Em 2003, após uma mordedura fatal de
serpente, Eleonor, uma elefante
fêmea de 40 anos, tombou no chão da Reserva Nacional de Samburu, no Quénia. A
sua congénere Graceaproximou-se para
socorrê-la e conseguiu que reagisse um pouco, mas Eleonor voltou a cair. Em seguida, Grace passou ao seu lado uma longa
noite de agonia até Eleonor morrer. Depois, numerosos
elefantes, tanto parentes da vítima como simples estranhos, vieram visitar o
cadáver.
O
zoólogo britânico Iain Douglas-Hamilton, que se encontrava a estudar o
comportamento dos proboscídeos na zona, escreveu, num estudo de 2006, que o
caso constituía “um exemplo de como elefantes e seres humanos podem
partilhar emoções, como o pesar, e reconhecer e estar envolvidos na morte”.
Outros especialistas destacaram o interesse que estes mamíferos manifestam
pelos ossos e presas de elefantes aparentados, os quais tocam e removem com a
tromba, mesmo decorridos anos depois do óbito.
Algo de semelhante acontece com os
chimpanzés: Tina morreu devido ao ataque de um
leopardo e o macho alfa do grupo manteve-se junto do cadáver durante horas,
impedindo que outros se aproximassem. Só deixou que Tarzan,
irmão de Tina, se sentasse ao seu
lado. Segundo a antropóloga Barbara King, “o macho alfa reconheceu o forte
laço emocional entre Tina e Tarzan e agiu com empatia”. O facto
é que, como nos explica o primatólogo Frans de Waal, “os chimpanzés reagem à
morte dos seus congéneres e parece que a veem como uma mudança profunda: não
comem, ficam deprimidos e, por vezes, perdem peso”.
Outra história semelhante tornou-se
conhecida graças ao impacto mediático suscitado pela foto da fêmea de gorila Gana com o filho Cláudio suspenso da boca, morto
devido a uma deficiência genética no coração. Os comovidos visitantes do zoo
de Munster, na Alemanha, foram testemunhas dos esforços da mãe para reanimar,
embalar e transportar o bebé às costas; todos se reconheceram na tristeza,
dor e consternação que o comportamento de Gana refletia. O caso ocorreu em
2008.
Cuidado para não humanizar
Os
tratadores de golfinhos também conhecem o abalo que a morte de um exemplar
causa no resto do grupo. Alterações do apetite, desânimo e apatia são
sintomas frequentes que podem muito bem ser associados à depressão. Todas
estes exemplos nos parecem familiares, equivalentes às manifestações de dor e
sofrimento que as pessoas experimentam durante o luto. O paradigma darwinista
confere sentido à ideia de que existe um contínuo na evolução e contribui
para desmentir a excecionalidade humana entre os restantes seres vivos. Se
existe uma sequência evolutiva, é expectável que comportamentos que se
pensava serem exclusivos do homem estejam, na realidade, distribuídos pelos
diferentes grupos taxonómicos, como nos casos anteriores.
Todavia,
há cientistas que reclamam prudência. A lógica darwinista pode tornar
plausíveis determinados raciocínios, mas qualquer afirmação tem de se
sustentar em provas. Além disso, é conhecida a tendência do homem para
atribuir qualidades humanas a cães e outros animais de estimação, ou mesmo a
objetos, como devem saber alguns proprietários de automóveis ou motas.
Trata-se daquilo que é designado por “antropomorfização”, e é como se
estivéssemos a sobrepor emoções, intenções e estados mentais sobre as coisas
com o objetivo de tornar a realidade mais reconfortante.
Estaremos
a cair na antropomorfização quando atribuímos sentimentos a elefantes ou
macacos? Estaremos a conferir-lhes algo precioso que, na realidade, apenas
existe na mente de quem observa? Frans de Waal mostra-se cuidadoso na
interpretação de certos fenómenos: “A partir dos dados obtidos, é impossível
saber se compreendem o que está a acontecer, e menos ainda se poderá concluir
que têm consciência da sua própria mortalidade.”
O
etólogo Josep Call pronuncia-se no mesmo sentido: “Há observações que nos
levam a pensar que chimpanzés e outros seres vivos sentem emoções e sofrem.
No entanto, é preciso reunir mais dados empíricos e sistemáticos sobre o
tema.” Seja como for, o facto de os seres vivos reconhecerem a morte não é um
acontecimento extraordinário. Pelo contrário, é bastante habitual.
Por
exemplo, Edward O. Wilson, fundador da sociobiologia e um dos maiores peritos
em formigas, observou que estes insetos detetam os cadáveres de membros da
sua espécie pelo odor caraterístico que emanam. Numa experiência, depositou
uma gota de ácido oleico sobre uma formiga viva; as outras trataram-na como
se estivesse morta e arrastaram-na para fora do formigueiro, como fazem
habitualmente com os cadáveres.
Por
outro lado, os etólogos conhecem comportamentos em que a morte faz parte do
jogo da sobrevivência. É o caso dos animais que fingem estar mortos para
evitarem o ataque de um predador, ou dos que arriscam a própria vida para
salvar as crias, como acontece com algumas aves: simulam ter uma asa partida
para atrair a atenção do inimigo e afastá-lo, dessa forma, do ninho.
Sentem dor ou só parecem
senti-la?
Aquilo
que chama a atenção não é, por conseguinte, o conhecimento da morte em si,
mas as alegadas emoções que o facto provocaria em seres como os golfinhos ou
os elefantes. Trata-se de espécies em cujos cérebros têm sido detetadas
alterações no córtex pré-frontal e na amígdala, regiões que se ativam com as
emoções humanas. São também criaturas extremamente sociáveis, que estabelecem
fortes laços com os seus congéneres. A morte de um exemplar com o qual
mantinham uma ligação afetiva pode produzir dor e pena. O problema de fundo
é, por conseguinte, se os animais podem ter sentimentos e emoções. À partida,
a impressão é afirmativa, mas será mesmo assim?
É
impossível entrar na cabeça de um elefante ou de um gorila para saber o que
sentem. No entanto, há cientistas que asseguram não ser necessário semelhante
passo, pois as emoções transparecem através do conjunto de atitudes, gestos e
ações. Será o comportamento como uma bola de cristal através da qual podemos
ver os estados mentais?
A
primatóloga Carmen Maté, da Universidade Pompeu Fabra (Barcelona), está
convencida de que não é um erro falar em sentimentos animais: “Tal como
podemos conhecer, através da linguagem não-verbal, os estados emocionais de
uma pessoa, ainda que não partilhemos o idioma ou a cultura, essa
identificação pode ocorrer com indivíduos de outras espécies.”
Carmen
Maté, que foi diretora do zoo da capital catalã, assegura: “Os chimpanzés
conseguem reconhecer os nossos estados emocionais, tal como nós captamos os
seus. A diferença reside na nossa capacidade para exprimi-los por palavras.
Os chimpanzés são muito expressivos nos trejeitos e nos gestos, fazem coisas
semelhantes às humanas e nós também fazemos coisas parecidas com as deles,
pois partilhamos o sistema límbico, responsável pelas emoções.”
A
primatóloga está também convicta de que a consciência da morte está
claramente associada à capacidade de empatia e simpatia, isto é, à disposição
não só de identificar os estados emocionais como, também, de se colocar no
lugar do outro. Os chimpanzés conseguem perceber que um companheiro do grupo
está deprimido e procuram consolá-lo: “Estamos a falar de primatas que se
reconhecem no espelho, que possuem aptidões cognitivas semelhantes às nossas
em alguns casos, e que conseguem identificar estados emocionais para oferecer
consolo. Se têm todas essas capacidades, por que não poderiam sentir como nós?”,
pergunta Carmen Maté.
Além
da vertente emocional, o reconhecimento da morte entre os seres humanos
implica aceitar que a própria pessoa é mortal e que também irá desaparecer.
Dado que é impossível averiguar se os gorilas sofrem crises existenciais,
podemos adiantar, em contrapartida, que há experiências para avaliar o seu
grau de autoconsciência. O reconhecimento no espelho constitui um teste
ultrapassado por elefantes, chimpanzés e golfinhos, enquanto os restantes
animais não conseguem aperceber-se de que estão a ver refletido o próprio
corpo. Ultrapassar a prova significa ter, em algum grau, consciência de si
próprio.
A
dor e a tristeza observadas no reino animal obrigam-nos a rever a questão das
diferenças que nos separam dos restantes seres vivos. Trata-se de saber onde
colocar a linha de demarcação. Cada novo estudo permite acrescentar camadas
de complexidade, precisão e gradualismo à interrogação. Encontramo-nos
perante um problema de interpretação, e de saber como encará-lo com rigor. A
falta de unanimidade entre a comunidade científica para interpretar a
empatia, a dor, o luto ou a autoconsciência no mundo selvagem convida a que
se façam mais experiências. No fim de contas, tal como afirma judiciosamente
o psicólogo californiano Michael Gazzaniga, nunca nos passaria pela cabeça
convidar um chimpanzé para sair, embora não saibamos muito bem porquê.
R.C.
A fêmea Koko, nascida em 1971, é
um dos poucos gorilas que conseguiram aprender a linguagem de sinais, segundo
os seus tratadores na Universidade de Stanford (Califórnia). Limitações
fisiológicas impedem os símios de falar, mas podem adquirir uma “linguagem”
rudimentar, que, no caso de Koko, chega às mil
palavras. Carmen Maté explica, no seu livroSeis
Olhares Sobre a Morte, a forma como a gorila utilizava a
linguagem de sinais para se referir à morte (“buraco cómodo, adeus”, foi a
sua resposta à pergunta sobre para onde iam os gorilas quando morriam) e aos
seus sentimentos em relação ao motivo do luto (“dormir”) e à perda de um ser
querido (“chorar”).
SUPER 162 - Outubro 2011
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sábado, 13 de outubro de 2012
Eles também sentem a morte?
É possível alimentar o mundo inteiro sem pesticidas
Quinta-feira, 11 de Outubro de 2012

Clique no link abaixo para assistir ao documentário (por enquanto apenas disponível em francês)
Esta notícia tem conteúdo multimédia, clique aqui para visualizar
Alimentar o mundo inteiro é possível sem pesticidas. Quem o defende é Marie-Monique Robin, uma jornalista e documentarista francesa que percorreu o mundo para ouvir as opiniões de especialistas - de camponeses a engenheiros agrónomos - e concluiu que, sem o recurso a químicos, a população internacional seria capaz de produzir alimentos em quantidade suficiente para que ninguém passasse fome.
Robin, que tem trabalhado numa série documental de três partes sobre a contaminação alimentar desde 2008, acaba de lançar o seu mais recente trabalho, "Les Moissons du Futur" (As Colheitas do Futuro, em português), que se debruça sobre a questão da "agroecologia", uma combinação entre a agricultura, a sustentabilidade e a proteção do meio ambiente.
"Durante a realização dos meus filmes participei em dezenas de conferências em que as pessoas me perguntavam: mas, afinal, é possível alimentar o mundo sem pesticidas?", conta a jornalista, também autora de várias obras sobre os direitos humanos na América Latina, em declarações à AFP.
Com o seu novo documentário, o último da trilogia, Robin tentou compreender se é ou não possível resolver a crise alimentar seguindo a "agroecologia". Andou pelo planeta, do Japão ao México, passando pelo Quénia e os EUA, e reuniu-se com peritos, camponeses, agricultores e engenheiros agrónomos.
A conclusão foi clara: não só é possível produzir bens alimentares em quantidade suficiente para que não haja fome no mundo e sem prejudicar o planeta, como o facto de não se poder alimentar o mundo inteiro atualmente "se deve aos pesticidas", garante a jornalista.
Agricultura ecológica é a solução, assegura Robin
Agricultura ecológica é a solução, assegura Robin
Para mudar esta realidade, adianta, deverá recorrer-se, então, à agricultura ecológica, que consiste num tratamento adequado do solo, no uso eficiente da água e no investimento em diversidade vegetal, uma mistura de fatores que permitiria pôr fim à situação atual e alimentar a Terra, alargando os benefícios à própria Natureza.
O filme, que será lançado em DVD no dia 16 de Outubro e acompanhado de um livro, ambiciona provar tal possibilidade, reunindo uma série de testemunhos de camponeses de todo o mundo que têm substituído os inseticidas por técnicas aparentemente simples, que matam as ervas-daninhas sem prejudicar o solo e sem efeitos nefastos na saúde.
A obra inspira-se também num trabalho de Oliver De Schutter, relator especial das Nações Unidas pelo direito à alimentação, que foi dado a conhecer em 2011 e que afirma que o método baseado na renovação dos solos e na eliminação dos fertilizantes químicos pode, inclusive, permitir melhorar os rendimentos das regiões mais pobres e adaptar-se mais facilmente às alterações climáticas.
[Notícia sugerida por Alexandra Maciel]
[Notícia sugerida por Alexandra Maciel]
Fonte: Boas noticias
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
O camarão-pistola
Este
crustáceo detentor da sua própria arma é um dos residentes mais mortíferos dos
oceanos.
O camarão-pistola captura as presas ao fechar a sua
pinça maior a uma velocidade alucinante, o que cria uma onda de choque capaz de
atordoar ou até matar pequenos peixes. A onda de choque criada propulsiona um
jacto de água a 97Km/h, atrás do qual viaja uma bolha de baixa pressão, que
depois colapsa. Tudo isto acontece muito depressa mas, quando a bolha implode e
a temperatura no seu interior dispara, é produzido um som muito alto e emitida uma
faísca de luz.
O aumento súbito da temperatura, que chega a atingir
os 4.500°C (quase
tanto como o Sol), deve-se á queda abrupta da pressão. A substância vaporiza-se
então rapidamente dentro da bolha, cujo colapso causa a emissão de luz, o que dá
pelo nome de sonoluminescência (luz emitida por uma bolha excitada por ondas de
ultra-som) – é tão breve que não é visível a olho nu.
1. Pinça
rápida
O camarão
fecha a sua pinça especializada para criar uma bolha de cavitação que gera
pressões até 80kPa, á distância de 4 cm da pinça.
2. Mortífero
A pressão é
suficiente para matar peixes pequenos, apesar de durar menos de um milissegundo.
Fonte: quero
saber Outubro 2010
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Veneno de cobra africana usado para produzir analgésico
Substância mostrou ser tão ou mais eficaz do que a morfina

Segundo um estudo realizado pela Universidade de Nice (França), o veneno da cobra africana mamba-negra contém substâncias que podem produzir analgésicos tão eficazes quanto a morfina. Os resultados mostram que dois peptídeos, chamados "mambalgines", presentes no composto são capazes de suprimir a sensação de dor. A investigação foi publicada na «Nature».
A mamba-negra (Dendroaspis polylepis) é uma das cobras mais venenosas do mundo e o seu veneno neurotóxico causa paralisia, podendo levar a vítima à morte em menos de 20 minutos se não for tratada rapidamente. Sem o tratamento é mortal em 100 por cento dos casos
2012-10-04
veneno da mamba-negra é mortal (Imagem: Bill Love, Blue Chameleon Ventures)

A mamba-negra (Dendroaspis polylepis) é uma das cobras mais venenosas do mundo e o seu veneno neurotóxico causa paralisia, podendo levar a vítima à morte em menos de 20 minutos se não for tratada rapidamente. Sem o tratamento é mortal em 100 por cento dos casos
A equipa, liderada por Sylvie Diochot, purificou os peptídeos do veneno e desenhou a estrutura dos compostos, analisando-os a seguir em ratos com vários ajustes genéticos e com dor. Os peptídeos agem inibindo proteínas da família das ASICs, encontradas na membrana dos neurónios e envolvidas no surgimento da dor.
Os resultados mostraram que os mambalgines bloqueiam um conjunto de canais iónicos neurológicos associados à dor e sem provocar efeitos secundários, como o risco de insuficiência respiratória provocada pela morfina.
Os resultados mostraram que os mambalgines bloqueiam um conjunto de canais iónicos neurológicos associados à dor e sem provocar efeitos secundários, como o risco de insuficiência respiratória provocada pela morfina.
Fonte: Ciência hoje
O Atlântico português como nunca antes se viu
Metais preciosos,
cordilheiras subaquáticas, biodiversidade e até um “ovo estrelado”. São
várias as riquezas e os mistérios naturais que se escondem nas águas que
rodeiam Portugal, mas só recentemente os investigadores começaram a
desancorá-los. Proteger e dar uso a estes recursos é a grande ambição.
Olhando para um mapa do Velho
Continente, ficamos com a sensação de que Portugal está de costas viradas
para os seus vizinhos europeus. O mesmo já não acontece com a enorme mancha
azul que se estende mesmo à sua frente: o oceano Atlântico. Dotado de uma
linha costeira que se prolonga por 1187 quilómetros, o nosso país tem ao seu
dispor uma das maiores zonas económicas exclusivas (ZEE) do continente
europeu. Ou seja, toda a zona marítima que vai até às 200 milhas náuticas
(370 km), para além da linha de costa, está debaixo da sua soberania,
dando-lhe o direito de explorar, conservar e administrar os recursos que aí
se encontrem. Deste modo, e em grande parte por causa dos arquipélagos da
Madeira e dos Açores, Portugal possui uma ZEE espalhada por 1,7 milhões de
quilómetros quadrados, o que equivale a 18 vezes a área em terra do país. Uma
enormidade.
Em 2009, o governo português
entregou à ONU uma proposta para aumentar a sua área de soberania marítima
para além das 200 milhas náuticas, o Projeto de Extensão da Plataforma
Continental. O veredicto final não será conhecido antes de 2013, mas, caso
seja aceite, permitirá que o litoral de Portugal continental, a Madeira e os
Açores fiquem ligados por uma enorme faixa de água (sob jurisdição nacional)
que corresponde a 3,6 milhões de quilómetros quadrados. Contudo, e para que
fosse possível chegar até aqui, primeiro foi necessário investigar e conhecer
melhor o fundo do oceano que nos cerca. E assim começa a nossa epopeia pelo
fundo dos mares.
As primeiras campanhas
científicas destinadas a fazer levantamentos hidrográficos e a estudar a
superfície do fundo marinho das áreas que Portugal pretende reclamar para si
marcaram o ano de 2005. Após 2009 (com a entrega da proposta de extensão da
plataforma continental à ONU), as investigações prosseguiram, embora com
menos vigor. A última campanha decorreu entre os meses de Junho e Julho, nas
ilhas Desertas e no Porto Santo (arquipélago da Madeira), assim como nos
ilhéus das Formigas (Açores). E antes? Em que outros lugares do Atlântico
estiveram os cientistas portugueses? E a fazer o quê?
Metais preciosos e o ovo
estrelado
O foco de todas as atenções tem sido o Atlântico Norte, sendo de
destacar “uma área muito grande que envolve a Madeira, um segmento igualmente
grande da dorsal Meso-Atlântica (a fronteira de placas tectónicas que separa
a placa norte-americana da euroasiática e a sul-americana da africana), toda a
zona dos Açores e a margem ibérica localizada a oeste”, explica Nuno
Lourenço, coordenador da Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar (EMAM,http://www.emam.com.pt), a entidade governamental responsável pelas campanhas
marítimas de investigação científica.
Dentro das áreas que foram estudadas, uma das grandes fontes de
interesse tem sido a dorsal Meso-Atlântica, uma cordilheira subaquática que
vem desde a Islândia e corta ao meio (de norte a sul) todo o Atlântico. Esta
linha de fratura faz “que a América do Norte se esteja a separar de nós [Europa] a cerca de dois centímetros por ano,
pois é uma zona de vulcanismo intenso onde há fenómenos hidrotermais muito
importantes”, esclarece Nuno Lourenço. Todavia, estes fenómenos hidrotermais
escondem alguns segredos bem preciosos, muito por culpa dos processos de
interação que os caraterizam, em que a água do mar entra nas rochas e sai
depois através de chaminés submarinas, ficando “carregada de sulfuretos” que
muitas vezes estão associados a metais como o ouro, a prata, o zinco ou o
cobre. Como consequência, “isto provoca grandes concentrações de metais no
fundo do mar que são muito importantes para mineração submarina, pois começam
a estar exauridas as reservas em terra”. Um potencial económico que urge não
deixar escapar.
Contudo, e de um modo geral,
“a grande descoberta foi a existência de crostas”, adianta o coordenador da
EMAM: “Já se sabia que havia crostas ferromanganesíferas, ricas em níquel e
cobalto, numa zona que é a crista Madeira Tore, a sudoeste de Portugal
continental, mas conseguimos também descobrir crostas, abundantes e com altos
teores de metais (níquel e cobalto), na zona a sul dos Açores.” Ao mesmo
tempo, foram também documentados no arquipélago vários corais negros.
Para acrescentar um pouco de mistério às investigações, os
cientistas portugueses deram ainda de caras com “uma estrutura muito
interessante, que é o Fried-egg (em português, ovo
estrelado), também a sul dos Açores”. Basicamente, esta estrutura parece-se
mesmo com um ovo estrelado, com uma gema a salientar-se no meio e a clara em
redor (mais abaixo), com a diferença de que este enorme “ovo” tem quase seis
quilómetros de diâmetro e está a dois mil metros de profundidade. Depois de
ter sido descoberta, em 2008, chegou a especular-se que teria origem num
meteorito, mas a verdade é que nada parece indicar que seja essa a
explicação, pelo que as razões para a sua existência e a sua estranha forma
ainda estão em fase de estudo.
Robô lusitano
Para que as campanhas científicas sejam um sucesso, é essencial
a recolha massiva dos mais diversos tipos de dados. Para o estudo da
hidrografia, as amostras de rochas são decisivas, tanto mais que servem os
interesses do projeto de extensão da plataforma continental. Um pouco a
reboque deste objetivo principal, surge a componente de biologia, com
diversos especialistas a aproveitarem as expedições do projeto de extensão
para estudarem a fauna e a flora dos locais submarinos visitados. Os
mergulhadores são aqui uma peça importante, na medida em que têm em mãos a
tarefa de recolher as amostras que se encontram debaixo de água, sejam eles
peixes ou calhaus submersos, além de terem a responsabilidade de fotografar o
belíssimo ambiente marinho que os rodeia. Junte-se ainda outro tipo de
tarefas a que os cientistas têm de acudir, como medir os níveis de metano e
dióxido de carbono na água do mar, a temperatura e a densidade, ou analisar
as propriedades físicas do local visitado, entre muitas outras tarefas. No
fim, a informação obtida é “toda listada, documentada e armazenada em bases
de dados, estando disponível para a comunidade científica”. É o caso do
Sistema de Informação para a Biodiversidade Marinha (mais conhecido por M@rbis), o qual contém todos os dados e imagens obtidos nas expedições
científicas, estando aberto ao público em geral (http://www.campanhasmarbis.org).
Os meios técnicos e
tecnológicos que foram reunidos nos últimos anos para estudar o fundo dos
mares deram finalmente aos cientistas portugueses uma vantagem que antes só
era acessível através dos colegas estrangeiros. Com os novos meios ao dispor,
passa a ser possível obter dados batimétricos, de forma a avaliar a
profundidade e forma (geomorfometria) do fundo do mar. Neste caso, é
necessária uma fonte de sinais acústicos que são enviados para as profundezas
do oceano, com o eco que retorna ao sensor a definir os diferentes tipos de
altitude encontrados. A estes dados juntam-se as informações geofísicas e
geológicas, obtidas através de equipamentos mais sofisticados, que permitem
avaliar a natureza, a geometria e as origens do fundo oceânico.
Porém, a jóia da coroa é, de longe, o veículo de operação remota
(ROV) Luso, um robô
submarino capaz de alcançar profundidades de seis mil metros. Animado por
quase três mil watts de corrente elétrica e armado de dois braços mecânicos
que são capazes de capturar o mais diversificado tipo de amostras, o Luso tem
ainda o poder de obter imagens e vídeos a profundidades inalcançáveis para os
mergulhadores humanos. “É uma ferramenta poderosíssima para fazer este
trabalho de pormenor no fundo do mar”, resume Nuno Lourenço.
Montanhas de biodiversidade
A pedido dos biólogos, navios
da Marinha portuguesa, em articulação com a EMAM, têm-se deslocado até às
zonas do Atlântico onde se encontram alguns dos montes submarinos mais
importantes ao nível da biodiversidade. Plenos em habitats florescentes,
destacam-se por terem faunas e floras bastante específicas, podendo
encontrar-se nas zonas mais fundas desses montes as já mencionadas crostas
ferromanganesíferas. Quando e como foram criados? Qual a sua evolução
geológica? Mais uma vez, as perguntas multiplicam-se, à espera de virem a ser
totalmente respondidas pelos investigadores que as perscrutam.
Todavia, os biólogos portugueses não são os únicos a mostrar-se
interessados nas maravilhas que se escondem nestas águas, pois a fama destes
lugares (e dos seus montes) chegou aos ouvidos dos especialistas lá de fora.
De tal modo que, em 2005, um grupo de marinheiros cientistas da Oceana (http://eu.oceana.org), uma organização internacional de conservação marinha, decidiu
cruzar o oceano Atlântico a bordo do catamarã Oceana Ranger, com o
objetivo de documentar os fundos submarinos pouco profundos que se espalham
pelas águas do Atlântico, tendo ficado garantida uma passagem pelos Açores.
No que concerne às águas
territoriais portuguesas, e tal como explica a investigadora Ana de la
Torriente, que participou na expedição, “fizeram-se imersões nos Açores, mais
concretamente na ilha do Faial e no banco João de Castro, um vulcão submarino
ativo que se ergue desde os mil metros de profundidade e cujo cume se
encontra a somente 13 metros da superfície do mar, assim como à montanha
submarina de Gorringe”.
Recorrendo a fotografias e vídeos obtidos no fundo do mar, os
cientistas da Oceana descobriram, nas águas que banham o arquipélago dos
Açores, enormes concentrações de caravela-portuguesa (a Physalia physalis), uma
colónia de cnidários conhecida pela sua cor azulada e por flutuar à
superfície, o que a leva a ser confundida, muitas das vezes, com uma medusa.
No entanto, esta espécie é mais temida do que admirada, por culpa dos seus
inúmeros e longos tentáculos capazes de provocar efeitos neurotóxicos nas
vítimas em que toca. A evitar, portanto! No vulcão submarino do banco João de
Castro, as filmagens reforçaram uma velha ideia: ele é um dos poucos casos
registados de uma fonte hidrotermal em águas pouco profundas. Para a tríade
ficar completa, a equipa da Oceana detetou ainda diversos habitats marinhos
que estão numa situação de grande vulnerabilidade, logo, a precisar de
proteção. É precisamente o caso dos bosques de laminárias (algas de cor
parda) e dos corais que existem na montanha de Gorringe.
Uma Babel debaixo de água
Acima de tudo, Gorringe é um
lugar impressionante, com vários picos (outros pequenos montes) a adornarem
um cume que se fica pelos 30 metros de profundidade. O que o torna especial é
o facto de a sua base estar assente a mais de cinco quilómetros abaixo da
linha de água. E especial porque? Porque “desta forma tanto se podem
encontrar espécies que vivem em zonas iluminadas (perto da superfície
marinha), como espécies que vivem em fundos escuros e profundos”, salienta a
investigadora espanhola. Eis, portanto, uma grande Babel subaquática capaz de
albergar, no mesmo local, diferentes espécies de fauna e flora. Além do mais,
a grande produtividade, precisamente em fauna e flora, que se pode encontrar
em zonas como o Gorringe, leva a que ele seja um efervescente ponto de
encontro para as espécies migratórias poderem alimentar-se e reproduzir-se,
tal como acontece com o peixe-relógio, os tubarões ou o atum. Entre os outros
visitantes habituais destes lugares, há que contar ainda com as tartarugas e
algumas variedades de golfinhos.
“O Gorringe é uma das
montanhas submarinas mais bem conhecidas, ao nível da biologia”, diz Ana de
la Torriente, isto porque, “na maioria das montanhas submarinas atlânticas,
apenas se realizaram amostragens, e muitas delas nunca foram investigadas”. O
assombro de muitos cientistas e investigadores relativamente a este lugar
provém dos níveis de produtividade “inusitadamente altos” que aí se registam.
A culpa é, como já foi dito, das caraterísticas geológicas do Gorringe (com
zonas abissais profundas e áreas próximas da superfície), as quais propiciam
a concentração de uma enorme biodiversidade.
Desta forma, marcam ali
presença espécies que se podem encontrar no Mediterrâneo, no Atlântico
Ibérico, no mar norte-africano ou até na Macaronésia (os arquipélagos da
Madeira, das Canárias e de Cabo Verde), havendo ainda o registo de peixes que
habitualmente nadam nas zonas costeiras, nas regiões demersais (os fundos
arenosos), e endémicas (em que determinadas espécies estão restritas a uma
região). Tudo isto acaba por fazer do Gorringe uma importante “zona de
descanso” para a distribuição das espécies costeiras que vêm do Atlântico e
que se acercam do golfo de Cádis. Uma espécie de hotel junto à autoestrada.
Perante esta “enorme riqueza
biológica e geológica”, compreende-se que a montanha de Gorringe seja
“merecedora” de proteção, adianta Ana de la Torriente, pois a ameaça humana
está logo ali à espreita. “Com as inovações tecnológicas pesqueiras,
incluindo métodos muito destrutivos como o arrasto, existe o perigo de que
muitas montanhas submarinas sejam mais acessíveis à pesca.”
Rede Natura 2000
Este não é o único caso em
água territoriais portuguesas a merecer uma atenção cuidada. Tanto a oeste e
sudoeste de Portugal continental como nas águas dos Açores e da Madeira, são
numerosas as montanhas submarinas que se destacam pela sua riqueza ecológica.
Entre essas preciosidades subaquáticas, há que contar com o monte de Ampere e
com o banco Coral Patch, situados 220 e 180 milhas náuticas, respetivamente, a
sudoeste do cabo de São Vicente. Também longe da costa, mas desta vez a oeste
do Algarve, escondem-se os montes Herradura e Hirondele, a quase 200 milhas
náuticas de distância. E não se pense que estes centros de biodiversidade só
existem longe do continente, pois mesmo frente a Setúbal, a apenas 27 milhas
náuticas da cidade, destaca-se um grupo de montes que têm a peculiaridade de
deverem o seu nome a alguns dos mais ilustres príncipes do nosso passado
histórico (chamam-se Infante Dom Henrique, Infante Santo, Príncipes de Avis e
Infante Dom Pedro).
Uma forma de proteger todos
estes oásis de biomassa e diversidade passa por integrá-los na Rede Natura
2000, uma rede europeia de espaços protegidos que tem como fito salvaguardar
habitats e espécies. Fruto de uma diretiva da UE, a Rede Natura 2000
destina-se, na sua essência, a criar zonas especiais de proteção ecológica
que estejam sob uma atenta vigilância dos estados-membros. Para Portugal, o
desafio de proteger a sua biodiversidade marinha é enorme, tal como avisa Ana
de la Torriente: “Portugal é o país da UE que mais montanhas submarinas
alberga, pelo que a sua responsabilidade em protegê-las é indiscutível.”
Apesar deste alerta, a Oceana é da opinião de que a Rede Natura “está muito
mal representada em águas portuguesas”: apesar de terem passado quase 20 anos
sobre o lançamento da diretiva comunitária que deu luz a esta rede ecológica
(a Diretiva Habitats), apenas 0,1 por cento da superfície marinha portuguesa
se encontra integrada nela.
Um número irrisório, que faz
de Portugal o país da UE com menor percentagem de superfície defendida por
esta rede de proteção ecológica. “É muito pouco!”, confirma Nuno Lourenço.
Contudo, esta situação está longe de ter solução fácil: se tivermos em conta
que a ZEE portuguesa ocupa 1,7 milhões de quilómetros quadrados, nota-se de
imediato que “é uma área muito, muito grande, que requer um investimento
considerável e um esforço muito grande de pessoas e meios”. Recentemente, a
Oceana exortou as autoridades portuguesas a ampliarem a sua Rede Natura, com
especial atenção para a montanha de Gorringe, um pedido que, segundo o
coordenador da EMAM, acabou por ter eco, na medida em que já está “a caminho
de ser” uma área protegida.
J.P.L.
Sobre-exploração
No que respeita ao futuro do
setor pesqueiro em Portugal, este terá de se focar, cada vez mais, na
implementação de medidas destinadas à conservação da biodiversidade e dos
recursos comerciais marinhos. Em suma, a sustentabilidade do meio marinho e
da economia ligada ao mar deverá ser um objetivo a alcançar, segundo a
Oceana, pois “85 por cento das atividades de pesca na União Europeia
encontram-se num estado de sobre-exploração”. Para impedir que se mate a
galinha dos ovos de ouro, a criação de áreas marinhas protegidas é um importante
garante para que o número de espécies aumente e o tamanho dos peixes seja
maior, com os efeitos positivos a repercutir-se tanto no interior das zonas
protegidas como nas que lhes são adjacentes. Deste modo, diz Ana de la
Torriente, “as populações que tiveram uma maior recuperação exportam a sua
descendência através das correntes oceânicas e os peixes adultos e juvenis
emigram desde a zona protegida até aos arredores”, potencializando a
atividade pesqueira nessas zonas mas deixando intactas as que estão sob
proteção. O objetivo é criar uma área de reserva, de onde se possam extrair
benefícios a médio prazo para a conservação das espécies comerciáveis, o que
ajudaria a solucionar a crise pesqueira que a sobre-exploração acarretou.
Curiosamente, e perante a tomada de consciência de que é necessário garantir
a proteção da fauna marítima, acabam por ser os próprios pescadores a
“solicitar aos respetivos governos a criação de zonas protegidas, nas quais
as atividades que aí se desenvolvem estão adequadamente reguladas”.
Logo no início deste verão, a
Oceana deu início a uma nova expedição a águas portuguesas, com a missão de
estudar os fundos submarinos das montanhas de Gorringe e Ampere, e ainda o
fundo do mar de algumas áreas costeiras do Algarve, como Sagres e Portimão. O
interesse em explorar as águas do nosso país continua ao rubro, portanto,
pois os tesouros que eles escondem, em biodiversidade e em recursos com
potencial económico, estão longe de ser negligenciáveis. A título de
curiosidade, fique o leitor a saber que um dos recursos associados ao mar com
maior potencial é a denominada “biotecnologia azul”, a tecnologia baseada na
biologia de diversos organismos marinhos. Da indústria química e farmacêutica
ao tratamento das águas e do lixo, passando pela indústria alimentar, as suas
aplicações são bastante diversas. Mas para as explorar há que conhecer melhor
a biologia do mar.
E eis que chegamos ao busílis
da questão. “Nós sabemos tão pouco do fundo do mar que cada campanha que
fazemos, cada interacão com o fundo, cada documentação da topografia, está a
trazer-nos novidades e resultados novos que têm de ser explorados do ponto de
vista científico”, sintetiza Nuno Lourenço. Ao contrário do que se possa
pensar, quando se obtém uma observação não se chega logo a uma explicação
científica; isso carece de mais estudos, de mais e melhores informações,
assentes no trabalho multidisciplinar de diferentes campos da ciência, como
são o caso da geologia e da biologia. Por outras palavras, é necessária mais
ciência para que o sonho de devolver os oceanos a Portugal passe a ser uma
realidade. Quinhentos anos depois dos Descobrimentos.
SUPER 162 - Outubro 2011
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Lesmas e caracóis
Odiados
pelos jardineiros, caracóis e lesmas são bolas de muco incríveis.
Embora tenham aspectos muito diferentes lesmas,
caracóis, polvos, ostras e chocos são moluscos – latim para “corpo mole”. Podem
ter uma concha externa de carbonato de cálcio, uma pequena concha sob a superfície
ou não ter qualquer concha, como as lesmas. Os caracóis adultos têm conchas em
espiral, dentro das quais se podem recolher. As lesmas e os caracóis pertencem
ao grande grupo de moluscos chamado gastrópodes e habitam vários locais de
jardina a oceanos. São os únicos moluscos que podem viver em terra seca e
respiram por pulmões, brânquias ou ambos. Os gastrópodes são hermafroditas, o
que significa que têm órgãos reprodutores masculinos e femininos, e que podem
acasalar com eles mesmos caso não encontrem parceiros. Durante o complexo
ritual de acasalamento, as lesmas cruzam-se e estimulam-se mutuamente até o
esperma ser trocado através dos enormes órgãos genitais. Outra situação
peculiar ocorre quando uma lesma arranca o pénis de outra á dentada. A lesma
alvo desta prática passará a reproduzir-se apenas através de órgãos femininos.
Fonte: quero
saber Outubro 2010
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Gaia: Parque Biológico devolve 14 animais à Natureza
Terça-feira, 02 de Outubro de 2012

Esta quarta-feira, data em que se assinala o Dia Mundial do Animal, o Parque Biológico de Gaia (PBG) vai devolver à Natureza 14 animais de seis espécies diferentes. Milhafres, borrelhos, corujas-das-torres, ouriços-cacheiros, mochos-calegos e uma rola-do-mar são as espécies que vão regressar aos seus habitats naturais.
Em declarações à Lusa, Nuno Oliveira, o diretor do PBG, afirmou que estes animais foram entregues no parque, "na sua generalidade juvenis, caídos de ninhos encontrados pelas pessoas. "Acabaram de se criar, foram reabilitados e agora vão regressar à Natureza", explicou o responsável, acrescentando que serão restituídos "nos locais onde foram recolhidos" nos concelhos de Gaia, Maia, Valongo, Matosinhos e S. João da Madeira.
Em média, o centro de recuperação de fauna selvagem no PBG recebe cerca de "3.000 animais por ano, sendo que cerca de 50% são restituídos à Natureza", precisou Nuno Oliveira, admitindo que "alguns chegam ao parque em muito mau estado, com tiros de caça, por exemplo, sem qualquer hipótese de sobrevivência".
A propósito da celebração do Dia Mundial do Animal, Nuno Oliveira recomendou à população que se "preocupe com a conservação da biodiversidade". "Parece que [as pessoas] ainda não perceberam que a biodiversidade não é só o lince da Malcata", lamentou.
O Dia Mundial do Animal comemora-se desde 1930, em homenagem a São Francisco de Assis, protetor dos animais, e pretende chamar a atenção para as espécies em extinção, os maus tratos e a exploração dos animais. A 15 de Outubro de 1978 foi aprovada a Declaração Universal dos Direitos do Animal, publicada pela UNESCO e proposta por Georges Heuse, cientista e secretário-geral do Centro Internacional de Experimentação de Biologia Humana.
Fonte: Boas noticias
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
«Google Maps» debaixo de água
O 'street view' disponibiliza imagens panorâmicas de oceanos
2012-09-26
O Google Maps tem um novo projecto na sua secção do Street View. Agora é possível também visitar sítios debaixo de água. “O objectivo é criar um mapa virtual dos oceanos, documentando o estado destes frágeis ecossistemas e as suas alterações ao longo do tempo. Queremos partilhar uma experiência de parte do nosso mundo a que poucas pessoas têm acesso directamente”, explica a empresa.
A colecção, agora disponível no endereço 'maps.google.com/ocean', inclui, para já, recifes de corais na Austrália, Filipinas e Havai. As imagens panorâmicas foram captadas pelo The Catlin Seaview Survey, parceiro da Google.
“O maior problema do oceano é que está 'longe da vista' e, por isso, longe da mente da maior parte das pessoas”, considera Richard Vevers, director do projecto na Catlin. “Seguramente, 99 por cento da população nunca mergulhou nestas águas e nunca irá fazê-lo. Um dos problemas relacionados com a conservação dos oceanos tem sido a incapacidade de 'comprometer'; este é um caminho poderoso para alcançar esse compromisso”.
Jenifer Austin Foulkes, gerente do programa Google’s Oceans, refere-se à importância deste projecto de preservação citando a oceanógrafa Sylvia Earle: “com o conhecimento vem o cuidado e com o cuidado a esperança”.
As imagens foram recolhidas durante um período de seis meses por pequenas equipas de mergulhadores com três câmaras em cada veículo subaquático: Capturou-se imagens de quatro em quatro segundos. Posteriormente, foram editadas para fazerem panorâmicas de 360 graus.
Os sítios mapeados já disponíveis incluem a Grande Barreira de Coral, dois locais no Havai e um nas Filipinas. Mas mais localizações se seguirão: “Isto é apenas uma amostra do que está para vir. As pessoas têm tendência para pensar no oceano como algo estanque; mas os ambientes são todos diferentes. Mesmo na barreira de corais, os locais não se repetem”.
Fonte. Ciência hoje.pt
Migração: Milhões de aves estão a deixar a Europa
Fim-de-semana Europeu de Observação de Aves decorre em Outubro
2012-09-26
(Imagem: Nuno Barros/birdwatchingsagres)
Este evento é coordenado pela associação BirdLife Internationale que este ano tem como tema o fascínio pela migração das aves. Durante a iniciativa estão previstas mais de dez visitas com guias especializados na identificação e observação de aves: em Figueira de Castelo Rodrigo, Serra da Estrela, Estuário do Douro e do Tejo (Seixal), Paul do Boquilobo, Castro Verde, Sagres, Madeira e na ilha do Corvo. A maioria das actividades é gratuita, algumas com inscrição obrigatória, destinando-se a todas as idades.
Este ano, o EuroBirdwatch juntará 40 países da Europa e Ásia Central e os respectivos parceiros BirdLife. O objectivo é sensibilizar o público para os problemas que as aves migradoras enfrentam actualmente.
“Infelizmente, muitas destas aves estão em perigo, devido a alterações do habitat e do clima nas suas zonas de reprodução, de invernada e de passagem”, referiu Luís Costa, director executivo da SPEA, que acrescenta: “O aumento da adesão a este tipo de iniciativas é muito positivo, pois só a acção conjunta das pessoas poderá inverter a situação”.
Nos últimos anos, já participaram cerca de 80 mil pessoas no EuroBirdwatch e mais de cinco milhões de aves foram observadas. Todos os anos, com a chegada do Outono, bandos de aves viajam milhares de quilómetros, para esperarem a passagem do Inverno num clima mais quente e agradável.
A maioria das aves migra para procurar alimentos – insectos, frutos, sementes –, já que escasseiam no Inverno, mas existem em abundância em outras zonas do globo, onde o clima é mais quente. As aves não vivem neste clima mais quente durante todo o ano, porque no Norte, onde o Verão é suave e os dias são compridos, é mais fácil criar os filhos, do que no Sul, que é quente e está repleto de predadores. A migração acaba por tornar-se numa medida de sobrevivência das espécies mais frágeis, apesar de algumas aves morrerem durante o voo.
“Infelizmente, muitas destas aves estão em perigo, devido a alterações do habitat e do clima nas suas zonas de reprodução, de invernada e de passagem”, referiu Luís Costa, director executivo da SPEA, que acrescenta: “O aumento da adesão a este tipo de iniciativas é muito positivo, pois só a acção conjunta das pessoas poderá inverter a situação”.
Nos últimos anos, já participaram cerca de 80 mil pessoas no EuroBirdwatch e mais de cinco milhões de aves foram observadas. Todos os anos, com a chegada do Outono, bandos de aves viajam milhares de quilómetros, para esperarem a passagem do Inverno num clima mais quente e agradável.
A maioria das aves migra para procurar alimentos – insectos, frutos, sementes –, já que escasseiam no Inverno, mas existem em abundância em outras zonas do globo, onde o clima é mais quente. As aves não vivem neste clima mais quente durante todo o ano, porque no Norte, onde o Verão é suave e os dias são compridos, é mais fácil criar os filhos, do que no Sul, que é quente e está repleto de predadores. A migração acaba por tornar-se numa medida de sobrevivência das espécies mais frágeis, apesar de algumas aves morrerem durante o voo.
Fonte: Ciência hoje
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Estudo revela toxicidade alarmante dos transgénicos em ratos
19-09-2012 às 12:55
Os ratos alimentados com organismos geneticamente modificados (OGM) morrem antes e sofrem de cancro com mais frequência que os demais, destaca um estudo publicado esta quarta-feira pela revista Food and Chemical Toxicology, que considera os resultados «alarmantes».
«Os resultados são alarmantes. Observamos, por exemplo, uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas com OGM. Há entre duas e três vezes mais tumores nos ratos tratados dos dois sexos», explicou Gilles-Eric Seralini, professor da Universidade de Caen, que coordenou o estudo.
Para realizar a pesquisa, 200 ratos foram alimentados durante um prazo máximo de dois anos de três maneiras distintas: apenas com milho OGM NK603, com milho OGM NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais utilizado do mundo) e com milho não alterado geneticamente tratado com Roundup.
Os dois produtos (o milho NK603 e o herbicida) são propriedade do grupo americano Monsanto.
Durante o estudo, o milho integrava uma dieta equilibrada, em proporções equivalentes ao regime alimentar nos Estados Unidos.
«Os resultados revelam uma mortalidade muito mais rápida e importante durante o consumo dos dois produtos», afirmou Seralini, cientista que integra comissões oficiais sobre os alimentos transgénicos em 30 países.
«O primeiro rato macho alimentado com OGM morreu um ano antes do rato indicador (que não se alimenta com OGM). A primeira fêmea oito meses antes. No 17º mês são observados cinco vezes mais machos mortos alimentados com 11% de milho (OGM)», explica o cientista.
Os tumores aparecem nos machos até 600 dias antes que nos ratos indicador (na pele e nos rins). No caso das fêmeas (tumores nas glândulas mamárias) aparecem uma média de 94 dias antes naquelas alimentadas com transgénicos.
«Pela primeira vez no mundo, um OGM e um pesticida foram estudados pelo seu impacto na saúde a mais longo prazo do que haviam feito até agora as agências de saúde, os governos e as indústrias», disse o coordenador do estudo.
Fonte: Diário digital.sapo.pt
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