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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Publicado 4º número da revista de ciência elementar

Por Fundação Calouste Gulbenkian

http://www.casadasciencias.org/

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Fruta-pão é o novo superalimento

Quinta-feira, 03 de Julho de 2014
Fruta-pão é o novo superalimento
Embora não seja muito conhecida no mundo ocidental, a fruta-pão é bastante consumida nos países tropicais, onde é cultivada. E agora, uma investigadora do Havai, acaba de publicar um artigo que confirma este fruto como um superalimento.

É um fruto verde de grande dimensão que pode chegar a pesar três quilos. De acordo com o estudo que a investigadora Diane Ragone publicou esta semana na New Scientist, uma única fruta-pão tem nutrientes suficientes para alimentar uma família de cinco pessoas. E uma árvore deste fruto pode alimentar uma família durante 50 anos.

Diane Ragone, investigadora do Jardim Botânico Tropical do Havai, estuda esta fruta desde os anos 80 e criou, inclusivamente, um instituto especialmente dedicado à fruta-pão. Diane já estudou centenas de variedades desta fruta, provenientes de 34 países.

Rica em nutrientes e livre de glúten

Além de ser rica em vitaminas e minerais, esta fruta é uma importante fonte de hidratos de carbono e proteínas, sendo que não contém glúten - considerado um dos inimigos da alimentação do século XXI.

De acordo com o site do instituto da fruta-pão, este alimento é uma excelente fonte de antioxidantes, cálcio, carotenoides, fibras, ferro, magnésio, omega 3, omega 6, fósforo, potássio, proteínas, vitamina A e vitamina C.

Uma outra vantagem da fruta-pão é que pode ser consumida em todos os estágios de crescimento: desde a fase em que se encontra verde (funcionando mais como uma espécie de vegetal semelhante a batata) até à fase madura.

Além de se poder ingerir crua, a fruta-pão pode ser cozinha das mais variadas maneiras: cozida, assada ou mesmo seca para que se conserve mais tempo. É ainda possível produzir uma farinha sem glúten a partir da sua polpa.

Fruta pode erradicar 80% da fome mundial

Um dos objetivos do instituto criado por Diane é incentivar a produção de fruta-pão nos países mais atingidos pela fome. “Antigamente, na Polinésia, havia a tradição de plantar uma árvore de fruta-pão cada vez que nascia uma criança, porque já se sabia que essa árvore garantiria alimento para a criança durante o resto da sua vida”, conta a especialista na New Scientist.

A equipa de Diane Ragone está agora a investigar quais as variedades que melhor se adaptam a determinados climas e também a identificar qual o tipo de fruta-pão que contém mais nutrientes.

Os investigadores estão ainda a tentar encontrar forma de fazer com que a árvore comece a dar mais frutos e mais cedo e já foram bem-sucedidos: conseguiram criar uma variedade de árvores que além de serem mais robustas começam a florescer dois anos depois de serem plantadas, ou seja, três anos mais cedo do que é habitual.

Segundo dados do site oficial do instituto, mais de 80 por centro das 925 milhões de pessoas afetadas pela fome vivem em regiões adequadas ao cultivo desta fruta.

Notícia sugerida por Maria da Luz
Fonte: boas noticias.pt

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Pesticidas estão a destruir solos nacionais, alertam Investigadores

actualizado: Mon, 14 Apr 2014 16:18:53 GMT | de Lusa

Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) concluiu que as misturas de pesticidas utilizados na agricultura para combater pragas estão a provocar efeitos colaterais nos organismos que regeneram o ecossistema terrestre, colocando em causa a saúde dos solos.
MARIO CRUZ/LUSA
MARIO CRUZ/LUSA
"Já testámos vários tipos de pesticidas aplicados amplamente em todo o país e na Europa e verificámos que eles produzem efeitos muito mais nefastos do que seria à partida previsível", disse Susana Loureiro, investigadora no Departamento de Biologia e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da UA.
A coordenadora da equipa dá como exemplo o chamado "remédio dos caracóis" que, além do alvo principal, também acaba por matar outros organismos como bichos-de-conta, minhocas e outros invertebrados benéficos para o solo.
Sem estes organismos e sem o papel crucial que desempenham na decomposição da matéria orgânica e na redistribuição dos nutrientes, os solos agrícolas não conseguem manter-se saudáveis, refere a bióloga.
A equipa, que estuda há vários anos o efeito dos químicos usados na agricultura, tem igualmente verificado que há vários compostos químicos que induzem efeitos que se prolongam ao longo de várias gerações desses organismos, podendo dar origem ao colapso de populações.
Os investigadores apontam o dedo a uma legislação que apenas regula a utilização individual de cada químico ignorando a mistura de pesticidas, uma prática que dizem ser normal no setor agrícola e que potencia o efeito tóxico dos compostos utilizados.
"Nos solos agrícolas há décadas que se utilizam cocktails químicos perigosos e imprevisíveis sobre os quais a legislação em vigor em Portugal e na Europa nada diz", afirma Susana Loureiro.
A investigadora defende a criação urgente de um plano de monitorização ambiental para manter a qualidade dos solos e dos serviços que esses solos proporcionam quer na Europa quer em Portugal.
JYDN // MSP

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Empresa portuguesa desenvolve plástico biodegradável para agricultura

actualizado: Wed, 13 Nov 2013 12:21:11 GMT | de Lusa

Um consórcio liderado por uma empresa portuguesa desenvolveu um plástico biodegradável que substitui as películas de polietileno utilizadas para cobrir solos agrícolas, com benefício para as culturas e para o ambiente, informou hoje a Comissão Europeia (CE).
PAULO CUNHA/LUSA
PAULO CUNHA/LUSA
Em comunicado, a CE explica que o produto desenvolvido pela Agrobiofilm, com financiamento da União Europeia, promete revolucionar a agricultura, ao substituir os plásticos para cobertura de solos que, embora essenciais para o sucesso da agricultura, têm impactos ambientais significativos durante e após o ciclo da cultura, por serem derivados do petróleo.
Além disso, por terem de ser removidas e encaminhadas para centros de recolha autorizados, as películas de polietileno, as mais usadas para cobrir os solos agrícolas, obrigam os agricultores a custos acrescidos.
Desenvolvido ao longo dos últimos três anos por um consórcio liderado pela portuguesa Silvex, o plástico biodegradável agora apresentado pela CE apresentou benefícios, "não só em termos ambientais, como ao nível do rendimento das culturas que, em alguns casos, foi superior ao registado com o plástico de polietileno".
"Perante os bons resultados, a Silvex foi convidada a partilhar a sua experiência e conhecimento em Universidades e Escolas Técnicas Europeias na área da Engenharia Biotecnológica e também na Belgian Farmers’ Association", acrescenta a comissão.
Este plástico biodegradável é composto de amido de milho e óleos vegetais e foi testado nas culturas de morango (em Portugal e Espanha) e de melão e de pimento (ambos em Portugal), podendo ser utilizado em outras culturas com características semelhantes, pode ler-se no comunicado.
Foi também testado na vinha, tanto como alternativa ao polietileno, como ao solo nu e aos tubos de proteção e crescimento.
Os resultados mostram que a qualidade dos frutos não apresentou diferenças significativas, sendo o rendimento obtido nas culturas de melão, pimento e morango igual ou superior ao obtido com o plástico de polietileno, enquanto na vinha se registou um aumento significativo da expressão vegetativa das videiras, com mais raízes e de maior peso do que as plantadas em polietileno e em solo nu.
"A nível ambiental o Agrobiofilm cumpriu com os requisitos da norma NFU52-001 relativos à biodegradação no solo", acrescenta a CE.
O Agrobiofilm, que teve um investimento total de cerca de 1,5 milhões de euros, tendo recebido um milhão de euros da UE através do 7.º Programa-Quadro, já começou a ser comercializado em Portugal, Espanha e França e destina-se maioritariamente a agricultores profissionais, podendo também ser utilizado em pequenas hortas ou jardins.
A Silvex é uma das 225 pequenas e médias empresas portuguesas (PME) que beneficiaram do financiamento de investigação da UE desde 2007, num total de 305 milhões de euros. Até ao final de 2013 a União Europeia terá apoiado 15 mil PME que receberam apoios superiores a cinco mil milhões de euros.
Do consórcio Agrobiofilm fazem parte, além da Silvex, a norueguesa BIOBAG e a francesa ICSE. Outras três PME - Hortofrutícolas Campelos (Portugal), Olivier Mandeville (França) e Explotaciones Agrarias Garrido Mora (Espanha) - são os utilizadores finais, onde se realizaram os ensaios de campo.
O trabalho científico foi realizado no Instituto Superior de Agronomia (Portugal), Centro Tecnológico ADESVA (Espanha), Université Montpellier 2 (França) e Faculty of Agricultural Sciences, Aarhus University (Dinamarca).
FPA // JMR
Meus sinceros parabéns!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Benefícios do chá

Dicas para uma boa chávena de chá
Isento de calorias e de aditivos (exceto nas versões aromatizadas), o chá é rico em vitaminas e elementos minerais, como potássio, magnésio e flúor. Além de ajudar na digestão e na redução de colesterol no sangue, hidrata, previne a cárie, reduz a fadiga, aumenta o estado de alerta e melhora a concentração.
A bebida tem qualidades antivirais e antibacterianas, protege o coração, ajuda a prevenir o cancro e é antioxidante, devido ao seu alto teor em flavonoides. Vários estudos recentes indicam que a ingestão regular de chá verde contribui para a redução de gordura corporal.
Há alguns exemplos para preparar uma boa chávena de chá, a começar pela água, que deve ser de excelente qualidade, preferencialmente engarrafada ou filtrada, por causa do cloro e calcário. Escaldar o bule antes da preparação da bebida ajuda a mantê-la quente. A temperatura da água também é essencial: não deve ser deitada a ferver sobre as folhas, porque destruirá as moléculas aromáticas. Para que não se percam as delicadas propriedades do chá, a água deve atingir apenas o início da fervura.

Super interessante nº175 – Novembro de 2012

domingo, 27 de outubro de 2013

Potencial gastronómico e comercial dos cogumelos cresce no Nordeste Transmontano

actualizado: Sat, 26 Oct 2013 16:49:30 GMT | de Lusa
O potencial dos cogumelos silvestres aumenta de ano para ano na região do Nordeste Transmontano, como consequência da identificação pelos especialistas de um maior número de espécies comestíveis e rentáveis do ponto de vista comercial.

  • FRANCISCO PINTO/LUSA
FRANCISCO PINTO/LUSA
"Podemos percorrer o mesmo sítio durante 20 anos e encontramos sempre espécies de cogumelos diferentes no mesmo espaço", disse hoje à Lusa o micólogo e investigador António Monteiro, no decurso do XV Encontro Micológico Transmontano, que decorre até domingo em Mogadouro.
O especialista disse ter conhecimento de que houve um apanhador que, num hectare de terreno, colheu cerca de 100 quilogramas de "boletus edulis", sendo esta uma espécie "altamente comercializável".
"Ao longo de uma década ou duas, um souto de castanheiros poderá ser mais rentável do ponto de vista micológico que propriamente na produção de castanha, ou madeira", exemplificou o também vice-presidente da associação micológica "A Pantorra", com sede em Mogadouro.
Face a esta situação, os especialistas que estudam os cogumelos alertam para "os perigos escondidos" associados a esta "comida de risco", devendo ter-se em conta que estes fungos só devem ser recolhidos por quem conhece e estuda as diversas espécies.
"Só se deve confecionar e comer o que se tem a certeza que é comestível. E para se ter certeza no mundo dos cogumelos há que ter sempre o apoio de literatura científica atualizada e não confiar nas tradições populares", acrescentou António Monteiro.
"Num ano rico em cogumelos como aquele que foi 2013, há o conhecimento de pelo menos seis mortes provocadas pela ingestão de cogumelos venenosos", frisou o também médico.
O Encontro Micológico de Mogadouro conta com participantes de diversas idades e vários pontos do país, além de uma associação micológica norueguesa, que está a assinalar 40 anos.
Para Joana Melo, uma jovem apreciadora de cogumelos, do Porto, o mundo da micologia "é fascinante" e proporciona um contacto direto com a natureza.
Por seu lado, Ana Ferreira disse que desde cedo lhe despertou o interesse pela micologia, sendo esta é a primeira vez que participa numa saída de campos para recolher e identificar as mais diversas espécie de cogumelos.
Sanchas, boletos, repolgas ou míscaros são, nesta altura do ano, dos fungos mais procurados pelos apreciadores na região do Interior Norte e Centro.
FYP // JLG

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

UAveiro quer melhorar solos agrícolas com biochar

Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013
UAveiro quer melhorar solos agrícolas com biochar
© UA - O biochar é um carvão produzido de forma controlada, a partir de biomassa específica e através da pirólise, para melhorar os solos agrícolas
É uma espécie de carvão ‘milagroso’: ajuda a terra a reter água e nutrientes, reduz a emissão de CO2, ajuda a reciclar resíduos orgânicos e limpa os solos contaminados. A Universidade de Aveiro está a estudar um tipo de carvão chamado ‘biochar’ - obtido sem combustão - que ao ser adicionado aos solos, poderá vir a melhorar as técnicas de produção agrícolas.

por Patrícia Maia

Foi nas chamadas “terras pretas da Amazónia” que surgiu a inspiração para desenvolver este tipo de carvão especial para solos. Há centenas de anos que os indígenas ‘alimentam’ a terra com resíduos carbonizados dando origem a solos mais férteis do que os das terras vizinhas.

“Logicamente que os indígenas não controlavam as propriedades físico-químicas do carvão que lá colocavam mas nós temos a obrigação, o conhecimento e a tecnologia para fazer esse controlo, de modo a maximisar efeitos positivos e minimizar efeitos negativos nos solos”, explica ao Boas Notícias Ana Catarina Bastos, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA.

O carvão surge espontaneamente na natureza, através da pirólise, um processo que também pode ser simulado industrialmente, recorrendo a altas temperaturas para transformar a biomassa em carvão ou biocombustível, sem a presença de oxigénio, ou seja, sem combustão. Quando é produzido desta forma controlada para adicionar aos solos, o carvão passa a ser chamado de ‘biochar’.

A fim de garantir a maximização dos efeitos positivos e a minimização dos efeitos negativos do biochar, a UA está a analizar o impacto de um biochar produzido, por parceiros europeus, “a partir de biomassa selecionada” e recorrendo a um método de pirólise “muito controlado no que diz respeito a temperatura, humidade, entre outras características”, explica a investigadora.

Frank e AnaFrank Verheijen e Ana Catarina Bastos (do CESAM) são os dois investigadores principais desta investigação multidisciplinar da UA

O projeto conta com o apoio da Estação Vitivinícola da Bairrada e da Direção Regional da Agricultura e Pescas do Centro, assim como de dois projetos de investigação financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pelo programa FEDER-COMPETE.    

Solos mais férteis e amigos do ambiente
As equipas formadas por elementos do Departamento de Biologia (DBio) e do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA querem “assegurar a obtenção de um produto com características físico-químicas” de excelência que “resultem num melhoramento das funções dos solos e sem impactos nefastos para o ambiente”, explica Frank Verheijen, também do CESAM, que juntamente com Ana Catarina Bastos lidera esta investigação.

É verdade que qualquer biomassa pode ser usada para produzir biochar, no entanto, o tipo de material orgânico utilizado determina, diretamente, a qualidade e as competências do biochar produzido.

Os tipos de biocharque a equipa de Aveiro está a estudar excluem, por isso, “uma série de materiais essencialmente orgânicos como pneus e outros derivados de petróleo”, apostando, em vez disso, em madeiras, resíduos agrícolas, erva, cascas de sementes ou cereais, caroços de frutos e biosólidos como estrumes de animais”.

Agora, os investigadores estão a monitorizar, a nível interdisciplinar, o efeito deste carvão nas vinhas da Estação Vitivinícola da Bairrada. “Esta monitorização a longo termo é essencial porque os efeitos - quer positivos, quer negativos - que o biochar possa ter no solo, nas vinhas e nos organismos terrestres, não são necessariamente imediatos e podem levar algum tempo a manifestarem-se”, explica Ana Catarina, salientando que a equipa está, neste momento, a tentar garantir o financiamento e a continuidade do projeto.

Frank Verheijen explica ainda que o biochar pode ser muito benéfico, por exemplo, para os solos “onde a produção agrícola é limitada pelo pH ácido do solo ou por ter poucos nutrientes e água” já que o biochar “aumenta o pH e melhora a capacidade do solo de reter água e nutrientes”.

Menos emissões poluentes

O facto de ser um material muito resistente à degradação faz com que o biochar retenha nas suas propriedades o carbono da biomassa original, e assim, ao contrário do que acontece quando se adicionam à terra resíduos agrícolas frescos, não há emissão de  CO2 para a atmosfera. Há ainda estudos que “sugerem que solos agrícolas contendo biochar também emitem menos N2O, outro gás importante para o efeito de estufa”, acrescenta Ana Catarina Bastos. 

Ainda no contexto do combate à poluição, há provas de que o biochar ajuda a ‘limpar’ solos contaminados por metais, pesticidas, derivados de petróleo e outros químicos, porque quando adicionado a esses solos, o biochar aumenta a capacidade do solo de imobilizar e suprimir determinados contaminantes - como chumbo, níquel ou alumínio - impedindo que sejam assimilados por plantas, animais e pessoas.

Se o estudo da UA se concluir com sucesso, este carvão produzido a partir de biomassa cuidadosamente selecionada poderá ser ‘fabricado’ em larga escala e transformar a produção agrícola nacional e, até, internacional, numa atividade mais amiga do ambiente, mais saudável e mais rentável.
fonte: boas noticias.pt

sábado, 24 de agosto de 2013

Orangotangos do Bornéu

A última escolha
São os maiores mamíferos arbóreos do planeta. Conhecidos como “homens da floresta” (do indonésio e malaio orang, “pessoa”, e hutan, “floresta”), os orangotangos foram incluídos na mesma família taxonómica da espécie humana (Hominidae) e são os últimos grandes símios hominóides presentes na Ásia. Têm também uma “profissão”: são agricultores. Os frutos constituem mais de 60 por cento da sua diversificada dieta, formada por mais 500 espécies de plantas diferentes (das quais consomem também flores, folhas, rebentos e casca) e ainda alguns insectos. Nas suas deslocações diárias, a uma altura de 6 a 10 metros na copa das árvores, estes primatas de pelagem ruiva, ar bonacheirão e reconhecida inteligência dispersam o pólen e as sementes destas plantas pelos seus territórios individuais, que cobrem centenas a milhares de hectares de floresta, contribuinso assim para o equilibrio da flora e da fauna do seu ecossistema, um dos mais ricos em biodiversidade do mundo. (!)
No entanto, a gigantesca conversão das suas florestas nativas em plantações, especialmente o óleo de palma (Elaeis guineensis), que se verificou nas recentes décadas, resultou no desaparecimento e fragmentação de grande parte do seu habitat. Trouxe ainda outras formas de pressão humana, como a caça para consumo da sua carne, a venda das crias no comércio de animais de estimação (ilegal, mas intenso e continuado) e o abate generalizado por serem considerados uma ameaça às culturas agrícolas.
De acordo com as estimativas mais recentes, 2004, a população de orangotango de Samatra (Pongo abelii) ainda existente conta apenas com perto de 7300 indivíduos presentes numa área total de floresta de 20552 quilómetros quadrados, da qual menos de metade se situa abaixo dos mil metros de altitude e consegue albergar populações permanentes. O orangotango do Bornéu (Pongo pygmaeus), por sua vez, tem a população total estimada em 45 a 69 mil indivíduos, ou seja, o equivalente ao número de habitantes das cidades de Évora e Aveiro, numa área total de habitat adequado, mas altamente fragmentado, próxima de Portugal continental.
Além de serem o único território nativo dos orangotangos, a Indonésia e a Malásia são também os maiores produtores de óleo de palma do mundo. Não é por acaso que investem na gordura vegetal desta palmeira africana, também conhecida como dendezeiro ou dendém. Cerca de metade dos produtos embalados que encontramos hoje nos supermercados, desde géneros alimentares á cosmética, comtém óleo de palma. Considerado também um percursor interessante para o biodiesel (embora menos “verde” do que parece), a sua importância não se esgota no nível macroeconómico: as famílias e os pequenos produtores locais reconhecem no óleo de palma a possibilidade da melhoria da sua qualidade de vida e a opção de escolaridade para os seus filhos, criando uma enorme pressão sobre as florestas naturais.
Foi precisamente para defender a produção sustentável de óleo de palma e os valiosos ecossistemas  que têm desaparecido a um ritmo assustador, na região, que a World Wildlife Found (WWF) ajudou a criar, em 2004, a Round-table on Sustainable Palm Oil (RSPO). Esta organização de visão mundial e empenho local junta produtores, processadores, vendedores, retalhistas, investidores e entidades bancárias, ONGs ambientais e de desenvolvimento, entidades governamentais e consumidores de bens manufaturados, com o objectivo de promover boas práticas de produção de óleo de palma e sua certificação.
Em 2008, a RSPO apenas podia contar com 17 fábricas certificadas em dois países, a Malásia e a Papuásia-Nova Guiné, mas reúne agora 29 empresas produtoras e 135 fábricas de seis nacionalidades: Brasil, Colômbia, Ilhas Salomão, Indonésia, Malásia e a Papuásia-Nova Guiné. A entrada destes novos parceiros traduziu-se num aumento de volume certificado de vendas de óleo de palma de 350 mil toneladas, em 2009, para 2,5 milhões de toneladas, em 2011. A MacDonald´s aderiu também a esta organização, em 2011, tal como já haviam feito outras grandes empresas como a Walmart e a Citigroup. Boas notícias, tendo em conta o volume deste óleo que é consumido anualmente na fritura de batatas e McNuggets nas múltiplas sucursais MacDonald´s das regiões da Ásia-Pacífico, do Médio Oriente, de África e da América Latina.
Para outras organizações de conservação, como a Greenpeace, estas notícias não são, no entanto, ainda dignas de júbilo. É óbvio que a adesão bem intencionada à RSPO não será suficiente para mudar a tendência atual, e nem sequer garante o cumprimento das boas práticas. Se as taxas de desflorestação na região se mantiverem inalteradas (ou aumentarem), os orangotangos estarão extintos dentro de duas a três décadas e, com eles, um elevado número de outras espécies biológicas, muitas delas ainda nem conhecidas pela ciência. A preocupação dos céticos não é sequer somente paisagística ou moral: a substituição das florestas tropicais húmidas por plantações, que se tem verificado em todo o mundo, nas últimas décadas, poderá fazer pesar a balança das alterações climáticas para um nível indesejável e irreversível. Por outrtas palavras, teremos de aprender a sobreviver num mundo de fenómenos climatéricos intensos e imprevisíveis dos quais já ouvimos falar, mas que ainda não acreditamos que possa materializar-se.
Para muitos analistas, a escolha principal sobre a tendência futura da região e dos seus recursos naturais é decididamente dos consumidores. O óleo de palma é mundialmente consumido de forma quotidiana e descontraída, para o que tem contribuido o facto de estar frequentemente dissimulado nas listas de ingredientes sob a designação de “óleo vegetal” ou “gordura vegetal”. No final de 2011, a União Europeia adotou regulamentação que obriga à identificação exata dos óleos de origem vegetal nos produtos alimentares, com a intenção de promover mudanças significativas na indústria do óleo de palma, bem como a proteção dos consumidores, de modo a poderem fazer escolhas informadas.
Infelizmente, o homem da floresta não pode escolher. O leitor pode. Qual é a sua escolha?

Super interessante nº169 – Maio de 2012

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Direcção-Geral de Saúde recomenda utilização de ervas aromáticas em vez do sal

ONTEM às 16:39
Direcção-Geral de Saúde recomenda utilização de ervas aromáticas em vez do sal       A Direção-Geral da Saúde (DGS) preconiza a redução do consumo de sal na alimentação dos portugueses reforçando a importância da utilização de ervas aromáticas em detrimento do sal. 
O consumo de sal recomendado é de 5 gramas por pessoa, por dia. Em Portugal, o consumo é sensivelmente o dobro. A DGS sustenta que o uso de ervas aromáticas poderá contribuir para a redução de sal na alimentação, devido à própria composição nutricional e funções que desempenham na saúde.
Alho, alecrim, coentros, erva-cidreira, funcho e louro são outras alternativas que constam do relatório "Estratégia Nacional para a Redução do Consumo de Sal na Alimentação em Portugal" e do documento informativo "Utilização de Ervas Aromáticas & Similares na Alimentação".

Estas publicações, editadas no âmbito do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, juntam-se a edições como o livro "Alimentação Inteligente" e a séries de animação e outros materiais destinados ao público juvenil.
Fonte: www.diáriodigital

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Por que o Brasil está sendo desmatado?

Por em 18.04.2013 as 11:34                 

desmatamento
Soja e criação de gado continuam sendo os vilões principais da devastação na Amazônia. É o que revela um estudo do Centro de Pesquisas Ambientais e Climáticas Internacionais de Oslo (CICERO, na sigla em inglês), da Noruega. Os cientistas explicam, no entanto, que a culpa está longe de caber exclusivamente ao Brasil. Todos os países com elevados níveis de consumo e emissões de gases têm responsabilidade sobre o problema.
Grande parte da guinada que o Brasil teve em sua economia, na última década, se deve à soja e à carne. A ampla janela de exportações (em boa parcela para países também emergentes, como a Rússia e China) ocasionou um aumento brutal do número de latifúndios e pastos, o que deu margem a níveis alarmantes de desmatamento.
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Como se não bastasse a devastação da fauna, tais atividades econômicas impulsionam a emissão de CO2. Nos últimos dez anos, o Brasil emitiu 2,7 bilhões de toneladas de gás carbônico. Deste valor, 29% estão associadas ao plantio da soja e 71% à criação de gado.
Nem só de russos e chineses, no entanto, se faz o consumo acelerado destes produtos. O próprio mercado interno brasileiro absorve ampla porcentagem da produção. Estas discussões estiveram em alta durante a tramitação do Novo Código Florestal Brasileiro, aprovado no dia 25 de maio de 2012.
Ambientalistas de várias organizações criticaram a flexibilização das leis de proteção da floresta em prol do aumento de produtividade do agronegócio. No acordo, os parlamentares brasileiros preveem anistia a empresas que desmatarem, livrando-os da obrigação de recompor a mata. A proteção sobre as Áreas de Preservação Permanentes (APPs) fragilizou-se com a nova lei.
Os cientistas noruegueses afirmam que a Europa vê a proteção da floresta amazônica como um problema global, não mais limitado ao Brasil. Por essa razão, deve aumentar nos próximos anos a pressão da comunidade internacional para que as leis de proteção existentes, ainda que distantes do que os ambientalistas desejariam, sejam cumpridas. [Science Daily / Mongabay / Diário do Grande ABC]
Fonte: hypescience.com

Saúde: Três estudos confirmam benefícios das nozes

Quarta-feira, 01 de Maio de 2013   
Saúde: Três estudos confirmam benefícios das nozes
Peso mais saudável, menos açúcar no sangue e menos riscos cardiovasculares são apenas alguns dos benefícios do consumo de frutos secos de casca rija. A conclusão é de três estudos que foram apresentados no encontro Experimental Biology Meeting, em Abril, nos EUA.
 
Os estudos concentraram-se nos benefícios de frutos secos de casca rija oriundos de árvores (como nozes, amêndoas, cajus, avelãs, pinhões e pistáchios). Um dos estudos, da Universidade Loma Linda (EUA), analisou o consumo destas nozes entre um grupo de 800 adultos através de inquéritos. 
 
Os resultados indicaram que as pessoas que consumiam pelo menos uma dose de nozes por dia (28 gramas) tinham menos 7% de probabilidade de sofrer doenças cardiovasculares, diabetes e outros problemas metabólicos, independentemente da sua idade, estilo de vida ou dieta. 
 
Um segundo estudo, realizado pelo centro de Agricultura da Louisiana State University (EUA), analisou dados de mais de 14 mil adultos, registados entre 2005 e 2010, pelos serviços nacionais de saúde.

A análise dos dados revelou que os participantes que consumiram mais frutos secos registavam um peso mais saudável e menos gordura abdominal (aquela que representa mais riscos para a saúde). Além disso, tinham níveis mais elevados de colesterol bom (HDL) e uma pressão arterial mais equilibrada.

Por fim, o terceiro estudo, realizado pela Universidade de Toronto (Canadá), analisou os marcadores cardiovasculares associados ao consumo destes frutos, confirmando que o consumo diário de nozes aumenta o colesterol bom e controla os níveis de glucose (açúcar) no sangue.
 
"Estes três estudos, independentes entre si, reforçam as provas de que o consumo de nozes melhora a saúde," diz em comunicado Maureen Ternus, diretora do centro de pesquisa International Tree Nut Council Nutrition Research & Education Foundation, recomendando o consumo de "uma mão cheia" (cerca de 40 gramas) de frutos secos por dia. 

Clique AQUI para aceder ao comunicado que resume os três estudos.
Fonte: boas noticias.pt

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Alimentos para viver mais

 
 
Enquanto não descobrem o elixir da juventude, há alguns alimentos que os estudos e os especialistas sugerem ajudar a prolongar a vida, de uma forma mais saudável.

O nosso tipo de alimentação tem bastante influência tanto nos anos em que vivemos, como na qualidade de vida que possuímos. Uma má alimentação pode levar ao desenvolvimento de doenças que, dependendo da gravidade, podem levar a uma morte precoce. Deixamos aqui alguns alimentos que o/a podem ajudar a viver mais e melhor.
Aveia
Ajuda a diminuir o colesterol mau o LDL. Ganhou o selo de redutor do risco de doenças cardíacas da FDA, agência americana de controlo de alimentos e remédios.
Alho
Reduz a tensão arterial e protege o coração ao diminuir a taxa de colesterol ruim e aumentar os níveis de colesterol bom, o HDL. Pesquisas indicam que pode ajudar na prevenção de tumores malignos.
Azeite
Auxilia também na redução do LDL. A sua ingestão no lugar da margarina ou manteiga pode reduzir até 40 por cento o risco de doenças do coração.
Castanha-do-pará
Assim como a noz, os pistácios e a amêndoa, também auxilia na prevenção de problemas cardíacos. Também ganhou o selo de redutora de doenças cardiovasculares da FDA.
Chá verde
Auxilia na prevenção de tumores malignos. Estudos indicam ainda que pode diminuir as doenças do coração, prevenir pedras nos rins e ajudar no tratamento da obesidade.
Maçã
Ajuda a prevenir tumores malignos. O consumo regular de frutas variadas auxilia na redução de doenças cardíacas e da pressão sanguínea, para além de evitar doenças oculares como cataratas.
Peixes
Os peixes ricos em ómega 3, como a sardinha, o bacalhau e o salmão, são poderosos aliados na prevenção de enfartes e derrames. Estudos indicam também que reduzem as dores de artrite, melhoram a depressão eprotegem o cérebro de doenças como Alzheimer.
Soja
Ajuda a reduzir o risco de doenças cardiovasculares, segundo a FDA. O seu consumo regular pode diminuir os níveis de colesterol em mais de 10 poe cento. Há indicações de que também ajuda a amenizar os incómodos da menopausa e a prevenir o cancro da mama e do cólon.
Vinho tinto
A uva vermelha, presente no vinho ou no sumo, ajuda a aumentar o colesterol bom e evita a acumulação de gordura nas artérias, prevenindo doenças do coração.

Fonte: saúde em primeiro lugar.com 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Aluno da UC vence concurso

João Rito desenvolve um projecto
para utilização glicerol na dieta alimentar dos peixes

2013-04-08
Por Sara Pelicano
A ideia é reduzir em 5% (numa primeira fase) a dose de proteína na dieta alimentar de peixes de aquacultura, nomeadamente dourada, robalo e pregado. Com esta mudança alimentar, João Rito, o autor da ideia, acredita que haverá uma redução dos custos de produção e também melhorias ambientais.
O trabalho está a ser desenvolvido no âmbito do doutoramento na Universidade de Coimbra. “Vi o concurso da Sociedade Mundial de Aquacultura, que queria que alunos de mestrado e doutoramento submetessem um projecto que visasse tornar a aquacultura numa indústria mais sustentável”, explica João Rito.

João apresentou o seu projecto de substituição de 5% de proteínas da dieta alimentar por glicerol e venceu. “A aquacultura é um poluente porque os peixes libertam componentes tóxicos, como a amónia e fósforo. As dietas alimentares são ricas em proteínas, porque os peixes, na sua maioria, são carnívoros e as proteínas são essenciais. Nesta experiência tentamos reduzir 5% a percentagem de proteína. Parece pouco, mas em grande escala vamos reduzir muito. A proteína é um dos alimentos mais caros, reduzindo a proteína, vamos reduzir os custos de produção. Substituir a proteína por glicerol, que está muito disponível na indústria de biodiesel, onde é um subproduto, que ainda não tem destino traçado. À partida é mais barato, assim reduzem-se custos de produção”, explica o jovem investigador.

Este método de alimentação dos peixes carnívoros em aquacultura pode também trazer benefícios ambientais. João Rito explica que “o metabolismo das proteínas contamina o ambiente com a amónia e fósforo, ao reduzir a proteína nas dietas alimentares reduzimos a sua produção e libertação daqueles componentes para o ambiente”.

Além do prémio monetário de mil dólares, João vai, em Junho, estagiar por um mês no Centro de Investigação da NOVUS - Novus Aqua Research Center, na Cidade de Ho Chi Minh, Vietname.

“O objectivo é ter contacto com projectos já a decorrer no centro. O Vietname é o terceiro maior produtor de aquacultura a nível mundial, as características ambientais são muito propícias a isso e trabalhar numa das maiores empresas a nível mundial de aquacultura será uma experiência única, na qual vou ter acesso a meios que aqui não tenho e vou estar em contacto directo com cientistas desta área que têm muito mais experiência do que eu e vou tentar tirar a melhor experiência possível”, adianta João.

O concurso que João Rito venceu foi lançado, a nível mundial, pela Sociedade Mundial de Aquacultura (SMA), uma instituição criada em 1970. A SMA é uma sociedade internacional sem fins lucrativos, que tem como objectivo melhorar a comunicação e troca de informações sobre aquacultura, à escala global. Reúne cientistas, produtores e prestadores de serviços da indústria de aquacultura.
Fonte: Ciência hoje.pt

terça-feira, 9 de abril de 2013

Londres: Restos de gordura vão iluminar 40 mil casas

Terça-feira, 09 de Abril de 2013   
Londres: Restos de gordura vão iluminar 40 mil casas
Cerca de 40 mil casas em Londres, capital inglesa, vão passar a ser alimentadas com energia elétrica produzida a partir de restos de óleo e gordura de milhares de restaurantes e empresas da indústria alimentar daquela cidade, onde, brevemente, será construída a maior central de transformação de resíduos gordurosos em eletricidade.
 
O jornal britânico The Guardian avança que o projeto será implementado pela empresa Thames Water, em parceria com a companhia ecológica 2OC. Diariamente, 30 toneladas de resíduos de gorduras de cozinhas de unidades de restauração e fábricas vão ser recolhidas, o equivalente metade do combustível necessário para o funcionamento da central. O restante será proveniente de óleos vegetais e gordura animal.
 
Além de gerar energia limpa, o nascimento da nova central vai também permitir evitar o despejo de toneladas de gordura nos esgotos da cidade, que, anualmente, obrigam a milhares de desentupimentos, adianta a publicação inglesa.
 
A central vai ser construída na localidade de Beckton e corresponde a um investimento de cerca de 80 milhões de euros que será aplicado em 20 anos, devendo entrar em funcionamento já em 2015 e produzir 130 GWh/ano de eletricidade limpa, o suficiente para abastecer 40 mil residências.
 
De acordo com Piers Clark, diretor comercial da Thames Water, citado pelo The Guardian, "este projeto é benéfico para todos, [já que vai gerar] energia renovável, independente das flutuações dos preços de mercado das fontes não-renováveis de eletricidade, e ajudar a atacar o atual problema operacional dos depósitos de gordura nos esgotos".

Notícia sugerida por Diana Rodrigues
Fonte: Boas noticias
Muito bom!!!
 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Farmácia caseira

Quando se fala de primeiros socorros, a medicina popular é bastante simples e prática: se existe ferida , aplica-se calêndula; se não, usa-se arnica. Uma regra tão clara pode, no entanto, induzir-nos em erro, levando-nos a pensar que a farmácia caseira se resume a apenas duas ervinhas, quando, na verdade, se conhecem mais de 400 espécies de plantas medicinais. Segue-se um pequeno guia das plantas (para cada uma indica-se o nome comum e a denominação científica, porquanto os nomes vulgares variam muito de região para região) com lugar assegurado em qualquer farmácia natural, mas não se pense que são as únicas.

Alecrim (Rosmarinus officinalis) - As folhas estimulam a circulação e aliviam a dor. Atua sobre o sistema nervoso e fortalece a memória. Utiliza-se no tratamento de insuficiências hepáticas e vesiculares, uma vez que possui propriedades diuréticas. Alivia a asma, as amigddalites e a obstrução nasal e aumenta o apetite.

Alfazema (Lavandula officinalis) - Em tisana, alivia as dores de cabeça e acalma os nervos. Utiliza-se na asma brônquica, na tosse, nas enxaquecas, nas gripes e em certos casos de reumatismo.

Arnica (Arnica montana) - As suas flores e raízes usam-se como estimulantes cardíacos, sob estrito controlo médico, dado que se trata de uma planta tóxica. No uso externo, estimula a reabsorção dos hematomas e tem propriedades antissépticas e cicratizantes.

Borragem (Borago officinalis) - A borragem é um remédio de ação suave muito apreciado na medicina popular. Para aproveitar o efeito calmante e emoliente das suas flores, fazem-se excelentes infusões que tratam a incómoda tosse das bronquites. Utiliza-se como depurativo, diurético, laxativo e sudorífico.

Calêndula (Calendula officinalis e C. Arvensis) - Faz parte de numerosos preparados farmacêuticos e cosméticos e as suas propriedades bactericidas e cicratizantes converteram-na na planta ideal para os cuidados da pele. Usa-se para curar feridas e limpar a pele com acne ou descamação, nas queimaduras, nas picadas de insectos,etc.

Camomila (Matricaria chamomilla) - A infusão das flores produz uma tisana tónica e sedativa. Usa-se no banho para aliviar as queimaduras do sol. É habitualmente utilizada para acalmar espasmos e convulsões, como anti-inflamatório, antisséptico, etc.

Carqueja (Chamaespartium tridentantum) - Acalma a tosse e as irritações da faringe, sendo muito utilizada nas gripes, nas bronquites, na pneumonia e nas traqueítes.

Cidreira (Melissa officinalis) - Em infusão, alivia o catarro provocado pela bronquite crónica, as constipações febris e as dores de cabeça. Utiliza-se como calmante e no tratamento de perturbações gástricas e de dores de cabeça de origem nervosa.

Dente-de-leão (Taraxacum officinale) - É diurético e destaca-se no combate à arteriosclorose, à celulite, à tensão alta e ao mau colesterol. Usa-se ainda nos problemas de fígado e vesícula.

Erva-de-São-Roberto (Geranium robertianum) - Possui propriedades adstringentes, espasmódicas, diuréticas, hemostáticas e hipoglicemiantes. Utiliza-se em problemas de estômago, hemorragias pulmonares ou nasais, diarreias e cálculos renais e urinários.

Hipericão-bravo (Hypericum perforatum) - É antisséptico, cicratizante, diurético e sedativo. Utiliza-se na depressão, na insónia, nas infecções gineológicas e nas inflamações crónicas do estômago, da vesícula e dos rins. Além disso, ajuda nas dores musculares e nevralgias e no herpes labial.

Hipericão-do-Gerês (Hypericum androsaemum) - Tem propriedades diuréticas e estimula a libertação da bílis. Utiliza-se nos tratamentos hepáticos.

Lúcia-lima (Lippia citriodora) - Combate,sobretudo, as perturbações digestivas e nervosas. Usa-se contra as indigestões, a flatulência e o mau hálito e como calmante.

Malva (Malva silvestris) - Apresenta propriedades anti-inflamatórias e utiliza-se na lavagem de feridas e como calmante sobre a pele e as mucosas inflamadas. Em infusão, usa-se em casos de diarreia, úlceras no estômago, catarros e obstrução das vias respiratórias, e ainda como laxativo.

Orégão (Origamum vulgare) - Em tisana, combate a tosse, as dores de cabeça nervosas e a irritabilidade. Utiliza-se contra a gripe, as constipações, as febres e a indigestão.

Poejo (Mentha pulegium) - Usa-se como calmante e contra indigestões, gripes, bronquites e dores menstruais. Não deve ser tomado durante a gravidez ou em caso de problemas renais.

Rosmaninho (Lavandula stoechas) - Tem propriedades sedativas, antissépticas, insecticidas, cicratizantes, diuréticas e sudoríferas. Utiliza-se também para aliviar as náuseas e estimular a circulação.

Salva (Salvia officinalis) - Depois das refeições, a infusão de folhas pode ajudar a fazer a digestão. É antisséptica e fungicida e contem estrogéneos. Utiliza-se contra a depressão, as inflamações da boca e da garganta, a diarreia e os afrontamentos da menopausa.

Tilia (Tilia cordata) - Tem propriedades diuréticas e sedativas. Usa-se contra febres, acidez gástrica e doenças hepáticas e biliares.

Urze (Calluna vulgaris) - É adstringente, antisséptica e diurética. Usa-se contra problemas urinários, diversas afeções renais e hipertrofia da próstata.

Zimbro (Juniperus communis) - As falsas bagas desta planta tiveram na Idade Média uma extraordinária celebridade, pois supunha-se que faziam curas miraculosas. É usado como depurativo e diurético. Entra na confeção de alguns pratos, serve para condimentar o presunto fumado e é o principal ingrediente na preparação do gin (bebida alcoólica destilada).

Super Interessante 165 - Janeiro de 2012

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Portugal inaugura nova fábrica de fungicida biológico

Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2013   
Portugal inaugura nova fábrica de fungicida biológico
Nova unidade de produção deverá criar 100 postos de trabalho até 2016
Portugal desenvolveu e patenteou, em 2011, um fungicida biológico de elevada eficácia, extraído do tremoço, que agora vai ser produzido num parque industrial recém inaugurado em Cantanhede. O produto será comercializado para todo o mundo.

A Converde, empresa de biotecnologia, inaugurou no passado dia 18 de Janeiro a sua unidade industrial, onde irá produzir o fungicida biológico de eficácia igual ou, nalguns casos, superior à dos melhores fungicidas sintéticos disponíveis no mercado.
Com um investimento total de cerca de 30 milhões de euros, a unidade industrial da Converde localiza-se em Cantanhede e prevê criar 100 postos de trabalho até 2016, ano em que funcionará em velocidade de cruzeiro.
Em 2012, a CONVERDE celebrou um contrato de distribuição exclusiva com a multinacional do sector agro-químico FMC Corporation que opera nos Estados Unidos e Canadá.
Na origem deste produto, esteve investigação pioneira realizada no Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa, onde foi identificada a proteína multifuncional “BLAD”, produzida durante a germinação de uma variedade de tremoço denominada “lupinus albus” e que funciona como substância ativa do fungicida.
A descoberta, que teve início em 1991 e à qual se seguiram mais de dez anos de investigação, como já foi noticiado pelo BOAS NOTÍCIAS, culminou com a participação do projeto no Programa COHiTEC, da COTEC Portugal, que viabilizou a vertente comercial do projeto.
Em comunicado, a COTEC salienta que a inauguração da unidade industrial marca uma nova fase para a empresa Converde, com o arranque da produção do fungicida. Com uma área coberta de 17 mil m2, a unidade está projetada de forma a triplicar a capacidade de produção, que é atualmente de 2 mil toneladas por ano.
fonte: boas noticias

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Norte-americana FDA prestes a aprovar comercialização de salmão transgénico


Peixe produzido pela Aquabounty cresce duas vezes mais rápido do que o normal

2012-12-26
Salmão trangénico e não trangénico com a mesma idade (créditos: AquaBounty)
Salmão trangénico e não trangénico com a mesma idade (créditos: AquaBounty)
A agência Food and Drug Administration (FDA), que regula e supervisiona a segurança alimentar e os medicamentos, afirmou que os salmões transgénicos, estão a ser produzidos pela empresa Aquabounty, é seguro como alimento e não causará grande impacto ambiental, abrindo assim a porta à aprovação do primeiro animal geneticamente modificado para consumo humano.
O salmão transgénico cresce duas vezes mais rápido do que o normal e os seus críticos já o baptizaram como “frankenpeixe” (alusão ao monstro de Frankenstein). Estes temem que o peixe possa causar alergias ou até dizimar a população natural de salmões se a variedade transgénica procriar na natureza. A FDA fará ainda uma consulta pública sobre o tema, mas especialistas acreditam que estas declaração foram o último passo antes da aprovação.
A empresa Aquabounty gastou mais de 67 milhões de dólares (aproximadamente 50 milhões de euros) para desenvolver este peixe, tendo igualmente desenvolvido medidas de protecção contra problemas ambientais. Uma delas é a criação de apenas fêmeas estéreis, ainda que uma pequena percentagem possa reproduzir-se, admitem.
Este salmão transgénico recebeu um gene da hormona de crescimento do salmão do Pacífico, que se mantém funcional o ano inteiro devido a outro gene de um peixe similar à enguia. A combinação permite que o salmão chegue ao peso ideal para venda em 18 meses em vez de três anos.
Ainda não se sabe se o público aprovará o peixe, mesmo dando a FDA o seu aval. Se o salmão entrar no mercado, os consumidores podem nem chegar a saber que estão a comprar peixe transgénico, já que o produto não será acompanhado de qualquer aviso, caso seja decido que possui as mesmas propriedades do convencional.
Fonte: Ciência hoje

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Afinal, há seis (e não três) espécies de lampreias em Portugal


Passam grande parte da vida enterradas no leito dos rios — na realidade, quatro a cinco anos, como larvas. Umas vão para o mar e são as comestíveis, outras mantêm-se sempre nos cursos de água doce.
A lampreia-do-sado (Lampetra lusitanica) é uma das novas espécies identificadas FILIPE LOPES

Tanto quanto se sabia, só viviam três espécies de lampreias em Portugal. De uma só assentada, uma equipa de biólogos portugueses anuncia agora a descoberta de outras três espécies, que vivem em áreas muito limitadas de alguns rios. Assim, à lampreia-marinha, à lampreia-de-rio e à lampreia-de-riacho juntam-se agora a lampreia-da-costa-da-prata, a lampreia-do-nabão e a lampreia-do-sado, nomes que remetem para os seus locais de origem.
A lampreia-marinha (Petromyzon marinus) é aquela que é um autêntico pitéu e que leva muita gente em romarias gastronómicas. Já a lampreia-de-rio (Lampetra fluviatilis) e a lampreia-de-riacho (Lampetra planeri) não se comem e são mais raras do que a sua congénere marinha, pelo que estão classificadas como “criticamente em perigo” de extinção, na última versão doLivro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, de 2005.
Tanto a lampreia-de-riacho como a lampreia-de-rio encontram-se distribuídas pela Europa, onde são abundantes — mas, na Península Ibérica, a sua situação muda de figura e concentram-se quase só em Portugal. A lampreia-de-riacho está presente sobretudo em Portugal, desde o Douro até ao Sado, pois em Espanha limita-se a dois núcleos populacionais muito circunscritos no Norte do país. Já a lampreia-de-rio foi declarada extinta em Espanha e, em Portugal, encontra-se somente no troço inferior dos rios Tejo e Sorraia. Para cada uma destas espécies, a população não ultrapassará os dez mil indivíduos.
Agora, o trabalho desenvolvido na tese de doutoramento deCatarina Mateus — orientada por Pedro Raposo de Almeida, do Centro de Oceanografia da Faculdade de Ciências de Lisboa e da Universidade de Évora, e Judite Alves, do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa — permitiu a identificação das três novas espécies. Serão descritas num artigo já aceite para publicação na revista alemã Contributions to Zoology, assinado ainda pelo biólogo Bernardo Quintella, também da Faculdade de Ciências de Lisboa.
Este resultado é o culminar de dez anos de trabalho, que remonta ao início da revisão do Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, realça Pedro Raposo de Almeida. “Nessa revisão, fizemos um levantamento em todo o país da distribuição das espécies e encontrámos uma série de pequenas populações que não estavam descritas.”
Essas populações ficaram então incluídas como lampreias-de-riacho no livro que avalia o estatuto de conservação dos vertebrados portugueses: “Percebemos que havia pequenas diferenças, sobretudo genéticas, num grupo de lampreias-de-riacho. Mas, até se confirmar que são espécies diferentes, há um trabalho muito grande pela frente”, explica Pedro Raposo de Almeida.
Ainda que as diferenças sejam principalmente genéticas, elas também têm menos dentes.
As três novas espécies são endémicas de Portugal, o que significa que vivem apenas aqui. A lampreia-da-costa-da-prata (Lampetra alavariensis) é endémica das bacias hidrográficas do Vouga e do Esmoriz, enquanto a lampreia-do-sado (Lampetra lusitanica) existe só nesta rede hidrográfica e a lampreia-do-nabão (Lampetra auremensis) se restringe a esta bacia afluente do Tejo.
Para a equipa, não há grandes dúvidas de que as três novas espécies devem ser consideradas como “criticamente em perigo” de extinção, até porque a espécie de onde foram agora retiradas já tem esse estatuto de conservação. “Além de serem espécies endémicas e as áreas de distribuição serem muito restritas, as populações são muito pequenas e sofrem muitas pressões antropogénicas. As linhas de água, sobretudo do Sado, têm muitas pressões em termos agrícolas.”
Ao todo, as três novas espécies terão 10 mil a 20 mil indivíduos, embora só com um levantamento populacional se possa fazer uma estimativa mais rigorosa.
Caminhos diferentes após a metamorfose
Uma das fases em que as lampreias estão muito vulneráveis é aquela em que ficam enterradas nas zonas arenosas do leito dos rios, como larvas — na verdade, passam quatro a cinco anos nisso, filtrando a água para se alimentarem de pequenos organismos em suspensão. Na fase larvar, se for feita uma regularização do leito do rio, se houver extracção de areias ou for construída uma barragem na zona onde elas estão enterradas, uma parte da população é eliminada. “Não lhes pode faltar a água”, diz ainda Pedro Raposo de Almeida.
Decorridos aqueles anos todos entre os sedimentos, elas sofrem uma metamorfose, em que, por exemplo, desenvolvem uma boca circular em forma de ventosa. E então as espécies seguem caminhos distintos.
A lampreia-marinha, que pode ter um metro de comprimento, faz uma migração para o mar, onde fica durante um a dois anos, parasitando outros peixes, até que regressa ao rio para desovar e morrer. A lampreia-de-rio também migra, mas pouco: “A nossa percepção é que tem uma migração muito restrita: achamos que nem sai do estuário do Tejo. Também é parasita.”
Já a lampreia-de-riacho e as suas primas agora identificadas, que podem ter cerca de 15 centímetros, não se alimentam depois da metamorfose. Na fase adulta, de alguns meses apenas, limitam-se a reproduzirem-se e, depois disso, morrem.
fonte: Público.pt

domingo, 2 de dezembro de 2012

A guerra dos peixes



Ruivaco do oeste adulto nascido no Aquário Vasco da GamaRuivaco do oeste adulto nascido no Aquário Vasco da Gama
Fotografia © DREm geral, os peixes só são notícia quando aparecem mortos aos milhares devido a uma qualquer descarga ilegal de poluentes. Ouve-se então falar de carpas, pimpões, achigãs, barbos e bogas. Curiosamente, alguns destes nomes referem-se a espécies originárias dos quatro cantos do mundo, que foram invadindo (literalmente) os nossos ecossistemas dulçaquícolas. O biólogo Jorge Nunes propõe uma viagem aos rios, lagos e albufeiras de Portugal, em busca dos peixes de água doce. Dos “nossos” e dos “estrangeiros” que, entretanto, se tornaram residentes.
Embora as cidades e vilas portuguesas se localizem, quase todas, à beira-rio, permitindo um convívio diário com idílicos cenários ribeirinhos, a maior parte das pessoas desconhece os seus vizinhos fluviais, que habitam paredes-meias com as suas casas e jardins. Os reflexos do azul do céu, do verde da folhagem e do colorido dos panoramas nos espelhos de água são tão cativantes que frequentemente nos esquecemos que por baixo deles também se nasce, vive e morre como em qualquer outro lugar. Nesse desconhecido mundo subaquático, onde tudo se passa longe dos indiscretos olhares humanos, a luta pela sobrevivência é uma constante. Nunca se sabe quando é que de um buraco ou detrás de uma pedra surge repentinamente uma boca esfomeada, quantas vezes “estrangeira”, “exótica” ou “alienígena”.
Não interessa se começamos esta jornada nos píncaros agrestes da serra do Gerês, fartos em água, ou na árida paisagem alentejana, onde muitos dos ribeiros e lagoas desaparecem sazonalmente com o calor do estio. Por norma, onde houver água existem, quase sempre, peixes. Muitos deles são autóctones, ou seja, sempre viveram nos rios portugueses; outros, ditos “exóticos”, têm vindo a ser introduzidos e a conquistar terreno, que é como quem diz água, encontrando-se atualmente disseminados em quase todos os habitats de água doce nacionais. Vinte e cinco a trinta por cento do número de espécies piscícolas fluviais que vivem nas águas doces de Portugal continental são exóticas, com origem nos quatro cantos do mundo (seis espécies norte-americanas, sete euro-asiáticas e uma sul-americana), e foram todas introduzidas pela mão do homem.
À boleia da malária
Ao que parece, a introdução de peixes alienígenas visou, sobretudo, aumentar a diversidade piscícola e o rendimento das águas interiores, aproveitando primordialmente o enorme valor de algumas espécies, como o achigã e a truta-arco-íris. Além de constituírem novos ingredientes gastronómicos, passaram a ser muito procurados pelos amantes da pesca recreativa (lúdica e desportiva). Assim, a chegada destes imigrantes aquáticos a terras lusas parece ter tido essencialmente várias origens: por via acidental, como terá acontecido com a tenca e a carpa (que fugiram de culturas monásticas), com o góbio (que se escapuliu de pisciculturas) ou com o chanchito (utilizado em aquariofilia); por via oficial, em que peixes como o achigã, a truta-arco-íris e a carpa foram introduzidos sob responsabilidade das instâncias que têm tido a seu cargo a gestão dos recursos aquícolas; por via informal, em que espécies como o achigã, a gambúsia, o lúcio e o peixe-gato-negro, introduzidos intencional ou acidentalmente na vizinha Espanha (onde já se contam 25 espécies exóticas, 15 das quais introduzidas depois de 1949), se expandiram pelos rios ibéricos até águas portuguesas; e por via ilegal, através de alguns pescadores desportivos que continuam a introduzir e a dispersar espécies ao arrepio da legislação.
O flagelo da malária (doença infecciosa, também conhecida por “paludismo”, causada por protozoários transmitidos pela picada de mosquitos do género Anopheles), que assolou Portugal e Espanha até meados do século XX, justificou a introdução de espécies como o chanchito e a gambúsia. Estes peixes são famosos pelo seu apetite voraz por larvas de mosquitos e havia esperança de que pudessem ser uma arma eficaz na luta antipalúdica.
O chanchito (Cichlasoma facetum),[foto] também conhecido por “espanhol”, “castanhola” ou “castanheta”, é oriundo dos rios costeiros do Brasil e do Uruguai. Surgiu em águas lusas na década de 1940 (segundo a Carta Piscícola Nacional, terá sido introduzido no rio Vouga, na Praia de Mira, em 1943), encontrando-se atual­mente nas bacias dos rios do sul (Guadiana, Mira e Sado), onde prefere os charcos e locais com águas tranquilas. Distingue-se facilmente devido à coloração amarelo-metálico a esverdeado com bandas escuras transversais. A barbatana dorsal é bastante comprida, alcançando dois terços do comprimento total (que pode chegar aos 17 centímetros), e a barbatana caudal é redonda e ostenta uma mancha escura na base. É uma espécie insetívora. A sua territorialidade, sobretudo na época de reprodução, e a alimentação carnívora fazem pressupor que seja uma ameaça para espécies autóctones, apesar da sua dispersão e de a expansão ser muito pequena
Quanto à gambúsia (Gambusia holbrooki), foi importada da Carolina do Norte em 1921 e foi introduzida na Europa a partir de Espanha, tendo alcançado Portugal através do seu principal rio ibérico: o Tejo (foi detetada no Sorraia, afluente do Tejo, em 1931). É uma espécie de reduzidas dimensões, que faz lembrar um guppie (os peixinhos ornamentais tão apreciados em aquariofilia). Tem um aspeto inconfundível, com o corpo acentuadamente mais estreito para trás da barbatana anal (onde se localiza o órgão copulador dos machos), a abertura bocal colocada em posição dorsal com a maxila inferior proeminente e a barbatana caudal homocerca. Vive em troços de águas lentas e temperadas, com abundante vegetação e abaixo dos mil metros, e suporta águas muito contaminadas, elevadas temperaturas e baixos valores de oxigénio.
Alimenta-se de pequenos animais aquáticos, insetos e aracnídeos. Devido aos seus hábitos alimentares e ao facto de poderem atingir densidades elevadas, de mais de 11.000 indivíduos por hectare, “tem um efeito negativo sobre espécies nativas que ocupam o mesmo habitat”, segundo a Carta Piscícola Nacional (CPN). Na Península Ibérica, ocorre em praticamente todas as bacias, e em território nacional já conquistou inúmeros rios, ribeiros e regatos. Após se ter constatado que, afinal, o efeito controlador sobre os mosquitos transmissores da malária parecia ser reduzido, ainda se tentou a sua erradicação, mas todas as tentativas resultaram infrutíferas. Em pouco tempo, assistiu-se à imparável expansão dos pequenos gambuzinos (curioso nome vulgar pelo qual também são conhecidos), por tudo o que era curso de água. Também neste caso, como acontece com os homens, se aplica o ditado popular: “Os peixes não se medem aos palmos”. Como derradeira tentativa para limitar a expansão das suas populações, optou-se pela introdução de outro peixe: o achigã. Assim, fixou-se na Península Ibérica mais um “estrangeiro”, oriundo da América do Norte.
Imigrantes americanos
O achigã (Micropterus salmoides) foi inicialmente introduzido nos Açores (em 1898), e só bastante mais tarde no continente (em 1952), com a finalidade de dinamizar a pesca desportiva e limitar as populações de gambúsia. No entanto, tal como as restantes espécies piscícolas exóticas, deu-se muito bem por cá e atual­mente é um dos peixes que despertam maior interesse, quer dos pescadores, quer dos apreciadores de ementas de peixe (apresenta um elevado interesse gastronómico, atingindo cinco a oito euros por quilo), encontrando-se por todo o país, sobretudo na bacia hidrográfica do Tejo e a sul desta (está presente em praticamente todas as albufeiras do sul, muitas do centro e algumas do norte). É um peixe de tamanho médio, que atinge habitualmente meio metro de comprimento. Possui o corpo alto, de coloração verde azeitona com bandas escuras mais ou menos evidentes nos flancos, a boca de grandes dimensões protráctil com dentes nas mandíbulas (o maxilar ultrapassa o bordo posterior do olho), e a barbatana dorsal dividida em duas. É um predador que se alimenta predominantemente de outros peixes e de lagostins-de-água-doce, larvas de insetos aquáticos (como ninfas de libélula), insetos adultos, aracnídeos, anfíbios e, ocasionalmente, micromamíferos e répteis. A CPN declara que “esta espécie levou à redução das populações autóctones de ciprinídeos”.
A perca-sol (Lepomis gibbosus) faz jus ao nome: é um dos peixes mais belos entre os que foram introduzidos em águas continentais portuguesas. Ostenta uma cor muito vistosa, com bandas azuladas que irradiam da cabeça até aos flancos, ventre amarelo e uma mancha negra e vermelha na parte posterior do opérculo. Trata-se de um peixe que não ultrapassa os 15 centímetros, com barbatana dorsal dividida em duas partes, uma primeira de raios ossificados e uma segunda com raios ramificados. Trata-se de um habitante das zonas lênticas (águas calmas), com escassa profundidade e densa vegetação. Suporta bem a falta de oxigénio e as altas temperaturas. Trazida da América do Norte, terá chegado à Europa no último quartel do século XIX para aquariofilia, embora só tenha sido referida em Portugal (no Tejo, no Sado e no Guadiana) nos anos 1970. Na atualidade, está presente na totalidade das bacias hidrográficas. Por detrás da sua atraente beleza, esconde-se, porém, uma terrível predadora de insetos e de ovos e alevins de outras espécies aquáticas. É considerada uma praga e uma das principais responsáveis pelo desaparecimento dos peixes nativos.
O peixe-gato-negro (Amieurus melas) é uma espécie originária da América do Norte que foi introduzida em Espanha no início do século XX, tendo chegado a Portugal através da bacia do Tejo (atualmente, já se encontra no Sado e no Guadiana). Trata-se de um peixe de tamanho médio, que não vai além de meio metro de comprimento. Tem uma coloração preta e a zona ventral amarelada. Possui quatro pares de barbilhos, sendo um dos pares mais comprido do que as barbatanas peitorais. O corpo está geralmente coberto com muco. É extremamente tolerante à poluição, subsistindo em águas com baixos níveis de oxigénio dissolvido e elevadas temperaturas.
Quanto às trutas, encontram-se representadas por duas espécies: a truta-de-rio (Salmo trutta), indígena da Europa, e a truta-arco-íris (Oncorhynchus mykiss), originária da América do Norte. Enquanto a primeira vive em águas correntes, bem oxigenadas, límpidas e frescas, e é muito sensível à poluição e à elevada temperatura, a segunda prefere as albufeiras e os cursos de água calmos, tolerando temperaturas até 25ºC (a sua distribuição é muito localizada, figurando em albufeiras do Cávado, do Douro, do Mondego e do Tejo). Trata-se de uma espécie de tamanho médio (pode chegar ao meio metro), com a cabeça mais pequena do que a sua congénere autóctone. Apresenta duas barbatanas dorsais (a primeira espinhosa e a segunda adiposa), e a barbatana caudal pode estar completamente coberta de manchas negras. Possui, geralmente, uma lista de cor púrpura no flanco, onde surgem igualmente manchas negras que não são rodeadas por um círculo colorido (sendo esta uma boa característica para distinguir ambas as espécies). A espécie exótica consome larvas de invertebrados e peixes de pequeno tamanho. É presença habitual em aquacultura, devido ao seu elevado interesse gastronómico.
Residentes euro-asiáticos
Curiosamente, por causa das trutas, mais precisamente das truticulturas espanholas, foi introduzido o góbio (Gobio lozanoi), uma espécie euro-asiática usada como alimento vivo. Assim se espalhou pelos rios Douro e Tejo, onde é atualmente muito comum. Trata-se de um peixe que não ultrapassa os quinze centímetros. Tem o corpo alongado, a cabeça pequena e larga, a boca ínfera, um par de barbilhos que atingem o bordo posterior do olho, o dorso escuro e os flancos com seis a onze manchas redondas e azuladas alinhadas longitudinalmente. A barbatana caudal está bem fendida (com lóbulos pontiagudos) e as ventrais estão posicionadas atrás da inserção da dorsal.
As carpas (Cyprinus carpio) e as tencas (Tinca tinca), espécies euro-asiáticas, ambas muito apreciadas como alimento e de fácil reprodução em cativeiro, terão chegado a Portugal pelas mãos de monges que as consumiam em dias santos, nos quais se impunha a abstinência de carne. A ser verdade que a sua chegada poderá ter tido “mão divina”, foi apenas uma questão de tempo e de oportunidade até que alguns exemplares se escapassem das granjas agrícolas dos mosteiros, onde eram cuidadosamente mantidas, para colonizarem os rios.
As carpas, que habitam sobretudo as albufeiras e os cursos de água com corrente fraca e vegetação abundante (com exceção das localizadas a norte da bacia do Douro), talvez tenham chegado mais cedo, pois foram domesticadas pelos romanos e poderão ter sido introduzidas por eles. São peixes de tamanho médio a grande (podem atingir 80 cm), de cor variável (geralmente, verde-acastanhada), com os flancos em tons dourados que escurecem em direção ao dorso. A boca apresenta dois pares de barbilhos sensoriais, sendo terminal e protráctil, o que se adequa à sua atividade essencialmente bentónica. Trata-se de uma espécie resistente à escassez de oxigénio e à poluição, que destrói a vegetação submersa, aumentando a turbidez dos rios.
Quanto à tenca, ainda subsistem dúvidas se é natural ou se foi introduzida em Portugal. A CPN inclina-se para esta segunda hipótese, assegurando que foi introduzida, no século XII, pelos monges de Cister, nas granjas agrícolas próximas do rio Alcoa (Alcobaça). É um peixe de fundo que habita preferencialmente em albufeiras e em locais de fraca corrente (uma vez que suporta baixos níveis de oxigénio dissolvido na água) e de vegetação abundante. O corpo alongado, com pedúnculo caudal curto e alto, pode chegar aos 80 cm de comprimento. Possui um único par de barbilhos nos lábios e apresenta coloração esverdeada, que pode variar consoante o meio onde habita.
O alburno ou ablete (Alburnus alburnus) é uma espécie originária do centro e do leste da Europa. Foi introduzido em Espanha, na década de 1990, para pesca desportiva, e acabou por chegar a Portugal através dos cursos de água internacionais. No entanto, a primeira referência nacional refere-se à barragem do Caia, onde terá sido introduzido por pescadores desportivos para servir de alimento a outros peixes, como o achigã. Encontra-se na atualidade nas bacias hidrográficas do Tejo, do Sado, do Mira e do Guadiana. Possui hábitos gregários e exibe grande plasticidade, ocorrendo em sistemas lóticos e lênticos, apesar de selecionar preferencialmente as zonas de menor profundidade. Apresenta um regime alimentar carnívoro, consumindo sobretudo insetos aquáticos, crustáceos e zooplâncton.
O lúcio (Esox lucius), com uma distribuição circumpolar (essencialmente norte-americana e euro-asiática), foi introduzido em 1951 no rio Tejo (em território espanhol) passando posteriormente para Portugal (na década de 60 já estava presente no Guadiana). É um carnívoro territorial e solitário, que pode atingir grandes dimensões (mais de um metro de comprimento) e apresenta um corpo alongado, com focinho comprido e achatado. A boca é grande, a barbatana dorsal é oposta à anal e muito posterior e ostenta coloração verde ou esverdeada com manchas amarelas. Trata-se de um predador que começa por comer invertebrados enquanto jovem, acabando, em adulto, a alimentar-se de peixes (gambúsias, bogas, achigã, escalos, barbos e carpas), lagostins-de-água-doce e anfíbios. Ocorre nas bacias hidrográficas do Cávado, do Douro, do Tejo e do Guadiana. Escolhe preferencialmente troços lóticos de corrente fraca e vasta vegetação, onde se dissimula para emboscar as presas.
O lucioperca (Sander luciperca) é outra espécie oriunda do centro e do leste da Europa, introduzida ilegalmente em Espanha, no decurso da década de 1970. Presentemente, encontra-se em franca expansão no nosso ­país, estando presente nas bacias hidrográficas do Cávado, do Ave, do Douro, do Tejo e do Guadiana. Pode chegar aos 80 cm. Apresenta duas barbatanas dorsais espinhosas, cabeça grande, boca com dentes proeminentes e fortes e maxilar largo. O dorso é esverdeado, com oito a doze bandas escuras transversais. Os adultos alimentam-se exclusivamente de peixes, sobretudo escalos. Por ser uma espécie altamente especializada no consumo de peixes, tornou-se uma grande ameaça para a fauna autóctone, lê-se na CPN.
O peixe-gato-europeu (Silurus glanis) é, sem sombra de dúvida, a espécie dulçaquícola europeia de maior envergadura, podendo atingir os dois metros e meio de comprimento e mais de cem quilos de peso. A pesca desportiva motivou a sua introdução em Espanha, na década de 1970. Por cá, está referenciado para o rio Tejo e andou nas bocas do mundo no verão passado, quando um exemplar com um metro e meio, avistado na albufeira de Castelo do Bode (rio Zêzere), foi confundido com um crocodilo. Trata-se de uma espécie carnívora muito voraz, que se alimenta de peixes, anfíbios, lagostins-do-rio e aves aquáticas.
A lista dos peixes introduzidos não ficaria completa sem referir o pimpão ou peixe-dourado (Carassius auratus), um parente próximo das famosas variedades de peixes-vermelhos que apreciamos em pequenos aquários ou nos lagos dos jardins. Parece ter sido um dos primeiros a chegar a Portugal, por volta do século XVII, trazido da China, e daqui terá partido para vários países europeus. Em estado selvagem, o pimpão perde a sua cor vermelha e apresenta-se com uma tonalidade castanha-esverdeada. Vive em todos os rios portugueses e hibrida com a carpa (machos de pimpão com fêmeas de carpa), originando uma forma intermédia com apenas um par de barbilhos.
Convivência difícil
O aumento da diversidade piscícola que resulta das espécies introduzidas pode parecer, à primeira vista, uma mais-valia. Porém, ao contrário de uma sã convivência, tem-se assistido a um domínio preocupante dos novos inquilinos dos rios portugueses.
Os peixes exóticos têm tido um aumento acentuado nas últimas décadas, sendo também de assinalar que algumas das suas áreas de distribuição têm vindo a ser significativamente ampliadas. Ambientaram-se tão bem aos nossos rios que alguns, como a carpa e a perca-sol, são na atualidade as espécies dominantes em alguns lugares, nomeadamente, em albufeiras do sul, como as do Vale do Gaio, do Pego do Altar, de Maranhão e de Montargil.
Já não há dúvidas de que as 14 espécies introduzidas nas águas doces continentais vieram para ficar. Embora algumas delas não revelem indícios de causarem desequilíbrios significativos nos ecossistemas, como é o caso do chanchito, outras, nomeadamente as que apresentam caráter invasor, como a perca-sol e a gambúsia, poderão ser extraor­di­nariamente prejudiciais para a fauna e a flora dulçaquícolas autóctones: “A introdução de espécies não indígenas na natureza pode originar situações de predação ou competição com espécies nativas, a transmissão de agentes patogénicos ou de parasitas e afetar seriamente a diversidade biológica, as atividades económicas ou a saúde pública, com prejuízos irreversíveis e de difícil contabilização”, avisa o Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território.
Espécies autóctones migradoras
Alguns peixes autóctones, ditos “migradores”, não se contentam com a extensão dos nossos rios e têm horizontes mais largos, estendendo as suas viagens até ao mar. Uns deslocam-se do meio marinho para o meio fluvial, a fim de se reproduzirem (espécies anádromas), e após o nascimento, os juvenis iniciam a viagem em sentido contrário. Outros, porém, nascidos no mar (como as enguias), regressam aos rios para amadurecer (espécies catádromas). São animais muito especiais, visto que tanto conseguem viver em água doce como salgada.
De entre os viajantes de longo curso, temos o sável (Alosa alosa), referenciado nos rios Minho, Lima, Douro, Mondego, Zêzere, Sado e Guadiana; a savelha (Alosa fallax), muito comum em Portugal, sendo frequente nos rios Minho, Lima, Douro, Mondego, Sado e Guadiana; a lampreia (Petromyzon marinus), que vive no mar e pode atingir 1,20 m de comprimento, é um peixe parasitário que sobe os rios até ao seu curso superior, onde desova; e a enguia (Anguilla anguilla), o verdadeiro ex-libris dos peixes migradores, uma vez que inicia o seu ciclo de vida no mar dos Sargaços (localizado no Oceano Atlântico, a mais de 4000 quilómetros da Europa), onde se reproduz, e completa-o nas águas doces europeias, às quais as suas larvas chegam após um a dois anos de travessia oceânica.
Com o estatuto de migradores surgem ainda a solha-das-pedras (Platichthys flesus), um peixe achatado que reside nos estuários e se desloca às águas costeiras para realizar a postura; a truta-marisca (Salmo trutta), que inicia a subida dos rios no verão, preferindo águas frias e bem oxigenadas para a desova (no estado adulto, pode atingir 1,40 m e pesar 50 kg); o salmão (Salmo salar), que se reproduz entre Junho e Novembro, em locais bem oxigenados e em zonas a montante (nos rios em que nasceram); e o esturjão (Acipenser sturio), que passa a maior parte da vida no mar, vindo reproduzir-se nos troços principais dos rios Douro e Guadiana; a carne desta espécie é muito apreciada e as suas ovas (caviar) constituem um requinte gastronómico de elevado preço. Característica comum a todos os peixes migradores é o seu excelente sabor, o que rapidamente os catapultou para o top das ementas de peixes e para cabeças de cartaz de inúmeras feiras gastronómicas, competindo com os peixes marinhos de melhor qualidade.
As espécies migradoras, no entanto, têm vindo a diminuir nos nossos rios, tornando-se cada vez mais raras. Para além da sobrepesca, muitas vezes desregrada e à margem da lei, há outras causas: obstáculos à migração (como barragens, represas e açudes), que as impedem de atingir os locais mais propícios à sua reprodução; alterações do habitat, principalmente devido à extração de inertes; e poluição e destruição das zonas de desova. Impedidas de se reproduzirem e sujeitas a captura desenfreada, facilmente se percebe que algumas destas espécies sejam consideradas ameaçadas, de acordo como Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal: salmão (criticamente em perigo) e lampreia e savelha (vulneráveis). Segundo esta obra, reeditada em 2008, “os peixes dulciaquícolas e migradores correspondem ao grupo taxonómico com a percentagem mais elevada de espécies classificadas com categorias de ameaça ou quase ameaçadas (69% das 441 avaliadas).”
Não tem havido a precaução sistemática de dotar os obstáculos, como barragens, represas e açudes, de passagens para peixes. E, muitas vezes, quando tal preocupação existiu, as passagens construídas mostram-se quase sempre inadequadas. No Douro, o efeito de barreira é bem conhecido, pois os peixes só conseguem chegar à parte terminal do rio, onde surge a primeira de várias barragens que amansaram as suas águas revoltosas e impediram para sempre a subida destes migradores. Curiosamente, nas albufeiras de Castelo de Bode (Zêzere) e Carrapatelo (Douro), existem populações de sável que ficaram retidas pela construção das respetivas barragens. Porém, estas populações constituem uma exceção, dado que os indivíduos que as compõem conseguem nascer, crescer e reproduzir-se exclusivamente em águas doces.

Preciosidades a preservar
As joias da coroa dos nossos rios e albufeiras são os peixes considerados endemismos portugueses (boga-portuguesa, boga, ruivaco, ruivaco-do-oeste, escalo-do-Arade e escalo-do-Mira) ou ibéricos (saramugo, barbo-do-norte, barbo-focinheiro, barbo-de-cabeça-pequena, barbo-do-sul, barbo-de-Steindachner, boga-de-boca-arqueada, boga-do-Guadiana, bordalo, panjorca, escalo-do-norte, escalo-do-sul, verdemã e verdemã-do-norte). São todos catalogados como espécies ameaçadas.
A boga-portuguesa (Chondrostoma lusitanicum) foi dada a conhecer ao mundo científico em 1980 por Maria João Collares-Pereira, investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Segundo fonte do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), trata-se de uma espécie pouco abundante (criticamente em perigo), que se encontra em regressão devido à alteração e destruição do habitat, ao aniquilamento e perturbação das populações, à introdução de novas espécies e ao isolamento geográfico. A sua distribuição geográfica parece cingir-se a alguns troços terminais das bacias hidrográficas do Tejo para sul. Mais recentemente (2005), foi descoberta a boga Chondrostoma almacai, que habita nos rios Mira, Arade e Bensafrim e se considera também criticamente em perigo.
O ruivaco (Chondrostoma oligolepis), que também só pode ser observado em Portugal, embora pareça abundante e com populações estáveis, segundo dados do ICNB, pode ser ameaçado pela destruição do habitat e pela introdução de espécies exóticas nos cursos inferiores das bacias dos rios Douro, Vouga, Mondego e Tejo, onde ocorre. Os autores que descreveram a espécie em 2005 propõem que lhe seja atribuído o estatuto de conservação de “criticamente ameaçado”.
O escalo-do-Arade (Squalius aradensis), descoberto em 1998, restringe a sua distribuição às ribeiras de Seixe e de Quarteira, ocorrendo em Aljezur, Alvor e Arade (que lhe deu o nome). Está criticamente em perigo e o aumento das pressões humanas devido aos interesses turísticos, o agravamento dos períodos de seca, os vários tipos de poluição e a introdução de espécies exóticas são alguns dos principais fatores de ameaça. Já o escalo-do-Mira (Squalius torgalensis), tal como indicia o seu nome comum, ocupa a bacia hidrográfica do Mira, onde está criticamente em perigo. Pressões climáticas durante a época estival associadas às pressões humanas devido aos interesses turísticos, à extração de inertes que destrói as zonas de postura e a vários tipos de poluição são algumas das causas para a sua regressão.
Dos peixes endémicos da Península Ibérica, que existem apenas em Portugal e Espanha, merece destaque o saramugo, que, com os seus 7 cm de comprimento, é o mais pequeno dos peixes da família dos Ciprinídeos (na qual se incluem os barbos, as bogas, os escalos, a carpa e o pimpão, entre outros) e um dos mais ameaçados de extinção do mundo, estando a sua área de distribuição confinada a alguns fragmentos da bacia do Guadiana.
De entre as cinco espécies de barbos indígenas da Península Ibérica, quatro são consideradas raras. Estas últimas ocorrem todas na bacia do Guadiana, embora o barbo-focinheiro também possa ser encontrado no Tejo e o barbo-do-sul no Mira e em algumas bacias do Algarve. Quanto ao barbo-do-norte, não se encontra ameaçado e é muito comum, ocorrendo em todas as bacias hidrográficas, à exceção das do Mira e do Guadiana e das ribeiras algarvias. Também as quatro espécies de bogas são todas exclusivas da Ibéria, três das quais consideradas raras (boga-portuguesa, boga-de-boca-arqueada e boga-do-Guadiana). Quer a boga-de-boca-arqueada, quer a boga-do-Guadiana vivem principalmente naquele grande rio do sul, onde são pouco abundantes e parecem estar em regressão.
Ameaças e conservação
Todos os peixes de água doce, em especial as espécies consideradas ameaçadas, estão sujeitos a inúmeros fatores que põe em causa a sua sobrevivência: poluição resultante de descargas de efluentes não tratados de origem industrial, urbana e pecuária, assim como a provocada pela utilização de pesticidas e fertilizantes na agricultura; sobreexploração dos recursos hídricos, nomeadamente através da captação de água para rega ou de transvases que provocam a diminuição dos caudais, reduzindo drasticamente o habitat disponível; regularização dos sistemas hídricos através da transformação dos cursos de água em valas artificiais; extração de materiais inertes, com mudança da morfologia do leito do rio e destruição da vegetação que serve de refúgio, alimentação e desova; destruição da vegetação ribeirinha, através de ações de limpeza das margens que diminuem as sombras dos cursos fluviais e alteram a temperatura e a oxigenação da água e o regime dos caudais; introdução de espécies não autóctones de maior interesse comercial ou desportivo (lúcio, achigã e perca-sol, entre outras); efeito de barreira, provocado por barragens e açudes que dificultam eventuais migrações, convertem as águas correntes em águas paradas (alterando as ­suas características físico-químicas), fragmentam as populações e alteram o regime de caudais a jusante da construção; retenção de sedimentos a montante, agravando a erosão das margens e alterando o leito do rio a jusante.
Urge definir normas orientadoras do ordenamento e gestão dos recursos aquícolas, decidir e apoiar medidas mitigadoras dos impactos ecológicos de obras fluviais e promover, realizar e colaborar na execução de estudos de caráter técnico-científico. O futuro dos nossos peixes de água doce passa, em grande medida, por essas ações.
J.N.
Super 164 – Dezembro 2011