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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Publicado 4º número da revista de ciência elementar

Por Fundação Calouste Gulbenkian

http://www.casadasciencias.org/

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Florestas húmidas, alterações climáticas e desflorestação

A desflorestação das florestas húmidas está a alastrar a um ritmo alarmante, com efeitos devastadores



Os efeitos da desflorestação da Terra são graves: climas regional e global em alteração descontrolada, cheias mais frequentes e extinção de milhares de espécies de plantas e animais. As causas desta destruição são muitas, mas as mais graves são a exploração florestal e a criação de gado.
A exploração florestal resulta no derrube sistemático de árvores para serem usadas em mercados locais e internacionais. Os ambientalistas estimam que mais de 75% das florestas mundiais já foram destruidas ou degradadas devido à exploração florestal.
A criação de gado esbate os limites das florestas e aumenta cada vez mais as zonas propensas a inundações: quando as árvores são abatidas para criar pastagens, o efeito de esponja proporcionado pela floresta desaparece. Assim, em vez de absorver e distribuir aos poucos a grande quantidade de chuva que a floresta recebe, a nova zona área inunda e canaliza água para os rios próximos, que acabam por transbordar.
A redução do número de árvores também afeta os climas locais e o global: quando se perde parte da floresta, o oxigénio aí produzido, devido á fotossíntese, diminui. O sequestro (captura e armazenamento) de CO2 também é reduzido, tal como a biomassa florestal e o respetivo potencial energético, importantes para o futuro bem-estar da Terra.
Florestas húmidas
Frente a frente
Grande – Gondwana
Não é de todo a maior, mas com 3.665 Km², há muito que proteger na longa faixa de florestas tropicais húmidas da Austrália.
Maior – África

Com 3,6 milhões de Km², as florestas húmidas de África poderiam ser muito maiores, não fosse a sua intensa exploração e desflorestação.
A maior – Amazónia
Com 7 milhões de Km², a floresta húmida amazónica é a maior de todas e estende-se por vários países, incluindo o Brasil e a Venezuela.

Fonte: quero saber Novembro 2010 

terça-feira, 10 de junho de 2014

Florestas húmidas

Com uma precipitação anual de dois mil milimetros, as florestas húmidas são um ambiente único e riquissímo em vida. Lar de mais de 50 por cento das espécies da Terra, continuam a ser largamente desconhecidas.
As florestas húmidas localizam-se fundamentalmente em regiões tropicais, onde o clima é quente e húmido, permitindo a rápida e prolífera expansão de todas as formas de vida, seja flora ou fauna. Desde o coração da América do Sul, passando pelas selvas de África e da Índia, até à costa norte da Austrália, as florestas húmidas são um cenário de reprodução fantástico para processos evolutivos e desempenham um papel crucial na manutenção dos ciclos naturais a nível mundial, sendo responsáveis por mais de 28% da produção de oxigénio.
Apesar da enorme diversidade de de formas de vida que albergam e da sua importância na produção de oxigénio, as florestas húmidas ocupam menos de 6% da superfície da Terra – e devido à constante desflorestação, esta percentagem diminui todos os dias, contribuindo para a extinção de muitas espécies e provocando alterações radicais no clima de muitas regiões. Pode não ser evidente à primeira vista, mas as florestas húmidas são sistemas altamente complexos e intricados, constituídos por múltiplos estratos que escondem um fervilhar de actividade. De fato, foi só graças a recentes avanços na ciência e tecnologia que biólogos e outros investigadores puderam estudar as florestas húmidas em todo o seu esplendor, registando imagens e resultados que revelaram o quanto ainda não sabemos sobre elas.
Felizmente, já muitas descobertas foram feitas, abrindo uma janela para este mundo desconhecido. Saiba como funciona a floresta húmida, com especial foco na sua composição, nas diversas espécies de plantas e animais, nos processos naturais e na ameaça da desflorestação.
Cinco fatos sobre florestas húmidas
1 – Biodiversidade – Os cientistas estimam que até 75% das espécies da Terra possam viver nas florestas húmidas – um dado espantoso – e que milhões estarão ainda por descobrir.
2 – Medicinal – As florestas húmidas são o habitat da um elevado número de plantas das quais derivam medicamentos modernos para a febre e as queimaduras, por exemplo.
3 – Entre trópicos – As florestas húmidas tropicais situam-se sobretudo entre os trópicos de Câncer (23ᵒ 27’ de latitude Norte) e o de Capricórnio (23ᵒ 27’ de latitude Sul).
4 – Está aí alguém?... – Apesar do avanço do Homem, pensa-se que vivam mais de 40 tribos indígenas incontactadas nas florestas húmidas, sobretudo no Brasil e na Papua Nova-Guiné.
5 – Destruição massiva – Devido á violenta desflorestação, muitas das florestas húmidas estão a desaparecer. Destruiu-se mais de 90% da floresta húmida da África Ocidental!

Fonte: quero saber Novembro 2010 
Qual será o valor destas florestas no que diz respeito aos serviços prestados na manutenção dos ciclos naturais a nível mundial?

terça-feira, 27 de maio de 2014

O peixe mais perigoso do Mundo. O peixe-balão.

Apesar do tamanho reduzido e do aspeto tímido, as suas defesas podem revelar-se extremamente mortíferas.
Os fatos:
Peixe-balão
Tipo: peixe
Dieta – omnívoro: invertebrados, algas, moluscos e crustáceos
Esperança de vida: 4 – 8 anos
Poder: reator de água pressurizada
Peso: 150 gramas
Tamanho: 2.5 – 90 cm
Habitat: Tropical/subtropical, água salgada, salobre ou doce.
Os peixes-balão são um grupo de mais de cem espécies, assim chamados devido ao seu método de defesa único.
Quando encurralado, o peixe balão engole água, que bombeia para o estômago, expandindo-se e atingindo uma dimensão até três vezes superior ao tamanho normal. Dessa forma, não só dissuade potenciais predadores como ganha segundos cruciais para escapar, se for necessário.
Para conseguir fazê-lo de forma rápida e eficiente, assim que engole a água, as suas brânquias e uma poderosa válvula no interior da boca fecham-se. Mal a cavidade bucal é comprimida, a água é empurrada para o estômago. Apesar do resultante aspeto cómico, os tecidos e orgãos de muitos peixes-balão não são brincadeira, estando minados de tetrodotoxina – um potente veneno que, mesmo em doses ínfimas, é capaz de matar um homem adulto. Isto torna o peixe-balão dez vezes mais mortífero que a viúva-negra. O veneno é produzido como parte de uma relação simbiótica com bactérias comuns, numa troca de nutrientes por uma defesa implacável.
Algumas espécies como o peixe-balão-espinhoso, são mais estranhas que outras, cobertas de espinhos que oferecem proteção extra e que servem de aviso a potenciais atacantes.
Cada espinho está preso á pele por uma engenhosa base em forma de tripé. Quando a pele estica, uma das pernas é puxada para a frente e duas para trás, “abrindo” os espinhos – o suficiente para que os predadores percebam o aviso.
Tetrodotoxina
A cada átomo da molécula de TTX é atribuida uma cor: carbono (preto), hidrogénio (branco), oxigénio (vermelho) e azoto (azul). A TTX agarra-se aos canais de sódio, bloqueando a transmissão de impulsos nervosos e envenenando o sistema nervoso.

Depois da rã-dourada, o peixe-balão é considerado o vertebrado mais mortífero da Terra. O seu veneno, a tetrodotoxina (TTX), não é produzido por si, mas sim por dinoflagelados e bactérias marinhas relativamente comuns.
Em animais suscetíveis, a TTX liga-se aos canais de sódio das células nervosas, cortando o fluxo de sódio e interrompendo a função nervosa; isto provoca a paralização do diafragma, asfixia e a morte da vítima. Não se conhece qualquer cura.
Os humanos costumam ser expostos ao seu efeito mortal ao ingerirem fugu (uma iguaria japonesa) mal preparado. Os sintomas incluem dormência na boca, tonturas, vómitos e dificuldade em respirar. Sem tratamento imediato, falha respiratória e coma ou morte ocorrem nas 24 horas seguintes.

Fonte: quero saber Novembro 2010 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Pesticidas estão a destruir solos nacionais, alertam Investigadores

actualizado: Mon, 14 Apr 2014 16:18:53 GMT | de Lusa

Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) concluiu que as misturas de pesticidas utilizados na agricultura para combater pragas estão a provocar efeitos colaterais nos organismos que regeneram o ecossistema terrestre, colocando em causa a saúde dos solos.
MARIO CRUZ/LUSA
MARIO CRUZ/LUSA
"Já testámos vários tipos de pesticidas aplicados amplamente em todo o país e na Europa e verificámos que eles produzem efeitos muito mais nefastos do que seria à partida previsível", disse Susana Loureiro, investigadora no Departamento de Biologia e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da UA.
A coordenadora da equipa dá como exemplo o chamado "remédio dos caracóis" que, além do alvo principal, também acaba por matar outros organismos como bichos-de-conta, minhocas e outros invertebrados benéficos para o solo.
Sem estes organismos e sem o papel crucial que desempenham na decomposição da matéria orgânica e na redistribuição dos nutrientes, os solos agrícolas não conseguem manter-se saudáveis, refere a bióloga.
A equipa, que estuda há vários anos o efeito dos químicos usados na agricultura, tem igualmente verificado que há vários compostos químicos que induzem efeitos que se prolongam ao longo de várias gerações desses organismos, podendo dar origem ao colapso de populações.
Os investigadores apontam o dedo a uma legislação que apenas regula a utilização individual de cada químico ignorando a mistura de pesticidas, uma prática que dizem ser normal no setor agrícola e que potencia o efeito tóxico dos compostos utilizados.
"Nos solos agrícolas há décadas que se utilizam cocktails químicos perigosos e imprevisíveis sobre os quais a legislação em vigor em Portugal e na Europa nada diz", afirma Susana Loureiro.
A investigadora defende a criação urgente de um plano de monitorização ambiental para manter a qualidade dos solos e dos serviços que esses solos proporcionam quer na Europa quer em Portugal.
JYDN // MSP

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Elefantes consolam-se mutuamente em maus momentos

Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014
Elefantes consolam-se mutuamente em maus momentos
Os gestos utilizados pelos elefantes como forma de consolo são o equivalente a um abraço ou um aperto de mão em humanos, dizem cientistas. © Elise Gilchrist/Think Elephants International
Pela primeira vez, um grupo de cientistas concluiu, através de um estudo feito na Tailândia, que, à semelhança dos humanos, os elefantes são animais empáticos, consolando-se mutuamente em situações de medo, ansiedade ou angústia com gestos que podem ser considerados o equivalente a um abraço ou um aperto de mão.
O estudo em causa, liderado por Joshua Plotnik, professor e investigador nas universidades de Cambridge, em Inglaterra, e Mahidol, na Tailândia, e fundador da organização não-governamental Think Elephants International, insere-se num conjunto de projetos dedicados ao estudo da inteligência dos elefantes, da cooperação ao auto-reconhecimento.
De acordo com os investigadores, até ao momento, os cientistas conseguiram identificar sinais de empatia e consolação apenas entre os primatas, os cães e algumas espécies de corvos. Agora, os elefantes vêm juntar-se a este grupo restrito, tornando-se um elemento particularmente interessante do mesmo devido "à sua inteligência e complexidade social".
"Normalmente, os cientistas estudam duas formas de resolução de problemas: a reconciliação (que se debruça sobre o modo como os agressores e as vítimas fazem as pazes depois de um confronto) e a consolação (que diz respeito ao modo como observadores não envolvidos diretamente numa situação confortam as vítimas", explica Plotnik em entrevista ao blogue da revista científica PeerJ, que publicou o estudo.
"Curiosamente, a reconciliação é relativamente mais comum no reino animal, ao passo que o hábito de consolar os pares da mesma espécie é significativamente raro", salienta Plotnik, que, em conjunto com os colegas, observou um total de 26 elefantes asiáticos em cativeiro na Tailândia.
Os especialistas estudaram de que forma "os elefantes interagiam uns com os outros em situações de ansiedade ou medo". Segundo o coordenador da investigação, concluiu-se que "os elefantes assimilavam o estado emocional dos companheiros, tocando-lhes com a tromba e emitindo sons que parecem ser idênticos aos comportamentos que se observam noutras espécies".

Elefantes podem estar a par dos primatas em empatia
"Quando vemos um amigo chorar, temos tendência a ir para perto dele e abraçá-lo. A nossa expressão facial muda e a tristeza é partilhada por nós. Os chimpanzés, por exemplo, abraçam as vítimas das lutas e tocam a face uns dos outros como forma de conforto", explica Plotnik.
"De acordo com o que sabemos, este é o primeiro estudo a analisar a presença desta empatia nos elefantes e sugere que o comportamento social destes animais, altamente complexo, pode mesmo estar a par do dos primatas", acrescenta.
O líder do estudo afirma esperar que as conclusões da investigação colaborem para aumentar a necessidade de preservar os elefantes, que correm sérios riscos de extinção devido aos números da caça ilegal.
"Os elefantes são uma daquelas espécies magistrais que todas as crianças admiram e todos os adultos recordam, mas estamos a perdê-los a um ritmo tão alarmante que é possível que as próximas gerações cresçam sem que estes animais existam em estado selvagem", lamenta.
Segundo Plotnik, "os humanos são uma espécie assinalável, com uma inteligência assinalável, mas definitivamente não estão sozinhos na capacidade de pensar e sentir". É, portanto, importante "ensinar os mais jovens acerca do comportamento dos elefantes para que possam olhar criticamente para os problemas que estes enfrentam mas para que se relacionem com eles enquanto seres inteligentes".
O próximo passo da investigação passará por alargar os estudos ao nível da cognição nos elefantes, tentando apurar de que forma estes "pensam" sobre os ambientes físicos e sociais em que vivem através de experiências controladas.

Clique AQUI para aceder ao estudo publicado na PeerJ (em inglês).

Notícia sugerida por Maria da Luz
Fonte: Boas noticias.pt
A caça ilegal é crime. E deve ser denunciada.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Mais de mil rinocerontes mortos na África do Sul em 2013

actualizado: Fri, 17 Jan 2014 16:21:33 GMT | de Lusa

Mais de mil rinocerontes foram mortos na África do Sul no ano passado, um aumento de 50 por cento em relação a 2012, incentivado pela procura de chifres no mercado negro, anunciou hoje o governo.

PAULO NOVAIS/Lusa
PAULO NOVAIS/Lusa
“O número total de rinocerontes caçados na África do Sul em 2013 aumentou para 1.004”, disse o ministro do Ambiente, numa declaração.
A procura de chifres de rinoceronte na Ásia – vista como um símbolo de estatuto e erradamente associada a propriedades medicinais – tem conduzido a uma perseguição inédita a estes animais.
A África do Sul tem cerca de 80 por cento da população total de rinocerontes no mundo, estimada em mais de 25 mil.
Em 2007, apenas 13 rinocerontes foram caçados ilegalmente naquele país, mas desde então os números têm aumentado exponencialmente todos os anos. Na primeira quinzena deste ano, 37 rinocerontes já foram mortos.
A maioria destes rinocerontes foi morta no parque nacional Kruger, vizinho de Moçambique, apesar do esforço das autoridades, que recorrem a técnicas paramilitares para impedir os caçadores.
Organizações criminosas transnacionais sofisticadas caçam ilegalmente os animais e retiram-lhes os chifres, que são traficados para fora do país para a Ásia.
As autoridades sul-africanas prenderam 343 pessoas ligadas ao tráfico de chifres de rinoceronte.
JH // JMR

sábado, 9 de novembro de 2013

A pele dos anfíbios

A pele é a principal barreira protetora do corpo contra as agressões externas. A dos anfíbios, apesar de muito fina, possui características cruciais para garantir a sua sobrevivência.
Salamandra
Os anfíbios podem inspirar e expirar através da pele – em terra ou debaixo de água – e absorvem água não através da boca mas de pele permeável, na parte debaixo do corpo. A maioria dos anfíbios adultos tem pulmões, mas também absorvem oxigénio através da pele. Algumas espécies de salamandras não possuem pulmões nem brânquias e respiram exclusivamente através da pele. O aspeto viscoso dos anfíbios deve-se ao facto da sua pele estar repleta de glândulas que produzem muco, que se espalha pela superfície da pele, humedecendo-a e tornando-a mais suave, e logo, mais absorvente. Apesar das suas parcas defesas contra predadores, os anfíbios possuem glândulas de veneno na pele, que segregam toxinas para repelir potenciais interessados. A maioria das espécies é pouco venenosa, mas algumas, como a rã dourada, são mortais ao toque.


A rã de ouro habita a chuvosa selva tropical Chocoana da Colômbia e parte da fronteira com o Panamá. São rãs diminutas e seu tamanho nunca supera os 5 cm. Sua cor é particularmente chamativa e vistosa apresentando três principais variações de cor dependendo de sua variação genética: amarelo-dourado, verde-prateado e laranja. 
Alimenta-se de formigas, como a Brachymyrmex e Paratrechina e de diminutos besouros da família Melridae de onde obtêm seu veneno.

A pele dos anfíbios tem de manter-se húmida para evitar que o corpo fique demasiado quente ou frio, bem como evitar a desidratação. Esta constante necessidade de humidade implica que os anfíbios, além de produzirem muco, vivam junto a fontes de água.

Fonte: quero saber Novembro 2010 – e net.

domingo, 13 de outubro de 2013

Um fungo contra o escaravelho vermelho

Assassino encurralado
Os casulos
Um coleóptero anda a dizimar as palmeiras do Sul da Europa, incluindo milhares de exemplares portugueses, principalmente nas regiões de Lisboa e do Algarve. Biólogos espanhóis afirmam ter descoberto um fungo que devora o famigerado inseto.
Desde 1995, as palmeiras estão a sofrer o ataque do chamado “escaravelho vermelho”, que tem provocado a morte de muitos milhares de exemplares. Com efeito, quando o pequeno cleóptero, cujo nome científico é Rhynchophorus ferrugineus, as coloniza, a esperança de vida das palmeiras não ultrapassa os seis meses. Em Portugal, os estragos começaram no Algarve, onde centenas de plantas foram dizimadas, e o rasto de destruição prosseguiu em direcão a norte (em Lisboa já atacou, por exemplo, o Jardim Tropical de Belém e o Jardim Botânico). Em Espanha, a grande preocupação centra-se em Elche, cujo esplêndido palmeiral foi plantado pelos muçulmanos há mais de mil anos. Teme-se, agora, que o inseto consiga destruir esse símbolo da cidade da Comunidade Valenciana: 500 hectares de palmeiras declaradas Património Mundial da Humanidade.
Contudo, a erradicação poderá estar eminente: talvez se produza em apenas dois anos. Com efeito, especialistas da Glen Biotech (http://www.glenbiotech.es), uma companhia surgida na universidade espanhola de Alicante, pensam ter encontrado uma solução definitiva. “Apercebemo-nos de que um fungo, o Beauveria bassiana, matava o escaravelho das palmeiras de forma natural”, explica Berenice Güerri, que dedicou a sua tese de doutoramento ao destrutivo coleóptero e descobriu, agora, o antídoto.
“Durante um ano, cutivámos o Beauveria bassiana em laboratório, procedendo a múltiplos ensaios ‘isolados’”, explica a especialista. Os “isolados” são espécimes que apresentam determinadas características. “Foi como selecionar pessoas para um posto de trabalho: havia muitos candidatos e tivemos de passá-los pelo crivo.” Finalmente, concluiram que o “isolado 203” era o que funcionava melhor sem necessidade de água. “Conseguimos repetir um processo natural, mas em grande escala”, resume a investigadora.  
Com esta técnica, deixa de ser necessário fumigar a palmeira (com a consequente poupança de líquido), pois o produto é aplicado através de um substrato vegetal seco, sem toxinas e sem impacto no meio ambiente. Os testes efetuados em fevereiro, abril e maio (meses com diferentes valores de temperatura) não deixaram margem para dúvidas: o fungo aniquilou todas as larvas em quatro dias e os adultos em pouco mais de duas semanas.
500 Bocas para alimentar
Como consegue o fungo acabar com um bicho protegido por uma dura couraça? A resposta é simples: transformando-se num alien dentro do corpo do inseto. Protegido por uma armadura estriada, o escaravelho vermelho das palmeiras caracteriza-se pelo bico que se projeta do corpo. Aproveita qualquer orificío para se introduzir na palmeira, onde escava galerias com o pontiagudo apêndice, e a fêmea pode por mais de 500 ovos de uma só vez. Depois as larvas alimentam-se vorazmente do tecido vagetal. Deter a infestação é muito complicado: “ A fêmea toena-se fértil uma semana após ter saído do casulo. Para agravar as coisas, um escaravelho consegue voar cinco a dez quilómetros”, explicou Carlos Gabirro, sócio-gerente da empresa portuguesa Biostasia, ao jornal Público. Com um período de atividade na palmeira que pode ir de três meses a quase um ano, os seus esporos instalam-se na carapaça do invasor e começam a penetrar no organismo do escaravelho como sementes em busca de alimento. Ao fim de pouco tempo, já perfurou o corpo do gorgulho para germinar e alimentar-se dos seus nutrientes. Dito de forma mais gráfica: come-o por dentro até o deixar seco. O mesmo destino espera as larvas. Além disso, o próprio escaravelho vermelho dissemina o fungo, ao transferir-se de uma palmeira para outra.
O mais difícil é conseguir detetar a presença dos colonizadores. Por isso, têm sido organizadas desde jornadas técnicas e encontros internacionais a iniciativas de sensibilização dos proprietários de árvores ou dos responsáveis pela gestão de palmeiras no meio urbano, os quais também se debatem com falta de recursos para combater uma praga que tem avançado a uma velocidade assustadora. Primeiro, as folhas da coroa da palmeira perdem vigor; depois, nota-se um odor a tecidos em fermentação e, quando se encosta o ouvido ao tronco, escutam-se os ruídos produzidos pelas larvas a alimentar-se.
Quem estiver desprevenido apenas se aperceberá quando for demasiado tarde, pouco antes da palmeira morrer ou mesmo tombar no chão. Já existem experiências com cães treinados para distinguir o cheiro, um sistema testado em Israel e na Andaluzia. Por sua vez a universidade de Elche está a desenvolver um programa informático para detetar através de sondas o ruído produzido pelos escaravelhos. O incoveniente é que a palmeira produz múltiplos sons. Além disso, a sua composição impede que as ondas se propaguem sem entraves.
O remédio da Glen Biotech (agora em fase de ser  registado e obter a patente) poderia ser a solução definitiva para um problema que afeta muitos países. Original do Sueste asiático, onde ataca os coqueiros, o Rhynchophorus ferrugineus estendeu-se pelo Médio Oriente, o Magrebe, o Sul da Europa e os Estados Unidos.
Em Portugal, a praga foi detetada pela primeira vez em 2007, ano em que a União Europeia estabeleceu medidas de emergência para a combater, já que vários países mediterrânicos se debatiam há vários anos com o escaravelho. Em Espanha, por exemplo, chegou há 17 anos através da Andaluzia, proveniente do Egito. A região do Algarve foi das mais afetadas, mas, atualmente, segundo Carlos Gabirro, Lisboa está “completamente contaminada” e a praga já foi identificada em Sines, Santiago do Cacém, Grândola, Alcácer do Sal, Setúbal, Cascais, Montijo, Coruche, Coimbra, Espinho e Gaia. Razão suficiente para esperar que os dias do escaravelho vermelho estejam mesmo contados, como promete a companhia espanhola.

Super interessante nº172 – Agosto de 2012

domingo, 25 de agosto de 2013

A desflorestação da floresta do Bornéu e a distribuição dos orangotangos

Em cima, a evolução da desflorestação do Bornéu desde 1950, com projeção para 2020.
Em baixo, a distribuição do orangotango desde 1930 até os nossos dias

Uma casa a mirrar
A maior fatia de desflorestação que se tem verificado no Bornéu, e que se prevê para a próxima década, coincide em larga medida com a área de distribuição do orangotango, não deixando margem para os animais se alimentarem convenientemente ou se deslocarem livremente nos seus territórios sem, além disso, serem alvo de caçadores, agricultores e madeireiros.
O aumento dramático do número de orfãos recolhidos nos santuários e centros de recuperação de vida selvagem locais tem conduzido à sua sobrelotação. Apesar da proclamação do presidente indonésio, em 2007, de concordância com os objetivos do Indonesia Orangutan Conservation Action Plan 2007- 2017 (nomeadamente, a libertação na Natureza de todos os orangotangos existentes nos centros de reabilitação, até 2015), o certo é que estes animais apenas devem ser libertados após anos de cuidados humanos e de adaptação vigiada à sua nova vida em meio selvagem, e nunca antes dos cinco anos de idade. Têm sido realizadas iniciativas de reintrodução de orangotangos em áreas protegidas, mas, apesar dos esforços das agências de conservação e do interesse político destas iniciativas, a realidade é que o destino dos animais é mais do que incerto, tendo em conta que os seus fatores de ameaça não estão a ser contrariados de forma minimamente encorajadora.

Super interessante nº169 – Maio de 2012

sábado, 24 de agosto de 2013

Orangotangos do Bornéu

A última escolha
São os maiores mamíferos arbóreos do planeta. Conhecidos como “homens da floresta” (do indonésio e malaio orang, “pessoa”, e hutan, “floresta”), os orangotangos foram incluídos na mesma família taxonómica da espécie humana (Hominidae) e são os últimos grandes símios hominóides presentes na Ásia. Têm também uma “profissão”: são agricultores. Os frutos constituem mais de 60 por cento da sua diversificada dieta, formada por mais 500 espécies de plantas diferentes (das quais consomem também flores, folhas, rebentos e casca) e ainda alguns insectos. Nas suas deslocações diárias, a uma altura de 6 a 10 metros na copa das árvores, estes primatas de pelagem ruiva, ar bonacheirão e reconhecida inteligência dispersam o pólen e as sementes destas plantas pelos seus territórios individuais, que cobrem centenas a milhares de hectares de floresta, contribuinso assim para o equilibrio da flora e da fauna do seu ecossistema, um dos mais ricos em biodiversidade do mundo. (!)
No entanto, a gigantesca conversão das suas florestas nativas em plantações, especialmente o óleo de palma (Elaeis guineensis), que se verificou nas recentes décadas, resultou no desaparecimento e fragmentação de grande parte do seu habitat. Trouxe ainda outras formas de pressão humana, como a caça para consumo da sua carne, a venda das crias no comércio de animais de estimação (ilegal, mas intenso e continuado) e o abate generalizado por serem considerados uma ameaça às culturas agrícolas.
De acordo com as estimativas mais recentes, 2004, a população de orangotango de Samatra (Pongo abelii) ainda existente conta apenas com perto de 7300 indivíduos presentes numa área total de floresta de 20552 quilómetros quadrados, da qual menos de metade se situa abaixo dos mil metros de altitude e consegue albergar populações permanentes. O orangotango do Bornéu (Pongo pygmaeus), por sua vez, tem a população total estimada em 45 a 69 mil indivíduos, ou seja, o equivalente ao número de habitantes das cidades de Évora e Aveiro, numa área total de habitat adequado, mas altamente fragmentado, próxima de Portugal continental.
Além de serem o único território nativo dos orangotangos, a Indonésia e a Malásia são também os maiores produtores de óleo de palma do mundo. Não é por acaso que investem na gordura vegetal desta palmeira africana, também conhecida como dendezeiro ou dendém. Cerca de metade dos produtos embalados que encontramos hoje nos supermercados, desde géneros alimentares á cosmética, comtém óleo de palma. Considerado também um percursor interessante para o biodiesel (embora menos “verde” do que parece), a sua importância não se esgota no nível macroeconómico: as famílias e os pequenos produtores locais reconhecem no óleo de palma a possibilidade da melhoria da sua qualidade de vida e a opção de escolaridade para os seus filhos, criando uma enorme pressão sobre as florestas naturais.
Foi precisamente para defender a produção sustentável de óleo de palma e os valiosos ecossistemas  que têm desaparecido a um ritmo assustador, na região, que a World Wildlife Found (WWF) ajudou a criar, em 2004, a Round-table on Sustainable Palm Oil (RSPO). Esta organização de visão mundial e empenho local junta produtores, processadores, vendedores, retalhistas, investidores e entidades bancárias, ONGs ambientais e de desenvolvimento, entidades governamentais e consumidores de bens manufaturados, com o objectivo de promover boas práticas de produção de óleo de palma e sua certificação.
Em 2008, a RSPO apenas podia contar com 17 fábricas certificadas em dois países, a Malásia e a Papuásia-Nova Guiné, mas reúne agora 29 empresas produtoras e 135 fábricas de seis nacionalidades: Brasil, Colômbia, Ilhas Salomão, Indonésia, Malásia e a Papuásia-Nova Guiné. A entrada destes novos parceiros traduziu-se num aumento de volume certificado de vendas de óleo de palma de 350 mil toneladas, em 2009, para 2,5 milhões de toneladas, em 2011. A MacDonald´s aderiu também a esta organização, em 2011, tal como já haviam feito outras grandes empresas como a Walmart e a Citigroup. Boas notícias, tendo em conta o volume deste óleo que é consumido anualmente na fritura de batatas e McNuggets nas múltiplas sucursais MacDonald´s das regiões da Ásia-Pacífico, do Médio Oriente, de África e da América Latina.
Para outras organizações de conservação, como a Greenpeace, estas notícias não são, no entanto, ainda dignas de júbilo. É óbvio que a adesão bem intencionada à RSPO não será suficiente para mudar a tendência atual, e nem sequer garante o cumprimento das boas práticas. Se as taxas de desflorestação na região se mantiverem inalteradas (ou aumentarem), os orangotangos estarão extintos dentro de duas a três décadas e, com eles, um elevado número de outras espécies biológicas, muitas delas ainda nem conhecidas pela ciência. A preocupação dos céticos não é sequer somente paisagística ou moral: a substituição das florestas tropicais húmidas por plantações, que se tem verificado em todo o mundo, nas últimas décadas, poderá fazer pesar a balança das alterações climáticas para um nível indesejável e irreversível. Por outrtas palavras, teremos de aprender a sobreviver num mundo de fenómenos climatéricos intensos e imprevisíveis dos quais já ouvimos falar, mas que ainda não acreditamos que possa materializar-se.
Para muitos analistas, a escolha principal sobre a tendência futura da região e dos seus recursos naturais é decididamente dos consumidores. O óleo de palma é mundialmente consumido de forma quotidiana e descontraída, para o que tem contribuido o facto de estar frequentemente dissimulado nas listas de ingredientes sob a designação de “óleo vegetal” ou “gordura vegetal”. No final de 2011, a União Europeia adotou regulamentação que obriga à identificação exata dos óleos de origem vegetal nos produtos alimentares, com a intenção de promover mudanças significativas na indústria do óleo de palma, bem como a proteção dos consumidores, de modo a poderem fazer escolhas informadas.
Infelizmente, o homem da floresta não pode escolher. O leitor pode. Qual é a sua escolha?

Super interessante nº169 – Maio de 2012

domingo, 18 de agosto de 2013

Olinguito é o novo carnívoro agora descoberto

Nº 32
agosto 2013
16-08-2013 19:00
© Mark Gurney
Cientistas do Smithsonian Institute descobrem nova espécie de carnívoro e a primeira em 35 anos no Continente americano. Recebeu o nome de olinguito e o nome científico de Bassaricyon neblina.









Tem apenas 900 gramas, uma aparência que parece resultar do cruzamento entre um gato doméstico e um urso, é ativo principalmente à noite, come sobretudo fruta, raramente desce das árvores e têm apenas uma cria de cada vez.

O olinguito é nativo das florestas da Colômbia e do Equador, mas esconde uma história curiosa, já que apesar de só agora ter sido descrito e identificado pela ciência, com a publicação da descoberta na edição de 15 de Agosto da revista científica ZooKeys, sabe-se que este pequeno animal já foi observado na natureza, esteve em jardins zoológicos e museus e que a sua identidade foi confundida durante 100 anos com a dos olingos.

Olinguito recebe nome científico </i>Bassaricyon neblina</i>
Olinguito recebe nome científico Bassaricyon neblina
© I. Poglayen-Neuwall
Kristofer Helgen, investigador que liderou a equipa de cientistas que publicou agora a descoberta diz, citado em comunicado doSmithsonian Institute que, «a descoberta do olinguito mostra-nos que o mundo ainda não está completamente explorado e que os seus segredos mais básicos não foram ainda revelados».

O investigador adianta que «se novos carnívoros podem ser descobertos, que outras surpresas nos esperam? Muitas das espécies no mundo ainda não são conhecidas da ciência. Documentá-las é o primeiro passo para compreender a completa riqueza e diversidade da vida na Terra».

Para a descoberta desta nova espécie foram precisos dez anos, sendo que o resultado foi surpreendente, já que os cientistas estavam envolvidos num estudo sobre olingos com o objetivo de saber quantas espécies de olingos eram conhecidas e como é que estas estavam distribuídas.

Para isso levaram a cabo uma vasta investigação que envolveu a deslocação a museus em todo o mundo, testes de ADN e revisão de informação histórica. Foi então que os cientistas descobriram um esqueleto e dentes de um animal que eram mais pequenos e apresentavam formas diferentes das dos olingos.

Olinguito nativo das florestas da Colômbia e do Equador
Olinguito nativo das florestas da Colômbia e do Equador
© Mark Gurney
«Exames a peles em museus revelaram que esta nova espécie era também no geral mais pequena e que possuía uma longa e densa capa», indica a instituição em comunicado e adianta que «registos no campo mostraram que a espécie ocorria numa única área das Montanhas de Andes entre 1500 metros e os 2700 metros acima do nível do mar – altitudes muito mais elevadas do que as conhecidas para o olingo.

Para Kristofer Helgen esta descoberta «é o primeiro passo» que «prova que a espécie existe e dar-lhe um nome é onde tudo começa».

O cientista diz ainda que «este é um belo animal, mas sabemos tão pouco sobre ele. Em quantos países vive? O que mais podemos aprender sobre o seu comportamento? O que precisamos de fazer para assegurar a sua conservação?».
Fonte: tvciência

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Manhas de polvo

São inteligentes e criativos
Terem três e sangue azul não é a sua característica mais extravagante. Estes moluscos fascinam a ciência pela sua grande inteligência, o comportamento complexo, os dotes que revelam no momento da conquista e o dom para se orientarem.
Sem arroz – A imagem mostra um polvo gigante, Enteroctopus dolfleini. Vive no Oceano Pacífico e alcança os nove metros de comprimento.
Bípedes quando precisam
Em 2008, 24 centros oceanográficos europeus iniciaram um estudo para descobrir se os polvos eram octodestros e se serviam dos oito tentáculos com a mesma destreza, ou se, pelo contrário, recorriam a um em particular. O que observaram foi que eles utilizam duas das extremidades para se deslocarem sobre o leito marinho e as outras seis para explorarem e investigarem os objectos ao seu alcance, incluindo peças de lego e cubos de Rubik que os biólogos lhes ofereciam nas suas experiências. Confirmou-se, assim, o que já tinha sido observado, em 2005, na Indonésia, por biólogos da Universidade da Califórnia: quando um polvo precisa de fugir, levanta seis braços e utiliza os outros dois para correr a toda a velocidade pelo fundo do mar.
Sexo com amor e abraços
Durante décadas, os cientistas viram os octopódes como seres solitários e nada românticos na sua vida sexual. Todavia, um estudo recente da Universidade da Califórnia revela que os machos não acasalam com a primeira fêmea que se atravessa no caminho. De facto, costumam rondar durante vários dias a candidata eleita, adornam-se com padrões vistosos na pele, mantêm os rivais á distância e abraçam mesmo, carinhosamente, algum braço da companheira depois de a terem conseguido conquistar.
Esperto que nem um alho
A fim de medir a inteligência dos polvos, os zoólogos recorrem a testes nos quais avaliam, sobretudo, dois parâmetros: a capacidade de aprendizagem e a memória. Deste modo, descobriram que eles se entendem a distinguir formas geométricas (quadrados, retângulos, circulos…), abrir boiões com tampas de enroscar ou atravessar complicados labirintos. Além disso, os cefalópodes aprendem ao observar os seus semelhantes, um comportamento que se considerava exclusivo do ser humano e de alguns mamíferos. Como demonstrou uma experiência o neurobiólogo Benny Hochner, possuem um circuito de memória a curto prazo e outro a longo prazo. Não é por acaso que os polvos possuem meio milhão de neurónios organizados numa complexa rede de lóbulos, semelhantes á estrutura do cérebro humano.
Um lado venenoso
Há três anos, a revista Jornal of Molecular Evolution fez eco de um estudo da Universidade de Melbourne (Austrália) que demonstrava que todas as espécies de polvo (e de chocos e de lulas) têm alguma substância tóxica no organismo para se defenderem dos predadores ou atacarem as presas. Ao analisar os genes que produzem as diferentes peçonhas que esgrimem, os biólogos concluíram que a origem do arsenal remonta a um antepassado venenoso comum aos polvos, aos chocos e às lulas.
Imitadores natos
Quando há um predador nas proximidades, o polvo-mímico (Thaumoctopus mimicos), da Indonésia, pode mascarar-se de raia venenosa, serpente marinha, peixe-leão cheio de espinhos ou mesmo alforreca. Todods os papéis de mau assentam bem a este octópode. Já no Atlântico, destaca-se como o ator o polvo Macrotriopus defilippi, de tentáculos compridos, que se oculta dos inimigos copiando a forma e os movimentos da solha, um peixe chato semelhante ao linguado.
Muita personalidade
A psicóloga Jennifer Mather e o biólogo Roland Anderson iniciaram, em 1993, um trabalho pioneiro com mais de 40 polvos vermelhos, para averiguar se os seus comportamentos podiam ser individualizados. Depois de os exporem a situações distintas em semanas diferentes, concluiram que se podia enquadrar, nitidamente, o seu comportamento em três tipos de personalidade, aplicados, até então, apenas a seres humanos: agressivos, tímidos e passivos. Os resultados foram publicados no Journal of Comparative Psychology.
Passar despercebidos
A epiderme dos polvos contem células com pigmentos, os cromatóforos, que lhe permitem mudar de cor e de padrão decorativo (pele lisa, com riscas, manchas…) com extrema facilidade. Assim, podem camuflar-se e passar despercebidos tanto entre recifes de corais vermelhos como sobre a areia cinzenta. As mudanças de tonalidade também lhes servem para exprimir a sua disposição.
Arsenal defensivo próprio
Em 2009, o polvo Amphioctopus marginatus, da Indonésia, juntou-se á lista de animais capazes de usar ferramentas. Tal como mostrou uma investigação publicada na revista Current Biology, os exemplares desta espécie recolhem as cascas de coco que caem no fundo do mar e armazenam-nas num local escondido, para serem usadas como escudo defensivo. Veja-os neste vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=QRfOGOntnbw
GPS incorporado
Embora estes animais passem horas a caçar e percorram centenas de metros nas suas explorações, costumam regressar todos os dias á toca para descansar e nunca se esquecem do caminho de regresso. O segredo para não se perderem no fundo do mar? Ao estudar o polvo vulgar (Octopus vulgaris), nas Bermudas, a psicóloga Jennifer Mather, da Universidade de Lethbridge (Canadá), chegou á conclusão de que eles não deixam um rasto químico á sua passagem, como as formigas, mas visualizam as rochas proeminentes, plantas, corais e outros aspetos que encontram ao longo da rota, para traçarem um mapa mental que conservam no cérebro durante semanas. A sua memória espacial é extraordinária.

Super interessante nº168 – Abril de 2012

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O incrível pássaro que pesca usando isca

Por em 25.06.2013 as 15:28               


O vídeo é um tanto inacreditável, mas não é história de pescador: esse comportamento é raro, mas verdadeiro.
A ave que você acima é uma garça verde, encontrada no Japão e nos EUA. As imagens foram feitas no Japão, e mostram o pequeno animal se aproximando da água com um pedaço de pão, que ele usa como isca depositando-o na água e esperando peixes se aproximarem.
A garça repete o processo várias vezes até pegar um pequeno peixe. No entanto, ela devolve o pequeno espécime e repete mais vezes a ação até fisgar um peixe maior.
As cenas são surpreendentes, pois sugerem raciocínio lógico. A garça aparentemente considera que é melhor não se satisfazer imediatamente, mas sim esperar por uma recompensa maior. Além disso, poderia ter comido o pão, mas escolheu usá-lo para pescar algo mais saboroso. A própria ideia de usar o pão com isca parece uma ideia complexa para um pássaro, não?
Segundo ornitólogos, apesar de incomum, essa habilidade vem sendo documentada há décadas. Exemplares de pelo menos sete espécies de garças já foram vistos pescando com iscas, de gravetos a insetos ou flores.

Comportamento aprendido

A pescaria não é uma habilidade inata da garça. Segundo um estudo do pesquisador Hiroyoshi Higuchi da Universidade de Tóquio (Japão), este é um comportamento aprendido, observado apenas em exemplares de garças que vivem em locais bem distantes entre si.
Somente alguns animais mais inteligentes, como o do vídeo, que vivem próximos a alguns tipos de rios e lagos com rochas acima da linha da água (bons esconderijos) parecem ser capazes de usar iscas para pescar.
Higuchi sugere que encontros acidentais levaram o pássaro a aprender o comportamento. Por exemplo, vendo humanos jogarem migalhas na água ou observando o momento em que insetos caíam na água – assim, a garça percebeu que jogar objetos ou alimentos nos rios e lagos podia atrair peixes.
No entanto, o comportamento não é ensinado entre as aves, e como são poucos os animais que o exibem, é difícil para os cientistas estudarem melhor a habilidade.[Abril]
Fonte: Hypescience.com

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Comissão Europeia proíbe parcialmente três pesticidas que afectam as abelhas

Portugal foi um dos oito países que votou contra a proibição, aprovada com 15 votos a favor

2013-04-30
As abelhas são vitais para o equilíbrio dos ecossistemas
Três pesticidas comuns que estão relacionados com a morte massiva de abelhas em todo o mundo foram agora proibidos (parcialmente) pela Comissão Europeia. Segundo diversos estudos científicos, os insecticidas da família dos neonicotinóides – clotianidina, tiametoxam e imidacloprida – podem afectar o sistema nervoso dos insectos, provocando-lhes paralisia e morte. Não têm, no entanto, riscos para a saúde humana.
O desaparecimento de milhões de abelhas, vitais para o equilíbrio dos ecossistemas, é desde há vários anos uma grande preocupação. O chamado “distúrbio do colapso das colónias” já diminuiu em grande percentagem a população destes animais. A decisão baseia-se no princípio de precaução e foi tomada a partir das conclusões de um relatório da Agência Europeia da Segurança Alimentar (European Food Safety Authority - EFSA).

Na votação levada a cabo, a Comissão Europeia decidiu a favor da proibição, com 15 Estados a votarem a favor (Espanha, Alemanha, França, Bélgica, Bulgária, Dinamarca, Estónia, Chipre, Letónia, Luxemburgo, Eslovénia, Malta, Países Baixos, Polónia e Suécia) e oito contra (Reino Unido, Itália, Portugal, República Checa, Áustria, Hungria, Roménia e Eslováquia).
O comissário europeu da Saúde, Tonio Borg, recordou que as abelhas são “vitais para o ecossistema, pois desempenham um papel fundamental na polinização, sendo que a sua contribuição para a agricultura europeia estima-se, anualmente, em 22 mil milhões de euros”.
O relatório da EFSA, publicado em Janeiro, relaciona os insecticidas com neonicotinóides (substâncias derivadas da nicotina) com a alta mortalidade das colónias. A Comissão Europeia sugere a modificação das condições de aprovação da clotianidina, tiametoxam e imidacloprida, restringindo o seu uso aos cultivos que não atraiam as abelhas e aos cereais de Inverno, já que a exposição aos pesticidas durante o Outono não é considerada perigosa.
Planeia também proibir a venda e o uso de “sementes tratadas” com produtos que contenham essas três substâncias (excluindo igualmente as sementes das plantas que não atraiam esses insectos e as dos cereais de Inverno).
As excepções limitar-se-ão à possibilidade de tratar cultivos em estufas ou campos ao ar livre após a floração. As restrições começam a ser aplicadas a partir de 1 de Dezembro.
Fonte: ciência hoje.pt

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Aluno da UC vence concurso

João Rito desenvolve um projecto
para utilização glicerol na dieta alimentar dos peixes

2013-04-08
Por Sara Pelicano
A ideia é reduzir em 5% (numa primeira fase) a dose de proteína na dieta alimentar de peixes de aquacultura, nomeadamente dourada, robalo e pregado. Com esta mudança alimentar, João Rito, o autor da ideia, acredita que haverá uma redução dos custos de produção e também melhorias ambientais.
O trabalho está a ser desenvolvido no âmbito do doutoramento na Universidade de Coimbra. “Vi o concurso da Sociedade Mundial de Aquacultura, que queria que alunos de mestrado e doutoramento submetessem um projecto que visasse tornar a aquacultura numa indústria mais sustentável”, explica João Rito.

João apresentou o seu projecto de substituição de 5% de proteínas da dieta alimentar por glicerol e venceu. “A aquacultura é um poluente porque os peixes libertam componentes tóxicos, como a amónia e fósforo. As dietas alimentares são ricas em proteínas, porque os peixes, na sua maioria, são carnívoros e as proteínas são essenciais. Nesta experiência tentamos reduzir 5% a percentagem de proteína. Parece pouco, mas em grande escala vamos reduzir muito. A proteína é um dos alimentos mais caros, reduzindo a proteína, vamos reduzir os custos de produção. Substituir a proteína por glicerol, que está muito disponível na indústria de biodiesel, onde é um subproduto, que ainda não tem destino traçado. À partida é mais barato, assim reduzem-se custos de produção”, explica o jovem investigador.

Este método de alimentação dos peixes carnívoros em aquacultura pode também trazer benefícios ambientais. João Rito explica que “o metabolismo das proteínas contamina o ambiente com a amónia e fósforo, ao reduzir a proteína nas dietas alimentares reduzimos a sua produção e libertação daqueles componentes para o ambiente”.

Além do prémio monetário de mil dólares, João vai, em Junho, estagiar por um mês no Centro de Investigação da NOVUS - Novus Aqua Research Center, na Cidade de Ho Chi Minh, Vietname.

“O objectivo é ter contacto com projectos já a decorrer no centro. O Vietname é o terceiro maior produtor de aquacultura a nível mundial, as características ambientais são muito propícias a isso e trabalhar numa das maiores empresas a nível mundial de aquacultura será uma experiência única, na qual vou ter acesso a meios que aqui não tenho e vou estar em contacto directo com cientistas desta área que têm muito mais experiência do que eu e vou tentar tirar a melhor experiência possível”, adianta João.

O concurso que João Rito venceu foi lançado, a nível mundial, pela Sociedade Mundial de Aquacultura (SMA), uma instituição criada em 1970. A SMA é uma sociedade internacional sem fins lucrativos, que tem como objectivo melhorar a comunicação e troca de informações sobre aquacultura, à escala global. Reúne cientistas, produtores e prestadores de serviços da indústria de aquacultura.
Fonte: Ciência hoje.pt

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Cobras & lagartos

  
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As criaturas mais odiadas
Perseguidos desde tempos imemoriais e vítimas de crenças infundadas, os répteis sobrevivem como podem à antipatia humana e aos inúmeros fatores que ameaçam diariamente a sua sobrevivência. O biólogo Jorge Nunes revela-nos a fauna herpetológica portuguesa e conta-nos toda a verdade sobre os escamosos rastejantes que têm sido alvo de tanto ódio.
Com exceção do lobo, dos morcegos e talvez das aranhas, poucos animais têm sido tão odiados como os répteis. Quando escutamos a expressão “cobras e lagartos”, percebe-se que não é coisa boa, pois dizer cobras e lagartos de alguém é dizer mal, amaldiçoar. Consta que esta expressão idiomática teve origem na literatura bíblica, na qual a serpente é amaldiçoada por ter levado Eva a provar o fruto proibido: “Serás maldita entre todos os animais… reinará a inimizade entre ti e a mulher… esta esmagar-te-á a cabeça.” E foi assim, enquanto o diabo esfregava um olho, que as serpentes passaram a ser vistas como criaturas demoníacas, que tinham de ser perseguidas e exterminadas. O pior é que esta secular e irreconciliável incompatibilidade com os pobres animais sem pernas acabou por se estender a outros que tinham o corpo coberto de escamas, mesmo que possuíssem patas. Ainda hoje, são inúmeras as pessoas que consideram os répteis feios, porcos e maus e que garantem que eles mordem e são peçonhentos! O que não é verdade, como se verá.
Desde épocas remotas que se imaginaram delirantes fantasias com estes animais. As mais hilariantes contam-nos como as cobras sobem ao regaço das mulheres adormentadas, durante a amamentação, para lhes beber o leite: “Enquanto colocam a ponta do rabo na boca dos bebés, a servir de chucha, para que não chorem”, escutámos reiteradamente em várias regiões do país. Ou, então, como chupam o leite das vacas, cabras e ovelhas, secando-as: “Depois de ter sido chupada, uma cabrinha minha ficou com a teta toda mirradinha e acabou por morrer! E já aconteceu o mesmo à minha vizinha!”, garantiram-nos a pés juntos numa aldeia da Beira Baixa.
Crendices populares
Na Sertã, uma vetusta vila situada bem no centro de Portugal, recordaram-nos a lenda de Nossa Senhora dos Remédios, que recontamos resumidamente. Segundo as gentes mais antigas, um jovem pastor encontrou uma cobrinha e começou a dar-lhe leite, durante vários anos; entretanto, o rapaz partiu para cumprir o serviço militar e, quando regressou, foi surpreendido por uma gigantesca serpente, que se atirou a ele para o matar. Protegido pela Virgem, acabou por conseguir abater o horrível monstro. Embora não seja exatamente esta a narrativa que encontramos na monografia Sertã e o seu Concelho, na qual consta um relato de 1874, parece que “ao lado do altar […] existe para memória, a queixada da serpente, que seguramente tem de comprimento um metro”.
Este é apenas um exemplo do vasto lendário português sobre serpentes (sobretudo, encantadas), como facilmente se confirma no Arquivo Português de Lendas (Centro de Estudos Ataíde Oliveira, http:// www.lendarium.org).
No qual se fica a saber que os lagartos também não foram esquecidos pelo povo, embora surjam num número menor de estórias, como a do lagarto de Lamas de Mouro (Melgaço) ou a dos lagartos de Dona Mirra (Peso da Régua).
Os ditos populares referem que as cobras também pilham os ovos e matam galinheiros inteiros. Ou ainda, roçando o rocambolesco, que podem roubar bebés indefesos e atacar transeuntes incautos: “Encantam-nos com o olhar, como fazem com os sapos”, asseveraram-nos várias pessoas, que também nos segredaram ao ouvido: “As cobras e os lagartos têm o hábito de subir pelas pernas das mulheres, em especial durante o período da menstruação. É muito perigosos andar na horta!”
Se atentarmos no nosso vocabulário, verificamos que é igualmente preconceituoso para estes animais, usando expressões como “más como as cobras”, “língua viperina” e “comportar-se como uma víbora”. Tal como os provérbios: “Se a víbora ouvisse e o licranço visse, não havia quem lhes resistisse”. Enfim, um rol de inverdades. Mitos, crenças e superstições infundadas, arreigadas na cultura popular, que colocaram estas pobres criaturas no lote dos mais odiados do reino animal.
Os grandes lagartos
Os vestígios dos répteis mais primitivos datam do Carbonífero (entre 359 e 245 milhões anos atrás, aproximadamente). O seu aparecimento constituiu um passo importante na evolução da vida na Terra, dado que foram os primeiros vertebrados totalmente terrestres. Tornaram-se completamente independentes do meio aquático, até mesmo para a sua reprodução (o que não acontece com os anfíbios). Apresentam fecundação interna e são amniotas: produzem ovos com casca (com substâncias de reserva e estruturas que mantêm um ambiente líquido em torno do embrião), o que lhes oferece proteção adequada contra os choques e a desidratação. Embora a maioria seja ovípara, algumas espécies, como o licranço, as cobras-de-pernas e as víboras, são ovovivíparas, dando à luz indivíduos juvenis semelhantes aos progenitores.
Com o passar do tempo, povoaram os ambientes terrestre (dinossauros), aquático (plesiossauros, ictiossauros e mosassauros) e aéreo (pterossauros). Os dinossauros (do grego sauro, lagarto, e deinós, terrível) acabaram mesmo por ser os “reis” do Mesozoico (há 250 a 65 milhões de anos), período de tempo geológico que ficou conhecido como “era dos dinossauros”. Segundo o registo fóssil, estes foram os maiores animais que alguma vez viveram no nosso planeta: Seismosaurus hallorum (mais de 50 metros de comprimento e cem toneladas de peso); Argentinosaurus huinculensis (45 metros de comprimento, 21 de altura e cerca de 150 toneladas); Sauroposeidon protelus (mais de 30 metros de comprimento, 27 de altura e cerca de 65 toneladas).
O mais famoso é, no entanto, o Tyrannosaurus rex, a quem o cinema (quem não se lembra de Parque Jurássico, de Steven Spielberg?), a banda desenhada e a literatura de ficção científica dedicaram especial atenção. Terá sido um dos maiores carnívoros terrestres, com catorze metros de comprimento, seis de altura e cerca de sete toneladas de peso. Inesperadamente, há aproximadamente 65 milhões de anos, um asteroide colidiu com o planeta e apagou-os da face da Terra. No entanto, alguns répteis de menores dimensões conseguiram sobreviver e chegaram até à atualidade. São sobretudo criaturas liliputianas, quando comparadas com os seus congéneres mesozoicos.
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Répteis modernos
Com o avanço do conhecimento científico, foi-se compreendendo o interesse e o valor deste grupo biológico, que passou a constituir uma disciplina à parte: a herpetologia (do grego herpeton, aquilo que rasteja). Atual­mente, encontram-se descritas cerca de 7140 espécies, distribuídas por quatro ordens: Chelonia (tartarugas), Squamata (escamosos), Crocodylia (crocodilos) e Rhynchocephalia (tuataras).
Os crocodilos (22 espécies, entre as quais se inclui o maior réptil vivo, o crocodilo-de-água-salgada, com sete metros de comprimento) e as tuataras (duas espécies endémicas da Nova Zelândia) não ocorrem na Europa. Os quelónios caracterizam-se pela presença de placas dérmicas ossificadas (carapaça) e pela ausência de dentes no estado adulto (possuem uma bainha córnea em forma de bico cortante). Os escamosos têm pele seca e coberta de escamas epidérmicas formadas por queratina e o corpo e a cauda alongados, e dividem-se em ofídios, sáurios e anfisbenídeos.
Os ofídios (cobras e víboras) possuem corpo alongado desprovido de membros e dentes relativamente afiados e compridos. Os sáurios (lagartos, osgas e camaleões) têm geralmente quatro patas mais ou menos desenvolvidas (nas cobras-de-pernas e nos licranços, observa-se uma redução ou perda total dos membros), cauda comprida e pescoço bem diferenciado. Os anfisbenídeos (cobra-cega) estão adaptados à vida subterrânea, pelo que possuem olhos atrofiados, extremidades arredondadas do corpo e um crânio bastante compacto e robusto que facilita a escavação de túneis.
Uma das curiosidades dos sáurios, que sempre fascinou os herpetólogos, é a sua capacidade de mutilação espontânea (autotomia), processo em que as vértebras caudais se podem fraturar voluntariamente, separando a cauda do resto do corpo. É uma estratégia de defesa altamente aperfeiçoada, dado que a cauda libertada continua a mexer-se, distraindo os predadores enquanto o animal se põe em fuga. A autotomia acontece devido à contração de músculos especializados que permitem romper as articulações vertebrais e selar diversos vasos sanguíneos, evitando a perda de fluidos corporais. Embora com dispêndio energético considerável, esses animais possuem a capacidade de reconstituir a extremidade perdida, um processo que implica o crescimento de uma estrutura cartilagínea em substituição das vértebras fraturadas e a regeneração da medula espinal.
Além da autotomia, os répteis apresentam outros curiosos mecanismos de defesa: comportamentos agressivos, como abrir a boca, emitir silvos, inchar o corpo e morder; camuflagem, como o camaleão, que tem a capacidade de alterar a sua coloração para se confundir com o meio; mimetismo, como acontece com a inofensiva cobra-de-água-viperina, que achata a cabeça e emite sons sibilados para se assemelhar a uma perigosa víbora; odores fétidos, que emanam de secreções libertadas pelas glândulas cloacais; ou ainda, tanatose, que é a capacidade de o animal se fingir morto para afastar predadores, como teatraliza muito bem a cobra-de-água-de-colar: permanece imóvel com o corpo flácido, ventre exposto e boca aberta.
Outra particularidade é que são todos animais de sangue frio (ectotérmicos), ou seja, não possuem um mecanismo interno que regule a temperatura. Assim, ao contrário do que acontece com as aves e os mamíferos, a temperatura corporal é muito variável e está dependente da temperatura ambiente. Embora à primeira vista isso possa parecer uma grande vantagem, uma vez que não precisam de consumir tanta energia na dieta alimentar, limita-lhes a atividade aos meses mais quentes do ano. Além disso, obriga-os a ser ativos essencialmente no período diurno e a tomarem banhos de sol regulares (por exposição direta aos raios solares ou aproveitamento do calor emanado pelo substrato, como as rochas). Este processo, conhecido por “termorregulação”, ocupa-lhes uma parte significativa da atividade diária.
Muitas espécies, sobretudo de sáurios, evidenciam dimorfismo sexual. Os machos adotam comportamentos territoriais na época de reprodução e vestem-se com cores mais vivas e chamativas. Além disso, apresentam cabeças proporcionalmente maiores do que as fêmeas e também um maior desenvolvimento dos poros femurais (localizados por baixo das patas traseiras), cujas secreções são importantes no reconhecimento e na atração sexual.
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Espécies domésticas
Em Portugal, há 28 espécies de répteis terrestres, das quais duas de quelónios, quinze de sáurios, uma de anfisbenídeos e dez de ofídios.
Os quelónios estão representados pelo cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis) e pelo cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa). Embora sejam espécies similares, distinguem-se porque o M. leprosa apresenta placas inguinais, possui uma mancha arredondada de cor amarela ou laranja em ambos os lados da cabeça e não possui manchas amarelas na carapaça dorsal. Ambas as espécies podem partilhar as mesmas zonas húmidas, sendo a península Ibérica a única região da Europa onde tal acontece.
Nos sáurios, há a considerar as osgas, o camaleão, os lacertídeos, as cobras-de-pernas e o licranço. Quanto às osgas, existem duas espécies similares: a osga-turca (Hemidactyllus turcicus) e a osga-comum (Tarentola mauritanica). A osga-comum é comparativamente mais robusta e atinge maiores dimensões, apresenta dedos dilatados na extremidade, somente uma fila de lamelas (usadas para se agarrar a paredes lisas e verticais) na parte inferior dos dedos e unhas bem desenvolvidas apenas no terceiro e no quarto dedos. Ambas as espécies têm hábitos crepusculares ou noturnos, são bastante ágeis e trepadoras excecionais (conseguem subir com facilidade muros e paredes verticais). Surgem amiúde em locais com iluminação artificial, onde caçam as suas presas prediletas: insetos e aracnídeos. Embora as duas habitem, preferencialmente, em regiões quentes e secas, a H. turcicus encontra-se circunscrita ao Algarve e à raia alentejana, enquanto a T. mauritanica é bastante mais vulgar (ocorre em quase todo o território nacional), surgindo fortemente associada às construções humanas. Nas ilhas Selvagens (Madeira), encontra-se ainda uma espécie endémica, conhecida por “osga-das-Selvagens” (Tarentola bischoffi), que vive preferencialmente em locais pedregosos e rochosos.
O corpo revestido por escamas granulares e as cristas ósseas existentes na cabeça dão ao camaleão-comum (Chamaeleo chamaeleon) o aspeto de monstro pré-histórico. É um animal essencialmente arborícola, que se passeia de forma lenta e hesitante pelos ramos das árvores, usando as patas em forma de tenaz, as unhas pontiagudas e a cauda preênsil para se agarrar. Consegue mover os olhos de modo independente, o que se revela de grande utilidade, uma vez que segue as presas com o olhar enquanto permanece completamente imóvel. O mais fascinante, porém, é a sua assombrosa capacidade para mudar de cor, o que lhe permite confundir-se com o meio onde se encontra, tornando-o quase impossível de localizar no meio da vegetação. Pensa-se que terá sido introduzido nos pinhais entre Monte Gordo e Vila Real de Santo António, por volta de 1920. Análises ao RNA mitocondrial indicaram que os primeiros indivíduos terão vindo da costa atlântica de Marrocos, provavelmente de Essaouira, dado que existe uma enorme proximidade genética entre ambas as populações.
Os lacertídeos, nos quais se incluem as la­gar­tixas e os lagartos, serão porventura os rép­teis mais conhecidos do público em geral. So­bre­tudo as sardaniscas (sob esta designação, existem três espécies similares que foram in­cluí­das no género Po­dar­cis), que são comuns ao longo de todo o ano, mesmo em zonas den­sa­mente povoadas, surgindo frequentemente em jardins, muros e construções abandonadas. A Podarcis bocagei e a P. carbonelli são en­demismos ibéricos, ocorrendo a primeira prin­cipal­men­te a norte do rio Douro e a segunda na faixa litoral a sul, desde Espinho até ao Al­gar­ve. Nessas zonas litorais (e na raia beirã), po­de­rá encontrar-se igualmente a lagartixa-da-areia (Acan­tho­dac­ty­lus erythrurus), que tem o hábito curioso de correr com a cauda le­van­tada acima do nível do corpo (comporta­men­to que poderá ajudar à sua identificação). Esta espécie partilha frequentemente o mesmo habitat das lagartixas-do-mato, alimentan­do-se amiú­de dos seus juvenis. A lagartixa-do-mato-comum (Psam­mo­dro­mus algirus) e a lagartixa-do-mato-ibérica (P. hispanicus) poderão ser confundidas por um olho menos treinado. No entanto, esta última alcança menor tamanho, não possui coloração alaranjada na base das patas posteriores e apresenta linhas longitudinais no dorso. Embora ambas as espécies emitam sons, a sua função ainda permanece desconhecida.
Outros lacertídeos que merecem destaque são o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) e o lagarto-ocelado (L. lepida), mais conhecido por “sardão”. Enquanto o primeiro é um endemismo ibérico, o segundo estende a sua distribuição até ao sueste de França e noroeste de Itália. Como o próprio nome indica, o lagarto-de-água ocorre em zonas relativamente húmidas, próximo de cursos de água com coberto vegetal denso. O sardão, pelo contrário, evita os lugares húmidos e sombrios, preferindo sítios solarengos (encontra-se presente em todo o território nacional). É o maior lacertídeo da nossa herpetofauna, podendo atingir cerca de um metro de comprimento.
A joia da coroa da família Lacertidae é, no entanto, a lagartixa-da-montanha (Iberolacerta monticola). Trata-se de um pequeno réptil, endémico da península Ibérica, cuja única população portuguesa se encontra confinada a uma área com apenas 57 quilómetros quadrados, no Planalto Central da Estrela. É considerada uma relíquia climática que teria ficado refugiada nos píncaros agrestes da serra mais alta de Portugal quando as suas populações ancestrais, com uma distribuição geográfica mais alargada, regrediram devido às alterações do clima ocorridas no Holocénico, há cerca de 9000 anos.
Há ainda a registar a lagartixa-da-Madeira (Lacerta dugesii), um endemismo insular. É relativamente comum em meios humanizados, sendo muito abundante em todas as ilhas e ilhotas do arquipélago madeirense.
Lagartos que imitam cobras
As cobras-de-pernas, que curiosamente de cobras só têm o nome e o aspeto serpentiforme, uma vez que são sáurios, encontram-se representadas pela cobra-de-pernas-de-cinco-dedos (Chalcides bedriagai) e pela cobra-de-pernas-de-três-dedos (C. stiatus). Estes animais também são conhecidos por “fura-pastos”, devido ao facto de perfurarem facilmente os lameiros e prados onde habitam. Embora à primeira vista sejam espécies bastante semelhantes, os seus nomes vulgares permitem inferir a principal característica distintiva: o número desigual de dedos. Ambas têm o corpo coberto por escamas lisas, que lhe conferem um aspeto brilhante com reflexos metálicos, e possuem membros de reduzido tamanho. Enquanto a C. stiatus existe na península Ibérica, no sul de França e no noroeste de Itália, a sua congénere C. bedriagai é mais um endemismo ibérico, que ocorre no nosso país em pequenos núcleos populacionais isolados.
O licranço (Anguis fragilis) é outro sáurio com corpo serpentiforme, mas neste caso completamente desprovido de membros (sabe-se que é um lagarto porque existem no esqueleto vestígios ósseos pertencentes à cintura pélvica e/ou escapular). É uma espécie muito tolerante ao frio, pelo que se encontra ativa desde março a novembro, sobretudo ao crepúsculo e durante a noite. Uma outra curiosidade é a sua grande longevidade (em cativeiro, já sobreviveu até aos 54 anos, quando a longevidade dos restantes sáurios é de apenas três a dez anos).
Os anfisbenídeos encontram-se representados pela cobra-cega (Blanus cinereus), endémica da península Ibérica. É um dos répteis mais estranhos, uma vez que tem olhos atrofiados cobertos por escamas (surgem apenas como dois pontos negros sob a pele); a falta de olhos e a coloração habitualmente rosa tornam-na inconfundível. Toda a sua morfologia está adaptada aos hábitos subterrâneos, possuindo um crânio bastante compacto e robusto e uma capacidade invulgar de escavar túneis. Além disso, tem ambas as extremidades do corpo arredondadas, podendo deslocar-se tanto para um lado como para o outro.
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Cobras verdadeiras
Os ofídios, com corpo alongado desprovido de membros e dentes relativamente afiados e compridos, estão representados por oito espécies na família Colubridea e duas na Viperidae. A principal distinção faz-se através da cabeça e da pupila: as cobras têm nove escamas grandes a cobrir a parte dorsal da cabeça e olhos com pupila circular, enquanto nas víboras a parte dorsal da cabeça tem numerosas escamas pequenas e menos de nove grandes e possuem olhos com pupila vertical.
Nos colubrídeos, a mais conhecida é sem dúvida a cobra-rateira (Malpolon monspessulanus), que pode ultrapassar os dois metros de comprimento, sendo por isso o maior ofídio da nossa herpetofauna. A sua predileção por roedores (donde lhe advém o nome) faz que surja amiúde nas proximidades do homem, principalmente nas explorações agrícolas, embora possa ser encontrada numa grande variedade de habitats, desde jardins até ­áreas pedregosas ou florestais. É bastante ágil e trepa às árvores com facilidade, tanto para se aquecer como para procurar alimento, como crias de aves.
A cobra-de-escada (Elaphe scalaris), também conhecida por “riscadinha”, é outra cobra relativamente grande, que pode atingir quase dois metros da cabeça à ponta da cauda. Distingue-se facilmente pelo desenho e padrão da coloração dorsal: duas linhas escuras longitudinais sobre fundo castanho-amarelado. Outro ofídio avantajado é a cobra-de-ferradura (Coluber hip­pocrepis), que pode chegar a 1,80 metros. Tal como as precedentes, é muito ágil e possui excelentes capacidades trepadoras.
As chamadas “cobras-lisas” estão representadas pela cobra-lisa-meridional (Coronella girondica) e pela cobra-lisa-europeia (C. austriaca). Distinguem-se, entre outras características, pela coloração do ventre, que é axadrezado na C. girondica. São ofídios de pequeno tamanho, que não ultrapassam 70 centímetros de comprimento. Apesar de poderem coexistir em alguns locais, têm preferências ecológicas distintas: a meridional prefere lugares semiáridos e rochosos, enquanto a europeia ocorre em sítios frescos e húmidos. Outra espécie de pequeno tamanho, que não vai além dos 60 cm, é a cobra-de-capuz (Macroprotodon cucullatus). O seu nome deriva do colar escuro que possui na parte posterior da cabeça. Encontra-se principalmente a sul do Tejo. Quando se sente ameaçada, tanto pode apresentar uma postura agressiva como enrolar-se sobre si própria, escondendo a cabeça (“a avestruz dos répteis”, dirão alguns).
Por último, temos as mais aquáticas de todos os colubrídeos: as cobras-de-água. A mais comum, amplamente distribuída por todo o país, é a cobra-de-água-viperina (Natrix maura), que se distingue da sua congénere, a cobra-de-água-de-colar (N. natrix), pelo dorso com manchas negras dispostas frequentemente em ziguezague e por possuir duas escamas antes e duas depois dos olhos (preciosismo que apenas os especialistas – com paciência! – poderão detetar). Como seria de esperar, alimentam-se sobretudo no meio aquático, pelo que os peixes são presença habitual na sua dieta alimentar.
Quanto aos viperídeos, podem encontrar-se em Portugal a víbora-cornuda (Vipera latastei), em núcleos populacionais fragmentados por todo o território, e a rara víbora-de-Seoane (V. seoanei), que é um endemismo do norte da península Ibérica e, no nosso país, se encontra sobretudo nos lameiros, prados e matos do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Apesar de serem espécies similares, que inclusivamente podem coexistir no mesmo habitat, distinguem-se porque a cornuda tem a extremidade do focinho mais proeminente (apêndice nasal típico da espécie e que lhe valeu o nome vulgar) e a cabeça mais triangular. Embora sejam relativamente pequenas, não indo muito além de meio metro de comprimento, são as únicas espécies potencialmente perigosas para o homem.
Luta pela sobrevivência
A pergunta que toda a gente quer fazer: “Afinal, para que servem esses bichos?” São responsáveis por exterminar um sem-número de insetos e de outros invertebrados prejudiciais, e ainda de pequenos mamíferos (como roedores e toupeiras), que poderiam facilmente tornar-se pragas agrícolas ou transmitir doen­ças. Além disso, servem de alimento a muitos outros animais, como aves e mamíferos, muitos deles raros ou em vias de extinção. Enfim, merecem o seu lugar na complexa teia da vida, uma vez que são indispensáveis ao equilíbrio dos ecossistemas, e prestam-nos impagáveis serviços de forma gratuita.
Alguns répteis vivem mesmo paredes-meias com os humanos, ocupando estábulos, celeiros, arrecadações, jardins, quintais e até mesmo habitações. Aproximam-se de nós à cata de comida, mas não para beberem o leite das mulheres: para caçarem os ratos que nos incomodam, como faz a cobra-rateira, ou os insetos nocivos, iguaria muito apreciada pelas osgas e sardaniscas.
Contudo, apesar dos inestimáveis serviços que nos prestam, a lista de fatores que põem diariamente em causa a sua sobrevivência é bastante vasta. Segundo o guia Anfíbios e Répteis de Portugal, “a alteração e a destruição dos habitats naturais é, sem dúvida, a principal ameaça para a herpetofauna portuguesa”. Aspetos como a crescente urbanização, os povoamentos florestais com espécies exóticas, as modificações no uso dos solos (através do abandono ou da introdução de explorações agrícolas e florestais intensivas), a alteração e destruição de zonas húmidas e da vegetação ribeirinha, a poluição e os incêndios sobressaem como as causas mais importantes da degradação, redução e fragmentação das populações herpetológicas. A estes, juntam-se ainda a mortalidade nas estradas (uma vez que os répteis as procuram regularmente para termorregulação), a perseguição humana (em resultado da crença infundada, mas generalizada, de que são demoníacos e perigosos) e as capturas (para animais de estimação, como cágados e camaleões, ou para ingredientes da medicina popular e amuletos da sorte, como acontece com as cabeças de víbora nas serras do Gerês e de Montemuro).
Para pôr cobro às ameaças que muitos répteis vivem na pele – literalmente –, impõe-se pôr em prática diversas medidas de conservação. O que poderá fazer o cidadão comum para ajudar na sua preservação? Nada! Se os ignorar e os deixar seguir a sua vida tranquilamente, já está a dar um contributo relevante. Além disso, poderá sempre colaborar para alterar a péssima imagem pública que os persegue. Como epílogo, poderíamos dizer “cobras e lagartos”, mas preferimos uma atitude mais pedagógica. Justificar-se-á, afinal, tanta animosidade?
J.N.

Mordeduras improváveis
As víboras e as cobras fazem tudo para evitar cruzar-se connosco, mas podem existir encontros inusitados, sobretudo durante a realização de atividades de ar livre. Embora o seu principal mecanismo de defesa seja a fuga, quando se sentem ameaçadas, podem tornar-se agressivas (emitem sons agudos, sopram e projetam a cabeça) e morder. Todavia, apenas quatro ofídios da fauna portuguesa possuem dentes inoculadores de veneno; os restantes consideram-se áglifos (sem dentes inoculadores de veneno), pelo que são totalmente inofensivos!
Entre os que têm capacidade de injetar veneno, encontram-se a cobra-rateira e a cobra-de-capuz. Embora sejam espécies venenosas, não podem considerar-se perigosas para o homem, dado que são opistóglifas, ou seja, os dentes venenosos situam-se na região posterior dos maxilares. Este facto (aliado ao reduzido tamanho da abertura bucal, especialmente na cobra-de-capuz) torna a inoculação de veneno pouco provável em caso de mordedura. Como espécies solenóglifas (com dentes inoculadores de veneno situados na região anterior dos maxilares superiores), eventualmente perigosas, restam a víbora-cornuda e a víbora-de-Seoane.
A perigosidade das mordeduras de víboras depende, no entanto, de vários fatores, como a quantidade de veneno injetado, o local da mordedura, a condição física da pessoa e a idade da vítima, entre outros. Os primeiros sintomas são geralmente uma dor súbita e intensa e a formação de edema. Entretanto, poderão surgir outros sinais e sintomas, como ansiedade, hipotensão, hipertermia, dores abdominais, náuseas, vómitos, diarreia e ocasionais alterações cardíacas. Os primeiros socorros devem ser a colocação da vítima em repouso, a imobilização da zona atingida, a lavagem imediata da ferida com água e a aplicação de gelo no local da mordedura, para acalmar a dor. Entretanto, deve contactar-se o centro de informação antivenenos (disponível 24 horas por dia, através do 112) e encaminhar a vítima para observação médica.
Como “mais vale prevenir do que remediar”, sobretudo em zonas rochosas e montanhosas, que constituem habitats favoritos das víboras, será aconselhável a utilização de calçado protetor e de calças grossas. Caso se cruze com alguma, afaste-se para uma distância segura e nunca tente capturá-la ou matá-la.

SUPER 167 - Março 2012