenas famílias logo se agigantou. Durante o projeto, os cientistas perceberam que levaria muito mais tempo para completar tal pesquisa, já que o conhecimento humano e coleta da cobertura dos vários habitats do leste africano era muito desigual.
Tinnea aethiopica, um arbusto comum na região
Os cientistas logo observaram que o número total de espécies desta vasta área, com sua enorme variedade de habitats, de desertos a florestas a zonas costeiras, tinha sido subestimado e estava, na realidade, perto de 12.500 espécies.
O programa se modificou, então, para suprir essas falhas, e o leste da África logo tornou-se uma das regiões melhor amostradas do continente.
Cerca de 2.500 das espécies do registro são endêmicas, ou seja, só são encontradas naquela região, mais nenhum outro lugar. Por conta disso, os especialistas envolvidos no projeto expressam preocupação com essas plantas, que, sem a proteção necessária, podem perecer diante das ameaças e pressões humanas.
Segundo o Dr. Henk Beentje, atual editor do FTEA, o catálogo é essencial para a conservação na região. “O FTEA é sobre comunicação – sem a devida identificação e nomeação não há comunicação sobre as plantas, e sem comunicação todo o trabalho com plantas silvestres repousa sobre areia movediça”, disse.
Agora, o catálogo será usado para lançar frentes de trabalho, como potenciais usos pelas comunidades locais, ecologia, zoologia, e, é claro, conservação.[BBCKew]
Os volumes que compõem o registro ocupam um espaço de cerca de dois metros nas prateleiras
Fonte: Hypescience

sábado, 13 de outubro de 2012

É possível alimentar o mundo inteiro sem pesticidas


Quinta-feira, 11 de Outubro de 2012
É possível alimentar o mundo inteiro sem pesticidas
Clique no link abaixo para assistir ao documentário (por enquanto apenas disponível em francês)
Esta notícia tem conteúdo multimédia, clique aqui para visualizar
Alimentar o mundo inteiro é possível sem pesticidas. Quem o defende é Marie-Monique Robin, uma jornalista e documentarista francesa que percorreu o mundo para ouvir as opiniões de especialistas - de camponeses a engenheiros agrónomos - e concluiu que, sem o recurso a químicos, a população internacional seria capaz de produzir alimentos em quantidade suficiente para que ninguém passasse fome.
Robin, que tem trabalhado numa série documental de três partes sobre a contaminação alimentar desde 2008, acaba de lançar o seu mais recente trabalho, "Les Moissons du Futur" (As Colheitas do Futuro, em português), que se debruça sobre a questão da "agroecologia", uma combinação entre a agricultura, a sustentabilidade e a proteção do meio ambiente. 
"Durante a realização dos meus filmes participei em dezenas de conferências em que as pessoas me perguntavam: mas, afinal, é possível alimentar o mundo sem pesticidas?", conta a jornalista, também autora de várias obras sobre os direitos humanos na América Latina, em declarações à AFP. 
Com o seu novo documentário, o último da trilogia, Robin tentou compreender se é ou não possível resolver a crise alimentar seguindo a "agroecologia". Andou pelo planeta, do Japão ao México, passando pelo Quénia e os EUA, e reuniu-se com peritos, camponeses, agricultores e engenheiros agrónomos.
A conclusão foi clara: não só é possível produzir bens alimentares em quantidade suficiente para que não haja fome no mundo e sem prejudicar o planeta, como o facto de não se poder alimentar o mundo inteiro atualmente "se deve aos pesticidas", garante a jornalista.

Agricultura ecológica é a solução, assegura Robin
Para mudar esta realidade, adianta, deverá recorrer-se, então, à agricultura ecológica, que consiste num tratamento adequado do solo, no uso eficiente da água e no investimento em diversidade vegetal, uma mistura de fatores que permitiria pôr fim à situação atual e alimentar a Terra, alargando os benefícios à própria Natureza.
O filme, que será lançado em DVD no dia 16 de Outubro e acompanhado de um livro, ambiciona provar tal possibilidade, reunindo uma série de testemunhos de camponeses de todo o mundo que têm substituído os inseticidas por técnicas aparentemente simples, que matam as ervas-daninhas sem prejudicar o solo e sem efeitos nefastos na saúde.
A obra inspira-se também num trabalho de Oliver De Schutter, relator especial das Nações Unidas pelo direito à alimentação, que foi dado a conhecer em 2011 e que afirma que o método baseado na renovação dos solos e na eliminação dos fertilizantes químicos pode, inclusive, permitir melhorar os rendimentos das regiões mais pobres e adaptar-se mais facilmente às alterações climáticas.

[Notícia sugerida por Alexandra Maciel]
Fonte: Boas noticias

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Atlântico português como nunca antes se viu

Foto: Ampere
Metais preciosos, cordilheiras subaquáticas, biodiversidade e até um “ovo estrelado”. São várias as riquezas e os mistérios naturais que se escondem nas águas que rodeiam Portugal, mas só recentemente os investigadores começaram a desancorá-los. Proteger e dar uso a estes recursos é a grande ambição.
Olhando para um mapa do Velho Continente, ficamos com a sensação de que Portugal está de costas viradas para os seus vizinhos europeus. O mesmo já não acontece com a enorme mancha azul que se estende mesmo à sua frente: o oceano Atlântico. Dotado de uma linha costeira que se prolonga por 1187 quilómetros, o nosso país tem ao seu dispor uma das maiores zonas económicas exclusivas (ZEE) do continente europeu. Ou seja, toda a zona marítima que vai até às 200 milhas náuticas (370 km), para além da linha de costa, está debaixo da sua soberania, dando-lhe o direito de explorar, conservar e administrar os recursos que aí se encontrem. Deste modo, e em grande parte por causa dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, Portugal possui uma ZEE espalhada por 1,7 milhões de quilómetros quadrados, o que equivale a 18 vezes a área em terra do país. Uma enormidade.
Em 2009, o governo português entregou à ONU uma proposta para aumentar a sua área de soberania marítima para além das 200 milhas náuticas, o Projeto de Extensão da Plataforma Continental. O veredicto final não será conhecido antes de 2013, mas, caso seja aceite, permitirá que o litoral de Portugal continental, a Madeira e os Açores fiquem ligados por uma enorme faixa de água (sob jurisdição nacional) que corresponde a 3,6 milhões de quilómetros quadrados. Contudo, e para que fosse possível chegar até aqui, primeiro foi necessário investigar e conhecer melhor o fundo do oceano que nos cerca. E assim começa a nossa epopeia pelo fundo dos mares.
As primeiras campanhas científicas destinadas a fazer levantamentos hidrográficos e a estudar a superfície do fundo marinho das áreas que Portugal pretende reclamar para si marcaram o ano de 2005. Após 2009 (com a entrega da proposta de extensão da plataforma continental à ONU), as investigações prosseguiram, embora com menos vigor. A última campanha decorreu entre os meses de Junho e Julho, nas ilhas Desertas e no Porto Santo (arquipélago da Madeira), assim como nos ilhéus das Formigas (Açores). E antes? Em que outros lugares do Atlântico estiveram os cientistas portugueses? E a fazer o quê?
Metais preciosos e o ovo estrelado
O foco de todas as atenções tem sido o Atlântico Norte, sendo de destacar “uma área muito grande que envolve a Madeira, um segmento igualmente grande da dorsal Meso-Atlântica (a fronteira de placas tectónicas que separa a placa norte-americana da euroasiática e a sul-americana da africana), toda a zona dos Açores e a margem ibérica localizada a oeste”, explica Nuno Lourenço, coordenador da Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar (EMAM,http://www.emam.com.pt), a entidade governamental responsável pelas campanhas marítimas de investigação científica.
Dentro das áreas que foram estudadas, uma das grandes fontes de interesse tem sido a dorsal Meso-Atlântica, uma cordilheira subaquática que vem desde a Islândia e corta ao meio (de norte a sul) todo o Atlântico. Esta linha de fratura faz “que a América do Norte se esteja a separar de nós [Europa] a cerca de dois centímetros por ano, pois é uma zona de vulcanismo intenso onde há fenómenos hidrotermais muito importantes”, esclarece Nuno Lourenço. Todavia, estes fenómenos hidrotermais escondem alguns segredos bem preciosos, muito por culpa dos processos de interação que os caraterizam, em que a água do mar entra nas rochas e sai depois através de chaminés submarinas, ficando “carregada de sulfuretos” que muitas vezes estão associados a metais como o ouro, a prata, o zinco ou o cobre. Como consequência, “isto provoca grandes concentrações de metais no fundo do mar que são muito importantes para mineração submarina, pois começam a estar exauridas as reservas em terra”. Um potencial económico que urge não deixar escapar.
Contudo, e de um modo geral, “a grande descoberta foi a existência de crostas”, adianta o coordenador da EMAM: “Já se sabia que havia crostas ferromanganesíferas, ricas em níquel e cobalto, numa zona que é a crista Madeira Tore, a sudoeste de Portugal continental, mas conseguimos também descobrir crostas, abundantes e com altos teores de metais (níquel e cobalto), na zona a sul dos Açores.” Ao mesmo tempo, foram também documentados no arquipélago vários corais negros.
Para acrescentar um pouco de mistério às investigações, os cientistas portugueses deram ainda de caras com “uma estrutura muito interessante, que é o Fried-egg (em português, ovo estrelado), também a sul dos Açores”. Basicamente, esta estrutura parece-se mesmo com um ovo estrelado, com uma gema a salientar-se no meio e a clara em redor (mais abaixo), com a diferença de que este enorme “ovo” tem quase seis quilómetros de diâmetro e está a dois mil metros de profundidade. Depois de ter sido descoberta, em 2008, chegou a especular-se que teria origem num meteorito, mas a verdade é que nada parece indicar que seja essa a explicação, pelo que as razões para a sua existência e a sua estranha forma ainda estão em fase de estudo.
Robô lusitano
Para que as campanhas científicas sejam um sucesso, é essencial a recolha massiva dos mais diversos tipos de dados. Para o estudo da hidrografia, as amostras de rochas são decisivas, tanto mais que servem os interesses do projeto de extensão da plataforma continental. Um pouco a reboque deste objetivo principal, surge a componente de biologia, com diversos especialistas a aproveitarem as expedições do projeto de extensão para estudarem a fauna e a flora dos locais submarinos visitados. Os mergulhadores são aqui uma peça importante, na medida em que têm em mãos a tarefa de recolher as amostras que se encontram debaixo de água, sejam eles peixes ou calhaus submersos, além de terem a responsabilidade de fotografar o belíssimo ambiente marinho que os rodeia. Junte-se ainda outro tipo de tarefas a que os cientistas têm de acudir, como medir os níveis de metano e dióxido de carbono na água do mar, a temperatura e a densidade, ou analisar as propriedades físicas do local visitado, entre muitas outras tarefas. No fim, a informação obtida é “toda listada, documentada e armazenada em bases de dados, estando disponível para a comunidade científica”. É o caso do Sistema de Informação para a Biodiversidade Marinha (mais conhecido por ­M@rbis), o qual contém todos os dados e imagens obtidos nas expedições científicas, estando aberto ao público em geral (http://www.campanhasmarbis.org).
Os meios técnicos e tecnológicos que foram reunidos nos últimos anos para estudar o fundo dos mares deram finalmente aos cientistas portugueses uma vantagem que antes só era acessível através dos colegas estrangeiros. Com os novos meios ao dispor, passa a ser possível obter dados batimétricos, de forma a avaliar a profundidade e forma (geomorfometria) do fundo do mar. Neste caso, é necessária uma fonte de sinais acústicos que são enviados para as profundezas do oceano, com o eco que retorna ao sensor a definir os diferentes tipos de altitude encontrados. A estes dados juntam-se as informações geofísicas e geológicas, obtidas através de equipamentos mais sofisticados, que permitem avaliar a natureza, a geometria e as origens do fundo oceânico.
Porém, a jóia da coroa é, de longe, o veículo de operação remota (ROV) Luso, um robô submarino capaz de alcançar profundidades de seis mil metros. Animado por quase três mil watts de corrente elétrica e armado de dois braços mecânicos que são capazes de capturar o mais diversificado tipo de amostras, o Luso tem ainda o poder de obter imagens e vídeos a profundidades inalcançáveis para os mergulhadores humanos. “É uma ferramenta poderosíssima para fazer este trabalho de pormenor no fundo do mar”, resume Nuno Lourenço.
Montanhas de biodiversidade
A pedido dos biólogos, navios da Marinha portuguesa, em articulação com a EMAM, têm-se deslocado até às zonas do Atlântico onde se encontram alguns dos montes submarinos mais importantes ao nível da biodiversidade. Plenos em habitats florescentes, destacam-se por terem faunas e floras bastante específicas, podendo encontrar-se nas zonas mais fundas desses montes as já mencionadas crostas ferromanganesíferas. Quando e como foram criados? Qual a sua evolução geológica? Mais uma vez, as perguntas multiplicam-se, à espera de virem a ser totalmente respondidas pelos investigadores que as perscrutam.
Todavia, os biólogos portugueses não são os únicos a mostrar-se interessados nas maravilhas que se escondem nestas águas, pois a fama destes lugares (e dos seus montes) chegou aos ouvidos dos especialistas lá de fora. De tal modo que, em 2005, um grupo de marinheiros cientistas da Oceana (http://eu.oceana.org), uma organização internacional de conservação marinha, decidiu cruzar o oceano Atlântico a bordo do catamarã Oceana Ranger, com o objetivo de documentar os fundos submarinos pouco profundos que se espalham pelas águas do Atlântico, tendo ficado garantida uma passagem pelos Açores.
No que concerne às águas territoriais portuguesas, e tal como explica a investigadora Ana de la Torriente, que participou na expedição, “fizeram-se imersões nos Açores, mais concretamente na ilha do Faial e no banco João de Castro, um vulcão submarino ativo que se ergue desde os mil metros de profundidade e cujo cume se encontra a somente 13 metros da superfície do mar, assim como à montanha submarina de Gorringe”.
Recorrendo a fotografias e vídeos obtidos no fundo do mar, os cientistas da Oceana descobriram, nas águas que banham o arquipélago dos Açores, enormes concentrações de caravela-portuguesa (a Physalia physalis), uma colónia de cnidários conhecida pela sua cor azulada e por flutuar à superfície, o que a leva a ser confundida, muitas das vezes, com uma medusa. No entanto, esta espécie é mais temida do que admirada, por culpa dos seus inúmeros e longos tentáculos capazes de provocar efeitos neurotóxicos nas vítimas em que toca. A evitar, portanto! No vulcão submarino do banco João de Castro, as filmagens reforçaram uma velha ideia: ele é um dos poucos casos registados de uma fonte hidrotermal em águas pouco profundas. Para a tríade ficar completa, a equipa da Oceana detetou ainda diversos habitats marinhos que estão numa situação de grande vulnerabilidade, logo, a precisar de proteção. É precisamente o caso dos bosques de laminárias (algas de cor parda) e dos corais que existem na montanha de Gorringe.
Uma Babel debaixo de água
Acima de tudo, Gorringe é um lugar impressionante, com vários picos (outros pequenos montes) a adornarem um cume que se fica pelos 30 metros de profundidade. O que o torna especial é o facto de a sua base estar assente a mais de cinco quilómetros abaixo da linha de água. E especial porque? Porque “desta forma tanto se podem encontrar espécies que vivem em zonas iluminadas (perto da superfície marinha), como espécies que vivem em fundos escuros e profundos”, salienta a investigadora espanhola. Eis, portanto, uma grande Babel subaquática capaz de albergar, no mesmo local, diferentes espécies de fauna e flora. Além do mais, a grande produtividade, precisamente em fauna e flora, que se pode encontrar em zonas como o Gorringe, leva  a que ele seja um efervescente ponto de encontro para as espécies migratórias poderem alimentar-se e reproduzir-se, tal como acontece com o peixe-relógio, os tubarões ou o atum. Entre os outros visitantes habituais destes lugares, há que contar ainda com as tartarugas e algumas variedades de golfinhos.
“O Gorringe é uma das montanhas submarinas mais bem conhecidas, ao nível da biologia”, diz Ana de la Torriente, isto porque, “na maioria das montanhas submarinas atlânticas, apenas se realizaram amostragens, e muitas delas nunca foram investigadas”. O assombro de muitos cientistas e investigadores relativamente a este lugar provém dos níveis de produtividade “inusitadamente altos” que aí se registam. A culpa é, como já foi dito, das caraterísticas geológicas do Gorringe (com zonas abissais profundas e áreas próximas da superfície), as quais propiciam a concentração de uma enorme biodiversidade.
Desta forma, marcam ali presença espécies que se podem encontrar no Mediterrâneo, no Atlântico Ibérico, no mar norte-africano ou até na Macaronésia (os arquipélagos da Madeira, das Canárias e de Cabo Verde), havendo ainda o registo de peixes que habitualmente nadam nas zonas costeiras, nas regiões demersais (os fundos arenosos), e endémicas (em que determinadas espécies estão restritas a uma região). Tudo isto acaba por fazer do Gorringe uma importante “zona de descanso” para a distribuição das espécies costeiras que vêm do Atlântico e que se acercam do golfo de Cádis. Uma espécie de hotel junto à autoestrada.
Perante esta “enorme riqueza biológica e geológica”, compreende-se que a montanha de Gorringe seja “merecedora” de proteção, adianta Ana de la Torriente, pois a ameaça humana está logo ali à espreita. “Com as inovações tecnológicas pesqueiras, incluindo métodos muito destrutivos como o arrasto, existe o perigo de que muitas montanhas submarinas sejam mais acessíveis à pesca.”
Rede Natura 2000
Este não é o único caso em água territoriais portuguesas a merecer uma atenção cuidada. Tanto a oeste e sudoeste de Portugal continental como nas águas dos Açores e da Madeira, são numerosas as montanhas submarinas que se destacam pela sua riqueza ecológica. Entre essas preciosidades subaquáticas, há que contar com o monte de Ampere e com o banco Coral Patch, situados 220 e 180 milhas náuticas, respetivamente, a sudoeste do cabo de São Vicente. Também longe da costa, mas desta vez a oeste do Algarve, escondem-se os montes Herradura e Hirondele, a quase 200 milhas náuticas de distância. E não se pense que estes centros de biodiversidade só existem longe do continente, pois mesmo frente a Setúbal, a apenas 27 milhas náuticas da cidade, destaca-se um grupo de montes que têm a peculiaridade de deverem o seu nome a alguns dos mais ilustres príncipes do nosso passado histórico (chamam-se Infante Dom Henrique, Infante Santo, Príncipes de Avis e Infante Dom Pedro).
Uma forma de proteger todos estes oásis de biomassa e diversidade passa por integrá-los na Rede Natura 2000, uma rede europeia de espaços protegidos que tem como fito salvaguardar habitats e espécies. Fruto de uma diretiva da UE, a Rede Natura 2000 destina-se, na sua essência, a criar zonas especiais de proteção ecológica que estejam sob uma atenta vigilância dos estados-membros. Para Portugal, o desafio de proteger a sua biodiversidade marinha é enorme, tal como avisa Ana de la Torriente: “Portugal é o país da UE que mais montanhas submarinas alberga, pelo que a sua responsabilidade em protegê-las é indiscutível.” Apesar deste alerta, a Oceana é da opinião de que a Rede Natura “está muito mal representada em águas portuguesas”: apesar de terem passado quase 20 anos sobre o lançamento da diretiva comunitária que deu luz a esta rede ecológica (a Diretiva Habitats), apenas 0,1 por cento da superfície marinha portuguesa se encontra integrada nela.
Um número irrisório, que faz de Portugal o país da UE com menor percentagem de superfície defendida por esta rede de proteção ecológica. “É muito pouco!”, confirma Nuno Lourenço. Contudo, esta situação está longe de ter solução fácil: se tivermos em conta que a ZEE portuguesa ocupa 1,7 milhões de quilómetros quadrados, nota-se de imediato que “é uma área muito, muito grande, que requer um investimento considerável e um esforço muito grande de pessoas e meios”. Recentemente, a Oceana exortou as autoridades portuguesas a ampliarem a sua Rede Natura, com especial atenção para a montanha de Gorringe, um pedido que, segundo o coordenador da EMAM, acabou por ter eco, na medida em que já está “a caminho de ser” uma área protegida.
J.P.L.

Sobre-exploração
No que respeita ao futuro do setor pesqueiro em Portugal, este terá de se focar, cada vez mais, na implementação de medidas destinadas à conservação da biodiversidade e dos recursos comerciais marinhos. Em suma, a sustentabilidade do meio marinho e da economia ligada ao mar deverá ser um objetivo a alcançar, segundo a Oceana, pois “85 por cento das atividades de pesca na União Europeia encontram-se num estado de sobre-exploração”. Para impedir que se mate a galinha dos ovos de ouro, a criação de áreas marinhas protegidas é um importante garante para que o número de espécies aumente e o tamanho dos peixes seja maior, com os efeitos positivos a repercutir-se tanto no interior das zonas protegidas como nas que lhes são adjacentes. Deste modo, diz Ana de la Torriente, “as populações que tiveram uma maior recuperação exportam a sua descendência através das correntes oceânicas e os peixes adultos e juvenis emigram desde a zona protegida até aos arredores”, potencializando a atividade pesqueira nessas zonas mas deixando intactas as que estão sob proteção. O objetivo é criar uma área de reserva, de onde se possam extrair benefícios a médio prazo para a conservação das espécies comerciáveis, o que ajudaria a solucionar a crise pesqueira que a sobre-exploração acarretou. Curiosamente, e perante a tomada de consciência de que é necessário garantir a proteção da fauna marítima, acabam por ser os próprios pescadores a “solicitar aos respetivos governos a criação de zonas protegidas, nas quais as atividades que aí se desenvolvem estão adequadamente reguladas”.
Logo no início deste verão, a Oceana deu início a uma nova expedição a águas portuguesas, com a missão de estudar os fundos submarinos das montanhas de Gorringe e Ampere, e ainda o fundo do mar de algumas áreas costeiras do Algarve, como Sagres e Portimão. O interesse em explorar as águas do nosso país continua ao rubro, portanto, pois os tesouros que eles escondem, em biodiversidade e em recursos com potencial económico, estão longe de ser negligenciá­veis. A título de curiosidade, fique o leitor a saber que um dos recursos associados ao mar com maior potencial é a denominada “biotecnologia azul”, a tecnologia basea­da na biologia de diversos organismos marinhos. Da indústria química e farmacêutica ao tratamento das águas e do lixo, passando pela indústria alimentar, as suas aplicações são bastante diversas. Mas para as explorar há que conhecer melhor a biologia do mar.
E eis que chegamos ao busílis da questão. “Nós sabemos tão pouco do fundo do mar que cada campanha que fazemos, cada interacão com o fundo, cada documentação da topografia, está a trazer-nos novidades e resultados novos que têm de ser explorados do ponto de vista científico”, sintetiza Nuno Lourenço. Ao contrário do que se possa pensar, quando se obtém uma observação não se chega logo a uma explicação científica; isso carece de mais estudos, de mais e melhores informações, assentes no trabalho multidisciplinar de diferentes campos da ciência, como são o caso da geologia e da biologia. Por outras palavras, é necessária mais ciência para que o sonho de devolver os oceanos a Portugal passe a ser uma realidade. Quinhentos anos depois dos Descobrimentos.

SUPER 162 - Outubro 2011

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

«Google Maps» debaixo de água


O 'street view' disponibiliza imagens panorâmicas de oceanos

2012-09-26


O Google Maps tem um novo projecto na sua secção do Street View. Agora é possível também visitar sítios debaixo de água. “O objectivo é criar um mapa virtual dos oceanos, documentando o estado destes frágeis ecossistemas e as suas alterações ao longo do tempo. Queremos partilhar uma experiência de parte do nosso mundo a que poucas pessoas têm acesso directamente”, explica a empresa.
A colecção, agora disponível no endereço 'maps.google.com/ocean', inclui, para já, recifes de corais na Austrália, Filipinas e Havai. As imagens panorâmicas foram captadas pelo The Catlin Seaview Survey, parceiro da Google.  
O maior problema do oceano é que está 'longe da vista' e, por isso, longe da mente da maior parte das pessoas”, considera Richard Vevers, director do projecto na Catlin. “Seguramente, 99 por cento da população nunca mergulhou nestas águas e nunca irá fazê-lo. Um dos problemas relacionados com a conservação dos oceanos tem sido a incapacidade de 'comprometer'; este é um caminho poderoso para alcançar esse compromisso”.
Jenifer Austin Foulkes, gerente do programa Google’s Oceans, refere-se à importância deste projecto de preservação citando a oceanógrafa Sylvia Earle: “com o conhecimento vem o cuidado e com o cuidado a esperança”.
As imagens foram recolhidas durante um período de seis meses por pequenas equipas de mergulhadores com três câmaras em cada veículo subaquático: Capturou-se imagens de quatro em quatro segundos. Posteriormente, foram editadas para fazerem panorâmicas de 360 graus.
Os sítios mapeados já disponíveis incluem a Grande Barreira de Coral, dois locais no Havai e um nas Filipinas. Mas mais localizações se seguirão: “Isto é apenas uma amostra do que está para vir. As pessoas têm tendência para pensar no oceano como algo estanque; mas os ambientes são todos diferentes. Mesmo na barreira de corais, os locais não se repetem”.
Fonte. Ciência hoje.pt

terça-feira, 25 de setembro de 2012

200 milhões de toneladas de resíduos de frutas e vegetais transformados


Projecto TRANSBIO visa reaproveitamento de resíduos

2012-09-25
Frutas e legumes transformados com tecnologias amigas do ambiente
O projecto internacionalTRANSBIO visa o reaproveitamento de resíduos da indústria de frutas e hortícolas através do desenvolvimento de tecnologias “amigas do ambiente”. O consórcio junta 16 parceiros de nove países e permitirá a criação de bioprodutos para aplicar nos diversos sectores da economia mundial. Portugal está representado no consórcio pela Universidade do Minho.

O TRANSBIO, financiado pela Comissão Europeia, vem assim responder à necessidade de aproveitar da melhor forma os cerca de 200 milhões de toneladas de resíduos de frutas e vegetais produzidos anualmente na Europa.
Pretende desenvolver tecnologias de fermentação, utilizando bactérias, leveduras e fungos, e recorrer à conversão enzimática para obter produtos de valor acrescentado como bioplásticos, ácido sucínico e enzimas, que poderão ser utilizadas nos vários sectores da indústria mundial. Além disso, procura implementar um conceito inovador para a gestão sustentável da biomassa obtida através da biotransformação de frutos e vegetais.
Dar resposta à escassez de petróleo 

“A biotecnologia industrial é essencial para a construção de uma bioeconomia baseada no conhecimento e na criação de produtos e tecnologias sustentáveis e eficientes do ponto de vista ecológico. Esta abordagem vai substituir ou complementar os processos químicos actualmente utilizados e vai gerar novos produtos, predominantemente baseados em matérias-primas renováveis”, explica Dorit Schuller, docente do Departamento de Biologia da UMinho.
“O uso continuado do petróleo como matéria-prima representa um obstáculo sério para o desenvolvimento económico sustentável, contribuindo também de forma significativa para o esgotamento de matérias-primas não-renováveis e a deterioração do meio ambiente”, acrescenta a investigadora doutorada, que tem vindo a centrar o seu trabalho na área de biotecnologia e da genómica de leveduras.

As biorrefinarias constituem assim o “único caminho” para o desenvolvimento sustentável da indústria mundial. Nestas fábricas, são sintetizados produtos químicos industriais a partir de matérias-primas renováveis através de processos biotecnológicos que envolvem microrganismos.

O consórcio conta com a participação da Fundación Tecnalia Research & Innovation (Espanha), coordenadora geral do projeto, da Wetlands Incubator (Bélgica), da Biozoon (Alemanha), da Bioesplora SRL (Itália), do Centro Nacional de Tecnología y Seguridad Alimentaria (Espanha), da Universidade de Costa Rica, da Soluciones Verdes (Argentina), da Biotrend – Inovação e Engenharia em Biotecnologia (Portugal), da Universidade Autónoma Metropolitana (México) e da Tritecc SRL (Roménia), entre outras entidades.
Fonte: Ciência hoje.pt

Estudo revela toxicidade alarmante dos transgénicos em ratos


19-09-2012 às 12:55

Os ratos alimentados com organismos geneticamente modificados (OGM) morrem antes e sofrem de cancro com mais frequência que os demais, destaca um estudo publicado esta quarta-feira pela revista Food and Chemical Toxicology, que considera os resultados «alarmantes».





«Os resultados são alarmantes. Observamos, por exemplo, uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas com OGM. Há entre duas e três vezes mais tumores nos ratos tratados dos dois sexos», explicou Gilles-Eric Seralini, professor da Universidade de Caen, que coordenou o estudo.
Para realizar a pesquisa, 200 ratos foram alimentados durante um prazo máximo de dois anos de três maneiras distintas: apenas com milho OGM NK603, com milho OGM NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais utilizado do mundo) e com milho não alterado geneticamente tratado com Roundup.
Os dois produtos (o milho NK603 e o herbicida) são propriedade do grupo americano Monsanto.
Durante o estudo, o milho integrava uma dieta equilibrada, em proporções equivalentes ao regime alimentar nos Estados Unidos.
«Os resultados revelam uma mortalidade muito mais rápida e importante durante o consumo dos dois produtos», afirmou Seralini, cientista que integra comissões oficiais sobre os alimentos transgénicos em 30 países.
«O primeiro rato macho alimentado com OGM morreu um ano antes do rato indicador (que não se alimenta com OGM). A primeira fêmea oito meses antes. No 17º mês são observados cinco vezes mais machos mortos alimentados com 11% de milho (OGM)», explica o cientista.
Os tumores aparecem nos machos até 600 dias antes que nos ratos indicador (na pele e nos rins). No caso das fêmeas (tumores nas glândulas mamárias) aparecem uma média de 94 dias antes naquelas alimentadas com transgénicos.
«Pela primeira vez no mundo, um OGM e um pesticida foram estudados pelo seu impacto na saúde a mais longo prazo do que haviam feito até agora as agências de saúde, os governos e as indústrias», disse o coordenador do estudo.
Fonte: Diário digital.sapo.pt

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O fruto mais brilhante da natureza


Baga da 'Pollia condensata' estudada por investigadores 

da Universidade de Cambridge

2012-09-17


Fruto da planta 'Pollia condensata' é o mais brilhante do mundo
O fruto da planta africana Pollia condensata é o 'objecto' com a cor mais intensa e brilhante da natureza, segundo um estudo da Universidade de Cambridge.
Esta baga não obtém a sua cor azul metálica de nenhum pigmento, mas apenas da luz que reflecte em comprimentos de ondas específicos. A investigação está publicada na«PNAS».

A maioria das cores que nos rodeiam resultam de pigmentos. No entanto, existem alguns exemplos na natureza que utilizam o que se chama de 'cor estrutural', um truque óptico através do qual a cor aparece na reflexão da luz.
Os investigadores descobriram que a celulose desta baga forma uma estrutura assimétrica capaz de interagir com a luz e proporcionar o reflexo selectivo de uma cor específica. Resultante desta estrutura única, a baga reflecte predominantemente o azul.
Os cientistas descobriram também que cada célula gera, individualmente, uma cor independente, produzindo um efeito de pontilhismo (como nas pinturas de Seurat). Apesar deste fruto não possuir qualquer valor nutritivo, as aves são atraídas pela sua cor brilhante e utilizam-no na decoração dos seus ninhos para impressionar potenciais parceiros.
Devido às suas características, a cor do fruto não se desvanece. As amostras que existem nas colecções que datam do século XIX mantêm-se tão coloridas como os frutos actuais.
Silvia Vignolini, investigadora do departamento de Física da Universidade de Cambridge e autora principal do artigo, acredita que a natureza pode inspirar a criação de materiais inteligentes e multifuncionais a partir de celulose.
A partir da celulose podem criar-se materiais coloridos com aplicações industriais, tais como elementos com cor estrutural que substituam os corantes tóxicos em alimentos e cosméticos”, defende.
Fonte: Ciência hoje

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Plantas incríveis



1.      Carnívora – Insectívora.
Famosa devoradora de insectos, a Nephentes attenboroughii! (sim de David attenborough!) digere as presas com poderosas enzimas. [ver artigo].

2.      Noctívaga – Dama da noite.
Cultivada pelo seu intenso perfume, as flores desta orquídea fecham-se de dia e abrem á noite.
3.      Sensitiva – Dormideira.
A Mimosa pudica reage ao toque, luz ou calor, devido a uma queda de pressão nas suas células. As folhas enrolam-se e o caule tomba.

ü  A sequóia é a maior espécie vegetal e o organismo vivo mais alto do mundo.
Fonte: quero saber Outubro 2010